Mamãe eu quero

11 de novembro de 2011 § 4 Comments

A novela dos royalties do petróleo é um dos exemplos mais expressivos da babaquice metida a esperta do brasileiro.

Pra começar, royalties pra valer (confira no dicionário) referem-se a um direito de propriedade sobre uma invenção. O tipo da coisa que o nosso governo, que dificulta de todas as maneiras que pode o esforço de invenção no Brasil, se recusa a pagar.

Os royalties por aqui, como quase tudo o mais, são Denorex, como se dizia antigamente: “parecem mas não são”.

É só mais um imposto a ser pago por todos os brasileiros sobre tudo que usa petróleo num país que é ainda mais movido a petróleo que os países que inventaram esse veneno e hoje se esforçam por se livrar dele. Cada tostão de imposto cobrado sobre o petróleo se transforma em alguns tostões a mais no preço de qualquer coisa que se planta, colhe, fabrica, transporta ou consome, numa espiral que encarece exponencialmente a produção e o custo de vida no Brasil inteiro.

Acontece que o governo, de cima dos seus 500 anos de experiência em testar a solidez da nossa burrice, aprendeu que, para enfiar a mão no nosso bolso e se servir à vontade com pouco barulho, basta chamar o assalto de privilégio ou benemerência para um grupinho por vez dos próprios assaltados.

O brasileiro simplesmente não resiste à ideia do privilégio; de tomar do próximo “só na base do bilabial”. Os seus miolos perdem todas as propriedades de processamento à simples menção dessa palavra. E só pronunciá-la e todos se esquecem da existência do ladrão e passam  a se digladiar a respeito de quem fica com que parte do roubo, esquecidos de que os roubados são eles próprios.

Deixam de se reconhecer como quem paga e aliam-se incondicionalmente a quem cobra.

A perspectiva de uma teta em escala Unidade da Federação é bastante para transformar os contribuintes do Rio numa espécie de imensa UNE, que faz passeatas pedindo mais impostos. Põe em sintonia os governistas, a oposição, os anarquistas, a imprensa, as igrejas, as ONGs, as torcidas de futebol, o asfalto e os morros, genros e sogras, esquerda e direita, árabes e judeus…

E no entanto, bastam dois segundos de raciocínio não muito sofisticado para entender que neste país que cobra impostos padrão Norte da Europa e devolve benefícios padrão Norte da África, os únicos que ganharão alguma coisa com a cobrança desses royalties serão os mesmos de sempre: os políticos que detêm o poder de mamar nessas entidades da federação.

Quem está na mesma latitude dos poços, lá longe no mar, já ganhará naturalmente por ser o ponto de partida do que eles precisam para produzir e de chegada do que eles produzirão. E se quisermos mesmo indenizações por vazamentos e afins, o primeiro passo é tirar a extração de petróleo das mesmas mãos que detêm a polícia ambiental.

A mais elementar aritmética basta para provar, enfim, que quanto menos imposto houver sobre o petróleo melhor será para cada contribuinte, consumidor, trabalhador, dona de casa, velho ou criança  de cada município e de cada estado do Brasil, inclusive os fronteiriços aos poços.

Mas como nós somos “eishpérrtos pra dedéu“, nós não entramos nessa não. Nos aliamos aos Joaquins Silvérios dos Reis contra os Tiradentes…

É tão fácil que em cima da nossa reação aos royalties do petróleo o governo já está se preparando para dobrar os que cobra também sobre os minérios.

Estamos todos de parabéns!

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