O corrupto essencial e o maria-vai-com-as-outras

12 de março de 2012 § 1 comentário

Tanto quanto no que diz respeito a outros atributos humanos, também no que se refere à corrupção existem os autênticos, os inovadores, os grandes criadores e os que são apenas seguidores, esforçados maria-vai-com-as-outras.

A distinção faz toda a diferença. Vai de estar submetida a uns ou aos outros uma sociedade ser vítima de predação sistêmica, podendo ser levada ao esgotamento, ou apenas de atos isolados de rapinagem que ela pode se organizar para coibir e controlar.

Primeiro porque os grandes criadores são muito menos numerosos que os “maria”. Segundo porque, se os primeiros não conseguem se estabelecer como padrão para o resto da sociedade, a corrupção dos outros permanece em estado de latência e eles podem até ser compelidos a comportar-se de modo virtuoso se for esse o caminho obrigatório para o sucesso.

O maria-vai-com-as-outras, em resumo, vai com quaisquer “outras”. Deixa-se pautar pela circunstância enquanto o corrupto “de raiz” em momento algum consegue deixar de ser o que é.

Daí a pertinência da síntese de autoria de Theodore Roosevelt tantas vezes citada aqui:

“O problema não é haver corrupção. Corrupção é inerente à espécie humana. O problema é o corrupto poder exibir o seu sucesso, o que é subversivo“.

Veja-se, por exemplo, a reportagem que O Estado de S. Paulo traz hoje sobre o loteamento das tetazinhas de R$ 6 mil por mês nos conselhos das empresas do Município de São Paulo entre representantes de sete partidos que o prefeito Kassab acredita que possam vir a contribuir para o sucesso das suas ambições políticas.

Gilberto Kassab não tem nem a personalidade que se requer de um grande criador no campo da corrupção, nem a fibra que caracteriza o tipo que persiste em remar contra a maré para tentar reformar as regras do Sistema. É o exemplo perfeito e acabado da variação “maria”.

Como a esmagadora maioria dos que nos roubam e achacam a cada passo nos municípios e nos estados desde que o PT escancarou as portas do Inferno, ele faz parte daquela legião que não interessa especialmente, nem a deus, nem ao diabo.

Mas como o padrão instalado no Brasil é o que se traduz naqueles 36 ministérios/antros de Brasília, cada um de propriedade particular e intransferível de uma das máfias que, graças ao flagrante do Mensalão, tornaram-se parasitas crônicos da roubalheira lulo-petista, Gilberto Kassab apenas dança conforme a música. A mesma coisa acontece com os barões do BNDES, esses “grandes empreendedores” obcecados pelo “sucesso”, hoje reduzidos a dar testemunho público de vassalagem uma vez por mês sentando-se ritualmente à volta da mesa do “Conselho de Gestão” de um governo que tem como marca registrada a mais sólida e irredutível incapacidade de gestão.

Tudo isso é apenas natural.

Volto a bater em outra nota que sempre toco aqui no Vespeiro: a corrupção é muito menos uma questão moral que uma consequência de se viver sob instituições defeituosas.

A questão é puramente darwiniana. O vencedor será sempre o mais capacitado. E a crise ambiental que se vai tornando aguda está aí para comprovar que o homem é o mais oportunista dos organismos oportunistas que infestam o Planeta Terra.

Se o sistema baliza-se pela corrupção, os mais corruptos estarão no topo e, daí para baixo, haverá uma seleção dos maria-vai-com-as-outras segundo a sua disposição de se corromper. Quanto menos escrúpulos, mais para cima se colocará o “maria” nessa cadeia alimentar artificial que são os sistemas de poder, seja o poder que se compra com cargos, seja o que se compra com dinheiro.

Resistirão à pressão do meio apenas e tão somente os honestos “de raiz”, relegados a uma semi-clandestinidade.

Já se o sistema balizar-se pela capacitação técnica e profissional e pelo merecimento, a escola passará a ser um estágio obrigatório para o sucesso e os corruptos essenciais é que serão forçados a cair na clandestinidade, ficando polícia e bandidos em campos opostos, como convém.

É como com os cupins: se não matar a rainha-mãe, não adianta chorar. Eles continuarão roendo a árvore até depois que ela já estiver morta.

Eu não disse?

9 de agosto de 2011 § Deixe um comentário

Agora estão pegando a turma daquele velhinho bandalho que o Sarney nos impingiu no Turismo, de olho na Copa do Mundo e na Olimpíada. Ate este horário do almoço de terça-feira 38 já caíram na rede.

E tem pra todo mundo, inclusive figuras graúdas do PT como o ex-presidente da Embratur, Mario Moysés, que foi chefe de gabinete da Marta Suplicy, “articulou” as campanhas eleitorais dela e andou operando na prefeitura de São Paulo.

Bicho de pele grossa, portanto.

A Marta, é claro, vai relaxar e gozar, no mais tradicional estilo Lula.

O estilo Lula, a gente sabe, é tipo camaleônico: pega qualquer cor predominante no ambiente. Vai desde o “fomos traídos” das primeiras grandes roubalheiras do PT flagradas lá atrás, quando o volubilíssimo povo brasileiro ainda não se tinha acostumado com o “Eu sou, mas quem não é?” que precedeu o “liberou geral” seguido do franco e aberto alinhamento automático com o ladrão flagrado do segundo mandato em diante.

Eu faço fé que ela vai de “fomos traídos”. Mas tenho minhas duvidas. A Marta é meio lentona…

A gente vai saber que as coisas estão realmente mudando, aliás, quando o Lula sentir que chegou a hora de parar de chamar roubo escancarado de “erro”.

E não tenham duvida de que isso vai acontecer. Antes da próxima eleição ele ainda vai virar paladino da ética de novo.

Político é que nem passarinho: sente a menor aragem e está sempre com o bico virado na direção do vento.

Nessas ocasiões eu me lembro de um milico dos finais da época do regime militar que, entrevistado uma vez pelo Jornal da Tarde sobre se eles não temiam uma rebelião mais forte do Congresso, dizia: “Que nada! Essa gente não tem opinião formada sobre nada. É só dar uma ordem unida que eles batem continência”.

Continua sendo verdade.

Hoje a História foi reescrita e todos viraram heróis (inclusive com aposentadoria de herói porque, neste país, toda profissão, mais cedo ou mais tarde, acaba sendo regulamentada). Mas era assim mesmo, com as raríssimas exceções de praxe. Eu sou testemunha.

A Dilma pode seguir tocando creolina nessa tigrada que, se ela não der mole, eles engolem tudo quietinhos, até os graudões do PT como o Palocci.

Problema mesmo só se a imprensa apresentar algum flagrante pesado contra o Lula (que alguém igualmente grande certamente guarda no fundo de uma gaveta de Brasília naquele espírito “é melhor ter” dos seguros do Bradesco).

Aí a coisa é capaz de feder.

Senão, vamos melhorando aos poucos, controlando a síndrome de imunodeficiência contra a corrupção que ele instilou na veia do Brasil.

É o que dá pra fazer.

Não vamos nos livrar do PT tão cedo. O jeito é ir limpando ele por dentro pra que o país possa ao menos voltar a respirar sem comprometer definitivamente seus pulmões.

Eu procurei, de lanterna na mão…

14 de junho de 2011 § 1 comentário

Não ha como evitar: diante de Dilma “mon coeur balance”.

Com o indisfarçável nojo que ela sente por aquilo que a imprensa insiste em legitimar aderindo à expressão “articulação política” ela leva de barato a metade dele.

A “infelicidade” que Roberto Pompeu de Toledo detectou na Veja desta semana, que ela transpira por se ver condenada a jogar fora tudo porque lutou para se entregar às mumunhas “daquela corte de homens de cabelos pintados ou transplantados em que consiste a fina flor do PMDB“, e mais as dos equivalentes destes do seu próprio partido, acrescenta mais uma fatia à metade de mim que, solidária, simpatiza com ela.

A unção de Gleisi para a Casa Civil, de início, provocou-me um repelão. Mas, de novo, quando li o relato detalhado do que ela “aprontou” no Mato Grosso do Sul, fiquei fã.

Uma petista de carteirinha que corta 30% dos cargos de putaria (esses que o PMDB cobra) da própria companheirada e faz a limpeza que ela fez por lá é alguém que põe o interesse publico no lugar que ele merece na escala de prioridades. O fato dela ter feito isso contra petistas – e de dentro do próprio PT! – torna isso indiscutível.

“Finalmente um macho nessa esbórnia!”, que me perdoem os que vêm “fobias” gênero-sexuais debaixo da cama!

Não me lembro de ter visto nada de parecido acontecer nestas terras. E falo de todos os partidos.

Mas foi só eu começar a me entusiasmar e lá veio a “tábua” em Shirin Ebadi. Aquela mulher pequenininha, frágil, enfrentando sem nenhuma arma na mão Ahmadinejahd e os aiatolás atômicos apedrejadores de mulheres todos só com a palavra.

Não dá pra engolir um gesto moralmente tão covarde sem ser involuntariamente empurrado a todas as conclusões que ele implica.

Mas será que não foi só pra não contribuir pra exacerbar de novo o vespeiro do PT, àquela altura (e ainda agora) mais agitado ainda que o enxame de varejeiras do PMDB?

Tento subornar minha consciência com essa ideia…

E então, Ideli, a do Ministério da Pesca, abrigo dos fugitivos das Farc.

Caramba! Estaremos virando do gelatinoso cinismo lulo-sindicalista para a dureza vítrea dos “true believers”?

Mas, se não fosse ela, quem? O Vacarezza do Lula? Ou outra das criaturas do pântano sindicalista?

Agora, o “sigilo eterno”, sob os auspícios de Fernando Collor e José Sarney, uma semana depois da tentativa de apagar o impeachment da História do Brasil!

Olha que até o Stalin, antes de conseguir começar a reescrever a da Rússia teve de matar toda a velha guarda bolchevista e mais metade da população das estepes. Será que aqui passa mesmo só nesse vai da valsa? “A pedidos”?

Nada é impensável nesse país desde os merges and aquisitions de Lula…

Ok. Afastemos as concessões conscientes à ingenuidade.

Vamos por a coisa assim: antes de vê-la atuando, eu pensei que sabia; hoje confesso, francamente, que ainda não sei o que a Dilma é. Mas já sei uma boa parte do que ela não é.

E só pelo que ela não é eu já gosto dela.

Se e quando mostrar outro lado, agirei como minha consciência mandar.

Por enquanto sou testemunha. Já não digo em quem… em que a Dilma podia se agarrar para tentar resistir ao lamacento tsunami lulista – com Michael Temer e José Sarney de guardas pretorianos e Fernando Collor esvoaçando logo atrás – se até a imprensa já perdeu as medidas e não sabe falar (nem pensar) senão na novilíngua de Brasília?

Isso tudo, afinal, não pode ser lido de outro jeito?

Dilma tentou dar um basta ao esquartejamento do futuro do país no cepo dos açougueiros do Congresso. E quem é que foi cobrado e repreendido por isso? Aqueles estripadores? Os ladrões de carteirinha? Os límpidos, os translúcidos canalhas de sempre da definição de Nelson Rodrigues?

Nada!

Ela! Só ela!

Por “inapetência para os deveres inerentes à sua função de governar”.

Já ninguém consegue imaginar “governar” como se entende essa expressão em qualquer outro lugar do mundo civilizado neste país sem limites.

Governar tem de ser, obrigatoriamente, aderir à putaria? “Mocinhas” que não estão dispostas a isso deveriam, mesmo, procurar outro tipo de métier? Nós não temos mesmo salvação?

Sigo pelas colunas dos jornais:

“A primeira missão de Ideli é desfazer a impressão de que a presidente Dilma só quis afirmar autoridade e confrontar aliados escolhendo uma colecionadora de arestas” …

E nós queremos mesmo que se desfaça essa impressão de que existe uma intenção de tratar a política com alguma dignidade? É isso que está pondo o país em risco? Bom para o Brasil é mesmo que Dilma abaixe a crista e passe a ser mais lula que o Lula no que diz respeito ao PMDB e ao PT podre?

Ideli “precisa conquistar a confiança (sim, “daquela gente”), mostrar que tem influência junto a Dilma (para conseguir dinheiro e cargos) e desenvolver a capacidade de fazer valer o combinado” (isto é, entrega-los a quem “aquela gente” determinar que sejam entregues)…

É disso mesmo que o Brasil precisa?

“Sutileza não é o atributo preponderante (de Ideli, diz-se em tom de crítica) … diz que vai partir para a operação limpa prateleira” (o que fere a sensibilidade “daquela gente” que) “não quer ver os seus pleitos tratados como mercadoria”, ora vejam!

E quem teria a sutileza necessária e adequada? José Sarney?

Dá uma brecada de arrumação, gente!

A Dilma deu a deixa e ficou falando sozinha. Disse (dizendo ou deixando de dizer) aquilo que há séculos o Brasil se ressente de nunca ter ouvido de alguém na posição dela. E ficou esperando a devolução do passe.

E o que foi que colheu? Um monte de bronca pela sua “falta de jeito”.

“Ingênua”. “Amadora”. “Indisposta para a articulação política”…

E o que era mesmo que nós andamos procurando, de lanterna na mão, estes anos todos?

Compre um escafandro, Dilma!

26 de maio de 2011 § 1 comentário

É pena que o governo Dilma Roussef tenha acabado!

Apesar dos pesares, continuo simpatizando com ela. Sua figura não me provoca os mesmos calafrios que me provoca a horda que a cerca.

ACM, o falecido coronel da Bahia, com aquele jeito muito dele de passar “subtextos” marotos com os olhares, os gestos e a cadência com que pontuava suas frases, começava-as assim sempre que se referia a ele: “Este senhor, Michael Temer, … com aquela cara de mordomo de filme de terrorr…”

É exatamente a impressão que ele me passa.

Essa foto da capa do Estadão de hoje, com Lula conduzindo a fera pelo braço ao lado do Sarney é de arrepiar!

Me deu a nítida sensação de que o filme de que falava ACM está começando. De que estamos entrando num processo argentino; num daqueles ralos de que nunca se encontra o fundo.

Os governos, o aparelho de Estado, os sindicatos, o empresariado, as escolas, tudo está tomado. O filtro de seleção negativa está instalado como se fosse um preservativo poroso vestindo todo o Brasil e só o pior conseguirá vir à tona.

Com a subida do esgoto em que flutuam Palocci e companhia tomamos conhecimento do que a imprensa está chamando de “alheamento político” da presidente. Ela vinha mantendo até os parlamentares do seu partido à mesma distância que as pessoas normais guardam de gente como eles. Delegava “o diálogo” com correligionários e “aliados” ao seu superministro.

Você sabe, aquele tipo de diálogo animado por “argumentos” como os que explicam a multiplicação da fortuna do Palocci num ritmo de fazer inveja a qualquer Mark Zukerberg.

Isso é incompatível com as necessidades do que se chama de política nesta selva?

Sem duvida que é. O resultado foi o que foi. Se ela tivesse imposto o seu tom talvez a cobra ficasse mais algum tempo no seu devido buraco.

Mas que eu entendo a Dilma eu entendo!

Privar com essa gente; ouvir e satisfazer os seus “pleitos”, só mesmo comprando um escafandro. E mesmo assim, olhe lá!

Agora aproveitam, também, para tirar dela qualquer mérito por ter impedido que o “kit-homofobia” deste governo de refinada cultura, ilibada moral e elevados critérios éticos fosse distribuído a todas as escolas publicas do país.

Por tudo que li a respeito do que continha o ultimo produto deste Ministério da Educação que diz que corrigir alunos que falam um português incorreto equivale ao tal do “bullying”, coisa que justifica até assassinatos em massa de crianças, as peças não contêm nada de muito diferente do que a Rede Globo de Televisão exibe ha anos na sua já famosa “hora da ignomínia”, num tom de campanha que nem mesmo o ilustrado ministro Haddad ousaria adotar.

Dilma teria concluído que as peças com que se quer mostrar às nossas crianças qual a maneira correta de se pensar em transexualismo e homossexualismo masculino e feminino (parece que zoofilia ficou excluido por enquanto, discriminação que merece toda a atenção dos advogados dos direitos dos animais), não tratam de propor que sejam respeitadas as diferenças no que diz respeito ao sexo mas sim, em consonância com o tom que prevalece hoje, de sublinhar as “vantagens” do comportamento homossexual sobre o heterosexual.

À Rede Globo, enfim, ha que se deculpar, porque não é mesmo fácil segurar a audiência depois do que a população brasileira está acostumada a tragar toda noite no Jornal Nacional onde são apresentadas ao vivo as cenas de sexo explícito da politica nacional, frequentemente seguidas das que mostram o efeito horripilante que essa orgia faz nas nossas estradas, escolas, hospitais publicos e etc.

É pra Tarantino nenhum botar defeito!

E depois, a Globo tem de fazer dinheiro e, até onde se saiba, não tem tanta facilidade para isso quanto nossos ministros em períodos sabáticos e os vendedores de governabilidade em geral.

Já a Dilma, novata que é nas artes da “política”, ainda parece ter medidas mais parecidas com as que nós todos usamos, tanto no que diz respeito à capacidade de tolerância quanto a comportamentos heterodoxos em política quanto no que se refere às necessidades pessoais em relação ao dinheiro. Dizem que ela é atéia mas tá na cara que ela ainda tem medo de ir pro inferno.

Repito: é pena que o governo da Dilma tenha acabado!

Mesmo sem termos tido tempo de conhecê-la melhor, e ainda que eu esteja muito enganado sobre os limites que ela se impõe, estou certo de que ainda teremos saudades dela diante do que ainda está por vir desse pessoal escolado que segue o seu chefe e que não tem limite nenhum.

“Graças a Deus não me mataram!”

28 de fevereiro de 2011 § 2 Comentários

Não tem nada que explique melhor o Brasil do que a frase que se ouve, dia sim dia não, de alguém muito próximo da gente: “Fui assaltado! Graças a Deus não aconteceu nada! Não houve tiros, não houve estupro, não barbarizaram minha família…Só levaram nossas coisas“.

O brasileiro está tão acostumado a ser tratado como a mosca do cocô do cavalo do bandido que não tem a mais vaga noção sequer daquilo que tem direito a aspirar. Que dirá do que tem direito de exigir…

E isso não é só com o favelado, o “excluído”, o desvalido explícito. É com todo mundo, de qualquer classe social. Todos nós somos democrática e “inclusivamente” esfolados, vilipendiados, humilhados e ofendidos “di-á-ri-a-mente”, como diria a Marisa Monte.

Saindo vivo, tá no lucro!

É isso que explica o sucesso do Lula.

A unica divisão real que existe no Brasil é entre quem paga e quem cobra impostos;  quem tem de dividir o resultado do seu trabalho suado e quem tem “direito adquirido” ao ócio remunerado; quem faz das tripas coração todo santo dia porque vive ameaçado de ser empurrado para a porta de saída e quem, como diz candidamente o eterno senador José Sarney, leva a vida na santa paz daquele mundinho encantado onde “só existe a porta de entrada”.

Esta ilustração sobre o que acontece com os automóveis vale para tudo, do leite do brasileirinho que vai nascer hoje ao remédio do doente miserável que vai morrer amanhã neste país do “graças a deus não me mataram”.

Resta esperar que a universalização dos bens de consumo e a internet tornem isso mais claro pra quem vive preso atras da inexpugnável muralha da língua portuguesa, e um dia a gente faça com os nossos mubaraks o que até os egípcios já fizeram com os deles…

Ilustração enviada por Carlo Gancia

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