Para pensar sobre o abribusiness
10 de fevereiro de 2011 § 1 Comment
Enviado por Lourenço Meirelles Reis
Por que Lula deu certo
20 de dezembro de 2010 § 4 Comments

Dinheiro é Poder.
Existem empreendedores com múltiplas dimensões e existem os que usam a capacidade de empreender exclusivamente para fazer muito dinheiro. Para estes, empreender é, antes de mais nada, o caminho alternativo ao da política para conquistar Poder.
“Porque fulano, já tão rico, continua se matando de trabalhar? Nem tem tempo de gastar o dinheiro que amealhou?” Para aqueles que se deixam atrair por outras dimensões da vida, dinheiro é só um meio de alcança-las. Mas ha os que vivem para o Poder. E Poder nunca é suficiente.
Nada se parece mais com uma ditadura de partido único que a organização de uma grande corporação:
- em ambas todo o poder emana de um “comitê central”;
- não existe nenhuma instância de moderação ou divisão desse poder (e isso é tanto mais verdadeiro quanto mais fraca é a legislação de proteção dos acionistas minoritários);

- a economia é absolutamente planejada, sem nenhuma obrigação de transparência;
- não ha um “Quarto Poder” (imprensa), direito de associação ou liberdade de expressão;
- não existe nada que se pareça com um júri ou com a figura da presunção da inocência até prova em contrário;
- a menor resistência a qualquer ordem emanada do “comitê central” implica em exílio imediato;
- todos têm os seus movimentos permanentemente medidos e monitorados; as comunicações eletrônicas entre funcionários são frequentemente fiscalizadas e em muitas empresas até os relacionamentos amorosos entre empregados são proibidos;
- quem tenta organizar grupos de oposição, como sindicatos, passa a ser vigiado, é banido ou incluído numa lista negra;
- os “governantes” manipulam somas gigantescas, maiores que os produtos nacionais da maioria dos países;
- quanto mais o poder se concentra em grandes monopólios setoriais mais a força desses “comitês centrais” vaza para a sociedade como um todo através da corrupção governamental que eles fomentam, da sua influencia sobre os legisladores e da manipulação que exercem sobre o Poder Judiciário;
- a corrupção desses “governantes” superpoderosos (da empresa para dentro, a favor de si mesmos e contra os interesses dos acionistas) também é proporcional à falta de elementos moderadores dentro do sistema.

A tendência no mundo que o capitalismo de Estado chinês está moldando é, nitidamente, a de que o poder político seja cada vez mais compartilhado entre os agentes dos governos eleitos e os chefões das grandes corporações, restando ao Estado apenas o monopólio da força.
No Brasil não é diferente.
Lula e os super empresários que ele atraiu para a sua orbita – e que se deixaram docemente constranger para ela – são as duas faces de uma mesma moeda. Perseguem, por caminhos diferentes, o mesmo objetivo. E são idênticos na precisão com que são capazes de focá-lo, assim como na persistência e no pragmatismo muitas vezes extremo com que obsessivamente o perseguem.
Conhecem-se desde sempre. Entendem a lógica um do outro. Lula, na verdade, aprendeu com eles na mais refinada das escolas: a da negociação pela repartição dos resultados produzidos pelas maiores empresas do mundo que, nos seus tempos de sindicalista nos anos 70 e 80, eram as multinacionais automobilísticas.
Nem eles nem ele jamais pretenderam mudar as regras do jogo. Mas distinguiram-se sempre, cada um no seu lado do campo, por aprender melhor e mais rápido que os outros a tirar vantagem delas, especialmente das suas falhas.

A social democracia, sim, faz restrições morais e ideológicas à manifestação da força, mesmo quando decorrente do mérito. Preocupa-se precipuamente, junto com as demais correntes democráticas, com a legitimização e a moderação do Poder político. Nascida na academia, sem experiência vivida na seara áspera dos números e na permanente urgência das pressões que cercam o ato de produzir bens materiais, tem o seu foco no devir, no aperfeiçoamento das regras do jogo para fazê-las servir ao engrandecimento do individuo, referencia de todas as coisas.
É aí que ela se afasta da esquerda radical que, ao eleger “o coletivo”, cuja única encarnação possível é o Estado, e o igualitarismo a qualquer custo como valores supremos, escorrega inevitavelmente para a intolerância, a centralização do Poder e a anulação do indivíduo.
Era esta a equação do século 20. A esquerda radical, aquartelada no PT, cooptou Lula, que nunca foi ideológico, porque viu nele, acertadamente, o seu passaporte para o Poder num ambiente que explicitamente a rejeitava (e continua rejeitando). A zebra se deu no fato de que foi Lula quem catequizou o PT e não o contrário, como esperavam os seus ideólogos.

No poder (1995 a 2003), a social democracia limpou o entulho autoritário, reduziu drasticamente o território de caça privativo dos predadores da corrupção inerente ao Estado e cercou o Poder de instituições moderadoras. Mas, no seu desconhecimento de causa, errou feio a mão na carga de impostos que imaginou que a produção seria capaz de suportar. A forte turbulência da virada do milênio fez o que faltava para diminuir a sua colheita.
A “Carta aos Brasileiros”, para além dos discursos de palanque, foi o tributo de Lula à obra de FHC. E a resposta à crise de 2007 com a mais pura e “reaganiana” supply-side economics (forte redução de impostos, ainda que setorial, relaxamento da regulamentação e farta irrigação de crédito sobre o consumo, com ênfase nas camadas mais pobres da população) nos falam da longa experiência vivida de Lula no centro do grande capitalismo multinacional de seus tempos de sindicalista, ausente entre nossos social democratas.
A fome por commodities da China fez o resto.
E isso reforçou a confusão ideológica em que vivemos: o nosso “partido comunista” é que parece estar entrando para a Historia como o grande artífice do capitalismo brasileiro…
Mas o que assistimos até agora foi apenas o trailler de um filme que está só começando.

Para quem nunca provou de fato dessa sopa; para quem se formou e viveu no ambiente polarizado do século 20, “capitalismo” era, pura e simplesmente, a antítese do comunismo, quase um sinônimo de democracia.
A China invadiu o mercado pela porta dos fundos, esmagando nuances, para nos lembrar que não é assim.
Os americanos, que sentiram o gosto amargo dos monopólios ha mais de 100 anos quando os robber barons, unidos, tentaram submeter os consumidores acabando com a concorrência, aprenderam a duras penas que eles são incompatíveis com a democracia. Por isso sempre distinguiram capitalismo democrático de capitalismo selvagem. E cuidaram zelosamente de trancar essa fera na cela da legislação antitruste, que será lembrada pelos historiadores do futuro como a mais refinada obra da democracia ocidental, ora em processo de desmontagem.
O capitalismo de Estado chinês – onde o patrão único de uma constelação de monopólios ainda trata reivindicações trabalhistas com tiros na nuca – anabolizado pela digitalização da vida econômica num mundo onde tudo se copia e tudo se distribui, sem barreiras possíveis, para um mercado globalizado, pôs o monstro de volta nas ruas.

Educação e capacidade de inventar já não são fatores decisivos de sucesso. O custo – que, em ultima análise, é a quantidade de dignidade humana preservada no ato de produzir – é a única arma que decide hoje quem ganha e quem perde a competição econômica.
Como os Estados Unidos de 100 anos atrás, o mundo foi empurrado pela China para a voragem das fusões e aquisições que, em 20 anos, criou os maiores níveis de concentração de riqueza já registrado nas democracias ocidentais (e fora delas).
A perspectiva não é brilhante.
As ditaduras se profissionalizaram. Operam hoje segundo as “melhores práticas de governança corporativa”. Se a incapacidade de criar riqueza foi o que realmente derrubou as ditaduras do século 20, a novidade da ditadura próspera, introduzida pela China, será o mais duro teste do amor do homem pela Liberdade que a história produziu até hoje.
Lula, com sua legendaria intuição e seu proverbial desprezo pelas virtudes “burguesas”, entendeu perfeitamente o recado. Esta formando, com a plêiade dos eleitos do BNDES, o time que vai jogar com ele o grande jogo mundial dos monopólios, onde esses cacos da velha política a quem ele ainda atira pedacinhos do Estado terão papel menos que coadjuvante, apenas enquanto forem necessários.

Seu novo iPad já está obsoleto?
10 de dezembro de 2010 § 1 Comment

O iPad que acaba de ser lançado no Brasil poderá estar obsoleto em um ou dois meses.
Apesar de Steve Jobs ter negado, em outubro passado, que a Apple estivesse preparando um modelo menor do seu “tablet”, fornecedores chineses de componentes entrevistados pela Reuters acreditam que um “tablet” quase 50% menor que o atual está sendo preparado.
A matéria não esclarece se o “tablet” do tamanho atual também será mantido. Quando negou a versão de tamanho reduzido, Jobs disse que o que impedia essa possibilidade era a complexidade do software que ele utiliza, problema que pode ter sido superado.
O novo iPad incluiria, ainda, câmeras na parte da frente e na parte de trás do equipamento, o que permitiria a inclusão do sistema Facetime, em funcionamento no iPhone 4, onde as pessoas se comunicam vendo a imagem dos seus interlocutores. O novo iPad seria, também, mais fino e mais leve e teria uma tela com resolução melhor que a do modelo atual.

Seve Jobs é obcecado pelo segredo com que cera seus produtos em desenvolvimento e, por isso, encomenda componentes a diferentes fornecedores que nunca sabem para que aparelho estão fabricando aquelas peças. A matéria da Reuters, que pode ser lida na integra aqui, baseia-se em entrevistas com cinco fornecedores diferentes. Um deles disse ter razões para acreditar que Steve Jobs vai anunciar o novo produto em janeiro de 2011 e ele deverá estar à venda em abril.
O iPad original, que chegou ao Brasil no momento em que a Apple lançava uma ampla atualização do seu aplicativo “baixavel” pela internet, foi lançado dia 27 de janeiro passado e vai vender 13 milhões de unidades até o final deste primeiro ano. A expectativa é de quase triplicar esse volume de vendas em 2011, quando a Apple deverá vender 70% dos 60 milhões de “tablets” produzidos no mundo.

Você está sendo roubado!
19 de novembro de 2010 § Leave a comment

E, desta vez, o ladrão não é o governo!
Outro dia, entrei num supermercado para comprar orégano e adquiri uma embalagem (saquinho) do produto, contendo 3 g, ao preço de R$ 1,99. Normalmente esse tipo de produto é vendido nos supermercados em embalagens que variam de 3 g a 10 g. Cheguei em casa e resolvi fazer o cálculo. Constatei que estava pagando R$ 663,33 pelo kg dessa ervinha.
Nem droga custa isso!
Aí comecei a fazer contas. Os campeões desse tipo de “me engana que eu gosto” são os fabricantes de impressoras. Eles oferecem máquinas cada vez mais baratas e cartuchos de tinta cada vez mais caros. Em alguns casos o conjunto de cartuchos pode custar mais que a própria impressora. É melhor trocar a impressora que fazer a reposição dos cartuchos.
Veja este exemplo:
Uma HP DJ3845 é vendida, nas principais lojas, por aproximadamente R$170,00. A reposição dos dois cartuchos (10 ml o preto e 8 ml o colorido), fica em torno de R$ 130,00. Daí, você vende a sua impressora semi-nova, sem os cartuchos, por uns R$ 90,00 (para vender rápido), junta mais R$ 80,00 e compra uma impressora nova com os cartuchos originais de fábrica.
Os fabricantes, na maior cara de pau, fingem que não é com eles. Dizem que é caro por ser “tecnologia de ponta”. Para piorar, de uns tempos para cá passaram a diminuir a quantidade de tinta nos cartuchos mantendo o preço.Um cartucho HP, com míseros 10 ml de tinta, custa R$ 55,99. Isso dá R$ 5,59 por mililitro ou R$ 5.590,00 por litro. Os modelos HP 1410, HP J3680 e HP3920, que usam os cartuchos HP 21 e 22, estão vindo somente com 5 ml de tinta!
Só para comparação, o champagne Veuve Clicquot City Travelle custa, por mililitro, R$ 1,29.
Mas o campeão dos ladrões é a Lexmark, que vende um cartucho para a linha de impressoras X, o cartucho 26, com 5,5 ml de tinta colorida, por R$75,00.Fazendo as contas: R$ 75,00 / 5.5ml = R$ 13,63 o ml. R$ 13,63 x 1000ml = R$ 13.636,00 o litro!!

Com este valor, pode-se comprar, aproximadamente:
- 300 gr de OURO;
- 3 TVs de Plasma de 42′;
- 1 UNO Mille 2003;
- 45 impressoras que utilizam este cartucho;
- 4 notebooks;
- 8 Micros Intel com 256 MB.
Ou seja, nós estamos sendo assaltados !
Acho que todos os fabricantes e comerciantes, deveriam ser obrigados por lei (mais uma?) a estampar em locais visíveis, os valores em kg, em metro, em litro e etc. de todas e quaisquer mercadorias com embalagens contendo quantidades inferiores aos seus padrões de referência.
O consumidor tem o sagrado direito de ter a percepção correta e transparente do valor cobrado pelos fabricantes e comerciantes em seus produtos.

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