7 de outubro de 2019 § 8 Comentários
STF decreta o fim do Judiciário no país onde Palocci é herói
9 de junho de 2011 § Deixe um comentário

Se uma democracia vier, um dia, a se instalar no Brasil, o dia 8 de junho de 2011, junto com o 10 de novembro de 1937 que inaugura a ditadura do “Estado Novo” getulista e o 13 de dezembro de 1968, do AI-5, que inicia a dos generais, vai ser lembrado como um dos três marcos do maior distanciamento que jamais tomamos dela.
Na véspera o Procurador Geral da Republica, ao decretar o arquivamento das investigações sobre o fulminante enriquecimento do ministro-chefe da casa Civil, Antônio Palocci, declarou formalmente acima da lei os membros do governo petista.
O que se seguiu foi o lamentável espetáculo da despedida de herói dada ao ministro subitamente milionário numa reunião em que, com mais veemência gráfica do que nunca antes na história deste país, ele foi sucessivamente ovacionado por uma plateia onde ombreavam-se, confraternizando, figuras como Fernando Collor de Mello e Martha Suplicy, além de empresários e banqueiros da panela sem fundo do BNDES e outros conhecidos meliantes da crônica político-policial destes Tristes Trópicos.

Comandando o espetáculo, uma presidente da Republica precocemente envelhecida, sentada como um réu entre as figuras patibulares de José Sarney e Michael Temer, era um símbolo perfeito da situação do país nas mãos deste PMDB que declara a quem interessar possa que não quer tomar a si a “coordenação política” do governo do PT, mesmo porque é papel do partido no governo pagar, e o dos partidos “apoiadores”, receber, os subornos exigidos a cada passo para que toda votação com potencial para tanto não se transforme em mais uma crise. E o queijo e a faca estão, no momento, nas mãos do PT, cabendo aos ratos apenas trabalhar com os dentes e a boca.
A senhora Dilma, que neste momento abandona a navegação costeira para se aventurar em mar alto, só se levantou para choramingar a obrigação de sacrificar “o amigo” que ela se sentiu constrangida a expelir e que, minutos antes, discursara para dizer que não saía porque estivesse sendo empurrado para fora ou constrangido por qualquer autoridade legal, mas sim “para preservar o diálogo do governo com a sociedade”, uma sociedade que, reconhece-o implicitamente a corja, ainda está longe de ter o mesmo nível de tolerância para com a bandalheira que se exibe sem nenhum pudor dentro do arraial lulista.
E com isso retornou livre, leve e solto aos campos de caça privados o duas vezes ex-ministro que nunca consegue esconder o que é por um ano inteiro quando no governo.

No mais, foi a festa da família Bernardo…
Mas, proverbialmente, seria necessário que o galo cantasse três vezes negando os fundamentos da democracia antes que o dia acabasse.
E o fecho corrosivo veio com a decisão soberana do Supremo Tribunal Federal de que ele não vale mais nada, transferida que foi a ultima palavra e confirmado o poder do ex-presidente da republica, diretamente ou por interposta pessoa, de anular suas sentenças a gosto, assim como os tratados internacionais assinados pelo país, com a confirmação do escandaloso decreto de ultimo minuto de sua majestade Lula da Silva perdoando um assassino condenado por um país democrático amigo com quem o Brasil mantem um tratado de extradição.
Nenhuma novidade no fato de que, para o PT, “assassinato” só toma o significado que tinha antigamente quando praticado de cima para baixo, na escala social e da direita para a esquerda na escala ideológica. Os que matam seus semelhantes na direção contrária, tanto vertical quanto horizontal, independentemente da dose de covardia embutida no ato, são heróis.

Afinal este governo está cheio deles.
Mas o Supremo Tribunal Federal declarar formalmente a extinção de sua própria autoridade é grave. Abre por sob os pés dos brasileiros um daqueles ralos em que vem descendo aos trambolhões a Argentina desde que Peron, o Lula deles, fez coisa parecida por lá ha perto de um século.
É por isso que não compartilho o ânimo de outros comentaristas que comemoravam hoje, com alguma dose de esperança, o verdadeiro início do governo Dilma. Ainda que esteja certo quem ainda vê na criatura algo de intrinsecamente melhor que o criador – que a tudo assistiu enquanto se esfregava em Hugo Chavez e Fidel Castro, a quem seu governo recentemente devolveu boxeadores fugitivos, para que não reste nenhuma dúvida sobre o que ele pensa sobre democracia e direitos humanos – o sr. Silva tirou-lhe de sob os pés o terreno institucional onde ela pudesse erigir qualquer coisa de sólido.
Agora é difícil vislumbrar como deter a queda do Brasil por essa perambeira abaixo.

Leia também O ANO EM QUE VOLTAMOS AO SÉCULO XVI, onde se explica melhor o significado da decisão de ontem do STF para o futuro da democracia brasileira, e QUEM LUTA POR CESARE BATTISTI, onde se mostra quem é este senhor e quais as forças que o tiraram da prisão.
Compre um escafandro, Dilma!
26 de maio de 2011 § 1 comentário

É pena que o governo Dilma Roussef tenha acabado!
Apesar dos pesares, continuo simpatizando com ela. Sua figura não me provoca os mesmos calafrios que me provoca a horda que a cerca.
ACM, o falecido coronel da Bahia, com aquele jeito muito dele de passar “subtextos” marotos com os olhares, os gestos e a cadência com que pontuava suas frases, começava-as assim sempre que se referia a ele: “Este senhor, Michael Temer, … com aquela cara de mordomo de filme de terrorr…”
É exatamente a impressão que ele me passa.
Essa foto da capa do Estadão de hoje, com Lula conduzindo a fera pelo braço ao lado do Sarney é de arrepiar!
Me deu a nítida sensação de que o filme de que falava ACM está começando. De que estamos entrando num processo argentino; num daqueles ralos de que nunca se encontra o fundo.
Os governos, o aparelho de Estado, os sindicatos, o empresariado, as escolas, tudo está tomado. O filtro de seleção negativa está instalado como se fosse um preservativo poroso vestindo todo o Brasil e só o pior conseguirá vir à tona.

Com a subida do esgoto em que flutuam Palocci e companhia tomamos conhecimento do que a imprensa está chamando de “alheamento político” da presidente. Ela vinha mantendo até os parlamentares do seu partido à mesma distância que as pessoas normais guardam de gente como eles. Delegava “o diálogo” com correligionários e “aliados” ao seu superministro.
Você sabe, aquele tipo de diálogo animado por “argumentos” como os que explicam a multiplicação da fortuna do Palocci num ritmo de fazer inveja a qualquer Mark Zukerberg.
Isso é incompatível com as necessidades do que se chama de política nesta selva?
Sem duvida que é. O resultado foi o que foi. Se ela tivesse imposto o seu tom talvez a cobra ficasse mais algum tempo no seu devido buraco.
Mas que eu entendo a Dilma eu entendo!
Privar com essa gente; ouvir e satisfazer os seus “pleitos”, só mesmo comprando um escafandro. E mesmo assim, olhe lá!

Agora aproveitam, também, para tirar dela qualquer mérito por ter impedido que o “kit-homofobia” deste governo de refinada cultura, ilibada moral e elevados critérios éticos fosse distribuído a todas as escolas publicas do país.
Por tudo que li a respeito do que continha o ultimo produto deste Ministério da Educação que diz que corrigir alunos que falam um português incorreto equivale ao tal do “bullying”, coisa que justifica até assassinatos em massa de crianças, as peças não contêm nada de muito diferente do que a Rede Globo de Televisão exibe ha anos na sua já famosa “hora da ignomínia”, num tom de campanha que nem mesmo o ilustrado ministro Haddad ousaria adotar.
Dilma teria concluído que as peças com que se quer mostrar às nossas crianças qual a maneira correta de se pensar em transexualismo e homossexualismo masculino e feminino (parece que zoofilia ficou excluido por enquanto, discriminação que merece toda a atenção dos advogados dos direitos dos animais), não tratam de propor que sejam respeitadas as diferenças no que diz respeito ao sexo mas sim, em consonância com o tom que prevalece hoje, de sublinhar as “vantagens” do comportamento homossexual sobre o heterosexual.

À Rede Globo, enfim, ha que se deculpar, porque não é mesmo fácil segurar a audiência depois do que a população brasileira está acostumada a tragar toda noite no Jornal Nacional onde são apresentadas ao vivo as cenas de sexo explícito da politica nacional, frequentemente seguidas das que mostram o efeito horripilante que essa orgia faz nas nossas estradas, escolas, hospitais publicos e etc.
É pra Tarantino nenhum botar defeito!
E depois, a Globo tem de fazer dinheiro e, até onde se saiba, não tem tanta facilidade para isso quanto nossos ministros em períodos sabáticos e os vendedores de governabilidade em geral.
Já a Dilma, novata que é nas artes da “política”, ainda parece ter medidas mais parecidas com as que nós todos usamos, tanto no que diz respeito à capacidade de tolerância quanto a comportamentos heterodoxos em política quanto no que se refere às necessidades pessoais em relação ao dinheiro. Dizem que ela é atéia mas tá na cara que ela ainda tem medo de ir pro inferno.
Repito: é pena que o governo da Dilma tenha acabado!
Mesmo sem termos tido tempo de conhecê-la melhor, e ainda que eu esteja muito enganado sobre os limites que ela se impõe, estou certo de que ainda teremos saudades dela diante do que ainda está por vir desse pessoal escolado que segue o seu chefe e que não tem limite nenhum.

Ladrões! / Unidos! / Jamais serão vencidos! (bis)
25 de maio de 2011 § 2 Comentários

Agora revela-se que somente nos dois meses entre a eleição e a posse de Dilma o “novo milionário” Antônio Palocci faturou R$ 20 milhões em “consultorias”. Em 2006 inteiro foram só R$ 160 mil. O PT não procurou negar o fato. Jura que não tem nada a ver com dinheiro de campanha, apesar da concentradíssima coincidência de datas. Apenas disse que isso é “normal” pois, tendo o Conselho de Ética do Planalto recomendado a ele que mudasse a razão social da Projeto quando foi convidado para a Casa Civil de prestadora de consultorias para “administradora de imóveis” (e quantos mais haverá além dos dois já divulgados?), seus clientes tiveram de “antecipar os pagamentos devidos”.
Ok, ok. Deixa pra lá o critério do Comitê de Ética do palácio…
O certo é que esse numero indica o seguinte: 20 xs o patrimônio em quatro anos o escambau!
Faça as contas. O numero de partida eram os R$ 375 mil da ultima declaração (xs 20 = aos 7,5 milhões que custaram só o apartamento e o escritório que o senhor ministro comprou em São Paulo). Os R$ 20 milhões faturados naqueles dois meses representam, portanto, 53 xs o patrimônio do ministro. Se a modesta nova morada de sua excelência e seu escritório foram comprados antes disso, já estamos falando de uma multiplicação de 73 xs do patrimônio do honesto Palocci. E olha que ele passou quatro anos “dando consultorias”…

Agora o Brasil começa a saber que tudo isso é culpa do … Serra. Sim, aquele mesmo: o falecido José Serra. Surpreende-me que tenham esquecido o FHC. Mas ainda está em tempo.
Assim mesmo, o dado é sugestivo. Eficiente como é pra essas coisas, o PT investigou, primeiro, as suas próprias fileiras, procurando a origem do “vazamento”. Não encontrou. Nesse aspecto, ao menos, os critérios do PT são transparentes. O problema não é roubar. Depois de Celso Daniel, nem mesmo roubar para si mesmo. O problema é vazar para a imprensa que alguém está roubando.
Constatado que o tiro não tinha vindo de dentro (será mesmo?) a coisa começou a ficar preta. Hora de tirar a reserva e por o titular em campo. Lula em pessoa saiu da toca e bateu-se para Brasília.
Almoçou com os senadores do PT, aquela maioria absoluta que pode segurar até tsunami que queira atingir o PT via representantes do povo (ora, o povo!). Jantou com Dilma e o próprio Palocci. Tomou café da manhã com o mestre supremo, suma cum lauda, em sobrevivência na selva, José Sarney.
E então o Brasil inteiro ficou sabendo que tudo é culpa do Serra. Que a coisa toda foi vazada pela prefeitura de SP que é quem cobra impostos (ISS) de empresas prestadoras de serviço (pelo menos SP recebeu algum de volta…).

E precisava?!
O Palocci estava escondendo alguma coisa?
Nada!
Esses caras são tão primitivos que assaltam o banco e no dia seguinte compram o Empire States e querem que ninguém desconfie de nada.
Desbundaram! Viajaram na maionese das duas faces da moeda do Poder: a certeza absoluta da impunidade, de pairar acima da lei, e o dinheiro, muito dinheiro.
Mas não é só o Serra que está conspirando contra o PT. A unidade especializada em combate ao crime organizado (Gaeco) do Ministério Publico também. Eles acabaram de estourar outro “mensalinho”, desta vez em Campinas. O de sempre. Estavam roubando saneamento do povo de Campinas. O esquema era operado pela mulher do prefeito local, o tal dr. Helio, amigo do Lula, e não se restringia só a águas e esgotos. Ela mandava em todas as áreas de governo no que diz respeito a propinas. Ou o funcionário entrava ou perdia o cargo. Pra fazer negócios com a prefeitura de Campinas as empresas tinham até de fazer reformas nas casas e jardins de madame.

Acontece que o esquema envolve também Jose Carlos Bumlai, outro grande amigo do Lula, daqueles com jatos particulares, fazendas gigantes que o ex-próximo-presidente frequenta e o diabo. Ele está em todas, de usinas hidrelétricas pra baixo. Nessa de Campinas é o de costume: tudo gravado no telefone, preto no branco, com discussões entre os acusados sobre como usar a confissão premiada para evitar que o escândalo vá bater em Lula, e coisa e tal.
Abacaxi tão grande, enfim (ha 480 páginas de gravações e investigações), que foi deslocado para o local, para afinar os discursos, ninguém menos que Jose Dirceu, o terceiro em comando no esquema lulista.
No dia seguinte, todos os vereadores do PT baixaram no Ministério Publico de Campinas, “não para pressionar o procurador, só para buscar mais esclarecimentos”.
Terá sobrevivido algum tucano de monta em Campinas? Não? Então esperem e verão: a culpa deve ter sido do Serra…

Você sabe como é. O Congresso (e a Câmara Municipal) não é o problema. “O Congresso…”, dizia anteontem o governador Jacques Wagner do PT da Bahia, depois de uma reunião da bancada sobre o caso Palocci, “…o Congresso, com todo o respeito, a gente sabe o que é; uma casa política”. Jacques Wagner é muito gentil…
“A oposição está é na imprensa”, completava, no dia seguinte, Lula em pessoa. Daí a necessidade, não de pararem de roubar, mas de seguirem todos roubando com um mesmo e afinadíssimo discurso.
Bonito de ver essa solidariedade toda!
É o espírito de classe, curtido nos porões do sindicalismo.
LADRÕES!
UNIDOS!
JAMAIS SERÃO VENCIDOS!
(bis)

Entre o ladrão e os ladrões
23 de maio de 2011 § 2 Comentários

Dominique Strauss-Khan (DSK), aquele homem que era o chefe da junta médica financeira do mundo, quase um deus, e que hoje é suspeito de ser um “dirty old man” com dificuldade de segurar as calças, foi recusado pelos vizinhos como locatário de um apartamento onde ficaria preso esperando julgamento em Nova York.
Ele conseguiu esperar esse julgamento fora da jaula depois de pagar US$ 1 milhão de fiança e depositar mais US$ 5 milhões em garantias de que não vai tentar fugir e, com isso, produzir gastos para a policia americana correr atrás dele. Vai ficar com uma tornozeleira com GPS e tem de pedir licença até pra ir ao banheiro.
E os vizinhos do apartamento de US$ 6,6 milhões de reais, quase tanto quanto tudo que o DSK teve de pagar pra não ser enjaulado, o que acham de ter o Antônio Palocci subindo e descendo pelo mesmo elevador que eles?
Se tivesse algum pauteiro com alguma imaginação na imprensa brasileira nos já saberíamos.
Mas não tem.

Eu cá comigo arrisco um palpite.
Se as TVs fossem lá por o microfone na cara das pessoas elas diriam que não queriam ele como vizinho e tal. Mas isso se os interrogados fossem só os empregados ou mesmo os filhos dos donos desses apartamentaços.
Se fossem eles próprios, duvido que dissessem isso assim na cara limpa. Porque quem tem R$ 6,6 milhões pra por num apartamento no Brasil ou ganhou eles do mesmo jeito que o Palocci ou, se ganhou honestamente, tem tantos negócios que não pode se dar o luxo de dizer o que pensa num país onde o governo atua na economia de tal forma que um ministro entre mandatos “vale” 20 vezes o seu patrimônio só pelas dicas e segredinhos que pode vender ou pelas porteiras que pode ajudar a abrir.
Aqui é o país onde o xerife ainda não chegou e a gente tem de fazer mesuras pros bandidos porque senão ou eles matam você ou matam a sua empresa. Isso os pouquíssimos que não se corromperam. Porque o que a “Era Lula” prova definitivamente é o que as pesquisas já mostravam: o sonho de todo brasileiro não é mudar o que está aí; é só passar do barco dos explorados para a boa e velha nau dos exploradores.
O Lula, aliás, estava esses dias no Panamá, fazendo palestras para funcionários da Odebrecht, vejam vocês. E, como sempre, alinhou-se automaticamente ao acusado de corrupção da vez que, como de costume, está aninhado naquela mesma sala vizinha da sua, hoje ocupada pela Dilma, onde o Zé Dirceu vendia suas dicas quando foi a vez dele na Casa Civil.
A Odebrecht, como vocês se lembram, é uma daquelas empreiteiras que só fazem obras pro Estado. Com o que faturou assim, apossou-se de uma boa fatia da indústria de base da economia brasileira, especialmente a que envolve petroquímica. Na Era Lula o jogo dessas para-estatais tornou-se explícito e ela virou uma das sócias preferencias do BNDES que está ajudando, “socialmente” é claro, a “desenvolve-la” num dos monopólios gigantes formalmente associados ao governo que caracterizam o presente momento da economia nacional.
Palocci também é um cara de estilo. Sempre o mesmo. O único fuzilado até o momento em todo esse imbróglio foi o funcionário que transformou numa nota oficial o “eu sou, mas quem não é?” dele. Que nem o Francelino, coitado, que teve os seus caraminguás escarafunchados por toda a PT-Pol nos bancos oficiais depois que contou que o dr. Palocci também gostava de fazer festinhas de embalo com o nosso dinheiro na casa que ocupou em Brasília lá nos idos da primeira campanha vitoriosa do Lula.
Erro duplo, o desse demitido.
Primeiro porque o super ministro do PT pego com essa inexplicável bufunfa no bolso é um médico que nunca exerceu a profissão, sempre foi político profissional, e saiu do ministério para o Congresso, onde enriqueceu, e depois voltou pro ministério, e os servidores de FHC com quem ele se comparou saíram da iniciativa privada, onde ganhavam dinheiro, serviram o governo e voltaram para a iniciativa privada para continuar ganhando dinheiro.
O cara, portanto, acabou chamando a atenção para a diferença e não para a semelhança das situações comparadas.
Segundo porque quando disse que ex-ministro “fica valendo muito no mercado”, tornou-se réu confesso de venda de influência, já que não ha mais nada que ex-ministros possam vender a empresas privadas senão isso.
O que o Palocci devia estar fazendo, agora, é procurar quem, entre os seus dignos correligionários, passou essa informação para a imprensa já que, preguiçosa como ela anda, não ha um só dos últimos 50 escândalos nacionais que não tenha sido passado pra dentro das redações pelos arapongas do próprio governo.

Isso é tiroteio lá entre eles, desse PT de sindicalistas acostumado desde sempre a resolver tudo no tiro, que foi o que sobrou no governo depois que a esquerda com vergonha na cara, de escândalo em escândalo, foi saindo de fininho.
E por falar em tiro, o primeiro que o Palocci levou, lá atrás, envolvia dinheiro de campanha. E ele saiu-se melhor que seu antecessor no comando do Caixa 2 do PT, Celso Daniel, que não sobreviveu fisicamente aos tiros de fato que levou quando descobriu que tinha gente roubando pra si mesmo e não apenas pro partido, que era o limite do que ele tolerava.
Agora liberou geral. O pessoal não só rouba para si mesmo como não tem a compostura de esconder a grana e nem mesmo de esperar pra começar a torrá-la à escandalosamente grande…
E o pior é que o coitado do Brasil é tão desamparado, que eu tenho visto muita gente boa, que realmente torce por justiça, torcendo secretamente pra que ela falhe desta vez, como sempre, porque a Dilma anda perdida no espaço, o Mantega só fala abóbora e a verdade verdadeira é que nós estamos no mato sem cachorro, na alternativa entre ladrões com alguma competência para desempenhar os afazeres de governo enquanto metem a mão no dinheiro publico e ladrões sem competência para nada senão meter a mão em dinheiro publico.
E isto num momento em que o horizonte do mundo vai ficando bem pro escuro exatamente na hora em que já está claro que o Brasil não escapa mais de finalmente saber o que é, de fato, uma herança maldita.


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