A industria da favelização
7 de maio de 2012 § 2 Comentários
O Estado de hoje traz editorial super interessante mostrando as razões pelas quais, correndo na direção inversa dos números de redução da pobreza extrema, que entre 1995 e 2008 caiu de 20% para 10% da população e, desde então, caiu mais ainda, a quantidade de brasileiros vivendo em favelas quase dobrou, subindo de 6,5 milhões no ano 2000 para 11,4 milhões em 2012.
A explicação está no fomento à favelização dado por máfias políticas bem organizadas e conhecidas – como, por exemplo a que é controlada pela família Tatto, os reis de Guarapiranga e da Capela do Socorro em São Paulo, hoje muito poderosa dentro do PT – que mantêm-se no poder incentivando a invasão de mananciais e áreas de risco para depois, sob o pretexto de evitar “crises sociais”, venderem por votos a legalização dos lotes e a urbanização das favelas assim formadas.
Reportagem do próprio jornal mostrou que a valorização média de um barraco nas favelas urbanizadas mais centrais de São Paulo foi de 900%. Mas mostrou também o outro lado da moeda. Com o preço de um barraco de quatro a cinco cômodos indo de R$ 15 mil para em torno de R$ 100 mil (mais o IPTU), essas favelas tornaram-se um luxo que os miseráveis que as criaram não podem pagar. Com isso boa parte deles acaba vendendo o que tinha para famílias remediadas e invadindo novas áreas de risco nas periferias.
Essa nova modalidade de “especulação imobiliária” associada à exploração da pobreza, que de maneira nenhuma é exclusividade de São Paulo, está levando à expansão acelerada da favelização em diversos estados brasileiros, apesar da redução do numero de miseráveis.
Não é mais apenas um fenômeno social, portanto. É mais uma florescente indústria criada pela política. Como aquela dos “sem-terra” cujo número crescia exponencialmente quanto mais terra se lhes entregava, que começou a murchar assim que um governo um pouquinho mais honesto houve por bem parar de fabricá-los em série.
São só formigas no açucareiro
3 de dezembro de 2011 § 3 Comentários
O editorial do Estado deste sábado sobre o melancólico outono da “reforma agrária” brasileira, que começou numa novela da Globo (“O Rei do Gado“) e avançou enquanto governos sucessivos se acovardavam diante dessa empulhação coonestada por uma mídia irresponsável, hesita em chamar as coisas pelo nome que lhe pedem os próprios dados que o comentário apresenta.
Havia 300 mil acampados em 2003 quando o PT subiu ao poder reafirmando que, neste país, “em se invadindo leva-se”. Depois que Dilma Roussef, que vem lá do Rio Grande do Sul onde ele nasceu e conhece bem a verdadeira natureza de mais este “movimento social espontâneo”, se elegeu disposta a não contribuir mais para esta farsa, a débacle foi vertiginosa. 120 mil acampados em 2010; metade disso em 2011…
A queda é tão livre que 31 fãs do comunismo asiático vintage ainda cultivado nas nossas universidades públicas, 28 deles gauchos como João Pedro Stédile, o grande mestre sala desse picadeiro, acabam de publicar um dolorido chororô para se queixar de lhes terem tirado, de uma só vez, o brinquedo preferido e o meio de vida fácil.
De 789 mil famílias ” assentadas” nestes anos todos, registra ainda O Estado, mais de 100 mil venderam e abandonaram seus lotes. Esse “abandonaram” – eu assisti ao vivo o processo por décadas seguidas na Amazônia – significa mais exatamente, deixaram para trás terra arrasada depois de arrancar dela tudo que era possível colher sem ter plantado, até o último caco de carvão vegetal. Os assentados do Incra – inúmeras medições já o demonstraram – têm sido os maiores devastadores da Amazônia nas ultimas décadas.
Finalmente, observa o editorial, a debandada só não foi maior porque o Incra, para que essa pseudo revolução não se esboroasse com todo o fragor correspondente ao tamanho da farsa que é, parou de titular os lotes distribuídos o que torna impossível vende-los legalmente.
Se conheço bem o meu país, está nascendo aí mais um daqueles esqueletos que vai ficar por aí nos assombrando por décadas. Um outro Pontal do Paranapanema aos pedacinhos onde o “apagão” dos tituladores oficiais pode até criar um outro MST futuro.
Para economizar palavras, enfim, o que todos esses dados indicam é o que, desde o primeiro minuto, toda pessoa lúcida já era capaz de ver: a “reforma agrária” peto-emessetista e a milagrosa multiplicação dos “agricultores sem terra” pelo país afora foi a avant premiére do fenômeno da proliferação das ONGs que assistimos agora.
Para comprar votos, o governo põe um pote de ouro na praça e manda avisar a quem interessar possa que a maneira de pegar o seu quinhão é se fantasiar de sem-terra, na versão inicial, ou de “ongueiro”, na versão atual.
É como colocar um açucareiro no meio do jardim. Em minutos ele estará coberto de formigas. A diferença é que, retirado o pitéu as formigas desaparecem e o fenômeno se extingue completamente enquanto nesses esquemas da honrada esquerda brasileira, cria-se uma máfia que ganha o direito exclusivo de controlar a distribuição do açúcar e chama-se a isso “fazer a revolução”. Esse rótulo provoca automaticamente intensa slivação na claque da imprensa “engajada” o que acaba na criação de mais um “partido político” e na eleição de mais um lote de mafiosos que, a partir de então, fica por aí mamando a teta vitalícia e hereditária adrede criada por gerações a fio.







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