Não passarão!

4 de dezembro de 2013 § 5 Comentários

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Está feito!

José Genoíno está oficialmente declarado “above god and above the law” (acima dos fatos e acima da lei). E com o PT inteiro mobilizado para provar a todos os brasileiros que ser amigo do partido é o único meio de se estar seguro neste país, é provável que ainda venha a ser recompensado pelo Estado por seus crimes com uma aposentadoria de marajá, apesar do papelão a que se tem prestado choramingando por aí por trás das saias da filha.

Já o Hotel St. Peters, de Brasília, que está pagando R$ 20 mil por mês para garantir a Jose Dirceu o direito à prisão semi-aberta (e não só isso), enviou documentação ao mesmo STF que o condenou explicando que o hotel é propriedade de uma certa Truston International, com sede no Panamá, “empresa” que “é presidida” por um sujeito que trabalha ha 30 anos como auxiliar de um “escritório de advocacia” daquele país e aparece como “proprietário” de “mais de mil empresas”.

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A legislação panamenha permite que as ações de uma empresa sejam “livremente transmitidas de empresário para empresário sem que haja nenhuma comunicação ao governo”, de modo a garantir segurança absoluta a todo bandido do planeta que se dispuser a lavar lá o seu dinheiro sujo.

Paulo Masci de Abreu que, dois dias depois de “contratar” Dirceu, teve o seu canal de televisão homologado contra parecer técnico da Anatel, é um deles. É ele o verdadeiro dono do Hotel St. Peters mas, segundo os registros panamenhos, Abreu detém “apenas uma” das 500 mil cotas do negócio. Jose Eugênio Silva Ritter, o “dono de mais de mil empresas” que mora num bairro pobre de Ciudad del Panama, “detém as outras 499.999”.

O novo patrão do antigo Chefe da Casa Civil do governo Lula é, portanto, um “laranja” de uma lavanderia internacional de dinheiro sujo.

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É perfeitamente adequado!

Pode-se bem imaginar, aliás, com que tipo de “argumento” esse “escritório de advocacia” garante a disciplina e a lealdade desse poderoso “empresário” para que não abuse da sua fabulosa “riqueza pessoal”, argumento este que, certamente é da mesma natureza deste que o PT está apresentando ao país inteiro para tornar absoluto o valor da sua “proteção”.

É digno de registro, ainda, que o outro sócio de Paulo Masci de Abreu no St. Peters é o filho e herdeiro de Sérgio Naya, aquele que construia, no Rio de Janeiro, prédios de areia que desabavam sobre os incautos que gastavam a poupança de toda uma vida para comprar dele o sonho da casa própria.

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Eu já contei aqui inúmeras vezes a história de como, ao declarar o rei “under god and under the law” em 1605, o juiz supremo da Inglaterra, Edward Coke, iniciou a terceira tentativa da democracia de caminhar pela Terra e abriu as portas para o surgimento da ciência moderna (a última vez foi nesta matéria).

Passados 409 anos é assim, de braço dado com o crime organizado, que o PT entra no 3ro Milênio empurrando o Brasil de volta para a Idade Média, onde a versão de interesse do rei prevalecia sobre os fatos e sua majestade e seus barões estavam acima da lei.

Para um país que carrega em seu currículo a mácula de, nas mãos de uma elite reacionária, ter sido o último do Ocidente a abolir a escravidão e ingressar na economia moderna, pode parecer sinistro ver esse pesadelo em vias de ser reeditado por outra elite reacionária encantada com os privilégios de que desfruta.

Mas os tempos são outros.

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Nenhum povo do mundo arcando com a metade, que seja, da carga que eles nos fazem carregar consegue sequer assomar à superfície da feroz competição que caracteriza o mundo de hoje. Mas o brasileiro do País Real, que vive além dos limites da Ilha da Fantasia de Brasília, não só perfaz essa proeza como segue, apesar de tudo, disputando com os melhores do mundo e, em muitos campos, levando vantagem sobre eles.

Esse Brasil que mostra diariamente sua força construindo-se em meio a tanta adversidade haverá de se livrar desses novos reacionários não só porque faze-lo é um imperativo de sobrevivência mas porque para isto basta seguir nadando a favor da corrente em que navega toda a humanidade.

Pode haver desvios mas não haverá volta atrás. Este Brasil vencedor, que compete pelo mérito, é o que está do lado certo da História.

O que tem de acontecer tem muita força. E acontecerá!

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Muda a qualidade da democracia brasileira. Mas…

13 de novembro de 2012 § 4 Comentários

São os seguintes os principais recados emitidos pelo Supremo Tribunal Federal depois das sentenças de ontem condenando José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares a variadas penas de prisão:

  • muito mais do que roubar ou não roubar, não ponham a mão na democracia brasileira; a alternância no poder (alvo final da operação julgada), a legitimidade da representação popular e a independência dos poderes, fundamentos básicos dela, são sagrados;
  • o Mensalão do PT não foi um mero caso de corrupção administrativa, foi um atentado contra os fundamentos constitucionais da República; quem empurrou o julgamento para esse sentido (ainda que a reboque da imprensa), foi o ministro Celso de Melo, secundado principalmente por Joaquim Barbosa, Ayres Brito e Luis Fux, as figuras que, ao longo do julgamento mostraram maior capacidade de formulação e liderança;
  • a figura do presidente continua intocável apesar das provas fartas da participação de Lula no esquema cuja sede central era a sala ao lado da dele no Palácio do Planalto, mesmo pondo-se de lado a teoria do “domínio do fato”; a história da “Conexão Portuguesa” do Mensalão, recorde-se, põe Marcos Valério numa reunião dentro do gabinete presidencial com a presença de Lula e banqueiros portugueses e inclui uma declaração pública do Ministro das Comunicações de Portugal de que recebeu Marcos Valério em Lisboa como “emissário do presidente Lula”; subentende-se, entretanto, que se por esta vez passou, daqui por diante a regra mudou mesmo para eles.

Trata-se, portanto, de uma decisiva mudança de qualidade da democracia brasileira que terá vasta repercussão se prevalecer.

O sentido de atentado aos fundamentos da República tantas vezes salientado, define o caráter constitucional da questão essencial envolvida no Mensalão e é, para o bom entendedor, elemento suficiente para justificar a avocação do julgamento pelo STF.

Mas, ainda que fazendo alguma concessão às tecnicalidades, o melhor cenário seria aquele em que houvesse, o quanto antes, outro julgamento de caso semelhante envolvendo outros partidos para calar de vez a grita sobre “partidarização do judiciário” e, no lugar dela, instalar um clamor por “isonomia”, agora na boa direção, com políticos dos diversos partidos exigindo, não mais a impunidade geral, mas tratamento idêntico para os ladrões adversários.

De qualquer maneira, é bom não abaixar a guarda. O prêmio é o mais alto entre todos os que se pode almejar e os que correm atrás dele são profissionais calejados. Não vão “deixar barato” o cerco que lhes impuseram a imprensa livre e o Judiciário.

Os chefes do Mensalão estão condenados mas os partidos corrompidos por eles continuam dentro do Congresso e, desde que entregaram o que lhes venderam, também nos ministérios que continuam a ser criados ad hoc para abrigar novos comerciantes de “apoio político”.

Lá dentro correm leis ordinárias e Projetos de Emenda Constitucional (como a PEC numero 37) escritos com o propósito de emascular o Judiciário e o Ministério Público e amordaçar a imprensa e não faltam “eleitos de cabresto“, como bem os definiu o ministro Ayres Brito, dispostos a aprová-los no momento oportuno para garantir a perenização das tetas.

O roteiro chavista continua sendo apontado, de Rui Falcão a Dilma, como exemplo de “democracia perfeita” apesar da distância entre os discursos desses representantes dos extremos “civilizado” e “selvagem” do PT a respeito do valor das instituições básicas da democracia, liberdade de imprensa entre elas.

Os tiros virão, e é preciso estar preparado para revidá-los.

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