Agora sim, estamos falando sério!

13 de dezembro de 2012 § 2 Comentários

bndes1

Deu no Valor: o Ministério Público Federal entrou na Justiça contra o BNDES por “falta de transparência em suas operações”, exigindo que o banco torne públicas informações detalhadas sobre todos os financiamentos concedidos a empresas e entidades públicas nos últimos 10 anos e de agora em diante.

O MPF pede detalhes desses negócios tais como a forma e a condição da captação dos recursos, os critérios para definir onde o dinheiro é investido, o risco das operações, prazos, taxas de juros cobradas, garantias exigidas e o retorno obtido”.

De dois anos para cá, esgotada a munição própria nos primeiros 10 anos dessa guerra subterrânea, conforme mostrei com detalhe na matéria A “bola” está rolando de novo, o BNDES está repassando dinheiro do Tesouro Nacional a juros subsidiados para empresas e outras instituições privadas.

bndes8

Mais de 54% do total emprestado nesse período veio de aportes do Tesouro que já representam mais de 20% da dívida pública líquida e 63,5% desse dinheiro foi entregue a umas poucas empresas-gigantes que têm todas as condições de se financiar nos mercados nacional e internacional.

Mas apesar de se tratar de uma empresa pública que distribui dinheiro público – e, nos últimos dois anos, tirado diretamente do caixa onde os contribuintes depositam os impostos que fazem falta na saúde, na educação e na infraestrutura – o BNDES não divulga informações sobre “seus investimentos” alegando que “estão protegidas pelo sigilo bancário”!!

A Procuradoria da República do Distrito Federal não aceita essa desculpa, acusa o banco de estar descumprindo a Lei de Acesso à Informação e quer dados concretos “para avaliar se os financiamentos a empresas privadas são de interesse social ou relevantes para o desenvolvimento da economia nacional”.

bndes12

Agora sim estamos falando sério!

Que Mensalão, que Rosemary que nada!

Mesmo as estripulias e saltos ornamentais do doutor Mântega dizem respeito apenas às operações táticas do PT para colocar índices em posições favoráveis nas vésperas de eleição.

As operações estratégicas que realmente alteram o meio ambiente em que a democracia brasileira tenta sobreviver estão a cargo dos operadores do BNDES, dos fundos de pensão do funcionalismo e dos operadores dos supercomputadores da Receita Federal.

É essa a tropa de elite. É aí que está o “núcleo duro” do PT.  É aí que se jogam as grandes cartadas do vasto movimento de subversão argentária com que o partido pensa construir o seu Reich de Mil Anos.

bnd

São eles que, dos bastidores, determinam quem vai viver e quem vai morrer na arena da economia brasileira. Quem vai comprar e quem vai ser comprado em cada setor de produção.

É aí que se decide se teremos mesmo um ambiente “pró-mercado” com oportunidades iguais para todos, expressão que dona Dilma tem gostado de usar ultimamente, ou se viveremos todos ajoelhados e de mãos estendidas para uma pequena constelação de monopólios girando em torno do sol do BNDES e das mega estatais de petróleo, telecomunicações e energia, neste momento entrando no mesmo processo de encurralamento pelo qual já passou toda a indústria de base que hoje se senta à mesa do governo no seu Conselho de Gestão.

bndes

A “bola” está rolando de novo

4 de dezembro de 2012 § 3 Comentários

bola4

Editorial de O Estado de S. Paulo comentava hoje que mesmo com o crescimento do PIB desacelerando de 7,5% ao ano em 2010 para 2,7% em 2011 (e metade disso em 2012), a arrecadação de impostos continuou subindo, batendo recorde atrás de recorde.

A fatia da riqueza nacional apropriada pelo setor público no mesmo período passou de 33,53% do PIB para 35,31%, saltando 1,78 ponto percentual do PIB de um ano para o outro.

Os três níveis de governo comeram R$ 1,463 trilhão, o que equivale a R$ 4 bilhões por dia, incluindo sábados, domingos e feriados.

Em 2012, como sabemos, o quadro piorou mais um pouco.

Diz o governo que o crescimento da arrecadação maior que o crescimento da produção deve-se ao aumento da formalização de empresas e empregos, o que, em parte, é verdade.

bola6A predatória desordem tributária brasileira explica-se pelo fato dos impostos terem sido sempre criados de qualquer jeito de modo a fechar a conta dos gastos dos governos mesmo com a sonegação com que podia-se contar como certa. No meio do caminho a informática entrou em cena e a economia, por excelência, migrou de malas e bagagens para o universo virtual. Sendo ambos – o universo virtual e a economia – representações matemáticas do universo real, uma coisa nasceu para a outra.

Um dos efeitos colaterais dessa mudança foi que a “informalidade da atividade econômica”, seja da empresa, seja do trabalhador, armas de sobrevivência que faziam funcionar segmentos da economia que de outro modo teriam sido mortos antes pela competição globalizada, foi se tornando impossível numa realidade em que o resultado produzido por ambos é controlado por computadores, disso decorrendo que a sonegação teve uma redução drástica.

O fato é que a carga tributária brasileira foi sendo empilhada com o pressuposto de que jamais seria cobrada inteira e agora passou a ser.

É o que está nos expulsando em velocidade assustadora da competição mundial.

bola8

Como viviam de “jeitinhos” que sempre tornavam possível escapar de pelo menos parte dos ataques dos predadores tributários das três esferas de governo e ainda levar vantagem sobre os competidores que pagavam seus impostos, os produtores brasileiros nunca se organizaram para exigir uma ordem tributária decente.

Agora estão no pior dos mundos, sobrevivendo dos afrouxamentos no gasnete que o governo, aqui e ali, concede a setores escolhidos da produção.

Mas o pior não é esse aspecto do problema. O pior é que, nestes 10 anos que passou nadando em ouro o Estado brasileiro não fez mais que tornar-se morbidamente obeso.

Não temos melhores escolas, hospitais, estradas, portos e aeroportos hoje do que tínhamos ha 10 anos, muito pelo contrário. Temos é muito mais ministérios, funcionários públicos, sindicatos, “ONG”s entre aspas e partidos políticos para nos atazanar a vida e esvaziar os bolsos.

Temos um país atulhado de automóveis mas sem estradas para eles rodarem e uma “nova classe média” que não ascendeu pelos degraus sólidos da educação e do ganho de produtividade mas sim foi artificialmente guindada até a condição de consumir os ilusórios confortos “made in China” outorgados nas vésperas de eleições a custa de endividamento galopante.
bola7

Em 2002 devíamos R$ 212 bilhões a financiadores estrangeiros e R$ 640 a banqueiros brasileiros. Um total de R$ 851 bilhões. Em 2007 Lula “pagou a dívida externa”, isto é, trocou-a por dívida interna com juros mais altos. Hoje estamos batendo em R$ 1,5 trilhão de dívida interna líquida (R$ 2,5 trilhões de dívida bruta).

Mas é na aceleração da velocidade do crescimento dessa conta que está a indicação segura de que caminhamos para um desastre.

Quase 1/3 desse valor vazou nos últimos três anos pelo ralo lateral dos bancos oficiais que desde 2009, a pretexto de fazer frente à crise internacional, passaram a ser autorizados pela Medida Provisória 453, a emprestar dinheiro do Tesouro Nacional em vez de se financiar com o dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador e com captações externas a juros baixos como faziam no passado. De 16 de junho de 2009 quando a MP foi transformada em lei pelo Congresso e o BNDES emprestou os primeiros R$ 100 bi do Tesouro Nacional essa conta multiplicou-se por quatro. Está chegando a R$ 400 bi de um total de R$ 538 bi emprestados pelo BNDES no período 2009-2012. Esse total dos últimos três anos é 65% maior que os R$ 327,4 bi emprestados pelo BNDES nos seis primeiros anos do governo Lula (2003-2008). E dobrou só nos últimos dois anos.

Ou seja, o Tesouro Nacional emite títulos de dívida e os vende a juros de mercado aos bancos brasileiros, “empresta” o que arrecada ao BNDES, à CEF e ao BB, que os repassa aos escolhidos do rei com juros menores que os que o Tesouro (nós) fica(mos) devendo.

bola10

E para quem tem ido esse dinheiro?

63,5% do total para empresas gigantes que têm todas as condições para se financiar no mercado ou até fazendo captações baratas no exterior. Aquela turma de 28 monopólios (ou a caminho de sê-lo) da indústria de base que se senta em torno da mesa da presidente no tal Conselho de Gestão e compartilha com o BNDES e os fundos de pensão do funcionalismo a propriedade daquela infraestrutura toda esboçada no PAC mas que nunca consegue se desembaraçar dos defeitos de concepção com que nasceu e sair do papel tais como as hidrelétricas da Amazônia, os portos e os aeroportos que não decolam, os já folclóricos trem bala e transposição do Rio São Francisco e o resto que você já sabe.

Para a pequena e micro empresas coube 21% do bolo. Para as médias, 11,8%. Os barões seguem comendo filé e o povo ficando com os ossos.

E não é mais de dinheiro real que se trata. Só a conta do BNDES que começou a voar em junho de 2009 já pesa, hoje, 21,7% da dívida líquida brasileira (de R$ 1,5 tri).

A sinistra “bola de neve” que o Plano Real deteve a custa de tantos sacrifícios, está rolando desenfreada de novo.

bola5

É a sustentabilidade, seus idiotas!*

3 de dezembro de 2012 § 1 comentário

guido2

Esse negócio de incentivos pontuais ao emprego e ao consumo aqui e ali, ao sabor das eleições, não convence quem investe a longo prazo porque é manifestamente insustentável.

O governo é o primeiro a afirmar isso, alias, já que as medidas vêm com prazo de validade curtinho, o que é uma confissão de que são uma enganação e não mudança pra valer de uma conjuntura intrinsecamente adversa ao desenvolvimento sustentado.

É como se o governo dissesse: “Sim, admitimos que com o ambiente que criamos (de desvario tributário, de infraestrutura sucatada, de burocracia paralizante, de educação em frangalhos, etc.) é impossível sobreviver no mercado globalizado e por isso vamos dar um alívio temporário em alguns dos componentes desses custos letais para a competitividade do produto nacional de modo a prolongar um pouco a vossa agonia”.

Mas continua recusando-se a extirpar o cancer.

guido5

Nunca tivemos juros reais tão baixos, cambio tão alto e economia indo tão mal ao mesmo tempo.

Por que?

Porque, como indicam os números dos aportes do Tesouro para o BNDES que começaram de leve em 2009 a título de medida para combater a crise mundial e, em dois anos, saltaram para 51% do que o banco empresta hoje, pesando o financiamento desse ralo mais de 20% da divida pública (veja matéria completa no Valor), não ha mais como sustentar esse tipo de “espetáculo do crescimento“.

Os números do PIB divulgados sexta-feira apontam para uma expansão do consumo das famílias, em 12 meses, de 3,4% enquanto a produção industrial, mesmo turbinada com reduções de IPI e juros subsidiados, caiu 0,9% e os investimentos privados (- 2%) seguem diminuindo.

guido4

Estamos financiando consumo com endividamento publico e só quem lucra com isso são os chineses que fabricam a tralha que encanta a “nova classe media”. A indústria nacional não consegue dar conta da demanda e o governo corre pra lá e pra cá atras dos fatos, apagando incêndios.

Isso agrava o clima de desconfiança que é o veneno que mata os investimentos.

Está chegando a hora da verdade. O PT terá de escolher entre o fim da festa da “companheirada” e dos “aliados mercenários” e o fim da festa da “nova classe media” que sustenta os índices de popularidade dos seus presidentes.

Já lá vão 10 anos queimando reservas pra ir distribuindo “poder de consumo” e empurrando as reformas estruturais com a barriga.

Acabou!

Sem reformas pra valer não vai.

guido6

* It’s the economy, stupid“, foi a frase que James Carville, diretor da campanha de Bill Clinton contra George W. Bush, colocou num cartaz na parede para que a equipe focasse naquilo que realmente interessava.

Cuidado! Delfin Netto está adorando!

25 de setembro de 2012 § Deixe um comentário

Peço desculpas aos leitores por voltar em tão poucos dias a usar esta tão definidora (conquanto chula) expressão da Última Flor do Lácio mas é que, desde que o li no Valor de hoje, depois de ter lido Miriam Leitão no Globo, ela volta-me a cabeça sem parar.

Não é de hoje, aliás, que considero este senhor como um dos mais seguros alarmes da ameaça permanente de recidiva das velhas doenças brasileiras. Sempre que ele gosta demais da situação meus pelos se eriçam. E há tempos que tem sido este o caso.

Meu pai diz que o pior tipo de filho da puta é o que escreve bem. E tem toda a razão porque são estes os mais capazes de seduzir os incautos para que caminhem de livre e espontânea vontade para o abismo.

É o caso de Antônio Delfin Netto.

Em qualquer país com polícia ele estaria na cadeia. Não pelo que diz, naturalmente, porque malgré l’Islam, todo mundo tem o direito sagrado a qualquer grau de blasfêmia. Mas pelo que fez. A assinatura dele está lá no famigerado AI-5 que inaugurou os Anos de Chumbo. Foi ministro da Fazenda do general Costa e Silva, o mais “tapado” entre todos os que nos comandaram e, desde então (1969) nunca mais deixou de ser o grande “mago” do “Milagre Econômico Brasileiro“, a mesma tapeação que o PT está voltando a encenar e que acabou numa inflação que, nas vésperas da chegada de Fernando Henrique Cardoso ao controle da economia brasileira, bateu em mais de 80% ao mês (diz a Wikipédia que a inflação média no Brasil, sob as luzes delfinianas, foi de 166% ao ano).

Mas como vivemos neste país esquisito, saiu do Ministério (àquela altura) do Planejamento dos milicos em 1985 diretamente para o PMDB e, desde então, tem a secreta admiração daquela mesma “esquerda” que, como Lula, no fundo no fundo, sempre adorou o mandonismo dos milicos e odiou o jogo com regras com a diferença que o queria vestido de rosa em vez do antigo verde-oliva.

Assim é que, mesmo se tendo envolvido em falcatruas grossas, além de fabricar um dos mais formidáveis moto-contínuos da miséria e da concentração da riqueza de que o mundo tem notícia, Delfin Netto não só safou-se da cadeia como ganhou as maiores tribunas do país para pregar a volta da infecção de que o Plano Real livrou o país. E o faz sempre com aquela inteligência perversa com que o aparelharam os anjos caídos, a cozinhar o seu velho caldo de cultura.

Hoje está no Valor a defender com exemplos internacionais torcidos como todo argumento de que se serve, a livre troca de secreções entre os bancos centrais e aqueles de quem eles foram feitos para nos proteger, como se o mundo viesse, desde sempre, na mesma contramão em que ele manteve o Brasil pelos 16 anos durante os quais reinou. Isto é, como se a regra geral fosse abrir uma exceção à falta geral de regras em função do pânico da crise, como aconteceu no curto interregno de FHC, e não o contrário.

Miriam Leitão expõe hoje no Globo com todos os “comos” e os “quantos“, o que de fato está acontecendo. Mas como vive sob as regras estritas da nossa Lei de Imprensa, tem de ser mais comedida com as palavras que dedica às conclusões do que ainda é permitido nesta internet.

Esqueçam o palavrório do dr. Antônio. A verdade é a que Miriam Leitão descreve e o nome desse joguinho de me engana que eu gosto, pelo menos até a edição de um eventual AI-6 que de novo dispense a formalidade do voto, é estelionato eleitoral, suborno de massas, compra de popularidade (na sequência da compra de votos no Congresso).

Compra de poder político, este irmão siamês do poder econômico, enfim, nessa nossa capenga “democracia de obstáculos” onde é preciso dar um saltozinho a cada quatro anos, mas no meio do caminho pode-se deitar e rolar.

Confira o que conta a Miriam:

O Perigo Silencioso

por Miriam Leitão (para O Globo de 25 de setembro de 2012)

A gestão do ministro Guido Mantega no Ministério da Fazenda está destruindo o patrimônio fiscal que levou uma década e meia para ser construído. Dentro dessa categoria, de demolição da ordem fiscal duramente edificada, encaixa-se a decisão de o Tesouro se endividar em R$ 21 bilhões para a Caixa Econômica e o Banco do Brasil aumentarem a oferta de empréstimos.

Por 15 anos, entre o fim da ditadura militar e o ano 2000, o país executou uma enorme tarefa para acabar com os orçamentos paralelos, a conta movimento, os ralos e as fantasias contábeis até chegar à aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal.

É esse arsenal que tem sido furtivamente recriado. A operação autorizada por Medida Provisória na sexta-feira é parecida com as que foram feitas para o BNDES. A dívida aumentará, porque o Tesouro tem que lançar papéis no mercado, mas a operação é mascarada como empréstimo a esses bancos. Não se sabe quando eles pagarão a dívida, por isso é impossível calcular o custo disso para os cofres públicos.

O custo médio de financiamento da dívida pública interna este ano está em 11,85%. A Selic está em 7,5%, mas o custo real é impactado pelos juros que incidem sobre títulos antigos. O Tesouro receberá do Banco do Brasil os 5,5% da TJLP nos R$ 8,1 bilhões que irão para a instituição. Haverá custo para o governo, mas ele não estará no Orçamento. Criar despesas de forma disfarçada e não registrá-la no Orçamento é contornar a obrigatoriedade de que não se criem despesas sem a definição de receitas.

A conta movimento parecia um gasto sem ônus e sem limite. O Banco do Brasil sacava no Banco Central para cobrir seu balanço. Agora, os bancos públicos têm recebido recursos de uma forma semelhante.

O objetivo da operação, segundo a nota do Ministério da Fazenda, é “manter a capacidade de expansão da carteira de crédito, garantir a continuidade do aumento da participação no mercado”.

Há sinais fortes de que o ciclo de empurrar as famílias para o endividamento está se esgotando. O crédito nos bancos públicos cresceu 27%, e a inadimplência subiu 22%, em 12 meses até julho.

Se o BB e a Caixa crescerem no mercado via competição normal com bancos privados, isso é saudável. O erro é o governo estabelecer como objetivo de política pública que eles tomem mercado à custa de subsídio público, ainda mais porque um dos bancos, o Banco do Brasil, tem sócios privados.

Se esse crescimento der lucro, será transferência de recursos públicos para particulares; se der errado, o acionista do BB pagará a conta em forma de queda de redução de dividendos. Se for capitalização, vai diluir o capital do minoritário, e isso tem que ser comunicado previamente à CVM.

O Tesouro se comporta como se tivesse descoberto a fórmula mágica da multiplicação dos recursos sem ônus. Lança títulos ao mercado e transfere o dinheiro para os bancos públicos, e eles, por sua vez, pagarão com juros baixos e no prazo que quiserem. Se é que pagarão. Há gasto público embutido aí, mas não há registro como despesa em lugar algum, e por isso o impacto fiscal é escondido. Já foram emprestados assim mais de R$ 300 bilhões ao BNDES. Agora, o mesmo acontecerá com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica.

Equívocos na política econômica pesam muito tempo sobre o país. Durante anos pagamos o preço dos erros da bagunça fiscal do governo militar, em forma de inflação. São esses mecanismos, aparentemente engenhosos, que estão silenciosamente voltando a ser criados. Parece que os economistas do governo não aprenderam a lição número um: a de que não existe almoço grátis.

Distribuindo bondades

14 de setembro de 2012 § 1 comentário

Com mais 25 setores aliviados de encargos, a distribuição de bondades de Dilma já beneficia 40 setores da indústria que, segundo o Valor, pesam 25% da produção industrial.

O impacto será de 12,8 bi em 2013, provavelmente mais porque ha setores que não foram especificamente nomeados mas, afirma-se, também serão beneficiados, e vai se repetir daí por diante enquanto durarem as isenções.

A véspera de eleição e os sinais de improvisação nas medidas põe uma sombra sobre essa história. Não ha nenhuma menção ao corte de gastos correspondentes na outra ponta (a ponta que só gasta).

Mas também é justo lembrar que ninguém fez contas na hora de criar esses encargos pra ver como os que iam pagá-los iam tapar o buraco. Agora inverte-se o ônus: os que cobravam os encargos que façam contas pra saber como tapar o buraco.

O perigo é que, na ida, não havia a chance da conta ser transferida para o Tesouro Nacional que é o outro nome de nós todos, e agora há.

Se, mais adiante, for este o caso, tudo não terá passado de mais um estelionato eleitoral com a mera transferência de encargos de uma para outra das pessoas jurídicas por traz das quais está a mesma pessoa física “Povo Brasileiro” de sempre, a única neste “Brasil S. A.” que realmente produz riquezas. O governo só as empurra pra lá e pra cá, normalmente sem pedir licença.

Dilma está, portanto, criando um compromisso; emitindo uma promissória.

A conferir se ela virá de fato a resgatá-la.

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