Comida de restos – 1

6 de junho de 2013 § 1 Comment

(anotações da semana que não chegaram a virar artigos)

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Diz o Fisco que a sonegação ainda é de 23,9% do que deveria ser arrecadado, o equivalente a 8,4% do PIB.

Com os 36% do PIB que já se arrecada, a meta, então, é chegar aos 44,5% do PIB.

Mata o véio!

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juiz1Luís Roberto Barroso, que julgará o julgamento do Mensalão, manda avisar a quem interessar possa que “ninguém me pauta”.

Isto é, ele é o que ele é e se dona Dilma o escolheu em função do que ele jura ser ele não tem nada com isso.

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Embargo infringente é recurso que cabe quando a condenação é por votação apertada.

É algo equivalente a mandar chutar de novo toda bola que bater na trave.

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juiz3De São Paulo para baixo a Saude Publica é uma calamidade.

Mas a prioridade do ministerio lá de Brasília é que as putas sejam felizes.

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OPI-002.eps

Guilherme Afif Domingos é uma evolução sobre Gilberto Kassab.

Kassab não faz oposição a ninguém. Já Afif é o opositor de si mesmo.

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1

Com novos vetos na reforma dos portos recomeça a gritaria dos “traídos” no Congresso.

Te assusta não. Pro PMDB e Cia. Ltda. virarem o cú pro cocho só mesmo quando houver certeza da derrota do partido no poder. Só então surgirão os “democratas de primeira hora” do costume.

Até lá eles seguirão se empanturrando e haverá no máximo calotes. Ou seja, aqui e ali, quando muito humilhadas e ofendidas, as excelências deixarão, por um tempo, de entregar aquilo que venderam.

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6Dona Dilma fixou em 2,7%, sua melhor marca colhida em 2011 que já representou uma queda forte em relação ao que vinha antes, a meta para o crescimento do PIB.

Assim, se a atingir de novo, poderá comemorar estrondosamente o próprio fracasso.

Não é engenhoso?

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12

Tortura em prisão só dá chamada de primeira página na imprensa brasileira se for nos Estados Unidos.

No Brasil só é notícia – até hoje e aparentemente para todo o sempre – a tortura de 40 anos atrás que foi a última vez em que filhinho de papai entrou no pau-de-arara.

Normal.

Notícia é o extraordinário. Por isso a tortura de todo dia, assim como assassinato de pobre por aqui não dá nem notinha de rodapé. De rico e “de classe média alta” que é como a imprensa os discrimina, ainda dá não porque se assassine pouco rico proporcionalmente a população de ricos, mas porque ha mesmo muito poucos ricos neste país “sem pobreza”.

Estatisticamente eles são uma raridade.

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11

A chamada “pacificação dos morros” do Rio de Janeiro é quase oficialmente “pra inglês ver”.

O Globo sempre informa pacificamente que a obra “foi completada” porque já tem UPPs “em todos os morros no trajeto entre o Galeão e o Maracanã e deste aos bairros da Zona Sul onde estão os hotéis dos turistas que vêm para a Copa e a Olimpíada”.

Agora com essa mania de papa de visitar a favela como ela é e escolher uma fora do circuito Copa/Olimpíada, vai ser preciso dar uma segunda demão. Por isso estão asfaltando, iluminando e maquiando o entorno só dos 300 metros de ruas da Favela da Varginha que Sua Santidade vai percorrer.

O Rio “pra argentino ver” sai mais barato…

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13

Haddad propôs e Alkmin topou levantar um muro de 40 km para proteger a Cantareira de invasões agora que o Rodoanel passa no meio dela.

Cautela e caldo de galinha nunca são demais…

Vai que alguém invade!

Em questão de minutos a coisa vira “questão social“.

E aí é o Jardim Botânico; é a Fazenda Buriti. Nunca mais…

Se bobear perde-se a cidade de São Paulo.

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14A turma lá de cima acaba de aumentar o seu território privativo de caça.

Está liberada pelo Congresso a criação de novos municípios. Serão de R$ 8 bi por ano as novas despesas “por dentro” só pra colocar a nova leva de atiradores nas suas devidas tocaias.

Quanta caça eles vão derrubar “por fora” pelos secula seculorum a partir desses novos “vantage points” ninguém sabe calcular..

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15

Ha quanto tempo você começou a ouvir falar de bilhão de dólar? E de trilhão, o novo personagem que entrou no palco pela porta das arrecadações nacionais de impostos?

Desde quando ser milionário passou a comprar só a condição do remediado de ontem, embora o numero dos que podem mesmo esse tanto pouco seja cada dia menor?

E, no entanto, a imprensa “progressista” e seus articulistas prêmios Nobel continuam impávidos clamando pelo “fim da austeridade” enquanto Ben Bernanke e Mario Draghi seguem emitindo dinheiro falso em ritmo de rotativa…

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16

Dos 13 acusados da Operação Porto Seguro só Rosemary Noronha perdeu o emprego (mas não o poder).

Dos outros 12, cinco já tiveram até aumento de salário.

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17
A 10 anos e cinco meses de distância na semana passada, dona Dilma no Rio Grande do Norte ainda acusava do palanque “o governo anterior” (aos do PT) pela falta de investimentos contra a sêca no Nordeste.

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18

Depois de ser condenado pela inglesa, Paulo Salim Maluf fez comovidos elogios à Justiça brasileira.

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Imagine os adesistas!

10 de maio de 2013 § 7 Comments

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Ja deve fazer bem uns 10 anos eu estava hospedado em casa de uma amiga em Mar Grande e, depois de alguma resistência, tomamos um barco de aluguel e, superadas as peripécias imagináveis para atravessar uma cidade conflagrada, fomos parar num desses camarotes patrocinados do carnaval de Salvador.

Era um ambiente enorme, cheio de praças diferentes que se distribuiam em desníveis ligados por escadarias precárias de variadas inclinações, até chegar ao grande salão, lá em cima, que dava visão para a rua e para aquela folia frenética e violenta que caracteriza essa festa na capital da Bahia.

A estrutura apoiava-se numa encosta de modo que víamos o povo pulando como que dois ou tres andares abaixo. Os trios elétricos, quando passavam por ali, alinhavam o teto em cima do qual iam os cantores e as bandas quase exatamente com o assoalho desse salão.

Ficava-se literalmente cara-a-cara com eles no momento da passagem.

vom3

Artistas, autoridades, socialites, “famosos”, garçons-equilibristas se esgueirando com suas bandejas carregadas lá no alto, “gostosas”, “porras-loucas”, traficantes…

O povo do costume nesses eventos misturava-se e confraternizava daquele jeito de que só brasileiro é capaz.

No centro exato desse grande terraço, cercado dos puxa-sacos do costume, o governador da Bahia em pessoa e sua primeira-dama presidiam a esbórnia.

Para qualquer momento, corria o zum-zum pelo camarote, esperava-se a chegada do rei da Suécia e sua rainha brasileira.

E bebida. Muita bebida em cima…

De repente, o burburinho foi subindo, junto com uma agitação que empurrava a boiada toda para o fundo em direção à escada que desembocava no salão principal do camarote:

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_ O rei chegou! O rei chegou!

Um desavisado ao meu lado, forte sotaque baiano, pergunta:

_ Que rei, ACM?

_ Não, um outro aí; um mané… retruco-lhe, divertido.

Alarme falso.

E as caipirinhas rolando…

O som do trio elétrico vai subindo. É o de Gilberto Gil que se aproxima.

O camarote trepida. Lá embaixo é um frenesi dos blocos dos abadás, que compram o direito de pular junto aos carros.

O monstrengo, despejando seus milhões de decibéis, já está alinhado com o canto final do camarote e o mundo parece estar vindo abaixo. Ele avança mais um pouco e o governador e sua entourage soltam a franga.

Estão frente a frente; o camarote ferve e …

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De repente a música estanca!

Surpreso, começo a procurar. É briga? É pane?

Gilberto Gil resolve a minha dúvida.

Cara-a-cara com o governador, ele se desfaz numa mesura…

_ Eu queria aqui saudar o nosso governador que tão gentilmente, etc, etc, etc…

O povo lá embaixo parado, esperando. A festa nacional foi interrompida mas não há nenhuma reação dos foliões.

Nem uma vaia. Nem mesmo um “Óóóhh!

Mais uns tantos rapapés e o dilúvio de som recomeça. Segue a festa como se não tivesse havido nada.

Aquilo foi um choque!

Afinal, eu sou de Sampa, de onde não se vê quem sobe ou desce a rampa!

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Dei parte do meu escândalo aos meus anfitriões, mas vá lá. Abafa o caso…

Vai daqui, vai dali, mais umas tantas caipirinhas pra dentro e lá vem outro trio elétrico.

Não me lembro se era o dele ou se ele vinha lá em cima de convidado, mas este carregava ninguém menos que Caetano Veloso, o revolucionário das palavras e dos sons do português de minha tamanha admiração.

Caí das nuvens! Não é que ele repete o ritual de Gil!

_ Boa noite, excelência. Eu queria comprimentar aqui o senhor governador que tanto tem feito pela Bahia… (e lero, lero, lero…)

Não me segurei mais. As caipirinhas “bateram” todas de uma vez.

Com gestos de estadista em palanque e pra lá de “torto“, abri o verbo, carregando no sotaque baiano.

_ E estes, senhoras e senhores, são os révolucionarios! Imaginem os adesistas!

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Não parei mais. Indignação e álcol são uma mistura perigosa. Estava de uma inconveniência tal que meus constrangidos anfitriões tiveram de me levar de lá para fora, enquanto eu seguia gesticulando para trás e vociferando para sua excelência ouvir.

E assim segui torturando os meus queridos amigos baianos durante toda a travessia até Mar Grande, onde fui curtir a minha ressaca e, no dia seguinte, a minha vergonha monstro.

Hoje de manhã, quando vi a foto de Guilherme Afif Domingos, o nosso sôfrego vice-governador e ministro, encolhidinho, beijando as mãos de Dilma Roussef na capa dos jornais, tão sóbrio quanto no dia em que nasci, foi essa a história que veio-me à cabeça.

_ E esta, senhoras e senhores, é a oposição! Imaginem os adesistas! E segui com o meu indignado discurso imaginário: Dos flagelados do Bolsa Família ao Jorge Gerdau todo mundo se vende neste país! O que varia é só o preço…

Deixa pra lá. Abafa o caso.

Resolvi que esta noite vou tomar umas, à saúde dos poucos de nós, coitados, que não temos preço.

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