Um caso trágico de erro de diagnóstico

7 de abril de 2010 § 9 Comentários

O Brasil é um caso trágico de erro de diagnóstico.

A colonização apoiada exclusivamente no “latifúndio escravocrata exportador”, a definição em cima da qual se estruturou tudo que se pensou sobre o país no ultimo século, é uma falsificação que não encontra confirmação nos fatos, como Jorge Caleira demonstra com abundancia de provas no seu História do Brasil com Empreendedores. Essa formula é uma redução grosseira e distorcida de uma realidade muito mais rica, complexa e matizada, que tem origem num movimento reacionário deliberadamente arquitetado para nos colocar à margem do curso geral da História (veja, abaixo, artigos anteriores sobre o livro).

Comprada e cristalizada pelo marxismo de almanaque que mesmerizou a inteligentsia brasileira no século 20 e tomou de assalto nossas escolas, esta definição que os registros históricos não confirmam foi imposta a varias gerações de brasileiros como uma “verdade” intocável, o que fez com que produzisse o efeito deletério desejado pelos seus criadores.

Perdemos um século discutindo apaixonadamente o assessório, completamente cegos ao principal. O Brasil passou quase cem anos tomando remédios pesados para uma doença inexistente. Foi uma criança normal tratada como excepcional. E acabou por convencer-se tão profundamente de sua excepcionalidade; por acreditar tão completamente que tudo que serve e funciona para todos os outros povos do mundo não serve nem funciona para o “povinho” que “deus pôs neste paraíso” que esta partindo para a terceira eleição deste Terceiro Milênio ainda cheio dos traumas desse engano e mergulhado nessa mesma confusão.

Na raiz desse fenômeno está um desvio cultural bem mais profundo. Nós, latinos, somos apaixonados por respostas. Temo-las para tudo e, quase sempre, de antemão. O modo de pensar de inspiração jesuíta de que quase todos somos vítimas, na maioria inocentes, não parte de perguntas nem visa aquisição de saber. É um sistema defensivo que foi criado para sustentar a qualquer custo uma “verdade revelada” que estava ameaçada, entre outras coisas, pelo nascimento da ciência moderna. Uma técnica de argumentação que, por vício de origem, foge da verificação empírica e da confirmação das teorias pelos fatos literalmente como o diabo da cruz.

Estamos sempre prontos a comprar um novo dogma. Não gostamos de procurar a verdade, adoramos “ganhar discussões”. Construir ou destruir argumentos, não importa em torno de que.

Temos uma tendência incoercível para adotar a versão e desprezar o fato.

É isto que explica a forma de trabalhar da imprensa brasileira que se acha plenamente justificada quando apresenta uma versão “contra” e uma versão “a favor”, mas não perde tempo remexendo os fatos por si mesma para estabelecer o que, afinal, não está nem alem nem aquém dessas versões.

Basta ler um jornal e me deparar com a falta de precisão que é a marca de todos eles; com o crescente descaso para com a apuração das “informações” que neles se veicula; com o vício, que contamina a todos, de se limitar a passar adiante o que lhes declaram “fontes” interessadas em vez de confrontar essas versões com os fatos; basta esse gesto cotidiano para que o livro de Caldeira me volte à cabeça.

A chocante diferença que estabelece um elo de ligação entre esse historiador do passado e os historiadores do presente da imprensa é de método: de um lado, a hegemonia da versão; do outro o sistemático confronto delas com os fatos.

O livro de Caldeira está para a história da economia brasileira como as 95 teses de Lutero estão para os falsos dogmas inventados pela igreja medieval por cima dos quais erigiu-se um sistema espúrio de poder. O primeiro “protestante” das mentiras da igreja proclamou o direito de cada um de recusar versões e ir diretamente às fontes do conhecimento e, portanto, a capacidade de ler como instrumento de libertação individual e a educação de todos como um dever do Estado. Seu ato, ao publicar sua denuncia na porta da igreja de Wittemberg, é o ponto de partida não só da ciência mas também da democracia e do jornalismo modernos.

Caldeira mostra uma preocupação com os fatos que é rigorosamente “protestante”. Seu objetivo não é apenas recuperar registros históricos para por as coisas no seu devido lugar mas, também, denunciar a extensão do dano psicológico causado pela assimilação de uma mentira secular, coisa que ele faz registrando, a cada passo, a espantosa ausência de estudos brasileiros sobre as nossas mais particulares particularidades, a maioria das quais, quando chegou a ser estudada antes, foi por estrangeiros ou por brasileiros trabalhando em universidades estrangeiras, longe da “patrulha” que “faz a cabeça” de nossos estudantes (essa que sazonalmente assalta o Palácio dos Bandeirantes) e zela até hoje pela supremacia da versão sobre o fato.

Seu estudo sobre as “relações contratuais” entre homens livres, a esmagadora maioria dos habitantes do Brasil colônia, que resultaram na construção do país que conhecemos à margem da história oficial, explica de forma insofismável de onde vem a criatividade e o senso de improvisação que, desde sempre, foi a marca característica deste povo empreendedor e a alavanca do encantamento que ele provoca em todos quantos chegam a conhecer as condições da esburacada pista em que nos cabe correr a corrida global, e os modos e meios que inventamos para saltar os formidáveis obstáculos que ha nela.

Foi sempre assim. O Brasil foi construído escondido do Estado. Não é por acaso que o drible é a nossa especialidade. E as ferramentas usadas nessa obra, que Caldeira descreve com precisão e sabor, estão aí até hoje: o “resgate”, nas trocas com índios culturalmente propensos a alianças com estrangeiros; a “armação” das corridas ao sertão, dividindo riscos e lucros; o “fiado”, que não foi só adiantamento de mercadorias, foi também “capital” para a sua produção e reprodução; a “quarta”, que transformava “proletários” em empresários nos sertões das sesmarias. Tudo isso vai surgindo dos fatos e documentos que Caldeira alinha e pode ser reconhecido por cada um de nós nas suas versões atuais que continuam em pleno funcionamento no Brasil moderno.

O fascínio de seu livro esta em fugir da história oficial para nos contar a história do povo brasileiro e de sua obra. O declínio da imprensa, mais que por qualquer outro motivo, está em insistir em fazer o contrário: refestelar-se na história oficial e amplificar acriticamente a guerra de versões a serviço da luta pelo poder.

Quando a imprensa passar a usar a arma dos fatos com o mesmo propósito e a mesma acuidade com que Caldeira usou, é provável que o Brasil finalmente se livre das suas falsas igrejas.

Variações sobre o tema da “inclusão digital”

21 de setembro de 2009 § Deixe um comentário

luis_ignacio_lula

Foi só eu registrar que um dos segredos do sucesso do Lula é nunca ter dado entrevistas contando sempre que vão publicar tudo que diz em seus discursos diários sem perguntas nem contestações, e ele deu uma pra ninguém botar defeito ao Valor na semana passada.

Menos mal. Antes tarde do que nunca!

Lula é um sujeito inteligente. Muito inteligente. Os problemas dele são a vaidade e a esperteza (no mau sentido). Confia tanto na própria intuição que não sobra lugar para o senso crítico. E nem sempre usa a inteligência que deus lhe deu para o bem…

Sobre futuro, ele falou em duas coisas ao Valor. Primeiro na sempre presente (no discurso de qualquer político hoje) “inclusão digital”.

Espero que não seja no meu!

Entre os muitos neologismos que a esquerda “papaizão” despeja diariamente na praça e a imprensa imediatamente compra, esse é dos mais infelizes. A idéia é que o papaizão vai dar internet pra vocês todos de graça, pódexá. Mas soa mesmo é como exame de próstata…

Enfim, vamos ao que interessa. O outro item da pauta futura também me pôs uma pulgona atras da orelha. Vem aí uma “Consolidação das Leis Sociais” inspirada na Consolidação das Leis do Trabalho do Getulio Vargas.

Um perigo!

Quase tudo que Lula chama de ação social não passa de assistencialismo.

Já pensou tudo isso que está aí, todo o socorro de emergência prestado às muitas clientelas espalhadas país afora para este especial momento da vida nacional, congelado para todo o sempre! Pense no estrago que a petrificação da CLT fez e continua fazendo no Brasil. Hoje, 70 anos depois, estamos comemorando a marca de 34,5% da força de trabalho registrada, os outros 65,5% continuam pagando pelo excesso de “conquistas” dadas pelo Getulio aos demais. Pense em tudo que tivemos de rebolar nos últimos 70 anos pra não perdermos definitivamente o trem da História em função do aumento do custo da mão de obra sem a contrapartida do reforço do mercado interno porque não é o salário, é o imposto sobre o trabalho que é alto. Pense nos sindicatos pelegos, na estabilidade no emprego que fazia o sujeito mudar de cara no dia em que fazia 10 anos de casa, na industria da judicialização das relações do trabalho e … comece a rezar.

O que será que vai entrar na CLS? Bolsa-família para todo o sempre? Uma regra pétrea para os aumentos de salário que ignore a realidade cambiante da economia? Proteção e cesta básica para invasores forever? O que mais?

E os custos, senhor presidente?

Os custos? Ora, “os empresários têm tanta obrigação de ser brasileiros e nacionalistas quanto eu”…

siderurgica 4

É aí que aquela inteligência toda se volta contra o seu dono. O Lula não é dos livros. Aprendeu tudo por experiência. É fino na intuição. E um mestre na arte de transpor para outras as lições que tira da observação de uma determinada situação. O problema é que, justamente, falta-lhe completamente a experiência de ter de fazer dinheiro com trabalho, pagar contas no fim do mês, resgatar papagaios e outras pequenezas que costumam afligir o comum dos mortais. Nunca lhe ocorreu que empresário não tem compadre rico, caixa de campanha, não arrecada imposto, não emite dinheiro, não tem banco estatal. Vai daí que, ao longo da entrevista inteira, duas páginas de jornal com letrinha pequena, essa confusão permeia cada pensamento de sua excelência: ele cobra do setor privado a mesma, digamos, largueza, com que está acostumado a tratar o Estado.

Conta pra quê?

Uma pena! Porque tem vários pensamentos expressos ali que fazem todo sentido, se o presidente conseguisse separar o que é função das empresas e o que é função do Estado e balizar os seus anseios pelos dados práticos da realidade.

Mas não. Ele mistura tudo.

“A gente não devia ficar preocupado em saber quanto o Estado gasta. Deveria ficar preocupado em saber se o Estado está cumprindo com suas funções de bem tratar a população”. Não vamos entrar no mérito dessa questão – olhar ou não para a realidade do caixa – em plena safra das bondades distribuidas durante o momento mais agudo da crise. Nem precisa. Lula é o primeiro a saber (e repete nesta entrevista) que “inflação sob controle é condição básica para o resto dar certo”.

Agora, vá um infeliz tratar o caixa de uma empresa assim…

vale

O braço de ferro dele com a Vale é o retrato dessa confusão. Todo o discurso sobre a necessidade de vender produtos indutrializados de preferência a commodities é óbvio e indiscutível. Mas porque sua excelência acha que uma mineradora tem de virar uma siderúrgica? Qual a lógica desse raciocínio? O Estado, que ele concorda que “deve ser o indutor e o fiscalizador e não o gerenciador e o administrador”, deve exigir da mineradora que se desdobre em siderúrgica, ou deveria tratar de reduzir o gap das nossas siderurgicas para as estrangeiras de modo a torná-las mais competitivas e, assim, tornar economicamente viável que outras empresas especializadas em siderurgia e não em mineração, processem aqui os minérios extraídos pelas mineradoras? Não estaria no fato de mineração ser menos taxado que siderurgia no Brasil a explicação para o minério ser processado lá fora, inclusive pelas siderurgicas brasileiras que tiveram de emigrar para o exterior em busca de impostos mais baixos para poderem se manter globalmente competitivas? Baixar esses impostos não se aplica como uma luva ao tal “papel indutor” que o Estado deveria ter?

Tão óbvio!

Sim, tão óbvio que essa insistente dissintonia entre a notória inteligência presidencial e as afirmações que faz acabam deixando a gente na duvida sobre se ele realmente confunde as “condições objetivas” do Estado e da iniciativa privada de lidar com problemas concretos ou só finge que faz essa confusão porque o que quer mesmo da iniciativa privada é dar-lhe … uma “inclusão digital”.

prostata2

Ha muito mais coisas no ar que os aviões do Sarkozy

16 de setembro de 2009 § 1 comentário

empafia2

O homem decolou!

Acaba de decretar o monopólio da empáfia!

Empáfia, agora, só com ele…

Outro dia disse, à sério, que Deus não escolheu atôa o momento que escolheu para “a gente” descobrir o pré-sal. A gente quem, cara pálida? Os acionistas todos que financiaram a descoberta e pra quem ele a Dilma deram uma banana na hora da colheita? Ou sua excelência estava se referindo só a si mesmo mais o altíssimo em pessoa?

Depois veio aquele “Compro o que quiser, quando eu quiser” e o mundo que se arda, começando pelos pilotos da FAB.

Faz tempo que eu venho dizendo pra quem me conhece que há muito mais coisas no ar que os aviões do Sarkozy. É só ir juntando as peças…

frei_bettoNem o PT existe mais. A esquerda honesta caiu fora, tapando o nariz. A intelectualidade debandou. São sempre os primeiros “companheiros de rota” que dançam, chutados pra escanteio. Andam por aí cabisbaixos, rangendo os dentes e engolindo o mal que ajudaram a fazer.  A esquerda católica tambem marinacaiu fora, com medo de ir pro inferno. Gente decente não cabe mais no PT. Os próprios “quadros”, os profissionais da política do partido, ou afundaram na lama, ou são tratados como soldadinhos que devem ouvir e obedecer, e que tomam “pito” em publico quando ousam levantar qualquer das suas antigas bandeiras.

Sobrou a máfia sindical, que sempre viveu nos porões do partido e servia para fazer o trabalho sujo. É a turma do por baixo do pano. Do tiro e da porretada. Do grampo e das batidas policiais.

É a turma do “aparelhamento”.

Aparelharam primeiro o mais importante: os fundos de pensão. Foram totalmente ocupados pelos comandos do dr. Gushiken.

E quando o Estado é o dono do capital, nada pode enfrentá-lo.

Como os cupins roendo em silêncio por debaixo da casca, foram comprando o suficiente, em cada grande grupo econômico do país, pra plantar a sua gente  dentro dos conselhos e ir aprendendo a manejar os controles. Nas privatizações, deitaram e rolaram. Não ficaram fora de nenhuma. E não pararam por aí. Hoje as poucas empresas “made in Brazil” com chance de serem globais  que não estão sob o controle direto ou indireto das Previs da vida, estão debaixo de porrada.

A campanha de solapamento, que até então rolava só por baixo do pano, mostrou a cara pela primeira vez com a Vale. No auge das consolidações mundo afora, a empresa foi proibida de fazer as compras que plotou. Daí por diante, todo dia é um tranco publico no diretor “colocado pelo Bradesco”.

Investiu?! Porque investiu?!

Não investiu?! Porque não investiu?!

Contratou?! E quem mandou?!

Demitiu?! E quem permitiu?!

gushi2

A Sadia, privada, comprar a Perdigão, da Previ!?! Nã-nã-ni-nã-não! Os negociadores foram chamados na chincha e informados, pelo próprio, que não se faz um negócio desse porte sem a benção do dr. Gushiken. Neste Brasil do PT competência ofende e o dinheiro privado tem de pedir licença pra crescer e se  multiplicar!

Com dinheiro publico é o contrário. Circula pra lá e pra cá sem que ninguém peça licença aos donos.

A Perdigão comprar a Sadia? Beleza!  Não precisa pedir licença…

Aliás, a JBS que está aí nos jornais de hoje comemorando que se tornou a maior do mundo em processamento de proteína animal que se cuide. A palavra “maior” faz o Lula e o Gushiken começarem a salivar imediatamente. Como maior? Quem foi que deixou? Como ousam passar na frente da “nossa” BRFoods?!

E esses bancos, porque se juntaram? Como ousaram crescer mais que o BB sem autorização?!

Nada disso!

Cerca!

E toca comprar, não importa o quê, não importa por quanto, que nada pode ser maior que “o meu” Estado…

E veja lá, se você der certo com o seu próprio dinheiro e o seu próprio esforço, tome grampo! Tome ameaça!

É grande? É a maior do mundo? Um empresário brazuca dando show de bola mundo afora? Pois a figurazinha trêfega enfiada no Cade para fazer dele um instrumento de chantagem está se lixando: “São todos uns trombadinhas que qualquer hora eu mando prender”. E tome 400 milhões de multa…

A entidade que deveria garantir a concorrência e evitar os monopólios foi a grande articuladora do tubarão gigante da telefonia criado com dinheiro “nosso”, a fundo perdido, para dois “empresários laranjas”…

E, de repente, não mais que de repente, a Vale “está à venda”…

O Bradesco vende sua parte? E porque não vender um player global onde a governança não vale mais nada?

E esse empresário que quer ser “o homem mais rico do mundo” e tira dinheiro de letras (sempre a mesma)? É só coincidência ele aparecer como o possível comprador dos 30% do Bradesco na Vale na mesma semana em que se apresentou como o patrono e anfitrião da festa de premiação do Lula em NY?

Mais um companheiro de rota?

empafia

Pois agora o zum-zum já é outro: tem o banco “tucano” (Itaú, puro sangue privado), e tem o banco PT (o Bradesco, banco “sem dono”), que, de repente, pode ser engolido pelo Banco do Brasil, que quer abrir filiais lá fora porque, pra ser do tamanho do Lula só o que tem aqui dentro não basta…

E, por cima de tudo, veio o pré-sal. E aí o homem começou a falar direto com Deus!

Vem aí o nosso Reich de Mil Anos!

E é bom que os nossos empresários, que estão caladinhos e sorrindo enquanto o braseiro aviva só porque estão ganhando uns trocos, abram o olho: o churrasco são vocês mesmos! E não se enganem. Se o Lula não tem tempo de pensar nessa conspiração de tanto pensar em si mesmo, essa turminha do aparelhamento geral, que vem trabalhando no escuro muito antes do PT chegar lá, tem. E é ela que vai ficar na Terra quando sua majestade subir ao Olimpo.

E que ajam rápido.

De onde já chegamos hoje será uma pedreira voltar, mesmo que o Lula perca a eleição. Se alguém de fora cair por cima deste Brasil aparelhado, vai comer o pão que o diabo amassou pra conseguir dar um passo com a máfia que hoje atravanca a máquina.

Mas o mais provável, é que ele não perca a eleição. E se o Lula é só um lulista que não acredita em nada senão em si mesmo, a Dilma é uma true believer

lulidilma

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