Meu Brasil brasileiro

28 de março de 2013 § 4 Comentários

eng

A Cidade Maravilhosa do País do Futebol está sem futebol. Até pelo menos meados de junho, para quando prometem a entrega do Maracanã (hã-hã), o Campeonato Carioca vai ser jogado em Volta Redonda onde está o último estádio do território estadual que resistiu aos políticos que atuam por lá.

Graças à expectativa da Copa, uma certificadora alemã fez uma vistoria no estádio do Engenhão, que vinha servindo de estepe, e evitou mais uma daquele tipo de tragédia carioca que Nelson Rodrigues não previu.

O Engenhão começou a ser construído pela Delta Construções, aquela “inidônea” mas ainda secreta sócia do atual governador do Rio e campeã das “licitações” do PAC, filho da Dilma, para os Jogos Panamericanos de 2007, ainda no governo César Maia.

eng2

Sabe-se lá por quais e quantas, a Delta parou no meio. A Odebrecht e a OAS para as quais, entre outras, Lula atua hoje como “vendedor”, como se definiu para o jornal Valor, terminaram a obra e acrescentaram a ela, para elevar o estádio à categoria exigida pela Fifa para a Copa do Mundo, uma estrutura metálica para sustentar uma cobertura para as arquibancadas.

O que os alemães descobriram é que a estrutura está podre. Não deram nela nem aquele prosaico banho de zinco – a galvanização – que qualquer sitiante exige para os arames das suas cercas, sabendo que sem ele o metal, já já, não aguenta nem o tranco de um bezerro.

eng3

Já o que os brasileiros descobriram, logo na sequência da descoberta alemã, é que, ciosas da qualidade do que constroem, a Odebrecht e a OAS fizeram a prefeitura do Rio assinar um acordo dizendo que qualquer prejuízo ou reparo na obra ficaria por conta dos contribuintes cariocas.

A cidade do Engenhão periclitante é a mesma onde o programa xodó de dona Dilma construiu os prédios que ameaçam cair antes de terminar de subir, para os miseráveis sobreviventes do Morro do Bumba. Sua Casa, A Vida Dela

É lá também que fechou as portas na cara das crianças marcadas para morrer, por “falta de recursos”, o Hospital Federal de Bonsucesso, o único daquele Estado a fazer transplantes de órgãos em crianças.

eng0

E já que falamos no Estado do Rio, não custa lembrar que também é lá que ficam aquelas serras que se desmancham todo verão afogando na lama milhares de homens, mulheres e crianças cujas cidades estão em ruínas há anos porque toda verba que se aprova para socorre-las é sistematicamente roubada enquanto dona Dilma faz discursos comovidos para os mortos da estação bem ao lado dos ladrões.

Sabe quantas manifestações de indignação e revolta o povo do Rio de Janeiro protagonizou contra todos esses descalabros?

Nenhuma.

eng1

Ao contrário. Aquela gente que aprendeu a encarar a bala perdida de cada dia como um inevitável dado da natureza festeja a generosidade do governo que, se ainda não prende os chefões do tráfico, o que seria pedir demais no país em que o ministro da Justiça declara que é preferível a morte a ser trancafiado numa das prisões sob sua responsabilidade, ao menos exige hoje deles alguma discrição e compostura nos morros.

Milagre!

Assim abençoado o Rio embalou e “tá indo”. E, como lembra dona Dilma, “não se pode negar que as pessoas aumentaram o seu nível de consumo; de arroz, de feijão, de óleo, de pasta de dente…

Quem morre, morre, é verdade. Mas quem escapa, escapa mais gordinho, mais limpinho…

Festa, portanto!

eng9

É tudo aquele Brasil do Carnaval que espanhol não entende fielmente representado no samba enredo do Congresso Nacional onde desfilam, na ala da Comissão de Finanças, um sujeito gravado tomando dinheiro sujo que está com as contas bloqueadas; na da Justiça, dois condenados a penas de prisão fechada pelo Supremo Tribunal Federal; na de Infraestrutura um ex-presidente da República destituído por corrupção; na de Ética um tipo indiciado por repasses ilegais de verbas; na de Meio Ambiente, o Átila do Cerrado; na de Agricultura o protetor dos matadouros clandestinos enquanto a de Educação se prepara para entrar na avenida puxada por um conhecido plagiador de teses detentor de diversos diplomas falsos.

Ah, tem ainda a de Direitos Humanos, onde se senta o pregador argentário suspeito de racismo e homofobia que, com toda a razão, não entende o que é que pode estar errado com a fantasia dele nessa festa cujo mote, afinal de contas, é todo mundo se travestir do avesso do que é.

No resto, que siga o estupro. E pode até matar, contanto que não seja eu!

eng7

Por um PT que roube mas faça!

22 de março de 2013 § 2 Comentários

rouba12

Os jornais desta semana estavam de deixar a gente pequenininho.

Começamos com a safra anual de cadáveres das enxurradas das serras cariocas, que desde 2011 correm por terrenos devastados que continuam exatamente como as daquele ano os deixaram. Os bilhões do socorro estão nos bolsos de sempre.

Terminamos com a revelação revoltante da ruina nova em folha dos prédios do Minha Casa, Minha Vida, o programa xodó de dona Dilma, em que foram atirados os sobreviventes pretos e pobres do afogamento em massa no lixo de dois anos atrás no Morro do Bumba.

dil10

Tudo isso naquele mesmo Rio de Janeiro de Sérgio Cabral, o obsceno sócio de Fernando Cavendish, o ininvestigável dono da Delta Construções, campeã das campeãs das licitações das obras do PAC, filho da Dilma, em que Lula e ela vivem se esfregando sempre que podem.

De troco, levamos para o fim-de-semana a revelação de que Lula se transformou uma espécie de Rosemary Noronha da Dilma, levando e trazendo a “influência” do nome dela aos mais “barra suja” entre os títeres da África e da América Latina para conseguir para os tradicionais ladravazes da coisa pública desta república – Odebrecht, Camargo Correa e OAS – mamatas bilionárias aquém e além-mar.

Entre uma coisa e outra, assistimos à devolução cerimonial dos primeiros ministérios “faxinados” por sua excelência aos mesmos vendilhões que, em dias mais ensolarados que os últimos, ela houve por bem expulsar do templo.

dil11

Como pano de fundo de tudo, fomos brindados com a notícia de que a popularidade de Dilma continua crescendo, já tendo ultrapassado até a de “deus pai”, e que a explicação para isto pode ser encontrada principalmente no Nordeste, onde a multidão dos tomadores de Bolsas Família embevecidamente agradecida a “Mãe Dilma” e “Pai Lula”, como eles são chamados naquelas beiradas de sertão, aumenta a cada dia com a seca, enquanto o candidato “de oposição de esquerda”, neto de Miguel Arraes, inicia confabulações com José Serra, o traíra fundamental, sinal seguro de que terá um vôo sem escalas para a cova do opróbrio e do esquecimento.

Tudo isso nos diz que dona Dilma relaxou, gozou e aderiu de corpo e alma à conta de chegar que inspira todas as ações estratégicas de seus correligionários, certa de que tem dinheiro bastante para comprar incontáveis milhões de miseráveis e dezenas de eleições antes que o Brasil acabe.

dil9

Provavelmente está certa.

É que a carga tributária que foi sendo amontoada sobre os produtores brasileiros um pouco a cada ano ao longo dos últimos 114 anos de República, sempre para tapar buracos e fechar contas de chegar, incluia a expectativa de que pelo menos a metade dela nunca chegasse a ser arrecadada, graças à sonegação.

O que o Brasil e o PT nunca esperaram é que, justo na vez dele, todo o dinheiro e todas as transações do mundo fossem convertidas em bits e a Receita Federal, aparelhada com os supercomputadores da NASA, se transformasse no implacável instrumento de opressão em que se transformou.

Isso fez com que todos os 35% do PIB a que monta o par de milhões de leis, portarias, decretos e gambiarras escritas no último século e pouco com o propósito de nos arrancar dinheiro passassem a ser integralmente arrecadados.

dil2

O resultado está hoje em matéria do Valor, reportando estudo encomendado pelo jornal à LCA Consultores, que mostra que os R$ 43 bilhões em renuncias fiscais distribuídos entre o povo e os amigos do PT no ano passado não chegam a custar 1% do que o PT arrecada hoje havendo, portanto, bife que chegue para ser distribuído a granel pelos próximos muitos anos, de modo a comprar mais governabilidade do que há para vender e a aumentar ilimitadamente a horda dos eternamente gratos a “mãinha” e “painho”, antes que os efeitos da morte da indústria nacional, que é o reverso dessa medalha, se façam sentir nas ruas.

Até lá, seguimos importando baratinho da China o que antes era feito aqui e aparelhando os barracos do Brasil de belos e reluzentes eletrodomésticos.

Posta essa perspectiva, e considerando que pelo grau de estrangulamento em que vamos a agricultura é a próxima a morrer de aterosclerose rodoviária e falência múltipla dos portos e aeroportos, pus os prós e os contras na balança e, bem pé no chão, proponho ao país uma nova campanha, mais condizente com a nossa realidade de irreversível miséria moral.

Rouba, PT! Mas faz, pelo amor de deus!

rouba1

O alvo desta CPI

2 de maio de 2012 § Deixe um comentário

Ao fim de nem tão surda batalha pelo “controle” da CPI do Cachoeira assisti, durante o almoço, ao primeiro passo da momentosa “investigação”, com o senador Vital do Rego, que o PT pôs à frente dos trabalhos, recebendo do STF um envelope selado com nove CDs contendo os 40 volumes do inquérito aberto para investigar o esquema. (É porque nossa justiça é sempre tão “econômica” em palavras, recorde-se, que nenhum processo chega ao fim nestes tristes trópicos).

Tudo (menos o que já se sabe) está, ainda, sob “segredo de Justiça”, conforme frisou o ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo no STF.

Vai daí, diz o senador do Rego, “o primeiro e mais importante trabalho será conferir, entre as quatro paredes da ‘sala-cofre’ adrede preparada no Senado, o que já foi e o que ainda não foi vazado de tudo que foi recebido“…

 

O grosso do que vazou, e é só o que as televisões têm para martelar na cabeça do público por enquanto, é o que atinge o falso cavaleiro da esperança do DEM e o governador do PSDB de Goiás, mais a negociação para a aquisição “de porteira fechada” e por preço de ocasião do partido inteiro daquele gordinho, o tal de Levy Fidelix, hoje de propriedade do PT.

Sabe-se também que tudo isso é só o glacê e que o “bolo” mesmo, aquilo que mede a extensão da metástese da doença brasileira em todos os níveis da politica e da administração pública, são as aventuras e desventuras de Fernando Cavendish e a sua “Construtora Delta”, aquela que está para Carlinhos Cachoeira como a “agência de publicidade” SMP&B de Marcos Valério estava para José Dirceu no esquema do Mensalão.

Mas sobre os contratos que este senhor amealhou, relativos a 80% das obras do PAC filho da Dilma, ainda não vazou detalhe nenhum.

O governador do PMDB do Rio de Janeiro (aquele partido do vice-presidente da Dilma), que criou essa cobra e quase morreu picado por ela meses atrás na Bahia, tomou providências cirúrgicas a esse respeito.

O galante Fernando Cavendish é tido e havido como “o rei” da ex-capital federal onde não ha obra que não seja “dele”. Mas o dr. Sérgio Cabral, que se tornou uma das figuras mais translucidamente transparentes da Republica graças às relações de alto risco que mantem com ele sem proteção, só cuidou de tomar-lhe duas desde que o escândalo começou: a reforma do Maracanã, de R$ 789 milhões, e a Transcarioca, corredor de ônibus que vai do Galeão à Barra de R$ 931 milhões divididos com a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, ambas do PAC filho da Dilma.

O resto, o que é só Rio com Rio, o dr. Cabral segue esperando pra ver como é que fica.

Tudo, portanto, caminha por enquanto em consonância com o padrão do Novo Brasil do PT onde todo mundo “é” e tem sido filmado e gravado “sendo“, mas ganha o jogo quem tem o poder de definir o que vaza e o que não vaza desse vasto e precioso acervo para o conhecimento do distinto público.

Abrir ou não abrir o pacotão do STF, o acervo cinematográfico da Polícia Federal e, muito especialmente, medir a extensão dos tentáculos da Delta é o verdadeiro nome do jogo.

A ver se, escancaradas as porta do Inferno com a instalação da CPI, será possível seguir controlando a diabaiada…

Vocês querem bacalhau?

3 de abril de 2012 § Deixe um comentário

Rodou, rodou, e voltamos ao ponto de partida.

Me bateu um desânimo, hoje, ao ver o ministro da Fazenda, com todo aquele circo armado em volta, lendo aquelas listas patéticas dos contemplados com a graça de por o nariz para cima da linha d’água quando o barco começa fazer água de que tive a ilusão de que pudéssemos nos livrar aí pelos começos do Terceiro Milênio.

Confecções, luminárias, call centers, móveis, plásticos…

La ia o Mantega, cheio de “erres”, atirando os seus “bacalhaus” para a plateia e,  na minha imaginação, eu via uma espécie de auditório de TV gigante onde, a cada nome sacado do chapéu, uma torcida se manifestava aos gritos de alívio, como quando o Jô Soares nomeia os convidados da sua plateia.

Nas primeiras filas do auditório do Mantega, aboletados em posição de destaque mas com um ar inteiramente blazé,  sentava-se a fina flor dos “barões do BNDES”, seguros dos seus bilhões, a nos lembrar muito graficamente que em país em que ministro da economia se dedica a montar listinhas de contemplados, só mesmo quem chora é que mama.

Reformas mesmo, nem pensar. Alterar a estrutura cuja falência o governo está confessando com seus band-aids tributário-protecionistas, de jeito nenhum.

Vamos direto e reto de volta pras carroças a preço de rolls-royce que merecemos.

O doutor Mantega mencionou a intenção do governo de obter do Congresso uma redução das alíquotas de ICMS para importados para 4% de modo a reduzir o espaço para a guerra que os governadores travam por essa brecha onde os traíras que elegemos enriquecem os espertalhões que depois financiarão as suas campanhas às custas dos empregos dos seus eleitores nas industrias nacionais que cairão de joelhos diante das importações subsidiadas com dinheiro público.

Que país, meu deus do céu!

Não estou nem culpando a Dilma, que já chegou meio no fim da festa. Pois se em países de dois partidos já não é mole aprovar políticas econômicas para tempos de vacas magras, que dirá neste pasto das matilhas de hienas da governabilidade.

Já fez mais do que eu esperava depois do que tenho ouvido por aí a respeito dessa farra do subsídio às importações, ao pelo menos mandar a lei para o Congresso de modo a “lavar as mãos”.

Mas o que me garantem fontes que sabem o que estão dizendo é que é tudo só mesmo para marcar posição pois partido por partido, governador por governador, todos já provaram ao governo a sua firme disposição de não mover uma palha para extinguir essa mina.

Vão fechar a brecha para a importação de aço, graças aos préstimos de sir Gerdau e sir Steinbruch, e de certos polímeros que interessam a sir Odebrecht, todos eles devidamente alugados pelo PT para as próximas temporadas, e o resto do empresariado que se arda.

A conferir…

Agora, que é triste é triste a sina do brasileiro que insiste em empreender. Um governo que sente a necessidade de anunciar pacotes de medidas desse tipo está confessando que sua política – ou sua falta de politica – deu o que tinha de dar e precisa mudar de rumo, mas que ele não tem condições políticas sequer de pensar nisso.

A onda da inflação das commodities só serviu para inflar egos e comprar poder. Em matéria de musculatura institucional, não avançamos um passo.

Onde estou?

Você está navegando em publicações marcadas com Odebrecht em VESPEIRO.