Mantenha-se o foco nos chefes!

20 de novembro de 2014 § 6 Comentários

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O que é que são, afinal de contas, essas empreiteiras: “corruptores” ou “extorquidos”?

As duas coisas, pois o uso do cachimbo entorta rapidamente a boca, sobretudo quando não ha limites para os bilhões em jogo. Isso começa lá pra trás com uma extorção na qual está embutido um convite para mandar a conta para o povo, e logo, ante a garantia de carona na impunidade do corruptor original, o “extorquido” muda de lado e passa a adorar a brincadeira.

Mas o fato que não se pode esquecer nunca é que sem o político lá de cima, onde tudo isso se inicia, essa ciranda não poderia nem começar.

Os agentes diretos da roubalheira como o “operador” plantado dentro da estatal, o dono da empreiteira, o doleiro e etc., são todos elementos assessórios. Meros agentes assalariados dos verdadeiros ladrões sem o aval e o impulso dos quais nenhum deles teria poder, nem para chegar à posição em que o dinheiro público é posto ao alcance das suas mãos, nem muito menos para manter escancaradas as portas dos cofres para que eles as metam lá dentro e sirvam-se à vontade por anos e anos a fio.

Por maior que seja a migalha que cada um morde – e neste caso há reles gerentes mordendo R$ 250 milhões e mais! – ela é sempre uma migalha em proporção ao que devora o glutão que os patrocina a todos e, até agora, se tem mantido fora do alcance da lei.

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José Cosenza, o substituto de Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da Petrobras, também foi subornado? Agora negam depois de tê-lo afirmado. Mas que a regra é essa, é essa. Seria só a continuação do troca-troca dos ministérios “faxinados” da Mentira Dilma: um achincalhe à inteligência do brasileiro informado e um acinte à condição do brasileiro miserável. Ladrões têm sido sistematicamente trocados por ladrões sempre segundo o loteamento previamente acertado pelo cappo di tutti i cappi e os cappi de cada sócio do Superclube da Governabilidade do qual o Clube das Empreiteiras é só uma filial mais pobre, o que constitui prova do que todo mundo já sabe: que os verdadeiros ladravazes e seus privilegiados comensais não são os que estão operando diretamente o roubo a cada momento dado mas sim os chefes que os colocam lá e, mais que todos, o chefe desses chefes que é o único em posição de determinar que máfia fica com qual território privativo de saque e de manter esses acertos em vigor mesmo diante das baixas infligidas por flagrantes delitos ao longo do caminho.

No entanto, só esses agentes diretos do terceiro escalão para baixo são punidos, quando alguém chega a ser punido. Foi essa a grande novidade do caso do Mensalão que pôs a militância petista em pé de guerra, ferida em sua inimputabilidade adquirida, e que, hoje sabemos, movimentou “dinheiro de pinga” perto do “Arrastão na Petrobras”.  José Dirceu, o segundo da fila na cadeia de responsabilidades por aquele, só tem mais 7 anos e 11 meses de “prisão” para cumprir … em casa; Marcos Valério, o Alberto Youssef/Paulo Roberto Costa de então, ainda tem 37 anos e cinco meses para “puxar” numa cela de presídio.

Este é o padrão.

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Ontem a oposição comemorou uma grande vitória na CPI Mista do Congresso: a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de João Vaccari Neto, Tesoureiro Nacional do PT e o mais alto “operador” do “Arrastão da Petrobras“. É pouco mais que uma vitória moral posto que não haverá tempo para ir muito mais longe nesta legislatura, mesmo com a promessa de covocar uma nova CPI na próxima, o que será mais uma longa batalha com as festas de fim de ano e a nomeação de 39 “ministros”  pelo meio do caminho para esfriar os ânimos.

João Vaccari Neto é um arquétipo do PT Que Sobrou. Sua carreira começa aos 19 anos, como escriturário do Banespa mas dois anos depois ele já está dentro do sindicato da categoria onde passa a vida a fazer a escola do “agarre-se a qualquer custo ao seu imposto sindical” a que Getúlio Vargas condenou o Brasil. Participou de tres diretorias da CUT, presidiu o Dieese, foi desde cedo o “braço direito” de Luis Berzoini, a quem sucedeu na chefia do Sindicato dos Bancários de São Paulo em 1998.

Em 2010, após anos de investigações, o Ministério Publico de São Paulo quebra o sigilo da Bancoop, a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo que, atraindo os mais pobres da categoria com a promessa de financiar-lhes apartamentos 40% mais baratos que os preços de mercado, lesa milhares deles, levando-os à ruina. Os apartamentos nunca foram construídos e, ao fim de anos de prestações, os bancários passaram a ser cobrados por novas mensalidades não previstas nos contratos, sob pena de perder as que ja tinham pago. E mesmo assim os tais “apartamentos” nunca saíram do chão.

O que as transações bancárias da Bancoop abertas pelo MP paulista revelaram foi que entre 2001 e 2008 dezenas de milhões de reais de gente em tudo semelhante àquela a quem Dilma dirigiu seu canto de sereia nesta eleição foram desviados pelos diretores da Bancoop, Vaccari Neto no comando, para irrigar as campanhas do PT – inculsive a presidencial de Lula em 2002 – e enriquecer “ONGs” pertencentes a petistas, as de Vaccari Neto entre elas.

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Nas investigações do Mensalão lá está ele de novo, fazendo a ponte entre o Caixa 2 do PT e os fundos de pensões das estatais. Em outubro de 2010 Vaccari Neto torna-se réu por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro no processo da Bancoop que corre até hoje no STF. Em agosto de 2011 o STJ manda quebrar pela primeira vez o seu sigilo bancário. Em março de 2012, por unanimidade, a 10º Camara de Direito Privado do TJ-SP, citando Vaccari Neto e Berzonini nominalmente, decreta a desconsideração da personalidade jurídica da Bancoop, o que abre caminho para cobrar do PT o ressarcimento pelos prejuizos às mais de 400 famílias de bancários que ainda processam a entidade. Em fevereiro de 2013, após dois anos de tentativas inuteis de intimá-lo pessoalmente, a Justiça de São Paulo manda citar Vaccari Neto por edital e à revelia, ao que responde com escárnio o advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da OAB e seu defensor.

No meio do caminho (2006) Vaccari Neto aparece entre os protagonistas do escândalo do dossiê falso montado contra José Serra pelos agentes da campanha de Aloisio Mercadante para o governo de São Paulo, junto com Berzoini e o guarda-costas pessoal de Lula, Freud “Aloprado” Godoy.

E o que faz, diante de tudo isso, o insigne presidente de honra do PT e ex-presidente da República que agora aconselha Dilma sobre como acalmar o Brasil e lidar com o escândalo da Petrobras?

Indica-o pessoalmente não só para tomar conta das contas nacionais do PT como, também, do caixa das duas campanhas presidenciais de Dilma “Faxineira” Rousseff…

O Brasil está, por enquanto, de queixo caído com as revelações diárias sobre as peripécias dos agentes do terceiro e quarto escalões do “Arrastão da Petrobras“. Mas nenhuma palavra foi dita ainda sobre os que os puseram em posição de roubar e mantiveram escancaradas as portas dos cofres para que se servissem dos valores cujos números ate agora divulgados não passam de comissões sobre o que realmente foi surrupiado.

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O que estamos assistindo, portanto, é a mais um embate entre o Brasil que ainda tem jeito e aquele que está decidido a exterminá-lo. O juiz Sérgio Moro, os agentes do Ministério Público e da Polícia Federal que apoiam essa investigação e até Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef com seu reiterado cuidado em deixar claro sempre que surge uma opostunidade que toda estatal é uma Petrobras e que em todas elas, ainda que carreira pese alguma coisa, é norma institucionalizada que ninguém se aproxima de portas de cofres sem a devida “indicação política” dos diretores do Superclube da Governabilidade que é feita por todos os motivos menos o de fechar essas portas, sabem que este é um duelo de que só um dos lados sairá vivo.

Do outro lado está a gente que não se peja de nomear réus e condenados para deitar e rolar sobre os mais grossos dinheiros públicos, secundada por magistrados do calibre destes do Supremo Tribunal Federal que, na mesma tarde em que a CPI Mista conseguia quebrar pela segunda vez os sigilos bancário, fiscal e telefônico de João Vaccari Neto, reiterava a proibição do acesso dos representantes eleitos de todos os brasileiros à integra do depoimento dos réus que fizeram acordos de delação premiada na investigação do “Arrastão da Petrobras“.

Mau presságio!

O país anda à beira de um ataque de nervos e só o que poderá restabelecer a paz é uma vitória da Justiça sem aspas. Se ela for mais uma vez derrotada, todos estarão livres para fazer a sua própria e então nada nos salvará de uma conflagração aberta.

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O que Cuba, Angola e o PT escondem atrás desses bilhões?

4 de junho de 2013 § 1 comentário

Vídeo sugerido por Varlice

“Programa de índio”

31 de agosto de 2012 § 5 Comentários

Você é você e a sua circunstância. A sua história, o cenário onde ela se deu, a sua cultura.

Você é esse todo e se lhe arrancarem qualquer parte dele é você que estará sendo mutilado. Tanto quanto se lhe arrancassem um pedaço do corpo.

E ser humano nenhum se deixa despedaçar em silêncio e sem luta.

A natureza conservada é, por excelência, o locus da ausência do bem e do mal. Nela as coisa se dão ou deixam de se dar porque assim é. E essa é a lição mais importante que ela tem para nos ensinar.

Já no Brasil a coisa é bem mais “sofisticada”. Aqui, o que sobra de natureza conservada é, para a maioria de nós, uma coleção de imagens de televisão sublinhada pelas judiciosas considerações de algum “especialista” sobre as suas preferências pessoais em torno das ideias do bem e do mal.

Ninguém viveu lá. Ninguém nunca foi lá. Nenhum pedaço da sua vida, da sua história, da história de alguém que você conheça se deu lá.

Aquilo não faz parte das suas memórias nem das memórias das suas memórias.

Não faz parte da sua cultura. Não é seu.

Conforme o peixe que lhe tenha sido vendido na escola, na TV, nas fontes costumeiras de pensamentos “politicamente aceitáveis”, você – no vai da valsa ou até com paixão pela ideia – repete que é preciso “preservar o verde”, os bichinhos que você nunca viu, os matos que você nunca cheirou.

O seu “Avatar” particular, enfim, tão irreal e impalpável quanto o de James Cameron. Uma mera coleção de vagas palavras, ideias e imagens.

Quem, no Brasil, jamais pôs os pés na Flona (de “Floresta Nacional”) do Jamanxin? Ou pisou as Florestas Nacionais de Itaituba 1 e 2?

Quem, desta nossa massa de urbanóides, jamais ouviu falar que elas existem?

Algum amigo seu que, na adolescência, tenha ido acampar por lá com a primeira namorada? Que tenha passado uns dias de comer e beber o que elas têm para oferecer? Que, quase criança ainda, tenha feito ali a primeira caçada da vida na companhia do avô? Que tenha fisgado num dos rios que as cortam o seu primeiro peixe e nunca mais deixado de voltar a esse santuário das suas memórias? Que, tendo-o amado tanto e, mais tarde, ficado rico, tivesse doado sua fortuna para estender a outros o privilégio de também poder plantar as suas em cenários assim?

Nada!

Nos nossos “parques nacionais” é proibida a entrada. Ninguém conhece. Ninguém nunca foi. São ficções que só existem em discursos autoritários e em imagens da televisão.

A função do governo, aqui, é esvaziá-los de brasileiros e vedar-lhes a entrada neles.

Agora pergunte se existe algum americano de mais de cinco anos de idade que nunca tenha posto os pés no Parque Nacional de Yellowstone ou nas Florestas Nacionais de Sequóias da Califórnia onde cada árvore tem um nome de gente como nas confrarias de velhos conhecidos. Que nunca tenha acampado num deles, ainda que fosse só com os colegas de escola porque frequentar fisicamente a natureza, palpá-la com as mãos e o nariz, aprender a viver nela e dela é matéria tão obrigatória quanto inglês e matemática.

Pergunte a um europeu de qualquer quadrante se ele não conhece, não comeu e não dormiu todas as suas montanhas, todas as suas árvores, todos os seus frutos, todos os seus animais selvagens.

A função do governo, em cada um desses países, é levar todo cidadão para dentro dos parques; garantir os meios para que cada um deles possa usa-los.

“Educação ambiental” é isso: frequentar a natureza.

Nós falamos de natureza para pontilhar discursos sobre o bem e o mal.

Eles tratam de vivê-la.

Por isso eles reagem às eventuais ameaças contra esses pedaços do que são como quem defende um membro ou um órgão vital do próprio corpo.

Por isso nós abrimos mão dos nossos com a mesma emoção passageira de quem vê um filme de final infeliz e os deixamos ir com a mesma facilidade de quem muda de canal.

Esta semana li no Estadão mais um daqueles relatórios sobre o curso inexorável da devastação do Brasil.

Dezessete áreas protegidas estão dentro da zona de influência de projetos hidrelétricos e outros de natureza “estratégica” do PAC, filho da Dilma. Aproveitando o cheirinho de sangue no ar, os tribunais fervem de novas ações tentando arrancar mais um pedaço de alguma área indígena ou floresta nacional reservadas. Só por conta disso, mais 33 mil km2 do Brasil de sempre estão sob ameaças diretas…

E, veja bem, os nossos Yellowstones, as nossas florestas de sequóias ha muito já se foram. No país sem daniel boones; no país onde o escravo – índio ou negro – é que caçava para o branco ou empurrava o mato “ameaçador” sempre um pouco mais para longe, as araucárias, os ipês, os jequitibás de mil anos não são mais que lenha.

Programa de índio“.

É nesta terra de ninguém que afundam-se para sempre as Sete Quedas da vida sem que se ouça um único suspiro mais prolongado.

O que sobra em pé por aqui é aquilo que ninguém quis. O que até então ainda não se podia derrubar e por isso foi dado aos índios. Mas agora, com as novas estradas, a mineração, a tecnologia agrícola, as mega-hidrelétricas (dinossauros a quem a corrupção prolonga a vida), tudo pode seguir, como sempre, virando dinheiro fácil.

Venho de umas férias na amazônia boliviana.

Na Bolívia, como se sabe, é índio que sabe o que é bom pra índio. E, sendo assim, eles resolveram abrir a sua maior reserva preservada – aquela onde moram e de que vivem desde que o mundo é mundo – à exploração de pesca esportiva vendida e controlada por eles próprios, dentro dos padrões praticados em países que vêm sustentando assim as suas reservas naturais e o cenário dos idílios dos seus habitantes por séculos a fio.

Além do que de semelhante se oferece nesse programa ao que há de parecido com ele ao redor do mundo, está a oportunidade tão valiosa quanto é rara de observar o jeito como o indígena lida com esses ambientes com todas as valiosas lições que isso encerra a respeito do que somos, de onde viemos e para onde vamos, e a chance de se viver a experiência de darem-se culturas a conhecer dando saltos no tempo, incorporando uma da outra o que cada uma tem de mais aproveitável.

É tão bom que tem anos de fila na porta, apesar do caro que é!

No Brasil, onde quem sabe o que é bom pra índio é “especialista”, dir-se-á que tudo isso é politicamente incorreto; que tais praticas “contaminarão a pureza da cultura indígena”; que os ianques estão é de olho no que é nosso; que como “os outros” não sabem usar a natureza o jeito é proibir que o façam e blá, blá, blá…

Frequentar e usar a natureza no Brasil é contra a lei. Torna-se, assim, um privilégio só de quem vive de pisoteá-la (à lei). Aqui, em meio à aguda escassez planetária de florestas em pé, a natureza só tem valor econômico deitada.

Está condenada à morte.

Nós temos muito que aprender. Até com a Bolívia…

Quem se deixa roubar merece…

16 de junho de 2012 § 4 Comentários

Filme enviado por Cecilia Thompson

Não é tudo a mesma merda – 2

10 de maio de 2012 § Deixe um comentário

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Em tempo de empreiteira Delta — embora seu pecado seja, infelizmente, comum no meio no qual atua —, vale recordar a Stanley Engenharia, uma das maiores no segmento de manutenção de fachadas prediais do Rio, que completou 31 anos na semana passada. A empresa põe em suas obras, como é o caso desta, uma placa com os dizeres:

A Stanley não dá propina! Se quiser, por favor, não ligue”.

Ricardo Barbosa, que toca o negócio com o irmão Stanley, diz: “Preferimos perder uma obra a participar de qualquer atitude desonesta”. Os irmãos Barbosa vibraram com as denúncias de licitações fraudulentas em hospitais, e agora torcem pelo julgamento do Mensalão, porque “os Três Poderes têm de dar exemplo”.

A Stanley já faz sua parte.

Texto e foto enviados por Carlo Gancia

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