E tome carro! Mas gasolina e estradas…

7 de novembro de 2012 § 1 comentário

Esta está ha alguns dias aqui no bloquinho de anotações mas ainda vale um registro.

Depois de reduzir os juros, oferecer nova rodada de negociação de dívidas, manter o preço dos combustíveis num nível que derrubou a Petrobras a metade do seu valor, abrir largamente as portas do Tesouro Nacional para sustentar a festa do financiamento ao consumo da “nova classe média” via Banco do Brasil, Caixa e BNDES e “reduzir drasticamente o preço da energia” ao custo do desabamento do valor das elétricas em R$ 38 bilhões em um único pregão da Bolsa e da armação de um rolo que começa agora e deve terminar numa crise brava tal é o nó cego que deram na regulamentação do setor, dona Dilma, a 4 dias da eleição, anunciou mais uma prorrogação da redução do IPI para carros.

Assim, ha meses que batemos recorde sobre recorde de venda de automóveis num país já atravancado de carros.

Fechadas as urnas, os jornais começam a mostrar o outro lado dessa moeda.

Em 4 de novembro saiu no Valor que a importação de gasolina está chegando a 20% do consumo nacional e o governo “esta traçando às pressas um plano de emergência que envolve a ampliação da capacidade de transporte e armazenamento” porque “há uma grande preocupação com o curto prazo e será necessário um forte ajuste entre Petrobras e distribuidoras para que não ocorram problemas no fim do ano”, sendo as regiões mais ameaçadas “o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste, além de Minas Gerais e o Rio Grande do Sul” (e o que é que sobra?).

Ha um consumo recorde de gasolina em 2012 mas falta capacidade interna de produção e ha problemas de infraestrutura de armazenagem e distribuição. Não ha caminhões tanque nem tanques de armazenagem suficientes. As refinarias nacionais já atingiram 98% da capacidade e até setembro, a Petrobras já tinha importado 2,4 bilhões de litros, o triplo do mesmo período de 2011”, reporta a Folha.

E não é só.

Informações divulgadas no dia seguinte pelo Sistema de Administração Financeira (Siafi) do governo federal dão conta de que os investimentos no setor de transportes, este ano, não saíram do papel. É a pior execução em anos.

Dos R$ 13,661 bilhões autorizados para rodovias em 2012, apenas R$ 2,543 bilhões (18,6%) foram executados até maio, sendo que desse total, apenas 7% ou R$ 197,4 milhões dizem respeito ao orçamento deste ano. Os demais 93% são “restos a pagar” do orçamento de 2011.

No setor ferroviário o quadro é pior. De R$ 2,77 bilhões de gastos autorizados só R$ 238,7 milhões (8%) foram executados, apenas 6% dos quais referentes a contratos deste ano.

No setor aéreo gastou-se 85% da verba autorizada (e viva o futebol!) de R$ 222,8 milhões. Mas em hidrovias está o pior desastre. Gastou-se R$ 3,84 milhões dos R$ 820,8 milhões separados no orçamento.

Em 2011, a verba federal para transportes tinha sido 6,4% menor que no ano anterior. E neste ano, o que foi executado está 31% abaixo de 2011, embora transportes seja a 2a prioridade do PAC filho da Dilma, atrás apenas do setor de energia, ora afundado no caos da “redução drástica de tarifas” de véspera de eleição que deixou os produtores em estado de coma.

No Brasil, país de tolos do PT, ha, portanto, carro pra todo mundo (porque carro é gringo que faz e gringo sabe fazer) mas não tem estradas nem gasolina para faze-los rodar.

Ou seja: o PT é bom mesmo pra correr atrás dos votos dos trouxas que, desde já e cada vez mais, terão tempo de sobra para pensar no que fizeram parados nos engarrafamentos e nas filas da gasolina no meio da escuridão que vêm vindo por aí.

Lula já entendeu. Mas…

4 de maio de 2012 § 1 comentário

No Ritz de Paris, Cabral marca o casamento entre o dono da Delta e Jordana Kfouri que viria a morrer na queda do helicóptero de Fernando Cavendish em Trancoso da qual o governador e seu filho por pouco escaparam mas que também matou sua futura nora

A divulgação dos detalhes das primeiras seções da CPI do Cachoeira confirmam o que foi previsto no artigo de quarta-feira.

O relator petista, seguindo ordens, propôs limitar a investigação da Construtora Delta aos seus contratos na região Centro Oeste do Brasil, uma tentativa constrangedora de tão bandeirosa. Bem traduzida queria dizer “investigue-se apenas Demóstenes e Marconi Perillo; esqueça-se o resto”.

Nem o Congresso Nacional onde todo mundo tem telhado de vidro podia engolir essa com todas as gravações que estão em cartaz neste momento em todos os jornais, rádios e televisões do país.

Já o ex-presidente Collor, aquele que foi escorraçado do Alvorada a pontapés pelo PT, despontou como o guardião do sigilo dos documentos, gravações e filmes guardados no pacote do inquérito do Supremo enviado ao Congresso que, por tudo que se divulgou até agora, incriminam o PT mais que ninguém.

Jordana Kfouri come caviar no Ritz de Paris

Um papel tão carimbado que ele sentiu-se na obrigação de explicar que, ao ameaçar todos os seus colegas com as penas da lei se “passassem informações por baixo dos panos a alguns confrades (repetidor da Globo nas Alagoas que é, ele se julga jornalista) para fazerem delas o uso que lhes convém“, ele não estava tomando uma posição “hipócrita, safada e jaguara” (de “cão ordinário”; de “pessoa de mau caráter e patife”, segundo o Houaiss), mas sim “defendendo a lei“.

O ex-presidente foi freudianamente exato nos adjetivos que selecionou…

Foi aparteado por Miro Teixeira que lembrou oportunamente que “pode vir o despacho (obrigando ao sigilo) da mais ilustre autoridade do planeta (e este veio do sempre genuflexivo ministro Lewandowski) o fato é que manter o sigilo é contrariar diretamente a Constituição“.

Resumiu bem a situação o ex-líder do governo no Congresso, Candido Vaccarezza: “Com tudo que a Polícia Federal já apurou, o único acordo possível é em torno do aprofundamento das investigações. Quem tentar abafar qualquer coisa vai se desmoralizar“.

O governador, seus secretários e o amigo Fernando na porta do Ritz

O próprio Lula, como confidenciou uma fonte do PT a Dora Kramer, do Estadão, já entendeu que o partido será o principal alvo das outras legendas nesta CPI porque é quem mais tem a perder.

Mas cautela e caldo de galinha nunca são demais. O resultado só sai depois que acaba o jogo. A velha raposa é persistente e conhece o poder que tem.

Enquanto a CPI se instalava resistindo às primeiras tentativas de sonegar ao país aquilo que o STF e o acuado Procurador Geral da Republica já sabem que contem o caminhão de lixo das organizações Delta-Cachoeira estacionado na sala-cofre do Senado, o sr. Luís Ignácio Lula da Silva, com a desfaçatez que o caracteriza, aparecia numa cerimônia pública ao lado de ninguém menos que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o mais irretorquivelmente corrupto dos corruptos colhidos em flagrante delito nesta que se anuncia como sendo a safra recorde das roubalheiras jamais desvendadas na história deste país.

Os secretários de Saude e Governo do Estado do Rio de Janeiro e o amigo Fernando (centro)

Cabral, como se sabe, é o pai da Delta, com cujo dono, Fernando Cavendish, costuma farrear em Paris e voar de helicóptero por aí, ainda muito mais que Dilma é a mãe do PAC, de cujas obras essa empreiteira detém 80%.

Lula conta cegamente com o “efeito Teflon” que lhe proporciona o fato de tantos brasileiros lhe atribuírem  responsabilidade direta por estarem desfrutando pequenos confortos básicos nunca antes tidos e havidos, o que em parte é mesmo mérito dele, e dá de ombros para o resto.

Mas desde já está claro até para ele que, longe de apagar a memória dos “malfeitos” do PT para ganhar o poder e comprar apoios apurados no processo do Mensalão, a CPI da Delta-Cachoeira vai mostrar a que nível da estratosfera a associação explícita entre os antigos “paladinos da ética na política” e os collors e sarneys de sempre em defesa da mais ampla, geral e irrestrita impunidade levou a corrupção no Brasil.

Enquanto a CPI era instalada…

O alvo desta CPI

2 de maio de 2012 § Deixe um comentário

Ao fim de nem tão surda batalha pelo “controle” da CPI do Cachoeira assisti, durante o almoço, ao primeiro passo da momentosa “investigação”, com o senador Vital do Rego, que o PT pôs à frente dos trabalhos, recebendo do STF um envelope selado com nove CDs contendo os 40 volumes do inquérito aberto para investigar o esquema. (É porque nossa justiça é sempre tão “econômica” em palavras, recorde-se, que nenhum processo chega ao fim nestes tristes trópicos).

Tudo (menos o que já se sabe) está, ainda, sob “segredo de Justiça”, conforme frisou o ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo no STF.

Vai daí, diz o senador do Rego, “o primeiro e mais importante trabalho será conferir, entre as quatro paredes da ‘sala-cofre’ adrede preparada no Senado, o que já foi e o que ainda não foi vazado de tudo que foi recebido“…

 

O grosso do que vazou, e é só o que as televisões têm para martelar na cabeça do público por enquanto, é o que atinge o falso cavaleiro da esperança do DEM e o governador do PSDB de Goiás, mais a negociação para a aquisição “de porteira fechada” e por preço de ocasião do partido inteiro daquele gordinho, o tal de Levy Fidelix, hoje de propriedade do PT.

Sabe-se também que tudo isso é só o glacê e que o “bolo” mesmo, aquilo que mede a extensão da metástese da doença brasileira em todos os níveis da politica e da administração pública, são as aventuras e desventuras de Fernando Cavendish e a sua “Construtora Delta”, aquela que está para Carlinhos Cachoeira como a “agência de publicidade” SMP&B de Marcos Valério estava para José Dirceu no esquema do Mensalão.

Mas sobre os contratos que este senhor amealhou, relativos a 80% das obras do PAC filho da Dilma, ainda não vazou detalhe nenhum.

O governador do PMDB do Rio de Janeiro (aquele partido do vice-presidente da Dilma), que criou essa cobra e quase morreu picado por ela meses atrás na Bahia, tomou providências cirúrgicas a esse respeito.

O galante Fernando Cavendish é tido e havido como “o rei” da ex-capital federal onde não ha obra que não seja “dele”. Mas o dr. Sérgio Cabral, que se tornou uma das figuras mais translucidamente transparentes da Republica graças às relações de alto risco que mantem com ele sem proteção, só cuidou de tomar-lhe duas desde que o escândalo começou: a reforma do Maracanã, de R$ 789 milhões, e a Transcarioca, corredor de ônibus que vai do Galeão à Barra de R$ 931 milhões divididos com a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, ambas do PAC filho da Dilma.

O resto, o que é só Rio com Rio, o dr. Cabral segue esperando pra ver como é que fica.

Tudo, portanto, caminha por enquanto em consonância com o padrão do Novo Brasil do PT onde todo mundo “é” e tem sido filmado e gravado “sendo“, mas ganha o jogo quem tem o poder de definir o que vaza e o que não vaza desse vasto e precioso acervo para o conhecimento do distinto público.

Abrir ou não abrir o pacotão do STF, o acervo cinematográfico da Polícia Federal e, muito especialmente, medir a extensão dos tentáculos da Delta é o verdadeiro nome do jogo.

A ver se, escancaradas as porta do Inferno com a instalação da CPI, será possível seguir controlando a diabaiada…

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