Sabe com quem cê tá falando?

11 de maio de 2012 § 3 Comentários

O destino de Celso Daniel, o Coordenador Nacional da campanha de Lula à Presidência da República em 2002, foi premonitório: na véspera da tomada do poder, a ética na política, com as mãos sobre o rosto para se proteger (foto), implorando misericórdia, foi executada com oito tiros na beira de um matagal de um arrabalde sórdido.

Nos meses seguintes sete das testemunhas diretas ou indiretas do crime foram assassinadas.

Passados 10 anos, tres pretos pobres foram condenados.

O de sempre.

(Pras putas parece que, no poder, os filhos andam aliviando…)

O “Sombra”, o mandado dos mandantes, continua “respondendo em liberdade” às perguntas que nunca lhe foram feitas.

E os mandantes andam por ai dilapidando o nosso futuro e reescrevendo o nosso passado com os seus proverbiais “Comitês da Verdade”…

O julgamento do caso Celso Daniel com 10 anos de atraso está aí para nos lembrar com quem é que estamos lidando.

Espelho, espelho meu

19 de setembro de 2011 § 1 comentário

O editorial do Estadão que comentava o crescimento do numero de pobres nos Estados Unidos hoje lembrou que o governo daquele país considera “pobres” as famílias de quatro pessoas com renda anual média abaixo de US$ 22.113 que equivalem a R$ 38.000. São R$ 3.170 por mês por família ou R$ 790 por mês por pessoa. E que esse valor representa mais que o quíntuplo do valor utilizado pelo governo brasileiro para definir “pobreza”.

Mas, se forem considerados os custos com que arcam os americanos para comer, estudar, vestir, locomover-se e, sobretudo, morar, entre outras despesas típicas de uma família e que são muito maiores do que no Brasil”, acrescentava O Estado, “a diferença ficará compreensível”.

Não sei ha quanto tempo os editorialistas do Estadão não vão aos Estados Unidos e nem que estatísticas usaram para tirar essa conclusão. Mas o fato é que o brasileiro de classe média que vai hoje aos Estados Unidos vai lá e fica louco para voltar, principalmente, para viver a inesquecível experiência de sentir-se rico e não ser roubado.

Do Big Mac ao automóvel, passando por roupa, transporte publico, moradia, plano de saúde, remédios e o mais que se quiser comparar fora educação privada de alto nível, tudo lá, muito especialmente o crédito que facilita o aceso a tudo isso, é muito mais barato que aqui, principalmente por causa da diferença nos impostos.

E o que é nominalmente mais caro, ao menos não é falsificado como é, por exemplo, o que se vende por aqui como educação, saúde e segurança publicas.

E a assistência à pobreza?

La faz-se, principalmente, com o Food Stamp, que compra comida de graça. A média do que foi distribuído por pessoa no ano passado foi, segundo reportagem do mes passado do Wall Street Journal, de US 133,90 por pessoa (ou R$ 227,63 por pessoa de cada família com até R$ 3.170 por mês de renda). Crianças de famílias que recebem até 130% a mais que esse limite (R$ 4,121) também podem requerer o selo. E as de famílias que recebem entre 130 e 185% acima desse limite também podem requerer comida subsidiada. O valor do nosso Bolsa Família varia de R$ 32 a um máximo de R$ 242 por família, dependendo do numero de membros dessa família.

Não é assim não, Estadão. A verdade verdadeira é que o pobre brasileiro é mesmo mais de cinco vezes mais pobre que o pobre americano. E isso acontece principalmente porque eles prendem os seus ladrões da coisa publica muito mais de cinco vezes mais que nós e, em geral, depois que fazem isso jogam a chave fora.

Onde estou?

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