Brasil veio de golpe em golpe até 64

7 de abril de 2014 § 5 Comments

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A entrevista de José Serra para o Canal Livre da TV Bandeirantes ontem (assista à integra do programa neste link) tocou numa questão essencial a que se tem prestado muito pouca atenção na análise da história política e do debate ideológico no Brasil, sempre desastrosa e latinissimamente prejudicada pelas paixões a que se entregam os que se dispõem a tenta-la.

Desde a Republica vimos vindo de golpe em golpe repetindo basicamente os mesmos passos a cada volta nesse círculo vicioso. E sempre pela mesma razão fundamental, como procurei demonstrar no artigo Sexo, mentiras e rock & roll publicado ha poucos dias aqui no Vespeiro: a completa inexistência de qualquer know how de engenharia institucional – tecnologia das mais especializadas que não admite transposições fáceis ou intuitivas de outras áreas do conhecimento.

Salvo pelo hiato aberto pelo “governo acidental” de Fernando Henrique Cardoso, essas elites têm mostrado também, desconhecer as balizas mais elementares de gestão macroeconômica indispensáveis para prover um mínimo de estabilidade ao ambiente em que se desenvolvem as economias nacionais.

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Na Parte 3 da entrevista à Rede Bandeirantes Serra descreve em minúcias como esses fatores contribuíram para o desfecho de 31 de março de 1964:

  • o programa das famosas “Reformas de Base” do governo João Goulart “era o que a gente (a esquerda da época) queria mas não acreditávamos que elas pudessem de fato ser instaladas”;
  • de qualquer maneira, essas reformas (reforma agrária, voto do analfabeto, desapropriações e etc.) não teriam qualquer efeito no problema premente que a Nação enfrentava sob uma inflação de 90% ao ano (a herança de Juscelino e sua Brasília) sem qualquer mecanismo de proteção;
  • consciente disso Jango, que também não resistia às pressões vindas da máquina pública e concedia aumentos que agravavam o déficit e alimentavam mais ainda o descontrole da inflação, mantinha esse discurso porque era o único que tinha a oferecer e, sabendo-as inócuas, já se preparava havia tempos para deixar o poder para que a bomba não estourasse nas mãos dele;
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  • Serra não admite que houvesse um golpe em preparação ou, muito menos ainda, condições objetivas para que o país fosse empurrado para uma republica sindicalista ou uma ditadura do proletariado mas admite que a esquerda e o governo “gostavam de pregar sustos, de intimidar” e falavam e agiam como se tudo isso estivesse de fato em preparação enquanto Jango, na falta de qualquer expediente prático que lhe ocorresse por em curso, transformou seu programa de governo “num programa de agitação” para, com o concurso dos sindicatos, forçar o Congresso às suas reformas;
  • a direita levava a esquerda mais à sério do que ela própria, a se acreditar que o pensamento de Serra era representativo do da maioria dos seus correligionários da época: o ambiente internacional dentro do qual tudo isso se dava era o da Guerra Fria onde Estados Unidos e União Soviética “disputavam cada pedaço do mundo” e isso teve dois efeitos: a esquerda, a partir da revolução em Cuba, passou a acreditar, segundo Serra, que “se tinha sido possível fazê-la lá era porque a revolução estava logo ali, na esquina, ao alcance da mão”; a direita pensava exatamente do mesmo jeito e, pelas mesmas razões, acreditava que o país estava prestes a cair na órbita soviética.

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Não importa se foi um trama “de enganos” ou uma conjuntura real o fato é que os dois lados viam a mesma coisa, o que atesta a sinceridade das motivações que apontei nas decisões que moveram os conspiradores de 64 no artigo publicado na imprensa ontem.

Não sei quanto são exatas ou representativas da média do pensamento da esquerda da época essas impressões do José Serra de hoje sobre o que via e sentia o José Serra de então, um “grande agitador” com apenas 21 anos de idade.

O certo é que, então como hoje, cabiam coisas demais debaixo desse chapéu genérico “esquerda”, o que também é exatamente verdadeiro para o seu par e antípoda “direita”, como provaram os fatos subsequentes.

O Brasil ainda ha de amadurecer para colocar o muro divisório no lugar certo que é o que separa esquerda e direita democráticas de esquerda e direita antidemocráticas.

Mas até lá essas generalizações seguirão atrapalhando as análises e alimentando novos confrontos.

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Mas não vamos perder a sequência do raciocínio.

Antes de mais nada registre-se que a entrevista de Serra ajuda a estabelecer que o problema essencial é o que tratei no artigo já referido: o completo desconhecimento da elite brasileira a respeito do que fazer e como fazer para estruturar a base institucional necessária para se construir uma Nação que a empurra sempre para a generalidade e faz de nós todos, digamos assim, especialistas na negação.

Ao fim de cada experiência em torno desse círculo vicioso, estabelecido sempre mais pelo acaso e pelas circunstâncias do que por planejamento e atos de vontade, passamos, em algum momento, a saber o que não queremos mas nunca sabemos exatamente o que queremos ou, melhor dizendo, não sabemos como construir um equipamento institucional suficientemente aberto para podermos viver sem sabermos exatamente o que queremos e ágil e maleável o suficiente para irmos reagindo aos fatos que se apresentarem.

É isso, afinal de contas, que é uma democracia. Só que os brasileiros não sabem disso.

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Junho de 2013 com os incontáveis “nãos” dos cartazes das manifestações e a absoluta ausência de “sins” em torno dos quais se possa construir qualquer consenso e mais esta crescente parcela de eleitores insatisfeitos sem candidato que os represente que as pesquisas registram neste momento, provam que pouco mudou nesse sentido desde os nossos primeiros tropeços republicanos.

A Revolução de 1930, uma vez instalada no poder, pela falta de um receituário institucional que pudesse ser proposto e compreendido por um corte significativo de uma população e uma elite essencialmente deseducadas, começou desde o primeiro minuto a caminhar para a “personificação” do processo, ou seja, para a ditadura.

Como a esquerda, que julgava ter “a História na mão”, é sempre mais voluntarista, 1935, com a “Intentona Comunista”, tão alienada quanto todas as outras tentativas anteriores (1922) e posteriores (“luta armada”), deu o pretexto que faltava para 1937 e a fase “dura” da ditadura getulista.

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A Revolução de 32 foi a versão da época do que foi 1964, com a diferença de que uma foi derrotada e a outra foi vitoriosa, assim como 1935 (a Intentona) foi o equivalente, trinta e poucos anos depois, do que foi a “luta armada” para acender a fogueira que começou a queimar a partir de 1968.

Um delírio voluntarista de uma minoria, coma diferença de que a mais recente pegou em armas e abraçou táticas de guerrilha que proporcionaram, na época, que esse tipo de minoria ficasse maior do que realmente era e desse mais trabalho para ser esmagada.

Democracia”, seja como for, nunca foi, nem um valor, nem um objetivo entre os protagonistas de qualquer desses episódios detonadores das nossas repetidas voltas no círculo das ditaduras. Os pedaços da nossa ordem institucional inspirados nela têm sido, quando muito, um recurso para a faclitação da tomada do poder a ser retirado de cena quando chega o momento de passá-lo ao adversário, a não ser para a minoria de sempre que entra em cena para reagir à ameaça de vê-la banida para sempre.

Mas esta, quando eventualmente chegou “”, não teve tempo, capacidade ou até a persistência necessárias para propor e emplacar uma receita viável de democracia e para consolidá-la para que pudesse seguir adiante por suas próprias pernas.

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Quando esses embates chegam às vias de fato, conflagrando o país, afloram à superfície os bebedores de sangue de ambos os lados — terroristas e torturadores — sobre os quais tenho uma teoria que pode até sugerir uma resposta sobre o porque de ficarmos tão obsessivamente presos à última Ditadura Militar mais que a qualquer outro desses episódios tão semelhantes entre si de que ainda falaremos aqui em outra ocasião.

Por enquanto ficamos nos elementos da equação que estão aquém da barreira do sangue.

Em todos esses processos, como não pode deixar de acontecer em ambientes não democráticos, só nada de braçada a horda dos cínicos que se aproveitam das tortuosidades e das zonas escuras do sistema para se locupletar.

De tão estável que é essa instabilidade do ambiente institucional; de tão previsível que é a sequência do processo, esse é o único segmento em que tem havido “progresso” real: eles são cada vez mais eficientes no trabalho de promoção da desinstitucionalização da nossa vida política que é o que cria o habitat de que necessitam para crescer e se multiplicar.

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Assim, do simples “capitalista de compadrio” a quem o ditador de plantão concede a atribuição de roubar por ele e por seu esquema de poder presente desde o primeiro episódio já evoluímos para um tipo superior de criminoso que é responsável pela “infraestrutura” que trata de perenizar e profissionalizar esse varejo do crime.

São eles os especialistas em “lavar-em-jatos”; os que roubam dos que roubam ou, se quiserem, “os para quem roubam os que roubam” fora do universo mais tradicional da compra de votos pura e simples.

Especializam-se na minucia da regra do jogo e trabalham diuturnamente para torná-la tão cinza e flexível que nenhum processo da vida nacional possa ser previsível e todos fiquem dependentes de uma arbitrariedade que possa ser vendida.

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Do jogo econômico privado essa dubiedade foi migrando para dentro do próprio sistema político de modo que hoje o Poder Executivo, que por enquanto é a única peça móvel do conjunto, também precisa comprar desses ultraespecializados vendedores de “governabilidade”, a cada passo, o direito de seguir se movendo.

É contra essa “infraestrutura” que o PT se articula neste momento, mas não para fazer o processo recuar a um ambiente institucionalizado mas sim para suprimir essa instância de intermediação do arbítrio, objetivo para o qual foi um passo decisivo a proibição das contribuições privadas de campanha que passou recentemente no Supremo Tribunal Federal.

Fico lhes devendo duas, portanto: a minha teoria sobre a psicologia do bebedor de sangue dos processos revolucionários e o ostensivo cerco do PT às ferramentas eleitorais que corre por baixo do tiroteio de dossiês com que ele desvia a atenção da imprensa, num tempo em que as ditaduras são obrigadas a se fantasiar de “democracias”.

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Sexo, mentiras e rock & roll

28 de março de 2014 § 3 Comments

A escola não é uma panaceia.  A educação talvez seja. Mas educação não é o que se entrega em nossas escolas. Nem nas públicas, nem nas privadas, salvo as raríssimas exceções que confirmam a regra.

Em alguma medida a escola sempre acaba por ser transformada em mecanismo de reafirmação, para os futuros súditos, das “verdades” que sustentam o sistema de poder vigente. Especialmente a escola pública mas não apenas ela.

E o sistema de poder vigente entre nós é o que é…

A universidade, nesse sentido, nasceu revolucionária. Mas também acabou por enquadrar-se. Falar do ideal universitário do Iluminismo; da ciência pura e do culto à crítica no Brasil dos tempos que correm, assim como manifestar qualquer outro traço de idealismo, é quase um atestado de insanidade ou, no mínimo, de alienação.

Esse espírito nunca prevaleceu entre nós salvo, talvez, nas duas ou três primeiras turmas formadas pela USP, a única instituição de ensino nacional que, ao menos no momento da sua implantação, foi estruturada tendo esse ideal como modelo.

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No mais, tudo aqui já nasceu para o propósito avesso, no melhor espírito da Contrarreforma a cargo da polícia do pensamento jesuíta que, não por acaso, teve por séculos o monopólio da educação no mundo Ibérico do qual a nossa “flor do lácio” foi sempre “a última” a se distanciar.

Quando uma parte substancial da educação ainda estava a cargo das famílias havia, ao menos teoricamente, uma válvula de escape desse grande “afinador” do  pensamento nacional – ou desse grande desafinador se quisermos ter por referência o mundo que existe para além da nossa ilha cercada de catolicismo e língua portuguesa por todos os lados.

Depois do advento da televisão que, especialmente no Brasil, roubou essa atribuição dos pais e das mães passando a ditar não só o modo “correto” de pensar mas também a única forma “aceitável” de cada brasileirinho e cada brasileirinha se comportar, a vaca literalmente afundou no brejo.

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Hoje juntei mais três pecinhas do quebra-cabeças particular com que vou tentando decifrar o Brasil.

Voando ontem da Argentina para cá, repassei no iPad a sequência das minhas anotações à margem do 1889 de Laurentino Gomes, exercício que os e-books tornaram muito mais fácil e interessante de fazer ao permitir a leitura de todas elas em sequência sem as dificuldades de decifração que a nossa própria letra enfiada nos espaços exíguos das margens de livros de papel impõe.

Hoje, no início da tarde, a partir de uma referência qualquer, assisti à entrevista de José Serra sobre os 50 anos do golpe de 1964 no UOL (aqui).

Agora ha pouco captei por acaso, na Globonews, a “reprise” da entrevista do ministro Joaquim Barbosa que estreou o novo programa de Roberto D’Avila.

O relato dos primeiros passos claudicantes da República no país, no 1889, é uma crônica eloquente dos desastres produzidos pela completa ignorância, não direi do povo, mas da elite brasileira da época, incluindo de Rui Barbosa para baixo, a respeito do que quer que tivesse a mais remota relação com os equipamentos institucionais de um Estado moderno e muito menos ainda com qualquer equipamento de um Estado democrático de seu tempo.

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Serra repete quase que integralmente esse mesmo relato quando descreve o quadro de desorganização econômica aguda com que se viu às voltas João Goulart, mais de 80 anos depois, e o seu completo despreparo para imaginar qualquer linha de ação que fizesse sentido para enfrentá-lo, o que, muito mais que os empurrões que vinham da direita, explicam porque ele voltou correndo para os bois e cavalos a que estava acostumado em São Borja antes mesmo que qualquer “milico” de 64 desse um espirro que fosse.

Joaquim Barbosa, finalmente, guardando os cuidados com a língua que ele tem tido sobradas razões para esquecer nos embates que tem enfrentado no STF (onde “com toda a polidez afirma-se o inaceitável“, conforme ele registrou na entrevista), tratou de explicar também que, no seu modo de ver as coisas “o Direito não se basta” (o que é ainda muito mais verdadeiro, acrescento eu, quando se fala de “direito romano” versão brasileira prática), e que “um juiz especializado no direito do Estado, no direito Constitucional, tem de sorver cargas pesadas de História, de Sociologia, de Ciência Política e de Literatura para estar à altura de interpretar os temas que lhe chegam às mãos” nesse campo como, por exemplo, no caso do Mensalão.

Educação, enfim. Ou até mais que isso, de “cultura” que é educação farta e variada “digerida” e “metabolizada” pelo indivíduo é do que ele estava falando.

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A cada vez que me deparo com essas encruzilhadas da vida brasileira vêm-me à mente as manifestações de junho de 2013.

Virgens de educação como seguimos, vamos indo, os condenados a reinventar a roda de geração em geração, re-ensaiando o que já foi ensaiado, representado e descartado centenas de vezes pelo mundo afora, inclusive aqui mesmo. E quando trombamos, ao fim de cada repetição, com o mesmo desastroso resultado de sempre, não aprendemos mais que mais um “não”, ante-sala para partirmos de volta para o mesmo erro e outro “não” quando a última repetição do percurso da mesma batida picada já tiver doído o suficiente, só que numa nova geração sem as memórias da anterior.

Sem memória histórica e conhecimento do nosso próprio passado e afastados de todo conhecimento especialmente nos campos do saber que têm alguma influência na estruturação de novas instituições para balizar as relações de poder entre governantes e governados, empregados e empregadores, produtores e consumidores e assim por diante, seguimos incapazes de formular qualquer proposição em torno da qual se possa arregimentar um “sim”, o que nos torna presa fácil para cair em mais um giro da velha roda, conduzidos pelo “salvador da pátria” da hora e embalados pelo mesmo vazio absoluto de know-how institucional.

Somos o tipo de cego acostumado à cegueira; recusamo-nos a importar tecnologia institucional moderna como fazem os asiáticos, por exemplo, o que é ainda mais burro do que seria recusar o uso da penicilina ou dos computadores só porque não foram inventados aqui.

Como consequência nossa vida política tem sido dar voltas no escuro no mesmo circuito de sempre.

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A Primeira Republica que nasceu com um golpe (o “não” contra a monarquia) e prosseguiu com duas rodadas  de ditadura militar e a criação de uma nova “nobreza de ceva” engordada nas tetas do Estado; a Segunda que, do “não” a essa falsa elite “carcomida” da Primeira, mergulhou de 1930 em diante, por absoluta ausência de “sins”, novamente na ditadura e na criação de mais uma fornada de “carcomidos” fabricados pelo Estado, desta vez nas duas pontas do Sistema, a do Capital e a do Trabalho, cujos restos incluem a falsa elite pelego-sindical que está de volta e nos governa hoje; o golpe de 64, nascido como “não” ao golpe contra a volta “no tapetão” do getulismo a cujas mãos nos devolveram os porres de Jânio Quadros e que, por completa incapacidade de formulação de “sins”, projetou-nos de volta ao estado ditatorial natural e à criação de nova “elite” econômica, “de compadrio” como sempre, cujos restos ainda vagam por aí.

Assim vimos seguindo pelo mesmo caminho, com a corrupção que vem de cima engolindo uma nova fatia da sociedade a cada volta no mesmo círculo de ideias mortas, até os atuais “barões do BNDES”, as ONGs chapas-brancas, as “organizações sociais espontâneas” sustentadas por impostos, os 70 milhões de cheques por mês que o governo emite para eleitores e à ditadura comprada que se esboça no horizonte outra vez sob um coro de “nãos” e a absoluta ausência de “sins” da classe média que sustenta essa festa que junho de 2013 expressou tão literalmente…

No meio do caminho um acidente para o bem, para variar, guindou Fernando Henrique Cardoso e a geração virtuosa da USP mesclada a outros estranhos no ninho que tiveram a oportunidade de estudar fora do Brasil e assim municiar-se de alguns “sins” e outros tantos raríssimos “comos” que propiciaram que se arrumasse a casa e desviasse por alguns anos o Brasil da sua rota cega só de “nãos”, sempre colecionados a duríssimas penas e acachapantes trambolhões.

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Mas uma vez partidos esses “alienígenas” de volta para o isolamento de que os cerca a ignorância ampla, geral e irrestrita a respeito de tudo que ultrapasse a generalidade e o diktat incutido pela “patrulha” que domina as escolas e as televisões, eis-nos de volta ao que somos, tangidos com mais força ainda para trás pela atual obsessão da Globo de redimir-se do seu próprio passado para arreglar-se com os novos donos do poder, pauta que a jornalistada em peso se sente na obrigação de acompanhar como manada.

É o que nos obriga — enquanto o mundo pensa 50 anos para frente — à essa romaria diária a 50 anos para trás em que vimos vindo desde muitos anos antes da data de comemoração dessa efeméride para reescrever “verdades históricas” de conveniência, o que obrigatoriamente se faz revivendo o jargão e os esquemas ideológicos emburrecedores de meio século atrás que, por sua vez, “confirmam”, solidificam e sacramentam o discurso idêntico que vem sendo martelado na cabeça de nossas crianças em todas as escolas do país.

Já não sei se foi Serra, já não sei se foi Barbosa quem lembrou que essa necessidade “purgativa” da Globo põe este país gigante, no limiar do Terceiro Milênio e da Inteligência Artificial, discutindo mais apaixonadamente que qualquer outra coisa a “verdadeira história”… de 50 anos atrás, “como se tentássemos resolver os problemas de hoje aplicando os remédios dos anos 60 ou fizesse sentido aplicar os dos anos 30 para resolver os daquela época…

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A par disso, o único outro grande tema que mobiliza a “intelectualidade” e a “militância política” nacionais a ir às ruas exigir o que “é seu” é tudo quanto se refere à outra estranha obsessão, esta de natureza freudiana, da nossa Vênus Platinada que, na sua cruzada para “reeducar” sexualmente o brasileiro segundo os padrões da ponta mais apodrecida da elite carioca, tem percorrido no horário nobre todas as variações do Kama Sutra e costurado os mais díspares emparceiramentos entre todas as variações de gênero, sub-gênero, trans-gênero, idade, graus de consanguinidade e distúrbios psicológicos e motores que a humanidade produz, amarrando uns aos outros, nos “pares românticos” das novelas que a família brasileira traga reunida, duplas que se montam e desmontam, embaralham e misturam, traem, destraem e re-traem-se umas às outras, sempre com o endosso geral do vale-tudo moral do baixo Leblon, a ver se transformamos o sim em não, o não em sim e tudo em mais ou menos do Oiapoque ao Chuí e nos tornamos mais bandalhos um pouco a cada dia, enquanto o país se pergunta, perplexo, de onde vem a brutalidade e a violência sem limites que assola nossas ruas, extensões dos lares constituídos sob essa boa norma.

E pra frente Brasil que atrás vem o mundo!

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 Leia sobre tecnologias institucionais modernas neste link

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