Honra ao mérito!

22 de novembro de 2012 § 3 Comentários

Nada pode honrar mais um jornalista que o ódio declarado de um picareta.

Durante os 29 anos em que trabalhei nas redações de O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde eu ostentava como condecorações os 32 processos movidos contra nós por Paulo Maluf e as centenas de outros vindos desse mesmo lado escuro da política em todas as camadas do poder e dos quatro cantos do país.

Antes disso, já me orgulhava da invasão de nossa redação por tropas de armas ensarilhadas promovida por A. de Barros, interventor do ditador Getúlio Vargas em São Paulo, seguida da expropriação do jornal, das receitas culinárias e poemas de Camões que pendurávamos orgulhosamente “no peito” (as capas dos dois citados jornais) no tempo da censura dos ditadores militares, das bombas que os terroristas da esquerda e da direita atiraram contra nós e, mais recentemente, da censura ao Estado ordenada por José Sarney.

Para o meu gosto os jornais, revistas e outros veículos jornalísticos que honram sua missão deviam pendurar estrelas sob os seus logotipos para sinalizar esse tipo de conquista que não é coisa de somenos neste mundo onde o dinheiro compra tudo e o poder (ou a esperança de pegar uma beirada nele) passa a mão no que sobra sobre a mesa, pela mesma razão que os times de futebol ostentam as suas conquistas com estrelas adicionadas aos seus escudos.

Nada disso é fácil de conseguir. É preciso suar a camisa e persistir no apedrejamento dos gigantes da má fé até frustrar seus planos e por a polícia no seu encalço para tirá-los de seu cinismo e faze-los acusar o golpe e assinar embaixo.

E que melhor garantia poderia ter o cidadão comum de, ao escolher seu título, estar de fato comprando a arma de legítima defesa institucional que não atira pela culatra que se requer nestes tempos de vale tudo e de granmscianas falsificações que pululam por aí, nas bancas e na internet?

Ser indiciado pelo relator Odair Cunha, do PT, na CPI do Cachoeira no mesmo dia em que ela arranjou a soltura do bicheiro preferido de nove entre dez políticos do presídio da Papuda onde poderia, eventualmente, vir a ser companheiro de cela da alta cúpula do partido do seu benfeitor que o STF mandou recolher das ruas em nome da segurança da Republica, como acaba de acontecer a Policarpo Junior, diretor da sucursal de Brasília da Veja e outros quatro colegas, é uma nova modalidade, agora individualizada, desse mesmo tipo de distinção gloriosa para quem dedica a vida a arrancar a máscara da cara de meliantes poderosos.

Nada supera esse galardão como prova de missão cumprida.

Honra ao mérito, portanto!

O Congresso Nacional adverte:

18 de maio de 2012 § 2 Comentários

A menos que a opinião pública acorde, fica decretado que:

Não ha governo e oposição (salvo meia dúzia de gatos pingados negligenciáveis).

Ha nós e ha eles.

Os de dentro e os de fora do aparelho do Estado.

Os que cobram e os que pagam impostos.

Os que roubam e os que são roubados.

É este o resumo dos fatos de quinta-feira quando se comunicou ao país de que a CPMI (mista, isto é, da Câmara e do Senado, não se salvando nenhum) do Cachoeira melou antes de começar.

Foi servida a exata encomenda de Lula:

  • sobre a filial de lavanderia vulgo Construtora Delta, a maior executora de obras do PAC, filho da Dilma, em todo o território nacional, “serão investigadas somente as atividades na região Centro Oeste“;
  • o “nosso” Fernando Cavendish, dono da dita cuja até o momento da troca de ladrões pelos da lavanderia matriz, vulgo J & F Holding, não será investigado e continua tendo direito ao seu sigilo bancário e telefônico;
  • sendo assim, em nome da isonomia, também os governadores ficam, por enquanto, fora da investigação, exceto o “deles” Marconi Perillo (e Demostenes Torres) que será “pego na curva” da “investigação” da Delta no Centro Oeste;

  • fica por definir se o Distrito Federal do “nosso” governador Agnelo Queiroz (PT – DF), submete-se à sua localização para efeito dessa investigação ou se será declarado geograficamente neutro;
  • para o “nosso” incubador de lavanderias Sergio Cabral (PMDB – RJ) fica valendo a garantia que se pode ler acima, que a TV flagrou o ex-lider do PT no Congresso Nacional Candido Vaccarezza (PT – SP) enviando a sua excelência;
  • finalmente o “nosso” Fernando Collor de Mello também não vira a CPMI por enquanto contra os denunciadores de ladrões; mas ainda ha esperança, dependendo da reação da opinião publica à tentativa de golpe de quinta-feira.

Tudo isso estava acontecendo no mesmo momento em que dona Dilma derramava lágrimas de fervor republicano ao instalar a “nossa” Comissão da Verdade com palavras que, como todo discurso que ela profere, nada têm a ver com a realidade das práticas do seu governo.

Igualmente à la Lula diante do Mensalão o “nosso” relator da CPMI, Odair Cunha (PT – MG), pontuava assim a proclamação das decisões acima:

Nenhuma pessoa que foi corrompida ou cooptada pela organização criminosa do Cachoeira será blindada, seja jornalista, deputado, senador, governador, empresário, polícia, procurador ou juiz“.

Mais para a frente, é de se prever, os “nossos” historiadores do partido tratarão de fazer com que esses fatos e palavras passem – verdadeira e definitivamente – a corresponder uns aos outros.

O obra de Lula chega à sua plenitude!

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