Argentina está faturando a burrada do Brasil

2 de dezembro de 2024 § 1 comentário

As ações brasileiras em Wall Street acumulam uma queda de 26% nos primeiros 11 meses deste ano, por cima de uma desvalorização de 20% do real no mesmo período.

No mesmo período, a bolsa de NY subiu 27% e as ações argentinas acumulam 105% de alta em dólares. O México, que também elegeu uma governante de esquerda e gastadora.

Nesse cenário a Argentina surge como o candidato ideal para os investimentos estrangeiros na região, o que já está acontecendo e explica parte da alta das ações por lá.


Desejos de Ano Novo

7 de janeiro de 2013 § 2 Comentários

escr5

Durante as férias da virada, sob os eflúvios da leitura de Thomas Jefferson: The Art of Power, de Jon Meachan, anotei os meus Desejos de Ano Novo:

  • que o escravo brasileiro descubra, enfim, que transformar-se ele próprio no capitão-de-mato, no feitor, ou dar um jeitinho de cair nas graças do senhor e ir trabalhar na Casa Grande não é a única alternativa possível para a escravidão;
  • que mesmo a latinidade ilustrada descubra, enfim, que a socialização do privilégio e a servilização de toda uma geração por outra, que resulta da mentira do wellfare state, não é a única alternativa possível para o modelo feudal onde um numero proporcionalmente menor de senhores vivia às custas de uma quantidade proporcionalmente maior de servos; escr5
  • que nós todos, latino-americanos e latino-europeus, encaremos a verdade histórica das nossas “revoluções” que nunca revolucionaram nada porque o desafiante é sempre um secreto admirador do desafiado que assume os seus discursos e as suas práticas assim que o substitui no poder e a única pena dos explorados é não estar na posição dos exploradores e, assim, deixemos, enfim, de trocar reis por imperadores, czares brancos por czares vermelhos, ditadores verde-oliva por ditadores cor-de-rosa e de nos substituirmos eternamente nos papéis de sodomitas e sodomizados;
  • que nós admitamos todos, em voz alta, a verdade essencial que vivemos no dia a dia e reconhecemos em pensamento: que não existe “almoço grátis”, nem poucos nem muitos, e que, portanto, a única revolução real produzida pela humanidade é a que pode ser sintetizada na máxima “nenhum poder e nenhum dinheiro que não seja resultado do esforço e do mérito individuais”.

escr5

Já entrado o Ano Novo, posta a lista diante da trajetória invertida dos índices de popularidade deste governo em face da avalanche de revelações sobre a podridão do petismo, senti que ficou faltando a desculpa que a tornasse menos naïve.

Apelei para Darwin.

Não, o brasileiro não é intrinsecamente corrupto. O que há são 500 anos de vitórias da injustiça e da impunidade, e isso cria um sistema de seleção negativa.

Se o único caminho para o “sucesso” é a posse do chicote ou o baronato do BNDES, sempre aparecerão os “vencedores” dispostos a segui-lo sem mais perguntas. Mesmo assim a esperança rebrota ao menor sinal de umidade. Pois não é a confusão que se faz dela com uma “faxineira” que detonou a ascensão da popularidade da ilustre desconhecida e nada sexy Dilma Rousseff, mesmo numa conjuntura econômica periclitante? Não é daí que vêm as intenções de voto em Joaquim Barbosa de mais de 10% de um eleitorado ao qual ele nunca sequer se apresentou?

escr5

Esse pensamento quase me confortou…

Mas o que dizer do pânico desses Estados Unidos goldmansachsenizados e seus infindáveis quantitative easings para esticar o banquete grátis dos gaviões de Wall Street às custas da proletarização da única sociedade de classe média genuinamente self made que a humanidade produziu?

E das notícias de hoje dando conta de que Basiléia, a “polícia dos bancos”, também aderiu aos bandidos?

Foi profético o visionário Thomas Jefferson quando, ha 200 anos, viu na criatura de seu arqui-inimigo Alexander Hamilton, inventor do sistema financeiro americano, o ovo da serpente que poderia matar a revolução que ele ajudara a começar…

escr5

Sim, é possível que a História venha a registrar mais esta Primavera da Democracia, que deu sua última florada com o enfrentamento do poder do Capital pelo poder do Estado na cruzada antitruste dos meados do século 20, como um terceiro hiato de exceção na trajetória da servidão humana, a ser cultuado como mais uma Grécia e mais uma Roma longínquas ao longo de uma nova idade de trevas que esteja por vir.

Mas isso não alterará em nada as verdades que se confrontam nesta saga.

Haverá sempre um Renascimento.

Posicionar-se em relação a essa luta – nos momentos de luz ou nos momentos de trevas, pouco importa – tem sido, em todos os tempos, a essência efervescente da aventura humana.

escr5

Capitalistas e outros psicopatas

27 de maio de 2012 § Deixe um comentário

por William Deresiewicz para o New York Times

Ha um debate em curso sobre os ricos neste país. Quem são eles? Qual poderia ser o seu papel na sociedade? São pessoas boas ou más?

Muito bem: considere o seguinte. Um estudo de 2010 descobriu que 4% de uma amostra de dirigentes de grandes empresas reuniam todos os ingredientes de comportamento e personalidade que definem os psicopatas, enaquanto na população em geral só 1% das pessoas combinam com essa descrição. (É verdade que a amostra não era muito representativa, como os autores do estudo explicaram). Outro estudo mostrou que os ricos são mais propensos que a media a mentir, trapacear e violar as leis.

A unica coisa que me surpreende nesses dados é que alguém possa achá-los surpreendentes. Wall Street é o capitalismo na sua expressão mais pura e o capitalismo se fundamenta no mau comportamento. Isso também não é novidade. O escritor ingles Bernard de Mandeville já afirmava isso ha quase 300 anos no seu poema satirico-filosófico chamado A Fábula das Abelhas.

Vícios Privados, Benefícios Públicos era o subtítulo do livro. Espécie de Maquiavel do reino da economia, que pintava os homens como eles são e não como eles gostariam de ser, Mandeville afirmava que as sociedades comerciais criavam riquezas dando um direcionamento positivo aos nossos impulsos naturais para a fraude, a luxúria e o orgulho. Por orgulho Mandeville entendia a vaidade; por luxúria, o nosso amor pela satisfação dos sentidos. É isso que cria a demanda, como todo marqueteiro sabe. E pelo lado, por assim dizer, da oferta, está a fraude: “Todo negócio inclui alguma enganação / Nenhuma oferta deixa de esconder algum grau de tapeação”.

Em outras palavras, Enron, British Petroleum, Goldman, Philip Morris, GE, Merk, etc., etc. Fraudes contábeis, sonegação de impostos, dumping, despejo de efluentes tóxicos, violações de normas de segurança dos produtos, combinação prévia de lances em concorrências, sobrepreço, perjurio. O escândalo de suborno do Wallmart,  as escutas telefônicas dos jornalecos do Murdoch – abra a seção de negócios do jornal do dia e escolha. Abusar dos empregados, lesar os consumidores, destruir o meio ambiente. Deixar a conta para o publico pagar. Nada disso são propriamente anomalias; é assim que o sistema funciona: você leva sempre o máximo de vantagem que puder e trata de se safar quando é pego no pulo.

Eu sempre achei divertida a idéia de uma escola de negócios. Que tipo de cursos elas podem oferecer? Como enganar viuvas e órfãos? Como se aproveitar dos pobres? Como conseguir as coisas de qualquer maneira? Como alimentar-se no cocho do dinheiro público? Teve um documentário feito anos atras, The Corporation, que imaginando que as empresas fossem pessoas perguntava-se que tipo de pessoas elas seriam. E a resposta foi, precisamente, psicopatas: pessoas indiferentes às outras, incapazes de sentir culpa, dedicadas exclusivamente aos seus próprios interesses.

Existem empresas éticas, sim, e também homens de negócios que respeitam a ética; mas a ética no capitalism é exclusivamente opcional, um elemento extrínseco ao sistema. Esperar moralidade do Mercado é cometer um erro de categoria. Os valores do capitalismo são os opostos dos do cristianismo. (Como os mais fervorosos cristãos da nossa vida pública podem ser também os mais apaixonados defensores de um mercado livre de qualquer controle é uma questão que deixo para a consciência deles próprios).

Os valores do capitalismo também são opostos aos da democracia. Como a ética cristã, os princípios do governo republicano exigem que os interesses dos outros sejam contemplados. Já o capitalismo, que é focado na busca do lucro, empurra para a idéia do cada um por si.

Tem havido um monte de conversa sobre os “criadores de empregos”, uma expressão tomada de empréstimo de Frank Luntz, o guru da propaganda direitista. Os ricos mereceriam toda a nossa gratidão, assim como tudo que eles conseguiram juntar, e o resto é inveja.

Para começar, se os empreendedores são criadores de empregos, os trabalhadores são criadores de riquezas. Os empreendedores usam a riqueza para criar trabalho para os trabalhadores. Os trabahadores usam o trabalho para criar riqueza para os empreendedores – os ganhos de produtividade, por cima dos salarios, são o lucro das empresas. Não é o objetivo de nenhum dos lados beneficiar o outro mas é isso que acaba acontecendo.

Além disso os empreendedores e os ricos não são as mesmas pessoas; essas qualidades se sobrepõem só eventualmente. A maioria dos ricos não são empreendedores; são executivos de grandes corporações que eles não criaram; gestores de outros tipos de instituições; são advogados ou médicos famosos; gente do meio do entretenimento; eportistas; pessoas que herdaram suas fortunas ou – sim, eles também! – as pessoas que trabalham em Wall Street.

E o mais importante, nem os empreendedores nem os ricos têm o monopólio da inteligiencia, do esforço ou do risco. Existem cientistas – e artistas, e acadêmicos – que são tão inteligentes quanto os empreendedores, mas que estão em busca de outro tipo de compensação. Uma simples mãe solteira que mantém um emprego e ainda estuda trabalha tanto quanto qualquer gestor de hedge fund. Uma pessoa que assume uma hipoteca – ou um financiamento de estudante, ou mesmo que concebe um filho – pendurada apenas num emprego que ela pode perder a qualquer momento (graças, talvez, a um desses “criadores de empregos”) assume tanto risco quanto uma pessoa que abre um novo negócio.

Um monte de políticas públicas dependem de considerações desse tipo. Sobre o que vamos cobrar impostos? De que tamanho? Onde vamos ou não vamos gastar dinheiro publico? Quem deve recebê-lo?

Mas enquanto “criador de empregos” é uma expressão nova, o tipo de adulação que ela embute – junto com o desprezo que, por contraposição, ela sinaliza – não é. “Os Americanos pobres são instados a desprezar a si mesmos”, escreveu Kurt Vonnegut no seu “Slaughter House – 5”. “Acabam fazendo piada da própria condição e glorificando a dos melhores que eles. A mentira mais destrutiva de nossa cultura é a noção de que é muito fácil para qualquer americano ganhar dinheiro”. É uma mentira que engendra outras: os pobres são preguiçosos, estúpidos e malévolos; os ricos são brilhantes, corajosos e bons, e ainda espargem os benefícios que colhem sobre o resto de nós.

Mandeville acreditava que a busca da satisfação dos interesses individuais podia resultar em benefícios públicos mas, ao contrário de Adam Smith, ele não acreditava que isso pudesse acontecer espontaneamente. A “mão” que Smith imaginava era “invisível” – a força intrínseca do Mercado. A “mão” que Mandeville via era “a de um politico muito habilidoso e bem treinado” – ou, em termos modernos, as leis, os regulamentos e os impostos.

Ou, nas palavras dele, “Os vícios só resultam em benefícios quando são delimitados e dirigidos pela Justiça”.

William Deresiewicz é critico, ensaísta e autor do livro “A Jane Austen Education”

Este artigo foi-me apontado por Katia Zero, a quem respondi com o seguinte comentário:

“O artigo é perfeito!

O auge da democracia foi a cruzada anti-truste que o tsunami chinês afogou.

Daí pra frente é ladeira abaixo…     “

Nós, Steve Jobs e nossa circunstância

7 de outubro de 2011 § 1 comentário

Nossos heróis têm uma espada na mão ou uma corda no pescoço. É uma sina que compartilhamos com toda a latinidade, da mais sofisticada à mais tosca, porque para todos nós o inferno é a política.

Os heróis norte-americanos têm uma invenção na mão e, quase sempre, uma obra gigantesca e uma montanha de dinheiro a apresentar.

Nós temos os panteões de mártires ou de fazedores de mártires que trocam de lugar uns com os outros com frequência desconcertante dependendo do governo que os festeja em cada etapa de nossas histórias.

Eles têm os panteões dos empreendedores-inventores.

Napoleão, Pedro I, Bolívar, Tiradentes, Mussolini, Guevara…

Henry Ford, Sam Walton, Thomas Edison, Grahan Bell, Andrew Carnegie, Steve Jobs…

Nossos heróis são só nossos. Os deles acabam sendo de toda a humanidade.

Não ha precedente na morte de um empreendedor bilionário provocar uma onda de comoção universal.

Se Ford democratizou o transporte, Edison aparelhou cada casa com uma fonte de energia, Walton deu a todos a condição de se apresentar decentemente vestidos, Bell, a quem quisesse, a capacidade de se comunicar, Jobs deu a todos nós a capacidade de potencializar a força do pensamento e dar alcance ilimitado ao produto do nosso talento.

E fez isso com a simplicidade dos gênios, aliando a tecnologia à arte.

Ele inventava novos equipamentos como Mozart e Beethoven escreviam música“, cheguei a ler de um fã mais extremado. “E se o melhor do que Beethoven escreveu foi quando já estava surdo, quanto do que Jobs nos legou não foi inventado depois que ele recebeu sua sentença de morte oito anos atrás?

Mas das dezenas de coisas de e sobre Steve Jobs que li nestes últimos dias, uma em especial fez minha cabeça voar.

O pai biológico do homem que mudou para sempre o mundo como o conhecíamos é Abdul Fatah Jandali, muçulmano nascido em 1931 em Homs, ainda na Síria francesa, que emigrou bem jovem para os Estados Unidos. A história da trágica série de maldosos truques do destino que fez com que ele e Steve nunca chegassem a por os olhos um sobre outro em carne e osso eu relato na postagem na sequência desta.

É uma incrível trama de desencontros que foi preparando minha cabeça para o devaneio “roseano” (de Guimarães Rosa mesmo) a respeito da força do acaso a que acabei por me entregar depois que, ao chegar a uma das entrevistas que deu este ano na vã tentativa de fazer com que seu filho perdido concordasse em conhecê-lo antes de morrer, o velho Abdul, aos 80 anos, mencionou que se pudesse voltar no tempo jamais teria saído da Síria…

Foi o gatilho.

O que poderia ter sido “Steve” Fatah Jandali se tivesse nascido e passado sua vida na Síria? Haveria um Steve Jobs sem Silicon Valley, sem Stanford? Determinado apenas pela genética? Para que lado poderia ser canalizada toda a genialidade que deus lhe deu naquele ambiente oprimido há duas gerações pela brutal ditadura dos Assad?

Nós, cada um de nós, somos ou podemos ser, intrínseca, individual e solitariamente, alguma coisa? E o que seria o mundo hoje se o jovem Abdul tivesse feito o que hoje pensa que gostaria de ter feito?

Foi a lembrança de Jose Ortega y Gasset que me trouxe de volta à Terra: “Eu sou eu e minha circunstância; e se não salvo a ela não salvo a mim“.

Não, Steve Jobs e a sua Apple só seriam possíveis na única democracia que a humanidade criou que elegeu como seu fundamento inegociável o culto incondicional ao mérito. Nada da história que o tornou célebre seria possível senão no único país que substitui o panteão dos mártires pelo panteão dos empreendedores-inventores.

Go west” foi o grito que simbolizou, no século 19, as esperanças de um novo começo e novas oportunidades numa terra virgem dos obstáculos e limites que tolhiam os súditos da Europa e até mesmo os norte-americanos do Leste.

Steve Jobs, de Cupertino, Califórnia, que plantou a primeira semente da maior empresa do mundo e reinventou a vida moderna numa garagem é o legítimo herdeiro dessa mentalidade.

Quantas tragédias individuais, quanto desperdício se poderia poupar à humanidade se fosse possível enterrar para sempre os sistemas de privilégio e disseminar o império universal do mérito, corolário obrigatório e indissociável do Estado de Direito de que tantos falam mas tão poucos realmente desfrutam!

Mas não é…

Go west” continua sendo a única alternativa para gente como os Jandali, da Síria, e a esmagadora maioria dos habitantes desta Terra de oprimidos de serem avaliados apenas pelo que se mostrarem capazes de construir.

Mas até quando?

O Economist desta semana faz uma incursão ao lado escuro deste universalmente festejado luar da inovação tecnológica que ninguém ousa apedrejar.

Designed by Apple in California, Assembled in China, é a frase que está gravada atrás de todos os produtos da fábrica de maravilhas de Steve Jobs.

A liderança econômica global dos Estados Unidos tem beneficiado uma fatia cada vez menor do seu próprio povo na ultima década … A autoestima do empreendedorismo americano hoje é corporificada pela Apple, o Google, o Facebook e a Amazon. De fato são todas companhias fabulosamente inovadoras, embora a gente se pergunte se, cada vez mais, elas não são a exceção e não a regra …

Empreendedorismo e inovação não são a mesma coisa. E ainda que a capacidade de inovação continue muito boa na economia americana, o problema do quão estreitamente os seus frutos são repartidos cresce todos os dias …

Apple, Google, Facebook e Amazon juntas empregam 113 mil pessoas, um terço do que estava na folha de pagamentos da GM em 1980 … o avanço da tecnologia fez, provavelmente, muito mais que o comércio para marginalizar a classe média e ampliar a desigualdade … a globalização beneficiou muito mais os acionistas das empresas e os seus banqueiros do que a massa dos que trabalham nelas …

… mas com todos os defeitos que eles realmente têm, seria injusto culpar os políticos americanos por tudo que está acontecendo: a crescente desigualdade, o declínio dos empregos para a classe média na indústria de manufaturas é um problema que envergonha todos os governos do mundo.

E se os Estados Unidos continuarem se apoiando apenas na sua vantagem tecnológica, é fácil prever que tudo isso vai acabar mal“.

Steve Jobs e suas criações não são apenas uma ilustração viva da malignidade dessa vertente do processo de inovação. Cada nova geração dos seus gadgets, cada nova funcionalidade que eles incorporam, quase cada novo aplicativo que eles assimilam é mais uma indústria que desaparece, é mais uma cadeia inteira de valor que é destruída. A indústria de PCs, a de foto e vídeo, a da música, a de telefones, a de publicação digital, estão entre as muitas que foram revolucionadas por ele. E por traz de cada uma dessas revoluções, terra arrasada.

Steve Jobs e suas criações simbolizam também o instrumental que universalizou as leis da economia antes de universalizar as leis da política que, na sua melhor acepção, é a força que estabelece os limites toleráveis da desigualdade, seja ela fruto do mérito, seja ela consequência da ignorância e da ausência de direitos, que são as armas que “as chinas” do mundo têm usado para arrastar de volta em direção à condição proletária as classes médias dos países mais adiantados.

Ironicamente, só a democracia americana poderia gerar o grau de inovação tecnológica que agora, indiretamente, ameaça destruí-la. A criatura, proverbialmente, se volta contra o criador…

Neste mundo de um só mercado de trabalho e um só mercado de consumo, cada vez mais, também as Nações são as Nações e sua circunstância e, se não salvam a ela, não salvam a si mesmas.

Não há mais ilhas isoladas de direito, de democracia e de bem estar material. Ou os temos todos, ou nãos os teremos nenhuns.

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