A libertação está nos fatos

24 de outubro de 2015 § 98 Comentários

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Artigo para O Estado de S. Paulo de 24/10/2015

Poucas vezes terá havido situação semelhante à deste nosso banquete de horrores no qual 90% dos comensais declaram-se com nojo da comida que lhes tem sido servida mas são obrigados a continuar a traga-la simplesmente porque não sabem pedir outro prato.

Na 2a feira, 19, O Globo publicou nova reportagem da série “Cofres Abertos” sobre a realidade do estado petista. O título era “Remuneração em ministério vai até R$ 152 mil”.

Eis alguns dados:

Lula acrescentou 18,3 mil funcionários à folha da União em oito anos. Em apenas quatro Dilma enfiou mais 16,3 mil. Agora são 618 mil, só na ativa. 103.313 têm “cargos de chefia”. Os títulos são qualquer coisa de fascinante. Ha um que inclui 38 palavras. “Chefe de Divisão de Avaliação e Controle de Programas, da Coordenação dos Programas de Geração de Emprego e Renda…” e vai por aí enfileirando outras 30, com o escárnio de referir um acinte desses à “geração de emprego e renda”…

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O “teto” dos salários é o da presidente, de R$ 24,3 mil. Mas a grande tribo só de caciques constituída não pelos funcionários concursados ou de carreira mas pelos “de confiança”, com estrela vermelha no peito, ganha R$ 77 mil, somadas as “gratificações” que podem chegar a 37 diferentes. No fim do ano tem bônus “por desempenho”. A Petrobras distribuiu mais de R$ 1 bi aos funcionários em pleno “petrolão”, depois de negar dividendos a acionistas. A Eletronorte distribuiu R$ 2,2 bilhões em “participação nos lucros” proporcionados pelo aumento médio de 29% nas contas de luz dos pobres do Brasil entre os seus 3.400 funcionários. Houve um que embolsou R$ 152 mil.

A folha de salários da União, sem as estatais que são 142, passará este ano de R$ 100 bilhões, 58% mais, fora inflação, do que o PT recebeu lá atrás.

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Essa boa gente emite 520 novos “regulamentos” (média) todo santo dia. Existem 49.500 e tantas “áreas administrativas” divididas em 53.000 e não sei quantos “núcleos responsáveis por políticas públicas”! Qualquer decisão sobre água tem de passar pela aprovação de 134 órgãos diferentes. Uma sobre saúde pública pode envolver 1.385 “instâncias de decisão”. Na educação podem ser 1.036. Na segurança pública 2.375!

E para trabalhar no inferno que isso cria? Quanto vale a venda de indulgências?

Essa conversa da CPMF como única alternativa para a salvação da pátria face à “incompressibilidade” dos gastos públicos a favor dos pobres não duraria 10 segundos se fatos como esses fossem sistematicamente justapostos às declarações que 100 vezes por dia, os jornais, do papel à telinha, põem no ar para afirmar o contrário. Se fossem editados e perseguidos pelas televisões com as mesmas minúcia, competência técnica e paixão com que seus departamentos de jornalismo fazem de temas desimportantes ou meramente deletérios verdadeiras guerras-santas, então, a Bastilha já teria caído.

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Passados 10 meses de paralisia da nação diante da ferocidade do sítio aos dinheiros públicos e ao que ainda resta no bolso do brasileiro de 2a classe, com a tragédia pairando no ar depois do governo mutilar até à paraplegia todos os investimentos em saúde, educação, segurança pública e infraestrutura, a série do Globo é, no entanto, o único esforço concentrado do jornalismo brasileiro na linha de apontar com fatos e números que dispensam as opiniões de “especialistas” imediatamente contestáveis pelas opiniões de outros “especialistas” para expor a criminosa mentira de que este país está sendo vítima.

Nem por isso deixou de sofrer restrições mesmo “dentro de casa” pois apesar da contundência dos fatos, da oportunidade da denúncia e da exclusividade do que estava sendo apresentado, a 1a página do jornal daquele dia não trazia qualquer “chamada” para o seu próprio “furo” e nem as televisões da casa o repercutiram. O tipo de informação sem a disseminação da qual o Brasil jamais desatolará da condição medieval em que tem sido mantido, tornou-se conhecida, portanto, apenas da ínfima parcela da ínfima minoria dos brasileiros alfabetizados que lê jornal que tenha folheado O Globo inteiro daquele dia até seus olhos esbarrarem nela por acaso e que se deixaram levar pela curiosidade página abaixo.

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É por aí que se agarra insidiosamente ao chão essa cultivada perplexidade do brasileiro que, em plena “era da informação”, traga sem nem sequer argumentar aquilo que já não admitia que lhe impingissem 200 anos atrás mesmo que a custa de se fazer enforcar e esquartejar em praça pública.

Do palco à platéia, Brasília vive imersa no seu “infinito particular“. Enquanto o país real, com as veias abertas, segue amarrado ao poste à espera de que a Pátria Estupradora decida quem vai ou não participar da próxima rodada de abusos, os criminosos mandam prender a polícia e a platéia discute apaixonadamente quem deu em quem, entre os atores da farsa, a mais esperta rasteira do dia.

Deter o estupro não entra nas cogitações de ninguém. A pauta da imprensa – e com ela a do Brasil – foi terceirizada para as “fontes” que disputam o comando de um sistema de opressão cuja lógica opõe-se diametralmente à do trabalho. Os fatos, substância da crítica que pode demolir os “factóides“, esses todos querem ocultados.

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Perdemos as referências do passado, terceirizamos a “busca da felicidade” no presente, somos avessos à fórmula asiática de sucesso quanto ao futuro. Condenamo-nos a reinventar a roda em matéria de construção de instituições democráticas porque a que foi inventada pela melhor geração da humanidade no seu mais “iluminado” momento e vem libertando povo após povo que dela se serve, está banida das nossas escolas e da pauta terceirizada pela imprensa a quem nos quer para sempre amarrados a um rei e seus barões. Como o resto do mundo resolve os mesmos problemas que temos absolutamente não interessa aos “olheiros” dos nossos jornais e TVs no exterior que, de lá, só nos mostram o que há de pior…

A imprensa nacional está devendo muito mais à democracia brasileira do que tem cobrado aos outros nas suas cada vez mais segregadas páginas de opinião.

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Top top secret

9 de setembro de 2013 § 2 Comentários

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Você que ante a insistência da Globo, embora se perguntando ainda porque só o Brasil se mostrou tão mortalmente ferido com isso se Edward Snowden “revelou” que o mesmo ocorre com relação a todos os países do mundo, está começando a ficar propenso a se indignar com a espionagem dos Estados Unidos em cima do Brasil, da Dilma e agora finalmente também da Petrobrás, vá a este endereço e leia a matéria que está lá.

O termo Dilma nas redes sociais: o fim da bipolaridade política e o desejo de radicalizar mudanças” é apenas uma das “análises de big data”, que é a mesma coisa que o serviço secreto americano faz, executadas enquanto aconteciam as manifestações de junho em todo o Brasil (a data de postagem desta é 20 – 06 – 2013), publicadas pelo coordenador do Labic Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Espírito Santo, professor Fabio Milani. Ha inumeras outras no mesmo site que poderão ilustrá-lo com verdades científicas sobre a realidade da “espionagem” na internet.

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Esta começa assim:

A imprensa soltou uma nota afirmando que a Abin (órgão de inteligência do governo federal) passa a estar de olho nas conversações dos perfis das redes sociais. Pelo que vejo, através da análise de rede que faço aqui, a Abin deve estar trabalhando 24 horas sem parar, com todo o seu pessoal mais o triplo de “voluntários”. Isso porque a densidade da rede de tweets, com recorrência da palavra Dilma, publicados no Twitter, só aumenta. Coletei, nos dias 16 e 17 de junho, esses tweets. Eles somam 170 mil. Destes, 50 mil são de RTs (republicações). Peguei o arquivo e plotei-o no Gephi, buscando saber quem são os Hubs dessa Rede” (…)

Eu não diria que a Universidade Federal do Espírito Santo seja o centro mais sofisticado do mundo de “espionagem” ou de pesquisa e análise de “big data”. Provavelmente nem é dos maiores do Brasil. E, no entanto, note: o professor postou no dia 20 análise de 170 mil tweets emitidos nos dias 16 e 17 (três dias antes, fora o tempo que ele levou para escrever) com recursos que provavelmente estão no mercado, como o software Gephi, mencionado com grande intimidade.

O que vem na sequência é impressionante para o leigo.

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O professor consegue traçar, mensagem por mensagem, de quem ela veio, pessoa por pessoa, até a primeira que falou do assunto, em longas cadeias; consegue dizer com que frequência cada uma dessas pessoas, identificadas pelo nome, “retuitou” a mensagem recebida; quem foi o primeiro a emiti-la; quantas vezes ela foi e voltou pela rede e por quem passou de cada vez, tudo isso gerando estas “nuvens” de nomes escritos em tipos que vão aumentando de copo conforme a frequência com que incidem nas mensagens que você vê nesta postagem.

Repare bem nessas imagens. São nomes de pessoas reais que elas contêm.

Além disso, o professor Milani tece considerações, também, sobre o conteúdo dessas mensagens: o que cada um disse, sobre quem, e como isso o classifica do ponto de vista de seu posicionamento em relação ao governo e à pessoa da “presidenta”.

Finalmente ele desenha as diversas “redes” constituídas por essas conversações e as classifica, segundo o conteúdo ou, mais exatamente, segundo a posição assumida por quem participa delas: o “grupo de oposição à Dilma ha anos” (azul), o “tradicional grupo que blinda a Dilma na rede” (vermelho), a “velha mídia” que constitui “os nós de difusão” (preto), os “novos opositores” (verde), os muito e os pouco convictos do que dizem e assim por diante.

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Faz, também, comentários específicos sobre o papel de alguns jornalistas e celebridades em particular nessas cadeias de comunicação e, com riqueza de detalhes, explica como cada um desses grupos e agentes individuais age e reage ao que lê e ao que escreve, chegando a conclusões até sobre o porque de cada um escrever como escreve.

Enfim, se fosse a CIA ou a NSA, não sei o que elas poderiam “descobrir” nessas conversas que o professor Milani ainda não saiba.

De quebra ficamos sabendo por essa matéria que o “grupo que blinda Dilma na rede” é tão conhecido e atua ha tanto tempo que já é chamado de “tradicional” por esses analistas, não havendo ao que se saiba, fora do PT, quem mais faça isso na política brasileira.

E isso para deixarmos de lado a Abin…

Enfim, senhoras e senhores, a “espionagem americana” na rede não é apenas um segredo de polichinelo. A rede é algo tão escancarado e quem dela se serve deixa rastros tão indeléveis que não só todos os comerciantes usam softwares banais como os mencionados para registrar e analisar tudo que você faz nela como também vendem esses dados para outros comerciantes, aí incluído tudo o que você diz, escreve e vê e mais onde você fisicamente vai e quando (via GPS), e até mesmo, como você pode ver pelo TED publicado ontem sobre o Google e cia., quanto você mede e pesa, em que posição costuma se sentar e etc.

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Criptografia para governos, presidentes e outros VIP’s?

Assim como os computadores as criam os computadores as decifram. Tão fácil quanto isso.

Portanto, abra o olho!

Mas voltando ao que nos mostra o professor Milani, que lhe parece agora? Todo esse barulho traduz, mesmo, uma preocupação maior que a que todo sujeito minimamente informado deveria ter desde sempre com respeito a internet e privacidade, os jornalistas muito especialmente, ou antes o que as chefias de redações da Globo pensam sobre os Estados Unidos ou querem que você pense sobre os Estados Unidos, o único desses espiões todos que ainda perde tempo em pedir autorização para o Congresso e para o Judiciário para xeretar sua vida?

Você decide.

Finalmente, chama a atenção no lado brasileiro dessa história também a sequência dos acontecimentos.

Primeiro espionavam “o Brasil”. Não deu muito Ibope porque os brasileiros lá no fundo sabem que aqui não ha muito o que esconder. Nem os ladrões mais notórios perdem tempo em fazê-lo.

Depois, passaram a espionar “a Dilma”. Aí sim a “soberania nacional” se sentiu abalada e a bronca subiu de tom. Saudades da monarquia…

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Agora falamos da Petrobras, ou seja, daqueles capitalistas ianques gananciosos, Estado e capital jogando juntos, aqueles sujos, ao contrário do que acontece entre dona Dilma e seus barões do BNDES.

E o que querem os americanos saber para correr esse risco todo? Ora, dos segredos da extração de petróleo a grandes profundidades que só a Petrobras detém, aqueles mesmos que, por já serem mais que suficientemente conhecidos por todos os mercados financeiros do mundo, levaram as ações da “nossa” petroleira para um buraco mais fundo que o do pré-sal onde supostamente estaria a justificativa para a valorização dessas ações.

A esquerda internacional, aliás, está precisando urgentemente de outro coringa para explicar tudo que acontece na política internacional pois petróleo é coisa que está sobrando tanto nos Estados Unidos que, até que o outro gás de Bashar al Assad mudasse isso, eles tinham virado o foco da sua política externa do Oriente Médio para a Ásia porque tornaram-se, nos últimos dois anos, não apenas auto-suficientes como também exportadores de petróleo e gás (o único item de sua pauta de exportações que dobrou de valor desde a crise), graças às novas tecnologias de extração dos dois produtos do xisto, enquanto em matéria de manufaturados continuam apanhando da China e de outros detentores de contingentes infindáveis de trabalhadores sem direitos nem salários fabricados pelo socialismo real, como os médicos cubanos de que fala esse senhor aí embaixo e dona Dilma tem importado a preço de ocasião.

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O crime dos jornalistas

2 de abril de 2013 § 8 Comentários

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Cada um tem o direito de pensar o que quiser sobre o desarmamento.

Eu, por exemplo, penso que a tese de que os homicídios “são causados” pelas armas de fogo é um raciocínio tão recheado de sentido quanto dizer que quem estuprou a turista americana esta semana no Rio de Janeiro foram os pintos dos três estupradores e não eles próprios, e que é mais insano ainda afirmar que a forma justa e adequada de se conseguir segurança sexual para todos é amputar esse apêndice de todo homem nascido vivo.

Agora, fatos são fatos. E torce-los até que se adequem às teorias da sua preferência é mais apropriado aos políticos malacos que todos nós criticamos que a jornalistas.

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A campeã da “cruzada do desarmamento”, como se sabe, são as Organizações Globo onde o grau de tabu em torno da questão é de tal ordem que nem William Waack, cujo jornal costuma ser mais honesto e inteligente que os de seus colegas de emissora, tem liberdade para falar desse assunto recorrendo apenas ao cérebro.

Não é privilégio dele, diga-se de passagem, posto que mesmo os editorialistas do Estadão, reconhecidos pelo apego ao bom senso e pelo hábito de respeitar os fatos, enfiam o sorvete na testa à simples menção da palavra “armas”.

Enfim, seria de rir se não houvesse razões para chorar posto que desviar a atenção das autoridades e do público das soluções verdadeiras para o descalabro da segurança pública no Brasil custa rios de sangue, suor e lágrimas e nos põe mais longe a cada mentira do fim da guerra que mais mata no mundo (a do Brasil).

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Já mencionei aqui antes que Júlio de Mesquita Filho costumava dizer que manipular desonestamente o noticiário dos jornais é crime muito pior que o do tráfico de drogas porque, em função do alcance da imprensa, o dano produzido é muito maior.

Hoje, depois de repetir a mentira ontem em todos os jornais de todos os seus canais de TV aberta e fechada, O Globo gasta uma página inteira – aquela que costuma dedicar ao assunto mais importante do dia – para escrever um verdadeiro tratado do desrespeito aos fatos e às regras mais elementares da lógica e do bom jornalismo, para dar a uma pesquisa que em má hora alguém da empresa encomendou à Fipe, o sentido inverso daquilo que ela constatou indubitavelmente, a saber, que a uma redução de 35% nas vendas “legais e ilegais de armamentos” desde que o Estatuto do Desarmamento entrou em vigor em 2003, correspondeu um numero de mortes por arma de fogo 26% maior em todo o território nacional.

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Descontada a região Sudeste, de que falaremos mais adiante, a única em que a criminalidade caiu no período (- 41,43%) apesar da redução do numero de armas ter sido a menor do país, a média de aumento da criminalidade nas demais regiões foi de astronômicos 43%.

Como bonus punitivo aos mentirosos contumazes, aliás, essa pesquisa constatou também que a criminalidade aumentou muito mais no Nordeste (+ 42,78%), a região que mais enriqueceu no país nesse período e na qual a venda de armas mais caiu (- 56,5%) e especialmente no Norte (54,5% menos armas e 64,92% mais mortes! por arma de fogo), a segunda região que mais prosperou economicamente no período.

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Os números pulverizam ao mesmo tempo, portanto, as duas teses mais caras àquele jurássico tipo de acrobata ideológico que ainda sobrevive neste nosso exótico país: a de que o crime é função da pobreza e a de que os homicídios “são causados” pelas armas de fogo.

Como don Lula I andou desmontando a Fipe e aparelhando-a com adeptos da “matemática criativa”, imagino que não foi preciso submeter o “pesquisador” João Manoel de Mello, que se prestou ao papel de endossar as mentiras da Globo, à tortura para extrair dele a “conclusão” de que, mesmo com esse crescimento de 26%, os homicídios “entraram em queda” depois da promulgação do Estatuto do Desarmamento.

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Mas onde a desonestidade assumiu proporções nada menos que “lulianas” foi na “análise” dos número da região Sudeste, a única na qual a criminalidade caiu (- 41,43%) no período, o que aponta para as soluções reais e efetivas contra o império do crime no Brasil.

Rigorosamente nenhuma menção foi feita aos dois fatos que explicam essa redução, a saber, a ocupação militar e o início do policiamento dos morros cariocas antes entregues à sanha do crime organizado, e a “operação limpeza” feita na polícia paulista pelo governador Geraldo Alkmin que foi saudado na ONU por ter conseguido o feito inédito no mundo de reduzir a criminalidade em São Paulo nada menos que à oitava parte da que encontrou, embora toda a imprensa brasileira tenha trabalhado em uníssono para esconder esse fato.

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Alkmin conseguiu esse feito com a medida palmar de tirar das mãos dos próprios fiscalizados as corregedorias das polícias paulistas e transferi-las para as do seu ex-secretário de Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, derrubado em novembro passado, a quem deu plenos poderes para “limpar” a polícia paulista.

Ferreira Pinto estabeleceu rito sumário para os julgamentos administrativos dos policiais corruptos e, em menos de um ano, renovou todos os comandos da polícia de São Paulo. O resto foi mera consequência…

Policiais corruptos e criminosos estavam igualmente interessados na queda dele, portanto.

Por uma feliz coincidência, aliás, o jornal comandado por William Waack, que abriu a “escalada” repetindo a leitura falsificada da pesquisa da Fipe, se deu na imediata sequência da exibição pela Globo do filme Tropa de Elite – 2 que gira em torno da podridão sanguinolenta que caracteriza as polícias do Rio de Janeiro em seu conluio ostensivo com as duas pontas do crime organizado que, diga-se de passagem, não vivem uma sem a outra: o tráfico de drogas e a baixa politicagem.

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Para “sorte” do PT e azar de São Paulo, o maior feito de Alkmin ficou obscurecido pela onda de assassinatos envolvendo policiais como vítimas e como autores que começou a rolar coincidentemente nas vésperas da eleição passada e ainda não se deteve.

A primeira vítima dessa onda de crimes foi o secretário que tanto incomodava os policiais corruptos e os criminosos deste Estado, fato que mais uma vez voltou-me à cabeça ao assistir de novo o final melancólico do filme protagonizado por Wagner Moura.

De modo que cada massacre que hoje temos o privilégio de assistir ao vivo diariamente na TV e cada família destruída pelo descalabro da segurança pública no Brasil, deve um pedaço da sua desgraça aos jornalistas que, mesmo diante de fatos contundentes como os exibidos acima, continuam trabalhando para confundir as bolas, trocar remédios modernos por atos de pajelança, atrapalhar a ação da polícia e transformar translúcidos empulhadores em heróis.

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E já que entrei pelas expressões rodrigueanas, lá vai:

Dirá um idiota da objetividade que os Estados Unidos, “a terra dos massacres“, são a prova de que as armas são o demônio. E eu respondo: os Estados Unidos, o país mais armado do mundo com 88,8 armas por cada 100 cidadãos, tem 2,97 mortes por arma de fogo por cada 100 mil habitantes. O Brasil, com dez vezes menos armas (8 por cada 100 habitantes) tem 21,3 assassinados por arma de fogo por 100 mil habitantes, quase 10 vezes mais.

A diferença é que lá tem polícia e quando alguém ataca outro cidadão de forma criminosa, vai para a cadeia e não sai nunca mais, quando não é executado. E quando é assim que se faz só sobram, a ameaçar a gente de paz, os malucos de verdade, estes que fazem a festa dos jornalistas desarmamentistas mas que, felizmente, são muito poucos. A legião dos covardes, esta que anda livremente pelas ruas do Brasil trucidando gente só porque isso não lhes acarreta consequência nenhuma, desaparece de cena.

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