Uma (linda) voz vinda de Cuba
25 de setembro de 2009 § 3 Comments
Tento de todas as maneiras transpor para cá os videos em que ela mostra o show do roqueiro colombiano Juanes em Havana e o “Bazar Revolucionário” mencionados abaixo, e não consigo. Quem ainda não se aventurou a produzir um blog não imagina o grau de hermetismo e de falta de lógica que marcam as páginas onde os hospedeiros de blogs “explicam” como fazer essas operações. Poucas coisas na vida real são tão irritantes quanto tentar matar essas charadas virtuais sem nenhuma inteligência ou sabor…
Ainda assim, prometo continuar tentando. Mas não hoje porque já está tarde e meu compromisso maior é com o recheio. Recorro a este semeador de preguiças que é o Google. E aí estão as fotos que foi possivel obter…
Yoani Sanchez, 34, que está na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time, eescreve, de Havana, o blog “Generacion Y” onde fala (lindamente, por sinal) da Cuba que Lula e Jose Dirceu gostariam de esconder.
É com ela que abro a nova seção de links do Vespeiro, onde prometo ser muito restritivo. Dou abaixo, alguns trechos de postagens recentes de Yoani, para provocar a sua curiosidade. Vale a pena ir lá. Clique na minha seção de links aí ao lado que, sabe-se lá porque, este WordPress quer que se chame “blogroll”…
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“Amanhã será uma segunda-feira como outra qualquer. O peso conversível continuará com o preço nas nuvens, Adolfo** e seus colegas terão outro dia atrás das grades na prisão de Canaleta; meu filho ouvirá, na escola, que o socialismo é a única opção para o país e, nos aeroportos, continuarão nos exigindo uma licença para sair da Ilha. O concerto de Juanes não terá mudado nossas vidas, mas, afinal, eu não fui àquela praça com essa ilusão. Seria injusto exigir de um jovem cantor colombiano que impulsione as mudanças que nós mesmos não conseguimos fazer, embora as desejemos tanto.
“Estive naquela explanada (a praça Jose Marti) para comprovar quão diferente pode ser um mesmo espaço quando abriga concentrações organizadas a partir de cima e quando abriga um grupo de pessoas necessitadas de dançar, cantar e interagir sem política no meio. Foi uma experiência rara estar ali sem gritar nenhum slogan e sem ter de aplaudir mecanicamente quando o tom do discurso sinaliza que está na hora de ovacionar…”
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**Sobre Adolfo:
“Hoje vou celebrar o Natal com minha família e amigos. Armaremos uma mesa improvisada com a velha porta do elevador; uma velha cortina fará as vezes de toalha de mesa …
Na cabeceira manteremos uma cadeira que está vazia desde o Natal de 2003. É o lugar de Adolfo Fernandes Saínz, condenado durante a Primavera Negra a 15 anos de prisão…
Me lembro do dia em que contamos ao meu filho que ele tinha sido preso. Meu marido lhe disse: “Téo, o teu tio Adolfo está na prisão porque é um homem muito valente”, ao que o meu filho respondeu com a sua lógica infantil: “Quer dizer que vocês continuam soltos porque são um pouco covardes”. Que maneira mais direta de dizer a verdade têm as crianças ! Sim, Téo, você tem razão (…) Nos nos conformamos com o mito da fatalidade nacional porque nos demos por vencidos na tentativa de mudar as coisas.
A cadeira vazia de Adolfo será o território mais livre da nossa improvisada mesa de Natal.”
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“Umas breves imagens de um “Bazar Revolucionário” numa rua central do centro histórico de Havana (que aparecem num video caseiro no blob de Yoani) confirma a minha hipótese sobre os elementos decorativos associados a ideologias. Para comprar ali qualquer desses atributos identificadores de um processo, é preciso pagar com uma moeda diferente daquela com que remuneram o nosso trabalho. Curiosamente os “ícones” da entrega desinteressada do indivíduo a um projeto social são vendidos a partir de uma evidente relação de oferta e procura. O dinheiro se transforma, assim, num pulôver, num gorro ou numa mochila que, depois, será exibida como uma relíquia, como uma lasca da madeira da utopia”.
“Os rostos que se vê neste pequeno comércio são, para muitas pessoas fora de Cuba, parte da contracultura, sinais de desafio ao status quo. São os emblemas a que algumas pessoas recorrem com a intenção de mudar o que lhes desagrada em suas sociedades. Mas nesta ilha ocorre justamente o contrário. Estes que nos olham dos pôsteres ou das camisetas são, para nos, aqueles que criaram a atual ordem de coisas, os gestores do sistema dentro do qual vivemos há 50 anos. Como portar algum desses símbolos sem ter a sensação de estar assumindo a cultura do poder, os emblemas dos que mandam?”
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“Não há conceito mais subversivo que o de um cubano turista”.
“…o simples movimentar-se é algo que se converteu num ato de contestação. Disso decorre que facilitar a entrada e saída de pessoas, o deslocamento ou a mudança de endereço pode desencadear transformações imprevisíveis no âmbito nacional. Imaginem se todos começássemos a querer viajar, usar as estradas e visitar os parentes que não vemos há 20 anos. Se uma febre de movimento tomasse o país de repente o estremecimento poderia contagiar os burocratas e esses dirigentes carentes do conceito de dinamismo. Quem sabe essa sacudida servisse para remover, também, estes que hoje são um freio para que comecemos a deslizar, finalmente, pelo caminho das transformações”.


Lo vi en GY y vengo a saludarlo. Por un tiempo he sido una comentarista habitual del blog pero en los últimos meses he estado un poco alejada por motivos personales.
No soy cubana de nacimiento pero lo soy de corazón, me siento cubana y es Cuba mi patria porque es la que siento y añoro.
Mi patria que sufre 50 años de una dictadura criminal que ha conducido al país a una completa ruina espiritual y material.
Le doy la bienvenida al blog GY. Siga visitándolo y no le haga mucho caso a algunos comentaristas intransigentes que se va a encontrar.
Creo en la persona humana, la tolerancia y la paz.
Un saludo.
¡Ah! Voy a seguir su blog.
Parabéns pelo seu blog. Era o que faltava: inteligência sem a censura da dinastia dos jornalões. Demais!!!!
Ó, só não entendi como é que esta cubana (sensacional) consegue driblar a censura de lá, contando tudo isso. Já estive lá, fiz vários textos que estão publicados. Porém, o povo de lá reclamava que minhas cartas não chegavam até eles; e-mail nem pensar (são vigiados e nem todos têm autorização para ter). E um cubano de Santiago de Cuba pediu pra eu enviar aqui do BR um postal dele a uma amiga alemã, pois disse que não dava para remeter de Cuba, por causa da censura…
Abraços e obrigada pela lucidez e generosidade.
navegando pel GY voce encontra vários textos mostrando como é a tourada entre os blogueiros e os herdeiros de la revolucion…