Espelho, espelho meu

19 de setembro de 2011 § 1 comentário

O editorial do Estadão que comentava o crescimento do numero de pobres nos Estados Unidos hoje lembrou que o governo daquele país considera “pobres” as famílias de quatro pessoas com renda anual média abaixo de US$ 22.113 que equivalem a R$ 38.000. São R$ 3.170 por mês por família ou R$ 790 por mês por pessoa. E que esse valor representa mais que o quíntuplo do valor utilizado pelo governo brasileiro para definir “pobreza”.

Mas, se forem considerados os custos com que arcam os americanos para comer, estudar, vestir, locomover-se e, sobretudo, morar, entre outras despesas típicas de uma família e que são muito maiores do que no Brasil”, acrescentava O Estado, “a diferença ficará compreensível”.

Não sei ha quanto tempo os editorialistas do Estadão não vão aos Estados Unidos e nem que estatísticas usaram para tirar essa conclusão. Mas o fato é que o brasileiro de classe média que vai hoje aos Estados Unidos vai lá e fica louco para voltar, principalmente, para viver a inesquecível experiência de sentir-se rico e não ser roubado.

Do Big Mac ao automóvel, passando por roupa, transporte publico, moradia, plano de saúde, remédios e o mais que se quiser comparar fora educação privada de alto nível, tudo lá, muito especialmente o crédito que facilita o aceso a tudo isso, é muito mais barato que aqui, principalmente por causa da diferença nos impostos.

E o que é nominalmente mais caro, ao menos não é falsificado como é, por exemplo, o que se vende por aqui como educação, saúde e segurança publicas.

E a assistência à pobreza?

La faz-se, principalmente, com o Food Stamp, que compra comida de graça. A média do que foi distribuído por pessoa no ano passado foi, segundo reportagem do mes passado do Wall Street Journal, de US 133,90 por pessoa (ou R$ 227,63 por pessoa de cada família com até R$ 3.170 por mês de renda). Crianças de famílias que recebem até 130% a mais que esse limite (R$ 4,121) também podem requerer o selo. E as de famílias que recebem entre 130 e 185% acima desse limite também podem requerer comida subsidiada. O valor do nosso Bolsa Família varia de R$ 32 a um máximo de R$ 242 por família, dependendo do numero de membros dessa família.

Não é assim não, Estadão. A verdade verdadeira é que o pobre brasileiro é mesmo mais de cinco vezes mais pobre que o pobre americano. E isso acontece principalmente porque eles prendem os seus ladrões da coisa publica muito mais de cinco vezes mais que nós e, em geral, depois que fazem isso jogam a chave fora.

Onde estou?

Você está navegando em publicações marcadas com paises pobres em VESPEIRO.