Indústria automobilística: a grande trapaça

2 de agosto de 2014 § 5 Comentários

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O desastre que vem vindo por aí no setor automobilístico – o “berço” da formação política e do aprendizado das noções básicas do jogo econômico de ninguém menos que Lula, “o intuitivo”, em pessoa – é de proporções assustadoras.

É nele que se entrecruzam, anabolizando-se mutuamente, todos os erros, todos os vícios e todas as falcatruas do PT cujos efeitos estão prestes a surgir nus e crus, em todos os seus 500 tons, todos de cinza, diante dos olhos da Nação.

A coisa vem rápido e vem forte como mostra este primeiro tropeço depois de esgotado o efeito dos anabolizantes que vinham mantendo em pé esse boneco de vento, de 36,3% de queda nas vendas de um ano para o outro.

A verdade dolorida é que não ha surpresa nenhuma nisso, especialmente para as supostas “vítimas” do “engodo”. E isto porque as montadoras internacionais que compõem a lista das que entulharam este país com a absurda quantidade de 25 fábricas de automóveis e caminhões prontas ou quase prontas para produzir – e literalmente todas as existentes no mundo estão nessa lista – nunca se enganaram, por um minuto que fosse, sobre as reais condições do Brasil com os seus mundialmente famosos handicaps em materia de custo e qualidade de mão de obra, oferta de infraestrutura e seguranca juridica para trabalhar, de se transformar num polo mundial competitivo de exportação de produtos automotivos.

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Nem quem tenha reais condições de se-lo, alias, tem quaquer coisa que chegue perto desse numero de fábricas.

O que teria acontecido então? O que teria desviado o olhar dos mais antigos, calejados e experimentados macacos velhos da indústria automobilística mundial dessas irremovíveis realidades brasileiras, para fazê-los vir enterrar tanto dinheiro bom em terreno tão obviamente incapaz de absorvê-lo e multiplica-lo com vantagens competitivas reais?

Nada, é a resposta simples e direta.

Eles vieram para cá porque foram entre convidados e forçados a montar – com o nosso dinheiro e não o deles, evidentemente – as suas fábricas em território brasileiro embolsando lucros polpudos antes mesmo da produção do primeiro automóvel. Eles foram os atores coadjuvantes da pantomima eleitoreira iniciada em Brasília mas docemente coadjuvada por governos estaduais e municipais pelo Brasil afora sequiosos de votos de eleitores mal alertados para a falcatrua por uma imprensa em crise aguda de liderança e de identidade que ajudou a compor a tempestade perfeita em que o Brasil está prestes a se conflagrar.

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O primeiro lance da armação foi erguer uma barreira de 30% contra a importação de automóveis de marcas sem fábricas no Brasil exatamente no período agudo da crise mundial em que as “medidas anticíclicas” de Lula subsidiando o consumo com dinheiro do Tesouro Nacional repassado a juros menores que os que custava para tomá-los à “nova classe media”, faziam o Brasil parecer o ultimo rincão do planeta onde “em se oferecendo o que quer que seja à praça, vende-se”.

Junto com essa barreira veio a oferta de generosos aportes do BNDES a quem se dispusesse a abrir uma fábrica de sua marca por aqui.

Como os impostos estaduais e municipais pesam muito na composição do preço de um automóvel, estados e municípios acoplaram-se à corrida, disputando a peso de ouro o destino final dos candidatos arrastados pelas ofertas federais. Dezenas de bilhões em impostos futuros que financiariam a educação, a saúde e a segurança públicas nos Estados e nos municípios, foram oferecidos em condições de pai para filho até aos fabricantes de carros de luxo pouquíssimo consumidos no Brasil até então. E assim, dezenas de prefeitos do Brasil, ao lado do pai de todos os pobres, puderam afirmar ao seu eleitorado que estavam disputando uma fábrica de automóveis, com toda a sua extensa cadeia produtiva, para tirar o seu município de uma vez para sempre da idade da pedra, no país emergente “mais procurado pelos investidores internacionais” num mundo em decadência.

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Porque não aceitar tais mimos se, para os fabricantes internacionais de automóveis de todos os continentes, a conta final parecia ainda mais generosa que a que sustentou por anos o dito “cinema nacional” com subsidios de tal monta que diretores e produtores lucravam tão ricamente antes do filme ficar pronto que ninguém se preocupava, depois, em vende-lo ao publico, etapa que se tornava dispensável ao bom fechamento da conta econômica do “empreendimento”?

Para coroar esse brilhante conjunto de políticas, a crescente prevalência do Itamaraty marcoaureliano na definição de todas as formas de relacionamento internacional do Brasil, inclusive os comerciais, houve por bem amarrar-nos exclusivamente aos falidos “parceiros comerciais” bolivario-brickianos a que hoje estamos circunscritos.

E eis aí o Brasil, esgotado o efeito anabolizante das sucessivas injeções na veia de isenções de IPI e outras promoções para empurrar as coisas além do outubro eleitoral, com suas 25 fábricas de automóveis e caminhões cuja cadeia produtiva, na presente fase de sucateamento geral da indústria nacional pesam, segundo alguns economistas, mais de 25% do PIB industrial, com a Argentina inadimplente, ex-maior compradora dos automóveis brasileiros, o lumpen bolivariano, a África do Sul e a Rússia embargada de Putin como seus únicos parceiros comerciais.

Pra começar a ficar ruim, vai ter de melhorar muito…

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Um ano de “black friday” para reeleger dona Dilma

4 de dezembro de 2013 § 3 Comentários

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Os jornais de ontem estavam cheios de cálculos sobre as contas da Petrobras depois do reajuste magrelinho que dona Dilma houve por bem permitir que ela fizesse no preço dos combustíveis para explicar a queda de mais de 10% só na segunda-feira nas ações da companhia. R$ 24 bi de valor perdido em um único pregão.

Mas o buraco é mais embaixo.

O que ficou oficialmente confirmado depois do longo braço de ferro entre a disciplinada companheira Graça Foster, que engoliu em seco e voltou quieta para “a geladeira”, e dona Dilma, é que tudo neste país, sem exceção de nada (e não é pleonasmo, é ênfase mesmo), está subordinado à eleição do partido de que estas duas senhoras são meros soldadinhos.

Muito ao estilo Nicolás Maduro o que se vai anunciando é um ano inteiro de “black friday” para reeleger a senhora presidenta.

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O problema com a  Petrobras, que é só mais um copo d’água no oceano dos recursos de que o Brasil precisa para não passar as próximas décadas atolado que o PT está queimando para não perder a eleição de 2014, é que ela é um alarme para os estrangeiros de cuja poupança, mesmo em tempos normais, o Brasil depende para conseguir evitar andar para traz.

Cada vez mais nós nos vamos alinhando com aqueles países longínquos e exóticos que insistem em se agarrar ao pensamento mágico e não ingressar na idade da razão e, por isso interessam cada vez menos ao mundo adulto.

Mas quando as ações da Petrobras, as mais comercializadas deste grandalhão filo-bolivariano nas bolsas internacionais, desabam esse tanto, o mundo volta a olhar para cá com lente de aumento.

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E cada um que faz isso sai desse exame com vontade de não repeti-lo mais em função deste raciocínio palmar: se eles são capazes de fazer isso com a  Petrobras, que é o xodó do esquerdismo tupiniquim, o que não farão com o resto?

Já estão fazendo, como bem sabe quem está mais perto…

A Petrobras tem a mesma classificação nas agências internacionais de rating que o Brasil. Geridos ambos pela mesma gente, uma é um termômetro do outro.

A Petrobras ainda é “BBB”, um dos últimos graus “de investimento”. Abaixo disso é “corra que o piloto sumiu”. Acontece que depois da descoberta do pré-sal, ela própria, mobilizada a nata dos alquimistas de números do PT, anunciou que de 2013 a 2017 vai ter de investir US$ 236 bilhões de que não dispõe. A empresa está endividada no limite e, mais um pouco – este pouco que se torna obrigatório depois deste braço de ferro perdido – vai ser rebaixada.

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Com ela, provavelmente, cai junto a classificação do Brasil.

Mas isso, ainda é o de menos. O importante, insisto, é a sinalização dada, que é literalmente a seguinte: a política econômica, a política social, a política que se queira nomear do PT é eleger o PT e ponto final. É isso que manter a Petrobras tamponada e sem sangue nas células na marra quer dizer.

Dona Dilma pode continuar falando sozinha e “passando pito” nos fatos como quiser mas não engana ninguém. E a verdade é que já não quer enganar o mundo. Para o partido de que ela é funcionária antes de ser Presidente da República é bastante enganar a massa dos analfabetos funcionais e outros desinformados aqui de dentro mesmo e o resto que se dane.

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Tanto que para consegui-lo o PT jogou no lixo até a última cláusula pétrea do seu modelo “socialista” e passou à privatizar mais que o “Consenso de Washington”  para poder seguir torrando dinheiro e comprando eleitores sem deixar que o rombo inteiro que está cavando apareça antes de outubro e novembro de 2014 passarem.

Mensalão? Financiamento oficial de partidos? Dinheiro dos barões do BNDES?

Tudo isso é troco perto da gigantesca operação de compra de votos que inclui, entre outras contas, estas:

  • as desonerações no IPI desses automóveis que atravancam o país inteiro, que já custaram R$ 91,5 bilhões este ano e vão ser prorrogadas mais uma vez;
  • o irmão gêmeo deste programa feito para rechear o “Sua casa, Vida da Dilma” de geladeiras e lavadoras de roupa made in China, que ninguém sabe quanto já custou;

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  • o subsídio à gasolina (maior) e ao diesel (menor para enganar os trouxas) que custa R$ 5 bi por trimestre (R$ 20 bi por ano), fora o que se perde, em função deles, com as exportações de combustíveis que caíram, só este ano, 36%, de 606 mil barris/dia para 390 mil;
  • tudo que um país inteiro se arrastando permanentemente em engarrafamentos perde por minuto na equação carro novo para todos/estradas novas para ninguém;
  • o crédito geral ao consumo, que só os gigantes do varejo embolsam, teve alta de 14,7% neste 2013 depois de anos seguidos de crescimento, atingindo R$ 2,6 tri ou 55,4% do PIB, com os juros voltando aos dois dígitos só pra sussurrar nos ouvidos dos endividados o que é que vem aí depois da eleição;
  • o crédito aos estados e municípios, onde costuram-se neste momento as “alianças” que rendem mais minutos para mentir sem contraditório na televisão que o condenado José Dirceu coordena lá daquele hotel, decolou 61,7% nos últimos 12 meses, o maior aumento em 10 anos; foi literalmente para o espaço a Lei de Responsabilidade Fiscal que pôs o Brasil em ordem depois da “terra arrasada” deixada por José Sarney, hoje o maior e mais reverenciado sócio do PT;

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  • agora anuncia-se outro “me engana que eu gosto” para colar um esparadrapo em cima do rombo que inaugurou o “sistema Dilma de argumentação eleitoral” que foi a implosão das elétricas com aquela demagogia da redução da conta de luz na marra: a Caixa Econômica vai assumir o lugar do Tesouro Nacional para jogar nas empresas tungadas pelo decreto presidencial o que o subsídio em que ele se traduz lhes tira, numa operação triangular que faz esse montante sumir da conta do déficit nominal do governo, outro dos medidores em que os estrangeiros reparam muito; são mais R$ 10 bilhões este ano e R$ 9 bilhões calculados para 2014…

Enfim, não há limite. É um assumido e desenfreado vale-tudo este em que está empenhado o PT para não abrir mão das blandícias do poder. Estão vendendo o país inteiro! E baratinho porque o mundo todo já entendeu o risco que é meter-se com essa gente.

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