Serra é só mais do mesmo

15 de fevereiro de 2011 § 1 comentário

Acho patética essa insistência do Serra num salario mínimo de R$ 600 diante dos sinais gritantes de aceleração da inflação, sinais estes que não são só nacionais. A onda que está batendo por aqui e que vai ganhar volume com a herança maldita do Lula é a mesma que está derrubando governos no Oriente Médio, obrigando a China a subir os juros e afetando o mundo inteiro.

O nefando Paulinho Pereira da Silva, da Força Sindical, que já era o oportunista dos oportunistas muito antes do Lula que, antes dele, foi o oportunista dos oportunistas, chama-lo assim, se contenta com R$ 560. As centrais sindicais, para não perderem a face, aceitam qualquer numero acima dos R$ 545 propostos pelo governo.

Mas o dr. Jose Serra, do PSDB,  um dos criadores da Lei de Responsabilidade Fiscal, insiste nos R$ 600 que nem o seu próprio partido consegue fingir que leva à sério.

Como mostrou a Confederação Nacional dos Municípios cada real de aumento no salario mínimo gera R$ 38 milhões de aumento de despesas. No âmbito federal (previdência, etc.), cada real a mais no mínimo implica cerca de R$ 300 milhões de custo adicional. O salario proposto pelo governo vai custar, portanto, R$ 1,3 bi; o do Paulinho da Força custaria 1,8 e o do “competente administrador” José Serra R$ 3,4 bi.

Isso num contexto em que o governo é o primeiro a admitir que se não conseguir cortar já R$ 50 bi em despesas – coisa que não vai conseguir cortar nem em quatro anos – desanda a maionese.

Sendo o Congresso Nacional o que é e o representante da suposta elite republicana oriunda das universidades o que está demonstrando ser, Dilma, para se precaver, guardou para depois desta que vai ser a primeira votação importante para seu governo, a distribuição do resto dos cargos de segundo e terceiro escalões que tem para distribuir nas estatais para os deputados e senadores que se mostrarem “leais”.

A reconfirmação dessa prática corrosiva é o único resultado prático que o dr. José Serra ajudará o Brasil a colher com a sua atitude “esperta” de aumentar a insegurança quanto à aprovação de algo de tão evidente interesse nacional.

Tudo isso reforça o sentimento de orfandade que compartilho com os 40 milhões de brasileiros que votaram contra a tomada final de assalto do Estado pelo PT revoltados por serem obrigados a sufragar o nome de um sujeito que fez sua campanha inteira pretendendo ser mais Lula que o Lula, como se não houvesse mais nada de errado neste país que pudesse servir de bandeira para uma oposição com vergonha na cara e algum amor pela democracia no coração.

Naquela altura eu tentava me consolar forçando-me a acreditar que aquilo era um erro de cálculo – burrice, até – de um candidato desesperado com os índices de popularidade do seu opositor.

Não era.

Serra é mesmo igual ao Lula. É capaz de destruir o país se achar que isso pode atrapalhar seu adversário ou leva-lo um passo mais perto do poder, exatamente como o Lula e o PT se dedicaram integralmente a fazer durante cada minuto dos 17 anos que transcorreram entre o primeiro dia da Nova Republica e o primeiro dia do seu primeiro mandato como presidente eleito. Faz o mesmo tipo de oposição chantagista que ele fazia. Não tem nenhuma ideia na cabeça para propor ao Brasil. É mais do mesmo. Mais um que só quer “chegar lá”.

Se o Aécio quiser ter alguma chance tem que começar a provar desde já o quanto ele é diferente disso.

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