A demolição do Cade e a imprensa com Alzhaimer

21 de março de 2014 § 4 Comentários

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E, de repente, a imprensa decide que está na hora de deixar de esconder que o “caso Alstom” não afeta só o PSDB — dos seus fundadores mortos ate hoje estão todos pendurados na cruz há meses sem fim — mas sim todos os partidos em todas as capitais do país onde foram construídos metrôs ou comprados trens urbanos nas quais o PT e seus aliados, que têm pavimentado essa via cucis com a ajuda dos fariseus do “jornalismo”, fazem a esmagadora maioria, tais como Porto Alegre, o Distrito Federal, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e etc.

Enfim, o esquema “teria ocorrido” em 15 licitações pelo pais afora entre 1998 e 2013 como já se sabia desde o primeiro dia dessa história mas tem sido zelosa e recorrentemente “esquecido” por toda a imprensa nacional.

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Como anteontem o Cade publicou a íntegra da sua “investigação” sobre o “cartel da Alstom” (que na verdade não é nem pode ser só da Alstom o que é uma decorrência da própria expressão “cartel”), a imprensa foi obrigada a se lembrar desse “pormenor” que, a julgar pelos antecedentes, voltará a ser equecido assim que cessar a obrigação de ler documentos e as redações voltrem à paz modorrenta da repetição automática do que lhe dizem as “fontes” do costume, quais sejam, estas que o PT instalou dentro do Cade para converter aquela que deveria ser a mais importante agência governamental dentro de um regime de capitalismo democrático em uma mera fábrica de fofocas eleitoreiras que não encontram respaldo sequer nos dossiês que ela própria produz.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica, recorde-se, foi criado como uma autarquia ligada ao Ministério da Justiça para zelar para que os interesses de nenhuma empresa,  individualmente, se sobreponham ao interesse do consumidor brasileiro que é ter o maior número de concorrentes em cada setor da economia disputando a sua preferência pela soma do menor preço com a maior qualidade.

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Mas deixou de ter qualquer significado num governo a que qualquer instrumento verdadeiramente democrático horroriza e que, nestes 12 anos, não fez outra coisa senão colocar toda a força do Estado para produzir o efeito exatamente oposto, gastando centenas de bilhões de dólares dos contribuintes, via BNDES, para esmagar a concorrência e atirar contra eles próprios um monopólio em cada setor estratégico da economia brasileira.

Como resultado não é só no seu papel de  consumidor que o brasileiro está condenado a servir esses monopólios que o tratam da maneira que os Procons inutilmente registram; é por esse meio transverso que o PT exerce, também, o mais absoluto controle sobre as demais empresas brasileiras – e por tabela sobre os seus empregados – que ficam sujeitas aos barões do BNDES, ou como compradores únicos da sua produção, ou como fornecedores únicos dos insumos necessários a ela.

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É por meio dessa arma que o PT exerce a sua ditadura mal disfarçada condenando à morte econômica todo e qualquer desafeto, seja no garrote vil da “concorência” com um desses monstros, seja na guilhotina de uma “fiscalização tributária” servida por um sistema de espionagem computadorizada que só tem semelhante na NSA que tanto indignou dona Dilma de Pasadena, e que escaneia uma balburdia tributária feita sob medida para não poder ser cumprida integralmente por nenhuma empresa de modo a deixar todas elas sempre expostas ao cutelo do governo.

O ministro da Justiça, com aquele ar de santarrão, sempre a dar explicações para o inexplicavel e justificações para o injustificável na televisão toda vez em que seu partido é flagrado em delito, o que acontece com frequência cada vez maior, tem, aliás, se revelado o olho do furacão da ditadura mal disfarçada que vivemos. E ei-lo outra vez nele, como responsável pelo Cade que é.

a9O pior papel, contudo, tem sido o da imprensa. Nenhum ser humano adulto em pleno Terceiro Milênio tem o direito de ter qualquer dúvida razoável de que um setor como o da fabricação de trens reunindo 8 empresas em todo o mundo – as que se compuseram no famigerado “cartel da Alstom” – se comporá sempre em “cartel” para dividir as poucas licitações que o mundo oferece nessa área.

É essa a explicação porque todos os nossos metrôs de todos os nossos governos estaduais de todos os nossos partidos estão nesse mesmo saco, sem que haja grande cupa deles nisso.

Desde sempre, portanto, esse barulho todo dirigido contra apenas um deles não pode deixar de ser um jogo de cartas marcadas.

Ninguém é santo?

Mais que isso. Ninguém pode ser santo nesse lodaçal institucional sobre o qual escorrega a vida política brasileira.

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Mas obtusidade tem limite. Se alguém perdeu algum capítulo dessa novela, especialmente sendo um especialista em informação, tinha a obrigação de pelo menos desconfiar e ir investigar melhor o que lhe diziam. Ou ao menos ir ao arquivo posto que desde o primeiro dia dessas “denúncias”, já se sabia o que foi incidentalmente lembrado ontem, a saber, que todos, especialmente quem mais grita contra os demais, estão com o rabo preso nesse mesmo torniquete.

Mas é inútil. Essa lembrança só assoma a cabeça dos nossos jornalistas de seis em seis meses. No meio tempo, come livre e forte o disse-que-disse nunca checado, sempre “dado a acesso”, em que, ultimamente, cresce a palavra “suborno”, supostamente de uma empresa contra outra para ganhar paradas para as quais … elas estão previamente acertadas num “cartel”.

Faz sentido?

Que importa? Afinal, este é o paraíso dos analfabetos funcionais que conseguem ler alguma coisa mas não entendem o que lêm. Então fica o dito pelo não dito na memória do eleitor e isso é o que interessa ao PT.

Mas e aos jornalistas? Esses que nunca desconfiam de nada? Do jeito que a coisa vai, só se safarão aqueles que chamarem a si esse qualificativo apenas desairoso — o de não entenderem o que leem ou ouvem — para evitar que lhes sirva a carapuça de outros muito piores.

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2015 é o ano do tamanduá

23 de janeiro de 2014 § 2 Comentários

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Se a minoria consciente já o sabia, agora ha uma medição concreta. Viramos o espigão da subida dos salários e iniciamos a descida do morro, sempre por aquele tradicional método da inércia brasileira: o que os governos não fazem o mundo acaba fazendo por eles.

Pela primeira vez desde 2008 o peso dos salários em dólar caiu para a indústria brasileira entre janeiro e novembro de 2013. Nada que salve uma indústria que além da monumental carga de impostos e das condições dramáticas da qualidade da mão de obra (educação) e da infraestrutura, teve esse custo aumentado em 54% no acumulado entre 2009 e 2012. A redução do ano passado, de 3,8% no custo do trabalho por unidade produzida, decorre dos primeiros sinais da disparada do dólar que vem vindo por aí e só vai assumir a velocidade real depois da eleição deste ano.

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Nominalmente, em reais, os trouxas continuam tendo a impressão de que o salário segue subindo mais que a produtividade. Esse tem sido o truque mediante o qual o PT vem sustentando a sua popularidade a custa da implosão da economia nacional que, agora, vai chegando no osso com as contas “fechando” mediante as mágicas do dr. Mantega enquanto as chinas da vida nos vão comendo pelo pé.

O truque é duplamente venenoso e o que o PT comemora sempre, com o dedo na cara do mundo como ainda agora em Davos, é a tomada progressiva de toda a economia por esse veneno sistêmico.

Funciona assim: aumenta-se o salário acima da produtividade na indústria. Esta, que é a base concreta de todo o sistema de produção de riqueza nova, começa a minguar primeiro. Mas como ha uma inundação de dinheiro novo no sistema, ainda que falso, não representando ganho de produção, e o pessoal começa a gastar mais, o setor de serviços passa a vender muito mais, ou seja, incha e absorve o desemprego da indústria.

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O setor de serviços tem, então, de contratar mais gente do que a indústria está demitindo porque ainda não inventaram um jeito de fazer manicures, hot-dogs, restaurantes e cabeleireiros lá da China competir com os brasileiros como os produtos da sua indústria competem. Assim, a festa dos serviços é emprego na veia e os salários sobem mais ainda também para a indústria porque os dois setores disputam os mesmos empregados desqualificados.

É a pá de cal…

É por isso que os empregos na indústria vêm caindo ha 30 meses seguidos, junto com a produção, e as importações e o consumo disparando, assim como as compras diretas do exterior por brasileiros nestes tempos de internet e viagens facilitadas. Lá na base o que sobe, portanto, é o consumo em dólar.

A conta começa a chegar com a disparada do dólar (que começa a faltar) pra restabelecer a verdade daquele jeito que quem é maior de 40 anos já viu 20 vezes.

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Acaba tudo como a Venezuela e a Argentina, os paradigmas bolivarianos que o PT tem como melhores amigos e “parceiros comerciais“, que ontem desvalorizou o peso em 12% e anunciou que as compras na internet por seus nacionais estão proibidas. Cada argentino só poderá comprar duas vezes por ano na internet, 25 dólares de cada vez, a partir de agora. Outras imporações como as que fazia do Brasil então,nem pensar.

Ponha-se por cima disso o que vem sendo feito com outros setores essenciais pra comprar voto. Os de energia e combustíveis, por exemplo. Não foram apenas as elétricas e a Petrobras que o PT quebrou com sua genial invenção de baixar o preço da luz por decreto, inundar o país de automóveis baratos endividando o povo para enchê-lo de lata em vez de educação e infraestrutura, e depois segurar na marra o preço da gasolina. Quebrou também a indústria sucro-alcoleira, uma das maiores cadeias de produção do país (máquinas, adubos, usinas, transporte, exportação, etc.).

Ontem foi anunciado que o Brasil está importando etanol dos Estados Unidos, acredite se quiser! O primeiro navio descarregou 100 milhões de litros no porto de Itaqui, no Maranhão. Como o Nordeste ia ficar sem gasolina em ano de eleição porque, quebradas as usinas de álcool, da região a Petrobras não consegue nem processar nem distribuir o petróleo que importa por lá, dona Dilma, depois de manter o álcool nacional abaixo do preço de custo (porque o dele é função do preço da gasolina), desonerou o etanol de milho importado dos EUA do PIS e do Cofins, o que é mais um ralo nas contas públicas.

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É o tiro na nuca. Do jeito que vai, não vai sobrar nada.

A produção e as condições brasileiras de produzir álcool eram tão boas ha 10 anos que, em 2003 o Brasil lançou os carros flex. Em cinco anos o consumo de álcool já tinha ultrapassado o de gasolina.

Na média, um hectare de cana produz 7200 litros de álcool enquanto um de milho americano produz 3100 litros. De troco, as emissões de CO2 de um litro de álcool somam 400 gramas enquanto o de gasolina gera 2200 gramas. Mas mesmo assim, hoje os carros flex enchem seus tanques com gasolina. É “mais barato” (até o fim da eleição).

Resultado: de 385 usinas de cana nacionais, 100 estão endividadas até o cabo, praticamente paralisadas ou fecharam as portas. E dezenas de outros projetos que estavam prontos para decolar nem saíram do papel.

Mas a popularidade de dona Dilma se salvou, que é o que interessa.

É possível que dona Dilma consiga marcar seu gol. Mas quem vai correr pro abraço, que em 2015 vai ser dado no povo, vai ser mesmo o tamanduá. Será o abraço sufocante do dólar e da inflação nas alturas que vão nos contar, do pior jeito que ha, de que tamanho é essa mentira chamada PT.

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O governo zela por você!

5 de novembro de 2013 § 1 comentário

mama1

A Anatel anunciou que a partir de sexta-feira passada os atuais 20% ficaram fora da lei. Agora os provedores de internet de “banda larga” terão de entregar “no mínimo” 30% da velocidade pela qual, desde sempre, nos cobram e, na média mensal, 70%.

E tem mais: para novembro de 2014 esses números serão reduzidos para um mínimo de 40% e uma média de 60%.

mama1

Mantido o ritmo lá por 2020 estaremos empatando: elas vão nos entregar tudo por que pagamos estes anos todos.

A vantagem de se viver num país com “a legislação mais avançada do mundo” onde o governo realmente cuida da gente e tudo está garantido pela Constituição é que quando a lista dos nossos direitos cresce a ponto de esgotar a imaginação dos nossos benfeitores não tem problema. Eles a retomam do princípio, agora garantindo a entrega de parcelas dos direitos previamente adquiridos.

Não é o máximo?

mama1

(DEMOCRACIA À MÃO ARMADA É A SOLUÇÃO)

Brinquedo novo

20 de setembro de 2013 § Deixe um comentário

Vídeo sugerido por Cláudio Noschese

Feito por encomenda por uma empresa da Califórnia. A base é um Jeep CJ-8, o motor um Honda Acura 3.7-liter V6 305 hp, o casco é de fiberglass, tem rodas retráteis e custa US $135,000.

Civilização é só medo da polícia

27 de maio de 2013 § 15 Comentários

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Enquanto nossas autoridades seguem mergulhadas na momentosa discussão para saber se a transformação do tiro na cabeça à queima roupa numa espécie de esporte nacional é mesmo função da pobreza e se há alguma coisa que se possa fazer a respeito mais que manter seus praticantes soltos pelas ruas do Brasil enquanto se distribui dinheiro por aí, o mundo rico nos dá provas cada vez mais veementes de que a civilização não é mais que medo da polícia, bastando tirar de cena a perspectiva da cadeia para que regressemos ao estado selvagem.

Não é que o dinheiro não é capaz de curar-nos do que somos. Nem mesmo a educação é capaz disso por si só.

Ao contrário, o que os fatos demonstram é que dinheiro e conhecimento sem polícia fazem dos mais refinados e ricos entre os exemplares da espécie apenas predadores mais eficientes.

ban10

Os produtos da Apple, por exemplo, revolucionaram todos os processos humanos, dos atos mais prosaicos do cotidiano ao modo de se abordar a mais alta ciência. E Steve Jobs, seu criador, tem sido saudado, com toda a propriedade, como o maior gênio da raça depois de Leonardo da Vinci.

Mas bastou que as ferramentas que ele próprio ajudou a inventar universalizassem as leis da economia – que ritualizam os nossos instintos básicos – antes que pudessem universalizar as leis da política – que ritualizam os diferentes graus de superação desses instintos básicos que as sociedades humanas foram capazes de atingir – para que ele próprio indicasse aos seus concorrentes a oportunidade que isso abria de voltar impunemente ao mesmo grau de exploração do homem pelo homem dos primórdios da Revolução Industrial.

ban11

E lá migrou a empresa símbolo do auge da sofisticação científica atingida pela humanidade para os mais remotos grotões da China para explorar a miséria criada pela utopia socialista e o trabalho quase escravo de crianças para cima, em esquemas marcados por tais extremos de vilania que chegaram a produzir ondas de suicídios em massa.

O seu espetacular “sucesso” como “empreendedor” – tinto de sangue pouco importa – arrastou para os antros de miséria do mundo os empregos dos seus próprios conterrâneos que, não obstante, babavam de admiração por esse grande feito “empresarial” enquanto compravam baratinho os produtos desse esquema vil com seus salários reduzidos pela competição dos pobres do mundo.

ban5

Graças a essa mesma oportunidade de fazer sem medo da polícia o que os levaria para a cadeia em seus próprios países, os mais “sensíveis” e “criativosdesigners de moda exportaram a produção das roupas e acessórios que criam “para tornar a vida mais confortável e glamurosa” para “fábricas” sórdidas nas Bangladeshs da vida onde trabalhadores famintos que imploram por um salário de US$ 38 por mês se amontoam em tugúrios onde mourejam de sol a sol sob o risco de morrerem envenenados ou esmagados por desabamentos.

Benetton, Mango, Primark, H&M, Tommy Hilfigher, Calvin Klein, Tchibo, The Children’s Place, Monsoon, DressBarn ou a nossa C&A, foram algumas das marcas que, por tras de seus desfiles e editoriais de moda recheados de beleza e abundância, tiveram de se desculpar pelo último desastre do gênero. Nada que outros que ainda não tiveram tanto destaque não façam também.

ban13Mas suas lojas espalhadas pelo mundo continuam abarrotadas de gente ansiosa por desfilar por aí um look cool a preço conveniente.

Bangladesh que se lixe!

O mesmo caso da nossa Vale do Rio Doce, que faz com os seus carvoeiros de Moçambique o que nem no Brasil é permitido fazer…

A civilização, repito, não é mais que medo da polícia. Está na hora, portanto, de nossas autoridades meterem mãos a obra em vez de seguirem esperando, com as nossas e as cabeças de nossos filhos como alvo, que alguma espécie de milagre convença os assassinos que andam a solta por aí a nos entregar de livre e espontânea vontade aquilo que nem os mais ricos, sensíveis e educados representantes da espécie entregam senão contra uma muito concreta certeza de acabarem seus dias numa jaula se resistirem a faze-lo.

ban6

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