Morgan Freeman quer o que o Brasil tinha

17 de julho de 2012 § Deixe um comentário

Mas é tarde demais…

Agora o PT já nos inseriu no Primeiro Mundo e o Brasil deixou de ser a terra dos brasileiros.

Hoje somos negros, brancos, pardos ou índios, heterossexuais, homossexuais ou alguma das categorias que enfiaram pelo meio disso e vai por aí abaixo.

Cada brasileiro, agora, combinando conscientemente uns tantos desses poucos atributos, sabe exatamente quem é e qual é o seu lugar. Conta até com uma legislação diferente a definir-lhe os direitos e os deveres que serve para provar de papel passado quanto cada um desses lugares são diferentes entre si, como convém a um governo que se elegeu pregando a igualdade.

Matéria sugerida por Ruy Mesquita Filho

Saindo do armário

25 de outubro de 2011 § 2 Comentários

Enviado por Carlo Gancia

Qual a razão da politização da “causa gay”?

27 de junho de 2011 § 7 Comentários

Porque os “gays” querem o Estado se metendo em suas relações quando os “hetero” lutam justamente pelo contrário?

E de repente a momentosa questão dos “direitos dos homossexuais” passa a ser aquilo que – li esses dias – os americanos já chamam da “questão de direitos civis do nosso tempo”.

Sinal dos tempos…

Para se receber o carimbo de “progressista” ou evitar o apodo de “reacionário”, hoje, é preciso, antes de mais nada, declarar-se a favor do “casamento gay”. Ou seja, exigir que o Estado chancele as relações amorosas desse segmento, velhas como a humanidade.

Isso basta para explicar a forma como trata essa questão a imprensa “corporate”, que é a que se pauta pelas “melhores práticas de governança corporativa”, aquelas que dizem que você deve fazer tudo para agradar a todos, vender o mais possível e tomar o mínimo de posições contra ou a favor de qualquer coisa porque isso tende a excluir freguesias.

Esse pessoal adere por princípio ao que quer que seja, desde que dê Ibope. E sexo sempre deu Ibope.

Acontece que a tomada de assalto das redações modernas pelos agentes da “governança corporativa” juntou a esse viés deles característico um outro, pré-existente, também de força insuspeitada para quem vive aqui fora. É que os jornalistas são especialmente sensíveis aos adjetivos “progressista” ou “reacionário”. São capazes das maiores ignomínias para atraí-los ou para afastá-los de si.

O cruzamento das duas coisas explica o tratamento dado à “questão gay” neste Ocidente “corporativo-politicamente-correto” em que vivemos onde CEO’s, jornalistas e políticos se diferenciam cada vez menos em matéria de propósitos e de comportamento e todos clamam em uníssono pela intervenção do Estado nesse particular departamento das relações amorosas.

E, no mais, eu desconfio de todas as “causas” que as televisões lançam e os políticos automaticamente abraçam. Chamem a isto preconceito se quiserem. Este eu assumo.

Enfim, sobre o casamento e o Estado eu penso exatamente o contrário!

Registrei o meu para não criar um problema para minha mulher e para minha mãe apenas para fazer alarde de minhas convicções ideológicas. (Nem as minhas próprias valem impingir aos outros o que pode ser sentido como uma humilhação para nada que não resulte em mudanças de fato). Mas sempre achei uma intromissão absurda ter de registrar minhas relações afetivas junto à igreja e ao Estado, especialmente neste país onde as “autoridades” que o representam, só pelo fato de sê-lo, já são, mais que suspeitas, claramente culpadas de alguma das práticas nefandas que se exige para que alguém se torne uma.

Pois “autoridade publica”, no Brasil, onde somente os cargos executivos e legislativos são conquistados com a chancela do eleitor, é uma condição que pressupõe que, no mínimo, você tenha se aliado incondicionalmente a algum dos governantes ou profissionais da locação de governabilidade que conhecemos, os únicos que têm a prerrogativa de faze-lo.

Na minha pesquisa individual, aliás, o que constato é que desde que os heterossexuais passaram a ser obrigados a esse ritual humilhante, ha coisa de menos de 200 anos, eles querem mais é se livrar de ter de pedir licença a quem nem sequer conhecem; a quem sabem que vive, antes de mais nada, de explorá-los, para se relacionar duradouramente com alguém.

Daí o crescimento vertiginoso do numero das relações ditas consensuais, sem registro oficial, e da alta de expressões como “ficar” que reforçam o caráter precário de um tipo de relação que o Estado quer perene, e de todos os outros sinais do nojo crescente que as pessoas de bem sentem da indústria que foi montada na esteira do registro oficial das relações amorosas.

E, no entanto, tudo isso que, no mundo hetero, define uma atitude “progressista” quanto aos relacionamentos amorosos, adquire o significado contrário no mundo “gay”. Ali todos fazem questão, hoje em dia, de que gente de notória boa fé e que prioriza os sentimentos humanos na ordem dos valores tais como deputados e senadores, governadores e prefeitos, reis e presidentes chancelem as relações amorosas de cada um e as cerquem de documentos oficiais, assinaturas com firma reconhecida, testemunhos, carimbos e registros nessas instituições nefandas que são os cartórios.

A intromissão do Estado na ordem familiar começa, como sempre, por um motivo nobre: acabar com a instituição antidemocrática da primogenia, pela qual legava-se tudo ao filho mais velho em detrimento dos demais, no sistema feudal, com o propósito de não dividir jamais a propriedade (especialmente a da terra). A divisão igualitária da herança por todos os filhos (inclusive os “naturais”, expressão que está aí para nos recordar o quanto são anti-naturais esses registros) é justa e democrática, além de socialmente saudável já que empurra para a pulverização da herança o que favorece o trabalho, a renovação e a mobilidade social.

É só isso que legitima a intromissão do Estado nessa seara. Tocqueville tem passagens memoráveis sobre a importância desse passo no seu A Democracia na América. O resto, quando ele fez, fez empurrado pela igreja e de maneira ilegitima.

A partir daí a coisa degenerou.

Como em tudo onde o Estado é chamado a apor o seu carimbo, nasceu uma indústria de corrupção em torno da obrigação de registro das relações que, no início, tinha em vista as que resultam em prole pelas razões acima apontadas e não para excluir os homossexuais ou para tornar eterno o que só pode ser eterno enquanto durar, como dizia o poeta.

Legiões de advogados vivem hoje como nababos por se terem especializado em transformar as relações inauguradas em nome do amor em formas revoltantes de escravização de um cônjuge pelo outro. As arapucas que eles armam não têm nada a ver sequer com a realidade financeira vivida por cada um. São simples arquiteturas de exploração e parasitismo montadas em torno das falhas das leis por advogados inescrupulosos que, conseguindo transformar um dos cônjuges em sanguessuga eterno do outro, terão garantido para si uma parte do sangue chupado.

É também porque o Estado foi chamado a entrar nessa seara que floresce no mundo hoje a popularíssima profissão de “golpista do baú”, aquele tipo que simula amor com o propósito antecipado de se transformar num parasita com apoio da força publica.

É em função de tudo isso, enfim, que os heterossexuais há tempos dão sinais cada vez mais veementes de que querem que o Estado os esqueça e, na impossibilidade de revogar as leis que sustentam mais uma das industrias do crime que vicejam à sombra dele, vêm inventando os meios e modos que cada censo reconfirma para seguir se relacionando amorosamente à revelia dele.

Os homossexuais, entretanto, vão na direção contrária.

Precisam de fato da proteção do Estado para praticar suas preferencias? Nunca, em parte alguma e em tempo nenhum, como a História mostra com profusão de exemplos. Nem mais para faze-lo abertamente ha pelo menos um século onde antes isso era (inutilmente) proibido, especialmente no Brasil em que eu vivo, seja qual for a latitude ou a classe social que se queira medir.

Precisam dela para viver uma relação mais prolongada, incluindo tudo que implica uma relação “hetero” prolongada, excluídos os limites impostos pela Mãe Natureza? Não outra vez.

Para doar seus bens uns para os outros? Negativo de novo.

Para ter mais segurança? E existe algum pingo de verdade nessa suposta preferencia do crime por homossexuais no país em que mais se morre de morte matada, mesmo entre os países oficialmente em guerra?

A verdade verdadeira é que, descontada a legação de tetas outorgadas pelo próprio Estado, as únicas que, nos tempos modernos, continuam sendo hereditárias ou regidas pelos registros oficiais, os “gays” não precisam do Estado para nada, no que diz respeito a relações afetivas, assim como todos nós outros.

De modo que a mim não convencem.

Isso que a Parada Gay desfila é, mais que tudo, brutalidade, deboche e, frequentemente, até ódio, multiplicados pelo oportunismo dos políticos e pela covardia da mídia. Procure onde você quiser as justificativas para a politização do tema “gay”, menos no terreno da afetividade. Esta é livre. É de foro íntimo. Pode e deve ser vivida totalmente fora do âmbito institucional, como sempre foi e como poderá voltar a ser, um dia, se houver mesmo esperanças de sobrevivência da democracia na Terra.

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