4 de dezembro de 2024 § 1 comentário

Marc Andreessen, fundador do Netscape, um dos primeiros navegadores de internet, e uma das cabeças mais fora da caixinha de Silicon Valley, revela, nesta conversa com Joe Rogan, como o governo Joe Biden e os monopólios das big techs, restaurando o velho modelo do conluio do poder político com o poder econômico que a reforma que redirecionou o sistema americano para um viés anti-truste na virada do século 19 para o 20 tratou de corrigir, vêm conspirando contra a democracia americana.


MA:
Não há nada que aconteceu no Twitter e foi revelado nos arquivos do Twitter que não tivesse acontecido em todas as outras empresas. É um padrão consistente. Se tivessem aberto os arquivos do YouTube, eles seriam exatamente iguais aos do Twitter. E, claro, nós temos de abrir os arquivos do YouTube também. E provavelmente vamos conseguir isso agora. O novo governo provavelmente vai tirar tudo isso a limpo, mas, sabe, era um padrão.

As empresas têm muita responsabilidade nisso. O pessoal delas tomou muitas decisões ruins, na minha opinião. Mas o governo, a Casa Branca de Biden diretamente, estava pressionando empresas americanas para censurar cidadãos americanos, o que é claramente ilegal. Eles têm de ser processados criminalmente. Além disso, membros do Congresso fizeram a mesma coisa, o que também é ilegal.

E houve muito financiamento para ONGs e outras entidades privadas que faziam grande pressão pela censura. Uma forma de terceirizar a censura. Para dar só um exemplo, ha uma unidade em Stanford, aqui ao lado, que era uma unidade de censura da internet financiada pelo governo dos EUA e que exerceu enorme pressão sobre as empresas para censurar. E foi muito eficaz nisso.

JR:
Você sente cheiro de enxofre quando anda por aqueles corredores?

MA:
É um ambiente muito sombrio e desolador. Tudo isso é muito ruim. Stanford, sim; Stanford! Existe outra unidade como essa em Harvard. Várias universidades foram envolvidas nisso. Muitas ONGs e organizações sem fins lucrativos também. Os arquivos do Twitter nos mostraram um tipo de roteiro básico.

Além disso, há uma coisa chamada Comitê de Armazenamento, liderado pelo deputado (Jim) Jordan (R-Ohio), que também revelou muito desse esquema. Mas eu acredito que a nova administração Trump vai escancarar isso completamente. Eu estou sabendo que há pessoas sendo nomeadas para cargos importantes que estão muito determinadas a fazer isso.


MA:
ONG é um desses termos ótimos: organizações não governamentais, certo? Tipo, o que é isso exatamente?

JR:
O que é isso? Me diga.

MA:
Eu não sei bem. É uma espécie de caridade, mas na maioria das vezes é uma entidade política com uma agenda política. E frequentemente é financiada pelo governo, em uma grande porcentagem dos casos, incluindo as ONGs envolvidas no complexo de censura. Como subsídios do governo, da Fundação Nacional de Ciência, diretamente do Departamento de Estado.

Dinheiro direto. E aí você tem uma ONG financiada pelo governo. Bem, isso não é uma ONG, certo? É uma organização governamental. E então você tem uma conspiração, sabe, uma conspiração de censura, porque você tem funcionários do governo usando dinheiro público para financiar organizações que parecem privadas, mas não são.

O governo terceiriza para essas ONGs coisas que não pode fazer legalmente, como censura. Violações dos direitos da Primeira Emenda, por exemplo. O governo não pode censurar cidadãos americanos. Então, se você quer censurar, mas está no governo e é esperto, você não faz isso diretamente. Em vez disso, você financia uma organização para fazer isso por você.


JR:
Quer dizer que existem zero de bancos novos!

MA:
Literalmente! Foi como uma parada cardíaca. Nenhuma licença nova foi jamais expedida. Acabou para novas licenças bancárias. Muitos empreendedores tentaram criar novos bancos, mas isso é literalmente impossível, porque você precisa se enquadrar a uma muralha de regulamentos. Para escalar essa muralha você precisa um batalhão de 10 mil advogados e especialistas em compliance. E ninguém consegue pagar isso antes de crescer. Sem isso você não consegue funcionar. E se não consegue funcionarem não consegue existir. Não se torna financeiramente viável.

JR:
Uau!

MA:
É isso que acontece no setor bancário. E é exatamente isso que eles estão fazendo com as mídias sociais. E não sei com elas, aliás. Isso é o que acontece em muitos outros setores. Com a industria de alimentos, por exemplo.

É aí que governo e empresas se aliam. E aí você pergunta. Essas empresas ainda são privadas? Sim, elas têm ações na bolsa e o seu CEO. Mas esse CEO tem de fazer tudo que o governo quiser que ela faça? Sim, porque se não fizer, sofrerá investigações, intimações, processos e auditorias pelo resto da sua vida.

JR:
Uaaaau!
Mas é exatamente disso que acusamos o Partido Comunista Chinês de fazer na China.

MA:
É a importação disso. Se você combinar o setor bancário e as mídias sociais, agora você basicamente privatizou o sistema de crédito social. É onde isso acaba, certo? E isso remonta à greve dos caminhoneiros. Você não precisa ameaçar tirar os filhos de alguém. Basta ameaçar tirar tudo que garante a segurança deles. Você não precisa ameaçar diretamente, basta que o governo deixe de garantir o seguro deles.

A mesma coisa está acontecendo na indústria de seguros. Ela está consolidada em um pequeno número de empresas altamente regulamentadas. Se o governo não quiser que você tenha um seguro, você não terá um seguro. E não existe um direito constitucional ao seguro. E portanto não ha como apelar dessa condenação.

E isso nos leva de volta à questão dos bancos. Isso aconteceu no setor bancário, está acontecendo na Internet, nas mídias sociais em geral e em muitos outros setores. Está acontecendo especificamente no campo da Inteligência Artificial. Os que estão em Inteligência Artificial querem essa regulamentação porque a maior ameaça para eles é que startups com acesso a financiamento barato venham a derrubá-los.

Então eles dizem: “Olha, para consolidar nossa posição e cercá-la de proteção governamental, nós faremos tudo que o governo quiser.” E se assumirmos que o governo está sendo controlado por pessoas que querem censurar, punir e cancelar seus oponentes políticos, isso virá junto no pacote.


MA:
Há alguns passos nesse processo. Primeiro, você quer um número muito pequeno de empresas para facilitar o controle. Depois, você as reune num cartel protegido por regulamentos, o que cria a relação de dependência entre elas e o governo. E isso impede que qualquer empresa nova entre nesse cartel.

JR:
E como eles fazem isso?

MA:
Essa é, basicamente, o esquema de “captura regulatória”. Está solidamente estabelecido na economia e na política. Acontece há séculos. É uma técnica muito bem consolidada na economia e na política.

Suponha que você seja o Jamie Dimon de um J.P. Morgan Chase. Qual seria a maior ameaça para você?

Que alguma mudança disruptiva destruísse todo o seu modelo de negócios. É o exemplo da Kodak: eles ganhavam bilhões com filmes analógicos, mas o negócio foi destruído pelas câmeras digitais. E ainda escreveriam no seu obituário que você foi um idiota.

JR:
Ou a Blockbuster…

MA:
Isso, a Blockbuster. Esses são os exemplos. As histórias de terror que os executivos contam em volta da fogueira. São absolutamente aterrorizantes para eles…

Nas escolas de negócios eles ensinam que isso é tudo que você deve evitar a qualquer custo. Há duas formas de lidar com isso. Uma é você inventar o futuro antes que ele te alcance, coisa que é muito difícil para grandes empresas. As startups têm liberdade para experimentar e tomar riscos. Mas fazer isso em grandes empresas e arriscado e perigoso.

A segunda forma é ir ao governo e propor um acordo: “Gostaríamos que o governo erguesse um muro de regulamentações à nossa volta. Milhares de páginas de regras. Quanto mais, melhor. Essa muralha de regulamentos tem de ser muito, muito alta, porque eu, como uma empresa gigante, posso pagar 10 mil advogados e especialistas em compliance. Basicamente, eles se colocam voluntariamente sob a tutela do governo, mas ele me garante, em troca, que, quando surgir a próxima startup, ela simplesmente não consiga operar.


JR:
…com drones, por exemplo, você pode fazer tudo muito mais rápido e com “forças G: muito mais altas, porque não precisa se preocupar em manter um ser humano vivo.

MA:
Forças G. Isso mesmo.

JR:
E não há opção para alguém enlouquecer.

MA:
Não, exatamente. Isso é correto, sim.

JR:
Sem o elemento humano, o que também é algo relevante.

MA:
Sim, sem dúvida. Acho que será comum termos drones de velocidade Mach 5 em poucos anos. Eles serão uma fração do tamanho dos aviões tripulados atuais, o que significa que você pode ter muitos mais deles. Imagine mil desses drones vindo pelo horizonte diretamente em sua direção.

Isso muda drasticamente a equação fundamental da guerra. Antigamente, ganhavam as guerras quem tivesse mais homens e mais recursos materiais. Você precisava de mais soldados e mais equipamentos. Nesse mundo de drones, quem vencerá serão os que tiverem mais dinheiro e a melhor tecnologia.

Por exemplo, pequenos estados avançados, como Cingapura, poderão atuar muito acima de seu peso. Por outro lado, grandes estados economicamente ou tecnologicamente atrasados, que normalmente venceriam, agora perderão. Vai haver uma recalibragem. A boa notícia é que você não estará mais colocando soldados em risco.

Haverá muito menos perdas humanas. A má notícia, talvez, é que será mais fácil entrar em conflitos, porque você não está colocando soldados em risco. Será necessário recalibrar a forma como se decide quando atacar ou não.


MA:
Isso também se reflete no setor dos alimentos. A história do xarope de milho rico em frutose é um paradigma. O xarope de milho foi um subproduto dos subsídios do governo à agricultura.

JR:
O que foi bom durante a 2a Guerra Mundial, porque precisávamos de comida…

MA:
Sim, naquela época fazia sentido. Mas, nos anos 1970, estávamos produzindo muito além do necessário, especialmente milho. O lobby do milho, parte do lobby agrícola, tornou-se muito poderoso. Nós temos uma agência governamental, uma das 450 que estão aí, chamada USDA (Departamento de Agricultura dos EUA).

O USDA tem um duplo mandato: promover a agricultura americana, especialmente produtos como o milho, e nos aconselhar sobre o que devemos comer. Foram eles que criaram a pirâmide alimentar, que ficou invertida por décadas, promovendo os carboidratos em vez das proteínas e gorduras.

Isso aconteceu porque a agência responsável por promover a agricultura também era responsável pelas diretrizes alimentares. Essa mesma agência, através de leis e regulamentos, impôs o uso de xarope de milho rico em frutose, já que era um subproduto do milho.


MA:
E é isso que venho tentando dizer a Washington: se você achou que a censura nas redes sociais foi ruim, isso pode se tornar mil vezes pior. Redes sociais são importantes, mas, no final do dia, são só pessoas conversando.

A Inteligência Artificial será a camada que controlará tudo isso: ela dirá o que seus filhos devem aprender ou nano na escola; quem poderá ou não conseguir empréstimos; se a porta da sua casa vai abrir quando você chegar.

JR:
Uaaau.

MA:
Ela vai controlar tudo.
E se isso for integrado ao sistema político da mesma forma como os bancos e as redes sociais foram, teremos um futuro muito sombrio.

Essa é a luta que importa: evitar que isso aconteça. O governo Biden estava claramente caminhando nessa direção. Era cristalino que esse era o objetivo deles.

JR:
Você acredita que se tivessem sido reeleitos eles ficariam mais animados em ir nessa direção.

MA:
Sim. 100%. E com Kamala, ela nunca deixa claro a posição dela sobre as coisas, se eram ou não eram as mesmas de Biden. Então você pode imaginar o que quiser sobre o que seria…


MA:
Uma maneira de se pensar nesse assunto é que toda informação nova é herética por definição. Não faz parte do que já está estabelecido. Então, toda vez que alguém tem uma ideia nova, isso é uma ameaça ao poder estabelecido. Portanto, toda idéia nova começa como uma heresia. Logo, se você não tem um ambiente que tolera heresias você não terá novas ideias e vice cairá numa estagnação completa e entrará em declínio…

JR:
Claro!

MA:
Essa é a questão central da natureza humana. Essa é a linha divisória. Eu a credito que a ultima década foi um período realmente aberrante, onde as coisas não aconteceram como deveriam.

Em 2015 o Twitter se apresentava como a plataforma da liberdade de expressão por excelência. O Elon basicamente restaurou essa característica; trouxe isso de volta; tornou outra vez normal o que era indiscutivelmente normal 10 anos atrás.

JR:
Isso…

MA:
E eu espero que estes últimos 10 anos se pareçam cada vez mais apenas como um sonho ruim…


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