A guerra que matou o idealismo

29 de abril de 2010 § Deixe um comentário

(Este documentário foi uma sugestão de José Neumanne Pinto)

 

A Guerra Civil Espanhola foi o ultimo episódio da História Moderna em que a generosidade, a fé na condição humana e o senso de honra foram protagonistas centrais.

O famoso discurso de Miguel de Unamuno, pronunciado na Universidade de Salamanca, nas circunstâncias que você viu no filme, para uma plateia na qual se sentava parte da cupula do governo franquista e até a mulher do próprio Francisco Franco, é uma espécie de epitáfio de uma era.

O discurso de Unamuno

“Todos estão à espera das minhas palavras; vocês todos me conhecem e sabem que sou incapaz de me calar. Em certas ocasiões, calar é mentir, porque o silêncio pode ser interpretado como aquiescência. (…) Agora mesmo ouvi um grito necrófilo e insensato, “viva la muerte”. E eu, que passei a vida a compor paradoxos que despertaram a cólera dos que não os compreendiam, devo dizer-lhes, como entendido, que este paradoxo, vindo de fora, me repugna. O general Millán Astray é um aleijado. Digamo-lo sem meias palavras. É um mutilado de guerra. Tal como Cervantes. Infelizmente, neste momento, há mutilados demais em Espanha. E em breve ainda haverá mais se Deus não se apiedar de nós. Penaliza-me que seja um homem como o general Millán Astray a ditar os padrões da psicologia das massas. Um mutilado a quem falta a grandeza espiritual de Cervantes procura uma odiosa consolação para o seu mal provocando mutilações à sua volta”.

Furioso, o general Millán Astray levanta-se e grita outra vez, ainda mais alto: “Abajo la inteligencia! Viva la muerte!

E Unamuno conclui:

“Este é o templo da inteligência e eu sou o seu sumo-sacerdote. São vocês que profanam o seu paço sagrado. Vencerão porque possuem força bruta mais do que suficiente. Mas não convencerão porque para convencer é preciso persuadir. E, para persuadir, seria necessário possuir aquilo de que vocês carecem: razão e direito na luta”.

Depois desse discurso, Unamuno ficou prisioneiro em seu quarto até morrer, poucas semanas depois.

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