Grécia: 115 Planos Marshall e nada…

15 de junho de 2012 § Deixe um comentário

O professor Hans-Werner Sinn, da Universidade de Munique, lembra a quem interessar possa que o Plano Marshall de reconstrução de uma Alemanha destruída pela 2a Guerra Mundial consistiu em empréstimos anuais equivalentes a 0,5% do PIB do país naquela época, durante quatro anos. Um total de 2% do PIB.

Aplicadas as mesmas proporções à Grécia de hoje, o resultado seria de aproximadamente $5 bilhões.

A Grécia recebeu, até agora, $575 bilhões entre ajuda direta, créditos específicos, compras de títulos pelo Banco Central Europeu e abatimentos em sua dívida, e ninguém ainda enxerga o fundo do buraco em que ela se atirou.

São 115 Planos Marshall, 29 dos quais financiados pela Alemanha sozinha“, diz o dr. Sinn.

Somadas, as operações de socorro à Grécia, Irlanda, Itália, Portugal e Espanha já alcançam $2,63 trilhões, $874 bilhões dos quais fornecidos só pela Alemanha.

E o resultado em termos de controle da crise continua sendo rigorosamente igual a zero. Mas como se o euro acabar a Alemanha deve perder $1,35 trilhão, equivalentes a 40% do seu PIB nos cálculos do professor, deve vir mais ajuda por aí, apesar de toda a chiadeira.

Para entender fácil a crise econômica

9 de dezembro de 2010 § 1 comentário

A historinha que traduzi abaixo, enviada por Carlo Gancia, circula pela internet na Europa e explica de um modo que todo mundo entende essas crises que se repetem no mundo.

Mary é proprietária de um bar em Dublin. Um dia ela se dá conta de que quase todos os seus clientes são alcoólatras desempregados que, como tal, não agüentariam sustentar o seu bar por muito mais tempo. Para resolver o problema ela imagina um novo plano de marketing baseado no slogan “beba agora, pague depois”. E começa a anotar numa caderneta o consumo a prazo de cada cliente.

O boca a boca corre e o bar onde se pode “beber agora e pagar depois” fica lotado de clientes. Não demora muito e Mary se torna a dona do bar que mais vende em Dublin.

Como não exige pagamento a vista de seus clientes, Mary também não enfrenta nenhuma reclamação quando, em intervalos regulares, vai aumentando o preço das bebidas. A conseqüência é que o volume de vendas de Mary cresce, no papel, geometricamente. Então, um jovem e atento presidente do banco local percebe que as dívidas dos clientes de Mary são um bem valioso a ser resgatado no futuro e, com base nisso, aumenta o limite de endividamento dela. Não ha nenhum problema ou violação das regras bancarias na escrituração dos novos empréstimos para Mary já que as dívidas dos alcoólatras desempregados são lançadas como garantia dos novos empréstimos.

Tanto movimento chama a atenção e logo, no quartel-general do banco vizinho, financistas sofisticados e experientes imaginam meios de ganhar altíssimas comissões transformando as dívidas dos clientes de Mary em “títulos de securitização” batizados de “Bebumbonds”. Assim re-empacotados, os novos papéis começam a ser vendidos no mercado internacional de títulos de securitização. Os compradores naturalmente não sabem que os títulos que lhes foram oferecidos com avaliação “AAA” representam, na verdade, dividas de alcoólatras desempregados. E assim, o preço dos títulos vai subindo, os papéis vão sendo cada vez mais notados e “hypados” até se tornarem os mais vendidos em todas as corretoras do pais.

Um dia, apesar do preço dos títulos ainda continuar subindo, um avaliador de risco do banco onde tudo começou se dá conta de que está na hora de cobrar as dívidas dos clientes de Mary.

Sob pena de execução, Mary começa a cobra-los. Mas em se tratando de alcoólatras desempregados, eles não tem como pagá-la. Mary é executada e vai à falência. O bar é fechado e seus 11 empregados perdem o emprego.

A noticia corre o mercado como fogo na palha e, de um dia para o outro, os “Bebumbonds” caem 90% destruindo a liquidez do banco emissor que, assim, fica impedido de fazer novos empréstimos, o que resulta no congelamento de toda a atividade econômica da comunidade.

Os fornecedores de Mary, contando com o aumento dos ganhos com cliente tão especial, tinham passado a investir os fundos de pensão de suas empresas em títulos de securitização e agora vêm-se obrigados a fazer provisionamentos para compensar a perda de 90% do valor desses títulos. Foi assim que seu fornecedor de vinhos, um negócio familiar que vinha de três gerações, também teve de pedir falência. Já o seu fornecedor de cerveja, com sua cotação na bolsa na bacia das almas, foi comprado numa “oferta hostil” por uma agressiva multinacional, gigante mundial das cervejas, cuja primeira providência foi fechar a fábrica local, desempregando mais 150 pessoas.

Felizmente o banco, as corretoras e seus respectivos executivos são salvos por uma operação de resgate dos agentes financeiros do governo, todos eles ex-funcionários desses mesmos bancos, que injetam em seus cofres bilhões de euros a fundo perdido e sem impor condições. Os fundos para essa operação de socorro são obtidos com aumentos dos impostos sobre trabalhadores da classe média que nunca beberam ou passaram na porta do bar de Mary.

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