Assassino do CEO em NY é um radical chic da elite

10 de dezembro de 2024 § 2 Comments

O suspeito preso pelo assassinato do CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson, é Luigi Mangione, um graduado suma cum laude anticapitalista e militante da causa ambiental da Universidade da Pennsylvania, uma das da elite da Ivy League, as mais badaladas e caras dos Estados Unidos.

Ele vem de uma família rica e conhecida de Maryland, dona de uma rede de lares de idosos, e é primo do delegado republicano do condado de Baltimore, Nino Mangione.

Tido como gênio da tecnologia, Luigi Mangione, 26 anos, originário de Towson, Maryland, tem mestrado em ciência da computação e inteligência artificial. No ensino médio, foi o orador da turma de 2016 da Gilman School, em Baltimore, onde as mensalidades custavam quase US$ 40 mil por ano.

Fazia muito sucesso com as mulheres.

Amigos do ensino médio ficaram chocados com a noticia. Ele “sempre fazia a coisa certa”; “estava sempre com um sorriso no rosto”; “eu me formei em 2015 e ele em 2016. É uma loucura como 10, nove anos depois, uma pessoa possa mudar tanto”, são alguns dos depoimento colhidos pela imprensa a respeito dele.

Aparentemente ele odiava a comunidade médica e a industria de seguros médicos, ou pela forma como trataram um parente dele doente, ou pelo modo como trataram ele próprio quando teve de fazer uma cirurgia que lhe enfiou quatro pinos na coluna.

Foi preso na manhã de segunda-feira enquanto comia em um McDonald’s em Altoona, Pensilvânia. Tinha em seu poder uma “arma fantasma” calibre 9mm (montada com peças compradas uma a uma ou feitas numa impressora 3D), um silenciador, um passaporte dos EUA, quatro identidades falsas com nomes usados durante a passagem do assassino por Nova York e um manifesto de duas páginas e meia manuscritas de autoria de Ted Kaczynski, o infame “Unabomber” que aterrorizou o país por quase duas décadas enviando bombas mortais pelo correio antes de ser capturado em 1996.

“Em vez de eliminar as condições que tornam as pessoas deprimidas, a sociedade moderna dá-lhes medicamentos antidepressivos … para capacitá-lo a tolerar condições sociais que, de outra forma, consideraria intoleráveis.”

A essas palavras Mangione acrescentou as suas:

“Embora estas ações tendam a ser caracterizadas como as de um ludita louco, no entanto, são mais precisamente vistas como as de um revolucionário político extremista … da perspectiva dele, não é terrorismo, é guerra e revolução”.


Do “Vossa Excelência” ao “sr. presidente”

20 de junho de 2012 § 2 Comments

Ando pelas ruas e avenidas numeradas de Nova York, cruzo a Madison e vem-me à cabeça o artigo que escrevi na semana passada sobre a importância de acabarmos com o “Vossa Excelência” se quisermos, um dia, nos tornarmos uma democracia.

A Madison é uma das únicas ruas com nome de gente em Nova York. Nós não somos dados a criações cerebrinas e fica difícil achar o parâmetro perfeito. Mas James Madison é tão indiscutível na história da fundação da democracia americana quanto Pedro Alvares Cabral na fundação geográfica do Brasil português.

Foi ele quem inventou a coisa.

Junto com Alexander Hamilton e John Jay que não eram de Nova York (e mais que os dois somados), foi ele quem formulou o arcabouço técnico e o conjunto central dos princípios do federalismo americano com o seu sistema de checks and balances em que cada pedaço do poder constituído é o fiscal e o limite do pedaço seguinte.

Foi ele quem escreveu a maior parte e os mais interessantes entre os Federalist Papers, a série de artigos para jornais de Nova York atraves dos quais ele convenceu as 13 colônias a aderir ao novo sistema, que foi sendo desenhado enquanto ele o discutia ao vivo com a opinião publica. É um dos maiores entre os raríssimos grandes momentos da humanidade. Tem tradução em português e merece ser lido (O Federalista, que pode ser encontrado aqui).

Num daqueles artigos, aliás, discute-se exatamente essa questão: qual deve ser a forma de tratamento empregada para o presidente da Republica? Vai-se cair, é claro, no rasteiro e cidadão “senhor presidente”. O mesmo magrelo “sr.” que deve ser empregado para todas as outras pessoas.

E vou passando: Madison com 51, 52, 53…

Claro!

Porque dar a meros governantes a prerrogativa de batizar ruas com nomes de pessoas? Como evitar que as preferências do batizador da hora acabem prevalecendo nessas escolhas, mesmo aplicados todos os checks and balances? E, ademais, quem é que de fato merece “a eternidade” ou mesmo, que seja, esse tanto pouco ou qualquer quantidade que seja de reverência?

O mero ato de contemplar a possibilidade de tal deferência já não joga impulsos negativos sobre o sistema, espicaçando egos assanhados a disputa-la?

Não.

Em Nova York todos são mortais. E é melhor distribuir em vida o que você fizer a mais que os outros. Se quiser, construa você mesmo o seu monumento à sua augusta pessoa. Erga um edifício monumental dedicado a algum interesse público, funde uma universidade, construa um teatro, um hospital e batize-o com o seu nome. Isso é permitido para quem se decidir a dar o que é seu a todos os outros.

Mas a coisa pública é pública, e é assim que ela deve permanecer, dos pés a cabeça, sejam quem forem o governante da hora, as pessoas que ele admira, as que ajudaram a elegê-lo ou as que roubaram com ele (e ai de quem for pêgo!).

A cidade é dos cidadãos. E esses empregados temporários que eles pagam para cuidar da coisa pública sob estreita vigilância eles mal e mal toleram. Da esmagadora maioria deles querem mais é se esquecer assim que se forem deste mundo.

Democracia é uma questão de detalhes…

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