Esqueçam o que eu escrevi
17 de setembro de 2010 § Deixe um comentário
Ultra competente o editorial do Estadão sobre a conversa de José Dirceu com os petroleiros da Bahia no qual se recorda e se pondera o seguinte:
- foi Dirceu quem batalhou para trazer o PMDB para o governo desde o primeiro turno e ficou encarregado de viajar o Brasil para preparara as alianças estaduais;
- o projeto hegemônico do PT, de “partilhar o pão mas não o leme do poder” com o PMDB ainda terá de ser “combinado com os russos” (do PMDB);
- também falta combinar com o “russo”-mor, Lula em pessoa, essa historia de que a Dilma está fadada a encarnar o projeto político que lhe for servido pelo partido porque o presidente-sombra de sua criatura, está bem claro, será ele e não o PT;
- o ressentimento contra Palocci que transborda da conversa de Dirceu, não deveria se dirigir à imprensa, que ele acusa de “pressionar pela constituição do governo”, mas ao próprio Lula que é quem tem planos de poder para o ex-ministro e força para implementá-los;
- atacar a imprensa nacional como porta-voz “do poder econômico” é uma mentira grosseira já que o aliado de escolha das elites do capital é o (fabricante de mega-bilionários multinacionais com o dinheiro do BNDES) Luis Ignácio Lula da Silva (e vice-versa).
Finalmente, vem o lado mais triste das constatações do editorial:
- por falta de coisa melhor teremos de contar com o PMDB para funcionar como freio e contrapeso à guinada para a esquerda que o PT quer imprimir ao governo Lula e para se opor, como já se opôs por ocasião do lançamento do Programa Nacional de Direitos Humanos, às iniciativas de “controle social” da mídia.
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“A Casa da Mãe Roussef”
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Eliane Catanhede resume com perfeição na Folha de hoje a decisão de fuzilar a ministra Erenice.
“Só falta Lula explicar se ele decidiu isso:
a) para fazer um gesto de caridade com a oposição, coitada, que vai perder feio em 3 de outubro;
b) porque sucumbiu a um complô maligno da imprensa com a elite branca contra a ministra;
c) diante da evidencia de que Erenice, os filhos e os irmãos estavam botando a mão na cumbuca;
d) para todo mundo esquecer rapidinho que Erenice era unha e carne com Dilma Roussef”.
O titulo do artiguinho que abre a seção de opinião, assinado por Fernando de Barros e Silva, aliás, também estava brilhante: “A Casa da Mãe Roussef”.
O artigo diz que a queda de Erenice é a primeira baixa do governo Dilma, a quem a ex-ministra deve sua vida política e o cargo que ocupou até ontem, e que teve uma mãozinha de gente de dentro em busca de espaço no futuro governo nesse fuzilamento.
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Dá pé?
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Dizem que a candidata do Lula para a Casa Civil sempre foi e continua sendo Mirian Belchior, a “viúva” de Celso Daniel.
Ela é a única pessoa “da família” Daniel que não fugiu do Brasil com medo de ter o mesmo fim que ele teve. Os parentes de sangue mesmo estão todos exilados, com medo dos seus antigos “correligionários”.
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“Vote Martha 133”
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Só assim a alegre família dela poderá continuar levando a vida na flauta.
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Dica
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Os dias que correm mostram que entre os do passado e os do presente, ha uma inegável decadência no “estilo” dos que vivem de nos roubar…
Em artigo para a pagina de opinião da Folha, José Sarney dá, em muito bom português, dica sobre livro (aparentemente) coordenado por Andre Singer, contendo entrevistas com os chefes de comunicação da Presidência de JK até Lula. Não sendo jornalista, sua excelência esquece de dar o nome do livro. Mas avisa: “É a primeira publicação sobre os segredos do poder presidencial, (mostra ) como se tomam decisões e os bastidores de como elas chegam ate o publico. As entrevistas são excelentes e revelam a tensão permanente entre o governo e os jornalistas”.
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Falta músculo
Alguém pode imaginar a hipótese do PT não usar um filme de Jose Serra pedindo ao povo para votar num ladravaz que acaba de ser preso com a mão, o braço e o resto atolado na massa?
Claro que nunca.
A foto do Alkmin ao lado de Ney Santos, aquele candidato a deputado federal pelo PSC cheio das Ferraris, por exemplo, já está em destaque no site do Mercadante.
Mas os do Lula pedindo votos para a máfia do Amapá, só no Youtube. E, se bobear, ele some até de lá, como sumiu o filme do Waldomiro Diniz pedindo propina a um banqueiro do bicho na sala ao lado da do presidente Lula.
Pois é. O Serra está perdendo tão feio, antes de mais nada, porque não consegue (e nem quer) mostrar coragem e determinação.
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Vote sempre no segundo lugar
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A única atitude madura e consciente de um eleitor no Brasil é votar SEMPRE no segundo colocado.
Todos que chegarem lá vão beber o nosso sangue. O que a gente pode fazer é tirar um pouco da força deles para que não possam fazer isso na hora, do jeito e na quantidade que quiserem.
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A mais inútil das tragédias
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A guerra do tráfico no México chegou a tal nível que os cartéis já tem o poder de censurar a imprensa. Teve jornalista assassinado até por ter escrito uma nota e, agora, ninguém tem coragem de falar no assunto. A coisa chegou a tal ponto que já existe o site blogdonarco.com, onde as pessoas são convidadas a publicar denuncias, fotos e vídeos da violência dos cartéis com garantia de anonimato.
Deu errado. Os próprios traficantes estão usando o novo site para publicar filmes de julgamentos e execuções de desafetos, redobrando o terror.
Que Iraque, que nada! 28 mil mortos só no México no ano passado. Sem falar no resto do mundo.
Pra que levar adiante essa tragédia se não existe um canto do planeta, sequer, onde quem queira droga não a encontre apenas estalando os dedos?
É preciso legalizar as drogas e o direito a se suicidar com elas. É muito mais humano. E haveria um enorme ganho para a saude publica. Um dia o mundo ainda vai olhar para a guerra do tráfico como nós olhamos hoje para a Chicago da Lei Seca nos anos 30. E espero que seja logo.
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Conta burra
O prefeito Bloomberg, de Nova York, aliás, caminha aceleradamente na direção contraria. Agora quer proibir o fumo mesmo na rua, nas praias e onde mais for naquele estado. Tudo em nome do “mal que faz à saúde fumar indiretamente”. Vai acabar criando mais uma droga proibida e mais uma industria gigante do crime. Aí poderá contar cadáveres de verdade, estraçalhados à bala, em vez de ficar conjecturando quantos podem ter morrido no mundo em conseqüência de fumar indiretamente.
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Errare humanum est…
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É como a história dos abusos sexuais por membros da Igreja. Tudo isso está direta ou indiretamente preso à falsa questão do celibato, que nunca interessou a qualquer dos santos e deuses que a Igreja Católica venera. É uma invenção tardia de algum idiota que vingou porque vingou.
Ficar pedindo desculpas pelos desvios dos padres proibidos de ter uma vida sexual normal não vai resolver o problema. Se não acabarem com isso, a Igreja não resiste a estes tempos de portas e janelas abertas onde as mais intimas intimidades de quem quer que seja podem, de repente, aparecer no Google.
“Errare humanum est. Perseverare, diabolicum”.
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Pegou no fígado
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Sarkozy chiou como chiou quando a comissária de Justiça Europeia, Viviane Reding, comparou sua politica em relação aos ciganos com a do nazismo em relação aos judeus porque a comparação é totalmente pertinente. É assim que começa. A ordem passada às delegacias de policia do pais inteiro pelo seu “amigo de infância” Frederic Pechenard, que ele nomeou diretor geral da Policia Nacional, é inequívoca: mandava caçar e expulsar todos os membros dessa etnia só por pertencerem a essa etnia.
No caso, somou-se à “ofensa pessoal” contra Sarkozy, ele também um judeu, toda a carga de mauvaise conscience que todo frances tem em relação à 2a Guerra e à “questão judaica”. Porque a verdade é que a grande maioria deles, se não ajudou, também não atrapalhou a caçada aos judeus franceses pelo invasor alemão com quem conviveram pacificamente demais.




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