Quem, na imprensa, “tá dominado”?

13 de agosto de 2013 § 1 comentário

trem1Está explicado porque foi que nem o Alkmin, nem o Ministério Público Estadual, nem o Ministério Público Federal, os dois últimos signatários, junto com o Cade, do “pacto de leniência” que fez com que seis altos funcionários da Siemens entregassem o esquema de cartel montado para a licitação do metrô de São Paulo, conseguiram, até hoje, acesso aos documentos que constituem a denuncia montada com o material apreendido pela Polícia Federal e entregue ao Cade.

No mesmo dia em que, a pedido de Alkmin, saiu a ordem judicial para que o Cade finalmente abrisse o seu segredo de polichinelo, o governo do PT lá em Brasília anunciou que está suspendendo sine die a licitação do famoso Trem Bala Rio-SP, a mais cara das obras do PAC, filho da Dilma, à qual concorriam quase sozinhas – adivinhe! – as mesmas Alston e Siemens acusadas de mutreta com o PSDB.

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Tem mais!

A procuradora Karen Kahn, do Ministério Público Federal, uma das negociadoras e signatárias do “pacto de leniência” com a Siemens, informa hoje ao Estadão, em manchete, que “algumas das principais empresas investigadas no caso mantêm e mantiveram contratos com a estatal federal Companhia Brasileira de Trens Urbanos (a CBTU, comandada pelo Ministério das Cidades de Lula e Dilma) desde 1998 até hoje” e que, além de SP, as 1073 páginas do inquérito incluem provas e indícios dos mesmos vícios encontrados nos contratos com SP em obras semelhantes em mais seis capitais, entre as quais Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife onde “é a CBTU quem organizou a licitação e opera até hoje os sistemas de transporte”.

Karen Kahn informa, ainda, que além do cartel, “há indícios de corrupção internacional, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha”, sem especificar a que época se referem esses indícios.

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Na mais seca cara-de-pau, o Ministério das Cidades da Dilma manda dizer a mesmíssima coisa que Alkmin disse quando o PT lhe pespegou o apelido de passageiro do “trensalão”: “vai investigar qualquer irregularidade que eventualmente venha a surgir por causa de investigações tocadas pelo Ministério Público Federal”.

Esses caras não têm limite na sua radical desonestidade e na sua inabalável fé na cretinice do povo brasileiro!

Mas isso você já sabia.

O “plus” é a oportunidade que se abre para você medir nos jornais e nas televisões quais vão dar o mesmo destaque para o lado da história que o PT ocultou que deu nos últimos 15 dias para o lado da história que o PT pôs na mídia e, assim, ficar sabendo quem, neste último bastião da demoracia brasileira que é a imprensa, “tá dominado” ou não tá.trem9

Aguinaldinho e “O Fim da História”

6 de fevereiro de 2012 § Deixe um comentário

O Fim da História“, reza a teoria, seria definido pelo fim dos conflitos entre diferentes visões de mundo como motores das mudanças nas sociedades humanas. Seria o momento em que a humanidade, convergindo passo a passo para o equilíbrio, chegaria finalmente ao consenso em torno de um mesmo modelo.

O primeiro a sonhar com isso foi Hegel (1770-1831) o filósofo alemão que, lá nos albores do século 19, enxergava num ainda indiscernível “fim do túnel” a ascensão do liberalismo e um padrão jurídico universal garantindo os direitos de todos os homens.

No final do século 20 a ideia é retomada por Francis Fukuyama que vê a História “terminar” com o “triunfo do capitalismo e da democracia burguesa” após as derrotas do fascismo e do socialismo, esta última assinalada pela Queda do Muro de Berlim, em 1989.

Palavras. Nada mais que palavras…

Os fatos provariam que foi tudo um sonho.

Era o nosso PT – quem diria! – que estava destinado a fazer do sonho realidade.

Às cinco horas da tarde deste 6 de fevereiro do ano da graça de 2012, quando a puro-sangue marxista, ex-guerrilheira e atual presidente da Republica, Dilma Roussef, deu posse no Ministério das Cidades ao puro-sangue oligarca, formado na mais ortodoxa tradição do coronelismo latifundiário do Nordeste, Aguinaldo Ribeiro, foi superada a última etapa dos conflitos ideológicos que conflagraram o nosso passado.

O acontecimento está tão carregado de simbolismo que pode-se seguramente afirmar que, com ele, chega ao seu destino final a longa marcha de Luís Ignácio Lula da Silva à frente do PT em prol do congraçamento de todas as forças políticas da Nação em torno do ideal universalista do enriquecimento rápido.

Mais uma vez o Brasil poderá oferecer uma lição ao mundo dando-lhe a conhecer a sua fórmula para a superação de preconceitos passadistas.

O Fim da História, afinal!

E, no entanto, tal como a Queda do Muro, quem haveria de prevê-lo?

As diferenças que, de parte a parte, tiveram de ser superadas eram até ontem tão profundas que, historicamente e dos dois lados, cobraram seu preço em sangue.

Dilma em pessoa pegou em armas para combater tudo o que o seu hoje correligionário e ministro representa. E se não temos, ainda, notícia de crimes de sangue diretamente atribuíveis a “Aguinaldinho”, como é carinhosamente chamado pelos radialistas que emprega, seu avô, incansável combatente na defesa das prerrogativas dos coronéis do Nordeste, cujo nome o seu homenageia, celebrizou-se pela autoria de pelo menos dois.

Foi o velho Aguinaldo Veloso Borges quem mandou matar João Pedro Teixeira, fundador da primeira Liga Camponesa da Paraíba numa emboscada em 1962 e, 23 anos mais tarde, em 1985, também a líder sindicalista Margarida Maria Alves, abatida dentro de sua casa com um tiro de 12 no rosto enquanto carregava o neto no colo.

A grandeza do gesto de desprendimento e conciliação da presidente da Republica e de seu padrinho na superação dessas memórias dolorosas pode ser bem aquilatada por suas iniciativas ainda recentes para garantir que as circunstâncias das mortes desses dois mártires das lutas populares jamais fossem esquecidas.

Entre os primeiros atos do presidente Lula, assim que subiu ao poder, esteve o de mandar editar o livro “Direito à Memória e à Verdade” onde se conta a saga de João Pedro Teixeira, o “Cabra Marcado para Morrer” do premiadíssimo documentário de Eduardo Coutinho.

Já a presidente Dilma tomou idêntica providência mandando, faz poucos meses ainda, reeditar o livro “Retrato da Repressão Política no Campo” para celebrar o martírio da ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande (PB), episódio que inspirou a “Marcha das Margaridas” que ha 26 anos ininterruptos reúne anualmente em Brasília trabalhadores rurais vindos em romaria do país inteiro, recentemente saudados pela presidente em pessoa.

“Aguinaldinho”, até onde se sabe, não mandou matar ninguém, é verdade. Mas seria injusto afirmar que é isenta de renuncia e sacrifício a sua decisão de congraçar-se, afinal, com o Partido dos Trabalhadores.

A biografia de “Aguinaldinho” é um testemunho vivo de sua abnegada dedicação ao espírito de clã e às práticas ancestrais das famílias  ricas que têm trabalhado a política em regime de mutirão nos estados do Nordeste brasileiro.

Entregou-se às durezas da militância eleitoral desde a pós adolescência nas campanhas para a deputança federal e para a prefeitura de Campina Grande do pai, Enivaldo. Cavou pessoalmente junto à autoridade concedente, pelo menos um par de emissoras de rádio registradas em nome de fidelíssimos pajens, mas postas imediatamente a serviço da causa.

Eleito, reeleito e treseleito com o recurso a tais ferramentas, esteve sempre a serviço da irmã, que fez deputada estadual, e da mãe, prefeita também do município de Pilar, a 65 km de João Pessoa, reforçando os bons propósitos de ambas para com o povo da Paraíba com verbas federais destinadas aos seus respectivos currais eleitorais sempre no momento mais oportuno.

Fez ainda por merecer a liderança da bancada do partido criado pelo patriota Paulo Maluf no Congresso Nacional, destacando-se entre os tantos que se deram as mãos para ajudar o PT a construir este país. E quando, finalmente, o dever o chamou para voos mais altos, entendeu imediatamente quão pequenos eram  os sacrifícios implícitos.

O Brasil e o mundo mudaram. A dicotomia esquerda direita está superada“, assinalou o estadista de Campina Grande.

Não resta a menor dúvida.

O PT criou o Ministério das Cidades na campanha de Lula em 2002, “para mostrar ao Brasil o jeito PT de governar“.

Aí está ele.

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