O Congresso Nacional adverte:
18 de maio de 2012 § 2 Comentários
A menos que a opinião pública acorde, fica decretado que:
Não ha governo e oposição (salvo meia dúzia de gatos pingados negligenciáveis).
Ha nós e ha eles.
Os de dentro e os de fora do aparelho do Estado.
Os que cobram e os que pagam impostos.
Os que roubam e os que são roubados.
É este o resumo dos fatos de quinta-feira quando se comunicou ao país de que a CPMI (mista, isto é, da Câmara e do Senado, não se salvando nenhum) do Cachoeira melou antes de começar.
Foi servida a exata encomenda de Lula:
- sobre a filial de lavanderia vulgo Construtora Delta, a maior executora de obras do PAC, filho da Dilma, em todo o território nacional, “serão investigadas somente as atividades na região Centro Oeste“;
- o “nosso” Fernando Cavendish, dono da dita cuja até o momento da troca de ladrões pelos da lavanderia matriz, vulgo J & F Holding, não será investigado e continua tendo direito ao seu sigilo bancário e telefônico;
- sendo assim, em nome da isonomia, também os governadores ficam, por enquanto, fora da investigação, exceto o “deles” Marconi Perillo (e Demostenes Torres) que será “pego na curva” da “investigação” da Delta no Centro Oeste;
- fica por definir se o Distrito Federal do “nosso” governador Agnelo Queiroz (PT – DF), submete-se à sua localização para efeito dessa investigação ou se será declarado geograficamente neutro;
- para o “nosso” incubador de lavanderias Sergio Cabral (PMDB – RJ) fica valendo a garantia que se pode ler acima, que a TV flagrou o ex-lider do PT no Congresso Nacional Candido Vaccarezza (PT – SP) enviando a sua excelência;
- finalmente o “nosso” Fernando Collor de Mello também não vira a CPMI por enquanto contra os denunciadores de ladrões; mas ainda ha esperança, dependendo da reação da opinião publica à tentativa de golpe de quinta-feira.
Tudo isso estava acontecendo no mesmo momento em que dona Dilma derramava lágrimas de fervor republicano ao instalar a “nossa” Comissão da Verdade com palavras que, como todo discurso que ela profere, nada têm a ver com a realidade das práticas do seu governo.
Igualmente à la Lula diante do Mensalão o “nosso” relator da CPMI, Odair Cunha (PT – MG), pontuava assim a proclamação das decisões acima:
“Nenhuma pessoa que foi corrompida ou cooptada pela organização criminosa do Cachoeira será blindada, seja jornalista, deputado, senador, governador, empresário, polícia, procurador ou juiz“.
Mais para a frente, é de se prever, os “nossos” historiadores do partido tratarão de fazer com que esses fatos e palavras passem – verdadeira e definitivamente – a corresponder uns aos outros.
O obra de Lula chega à sua plenitude!
Lula já entendeu. Mas…
4 de maio de 2012 § 1 comentário
No Ritz de Paris, Cabral marca o casamento entre o dono da Delta e Jordana Kfouri que viria a morrer na queda do helicóptero de Fernando Cavendish em Trancoso da qual o governador e seu filho por pouco escaparam mas que também matou sua futura nora
A divulgação dos detalhes das primeiras seções da CPI do Cachoeira confirmam o que foi previsto no artigo de quarta-feira.
O relator petista, seguindo ordens, propôs limitar a investigação da Construtora Delta aos seus contratos na região Centro Oeste do Brasil, uma tentativa constrangedora de tão bandeirosa. Bem traduzida queria dizer “investigue-se apenas Demóstenes e Marconi Perillo; esqueça-se o resto”.
Nem o Congresso Nacional onde todo mundo tem telhado de vidro podia engolir essa com todas as gravações que estão em cartaz neste momento em todos os jornais, rádios e televisões do país.
Já o ex-presidente Collor, aquele que foi escorraçado do Alvorada a pontapés pelo PT, despontou como o guardião do sigilo dos documentos, gravações e filmes guardados no pacote do inquérito do Supremo enviado ao Congresso que, por tudo que se divulgou até agora, incriminam o PT mais que ninguém.
Jordana Kfouri come caviar no Ritz de Paris
Um papel tão carimbado que ele sentiu-se na obrigação de explicar que, ao ameaçar todos os seus colegas com as penas da lei se “passassem informações por baixo dos panos a alguns confrades (repetidor da Globo nas Alagoas que é, ele se julga jornalista) para fazerem delas o uso que lhes convém“, ele não estava tomando uma posição “hipócrita, safada e jaguara” (de “cão ordinário”; de “pessoa de mau caráter e patife”, segundo o Houaiss), mas sim “defendendo a lei“.
O ex-presidente foi freudianamente exato nos adjetivos que selecionou…
Foi aparteado por Miro Teixeira que lembrou oportunamente que “pode vir o despacho (obrigando ao sigilo) da mais ilustre autoridade do planeta (e este veio do sempre genuflexivo ministro Lewandowski) o fato é que manter o sigilo é contrariar diretamente a Constituição“.
Resumiu bem a situação o ex-líder do governo no Congresso, Candido Vaccarezza: “Com tudo que a Polícia Federal já apurou, o único acordo possível é em torno do aprofundamento das investigações. Quem tentar abafar qualquer coisa vai se desmoralizar“.
O governador, seus secretários e o amigo Fernando na porta do Ritz
O próprio Lula, como confidenciou uma fonte do PT a Dora Kramer, do Estadão, já entendeu que o partido será o principal alvo das outras legendas nesta CPI porque é quem mais tem a perder.
Mas cautela e caldo de galinha nunca são demais. O resultado só sai depois que acaba o jogo. A velha raposa é persistente e conhece o poder que tem.
Enquanto a CPI se instalava resistindo às primeiras tentativas de sonegar ao país aquilo que o STF e o acuado Procurador Geral da Republica já sabem que contem o caminhão de lixo das organizações Delta-Cachoeira estacionado na sala-cofre do Senado, o sr. Luís Ignácio Lula da Silva, com a desfaçatez que o caracteriza, aparecia numa cerimônia pública ao lado de ninguém menos que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o mais irretorquivelmente corrupto dos corruptos colhidos em flagrante delito nesta que se anuncia como sendo a safra recorde das roubalheiras jamais desvendadas na história deste país.
Os secretários de Saude e Governo do Estado do Rio de Janeiro e o amigo Fernando (centro)
Cabral, como se sabe, é o pai da Delta, com cujo dono, Fernando Cavendish, costuma farrear em Paris e voar de helicóptero por aí, ainda muito mais que Dilma é a mãe do PAC, de cujas obras essa empreiteira detém 80%.
Lula conta cegamente com o “efeito Teflon” que lhe proporciona o fato de tantos brasileiros lhe atribuírem responsabilidade direta por estarem desfrutando pequenos confortos básicos nunca antes tidos e havidos, o que em parte é mesmo mérito dele, e dá de ombros para o resto.
Mas desde já está claro até para ele que, longe de apagar a memória dos “malfeitos” do PT para ganhar o poder e comprar apoios apurados no processo do Mensalão, a CPI da Delta-Cachoeira vai mostrar a que nível da estratosfera a associação explícita entre os antigos “paladinos da ética na política” e os collors e sarneys de sempre em defesa da mais ampla, geral e irrestrita impunidade levou a corrupção no Brasil.
Enquanto a CPI era instalada…
A educação de Dilma (e a do Brasil)
26 de abril de 2012 § 3 Comentários
1
É uma conversa imaginária. Faça “aquela” voz e ponha o devido sotaque:
É o seguinte, minha santa: o PT já “é”; ninguém mais precisa sê convencido disso.
O que nóis precisamo mostrá, vejahn, é que os outros também “são”, principalmente aqueles poucos que ainda pareciam não sê.
Essa é a única novidade que esta CPI vai trazê. É isso que vai ficá na memória dos eleitor.
Vai sobrá pros nosso?
Vai. Mas e daí?
Cê demite os que aparecê nas gravação; dá ferias pra eles aproveitá um pouco a vida; vai trocando quem saí por gente das mesma panela. O povo já se acostumô com isso. Não mexe nem cos arranjo da base e você ainda fatura a fama de faxinêra.
Acaba pulando pra faixa dos 90% de aprovação! Nunca antes na história desse país, menina!
Aí nóis tiramo deles a única arma que eles podia usá nos debate. O resto já tá no saco. O resto é só o horário eleitoral onde a gente fala o que qué.
Quando essa CPI acabá, o jogo tá zerado. Não tem mais ninguém que “não é”. Aí quero vê quem vai vim falá de robalhêra”.
…
No início, antes de ouvir o mestre, o estômago de Dilma, ainda “viciado” na memória de velhos tempos, esboçou uma reação.
Mas depois, pensando bem…
2
O Veríssimo, hoje, terminou seu artigo assim:
“Até surgir a possibilidade de ser tecnicamente denunciado, o político corrupto podia contar com a condescendência do público. Mesmo quando não havia dúvidas quanto à sua corrupção, havia sempre a suspeita de que não era bem assim. Sua culpa – até se ouvir sua voz gravada combinando a divisão dos milhões, ou ver sua imagem forrando os sapatos com dinheiro – era sempre uma conjetura. Imaginávamos o que acontecia nos bastidores do poder corrupto mas era um pouco como imaginar uma orgia romana, ou visualizar uma orgia romana através da imaginação de um artista. Agora não. Com a banalização do grampo telefônico e da minicâmera escondida, temos o que faltava no quadro. Temos todos os sórdidos detalhes e a orgia às claras. Temos o que enoja“. (Íntegra aqui)
Enoja quem, cara-pálida?
O “poder corrupto”, depois de todos os filmes e de todas as gravações, esquece vosselência de considerar, conta com 87% de aprovação popular.
De modo que o que parece mais é que a única coisa que esse povo realmente lamenta é ter de ficar vendo de fora essa orgia romana…












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