Um campeão da cara-de-pau
30 de junho de 2011 § 3 Comentários

Bateu todos os recordes da cara-de-pau o dr. Abílio Diniz na sua aparição de ontem nos jornais das TVs para “explicar” a sua tentativa de comprar o Carrefour com o vosso e o meu dinheiro como “mais uma das suas contribuições para o nosso país”.
A indignação com que escrevi o primeiro artigo sobre essa tramóia explica-se pelo fato de que se tornou imediatamente claro para mim o jogo de cartas marcadas que agora tratam de nos empurrar pela goela.
As declarações ao Jornal Nacional aqui reproduzidas são definitivas.
Primeiro porque barões não se manifestam antes do nihil obstat do rei. E o dr. Abílio, que entra nessa jogada só com o corpinho, só poderia mandar a “sua oferta” depois que tivesse garantido o dinheiro do BNDES. Ele deve ter acessos de riso toda vez que roda o vídeo dessa entrevista no trecho em que diz que, ao presentea-lo com R$ 4 bilhões, “o BNDES fez um ótimo negócio e prestou um serviço aos consumidores, à sociedade e a todos os brasileiros“.
Segundo porque, como já tinha intuído, também o destino do contrato entre o Pão de Açúcar e o Grupo Casino, concorrente do Carrefour, em direção à lata de lixo dos achegos da Justiça brasileira, ganha ainda mais impulso com o ultimato velado que este homem pouco dado a improvisos atirou ao seu antigo sócio em rede nacional: “espero que o Casino analise a proposta com atenção, com cuidado (grifo meu) e sem emoção porque poderá até gostar dela”...
Por enquanto o Casino não parece disposto a entrar no jogo, já que, em dois dias, comprou na bolsa mais 6% do Pão de Açúcar para fortalecer seu poder de fogo nesse tiroteio. Mas pela segurança demonstrada pelo novo sócio de Lula, é provável que ele vá ter de escolher entre os males o menor…
A menção à “completa desnacionalização do sistema de abastecimento brasileiro”, aliás, remete ao direito que o dr. Abílio vendeu ao Grupo Casino em 2006, de se tornar sócio majoritário do Pão de Açúcar mediante exercício de uma opção que vence agora em 2012.
Vendeu mas não pretende entregar.
Foi provavelmente essa a linha de argumentação com que ele começou o seu canto de sereia junto aos altos potentados financeiros do PT. Mas minha aposta é que não foi preciso insistir em temas ideológicos para leva-la mais adiante.
Se ainda tivesse sobrado qualquer sombra de dúvida – e conhecendo o elenco e o país onde se desenrola a farsa já não tinha – a obscena declaração do ministro Fernando Pimentel, que não precisou nem de 24 horas para pensar no assunto antes de afirmar que a concretização do negócio “abrirá uma porta importantíssima para a colocação de produtos brasileiros no exterior”, acrescentando que “a participação do BNDES no negócio tem unicamente essa função”, acabaria com ela.
É fato notório que o PT não entende nada de negócios (excluídos os escusos). Mas uma cretinice desse calibre não pode ser aceita como de boa fé nem na boca de um petista.
Enfim, é como eu digo sempre. Se Sherlock Holmes, por alguma razão, viesse acabar no Brasil, ficaria desempregado. Aqui não ha nada por descobrir. É tudo sexo explícito.

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