Uma sugestão para José Serra
11 de setembro de 2012 § Deixe um comentário
Entre Haddad e Russomano o acerto é com deus (o da terra ou o do céu), sempre com a mediação do grande sacerdote de ambos, o reverendíssimo Paulo Salim Maluf.
Melhor não se meter.
Mas para o Serra a sugestão vale.
Lula parece que não estava chegando e a Dilma agora entrou na campanha com a conversa de que “Juntos (Haddad e ela) podemos consolidar projetos fundamentais do governo federal como o Proinfância construindo muitas creches“.
Ora, se alguém ainda duvidava que direito autoral não vale mais nada, está aí a defecção da ministra Ana de Holanda, que defendia que se pague a quem produz arte ou vive de escrever do mesmo modo e pela mesma razão porque se paga a quem produz coisas e por isso foi atirada para fora do governo do PT em favor de Marta Suplicy que de cultura entende tanto quanto eu de botox e vestidos cor-de-rosa.
Assim como Lula roubou a estabilização da economia e, dizem eles, até o Bolsa Família do PSDB, porque Serra não rouba do Haddad esse Proinfância?
Digo, com o nome e tudo já que construir creches não é propriamente produto exclusivo do tirocínio criativo dos candidatos petistas às prefeituras “deste país“.
Se fosse ele eu o faria assumida e cerimonialmente.
Gravaria um programa inteiro para anunciar que “estou assumindo o programa petista de construção de creches e espero do governo da União o mesmo compromisso de executá-lo ou financiar a sua execução numa São Paulo peesedebista ou, em caso contrário, ofereço o meu próximo horário eleitoral para que a presidenta Dilma explique aos paulistanos como se vingará nas criancinhas da cidade se seus pais não votarem no candidato dela“.
Ficaria por considerar a conveniência de lembrar ou não, neste mesmo programa, quanto o governo federal arranca e quanto devolve para São Paulo. Mas desde já tenho certeza de que, ainda que tal estratagema não bastasse para virar o jogo, teria um grande efeito educativo para o eleitorado brasileiro.
233 centésimos de segundo, ou, Confira o quanto você é otário
20 de julho de 2012 § Deixe um comentário
Por traz de todos os mensalões, de todas as construtoras deltas, de todos os fernandos cavendishes, marcos valérios e carlinhos cachoeiras, além do Zé Dirceu da hora e dos caciques que, rebolantes, rodam as suas bolsinhas em volta dele nas vésperas de eleições, está a verdadeira moeda nacional, por cuja cotação todas as outras se baseiam, que é o minuto de televisão no “horário eleitoral gratuito“.
É o acumulo de minutos de exposição na televisão que vai decidir, neste país onde 38% dos universitários não conseguem ler e entender uma frase que exceda o limite do elementar escrita em português, segundo medição publicada esta semana, quem vai conquistar, na próxima eleição, o direito vitalício de ignorar toda e qualquer lei daí por diante e de vir ao nosso lombo sem pedir licença pelos próximos quatro anos para se locupletar das moedas de menor valor, como o real que você e eu usamos, necessárias para comprar mais e mais minutos de televisão daí por diante, a cada nova eleição.
Para entrar nesse jogo não é necessário cacife inicial nenhum. Basta estômago.
Primeiro, forma-se um partido político. É facílimo. Junte 101 “correligionários” com domicílio eleitoral em, no mínimo, 9 estados (Brasília vale). Onze gatos pingados em cada estado bastam. Escolha nome e escreva um “programa” e um “estatuto”. Não precisa ser em bom português nem ter significado algum. Eleja-se, você mesmo, presidente da agremiação.
Consiga assinaturas de “apoiamento” de 1/1000 do numero de eleitores que votaram na última eleição em 9 estados. Não precisam ser os mesmos dos “fundadores”. Esse numero pode variar de 199 num estado como Roraima a 2.680 num estado como São Paulo (veja a regra e a tabela completa aqui).
Se você for um sujeito de senso prático como se requer dos políticos brasileiros, vá logo pelos 9 estados de menor eleitorado. Isso reduzirá o total de assinaturas requeridas a 7.641, considerada a última eleição.
Registre tudo no cartório.
Pronto! Você está no jogo!
Só por entrar nele, mesmo que seu partido não eleja ninguém – ainda que não angarie um único voto – a nova sigla fará jus ao cacife inicial de 20”68 (20 segundos e 68 centésimos ou 2068 centésimos de segundo) na próxima eleição para mostrar na TV a sua cara ou a de quem você indicar entre os seus “correligionários”, por conta dos próprios trouxas a quem você irá pedir votos.
E isso ninguém te tira mais!
Para a eleição deste ano a regra (aqui) diz:
“A propaganda eleitoral em redes de rádio e televisão será veiculada no período de 21 de agosto a 4 de outubro em dois períodos diários de 30 minutos cada, exceto aos domingos, sendo:
I) as segundas, quartas e sextas para a eleição de prefeito e vice-prefeito;
II) às terças, quintas e sábados para a eleição de vereador (…) ao longo da programação das emissoras entre as 8 e as 24 horas“.
A distribuição do tempo é assim:
“a) um terço do tempo é dividido igualitariamente entre os partidos e coligações que tenham candidato e representação na Câmara dos Deputados“;
“b) dois terços proporcionalmente ao numero de representantes na Câmara dos Deputados, considerado, no caso de coligação, o resultado da soma do numero de representantes de todos os partidos políticos que a integram“.
Este vago e inocente “e representação” é por onde entram os kassabs da vida comprando candidatos eleitos de segunda mão em permanente liquidação nos demais partidos nesta nossa fantástica democracia onde deter representação política é fato que prescinde da anuência ou sequer da existência de representados.
Mas vamos ao que interessa, que é como se estabelece o preço do michê.
Até o momento em que se contavam 29 partidos concorrendo à próxima eleição, o terço do tempo total dividido por esse número resultava, como já vimos, em 20″68 para cada um.
Os dois terços restantes são então, finalmente, atribuídos a cada representante alguma vez eleito, independentemente dele estar ou não traindo o seu representado. Na atual legislatura, essa propriedade pessoal e inalienável deles, passível de ser vendida a qualquer partido ou candidato majoritário, monta a 2”33 ou, em letra corrente, 2 segundos e 33 centésimos ou 233 centésimos de segundo.
Dessa regra do jogo decorre que as nossas “prévias eleitorais” não têm prazo para começar e rolam dentro dos novos e dos velhos partidos instantâneos que brotam do chão feito cogumelos graças à fórmula já descrita lá em cima, com o caciquezinho de cada um deles ouvindo as ofertas dos patriotas que tentam seduzi-los a lhes conceder uma migalha daqueles 2068 centésimos de segundo do cacife inicial escolhendo-os como os candidatos da agremiação a mostrar a cara na TV na propaganda eleitoral “gratuita” das terças, quintas e sábados (veja, ao vivo, como se fabrica um candidato a vereador aqui).
Já o primeiro turno que realmente interessa diz respeito à disputa entre os partidos pelos proprietários individuais desses cacifes de 233 centésimos de segundos já alguma vez eleitos. Aquilo que nós, otários, conhecemos como “o troca-troca” de deputados entre partidos.
O segundo turno que realmente conta dá-se na disputa entre os candidatos às eleições majoritárias dos dois partidos com alguma chance de vencer pelas 27 agremiações restantes resultantes desse “troca-troca“, para a formação das “coligações” que lhes garantirão o maior tempo de exposição nas aparições das segundas, quartas e sextas.
De modo que quando nós, os otários, somos chamados a nos manifestar o jogo já está feito, cabendo-nos definir apenas e tão somente a quem caberá o papel de “mandante” ou o de “pau mandado” na hora de executar tudo que foi previamente contratado.
A cada passo, a soma de minutos vendida vai sendo trocada por postos privilegiados de tocaia para assaltar os grandes dutos de dinheiro dos impostos que pagamos para o provimento de saúde e segurança públicas, saneamento, infraestrutura e educação do governo a ser formado, que é por onde correrá o dinheiro grosso que deveria mover as engrenagens da economia e servir à causa da emancipação da sociedade brasileira.
Compram poder semeando miséria porque só o desespero e a ignorância, especialmente a desses universitários semi-alfabetizados que fecham os olhos à regra viciada mas compram o discurso ideológico atras do qual se escondem os participantes do jogo obrigatoriamente sujo que ela produz, podem manter um povo cego a esquema tão primário.
As regras e o numero de deputados e minutos de cada partido aqui.
Ilustração enviada por Cecília Thompson
A hora e a vez de uma São Paulo isolada
24 de junho de 2012 § 3 Comentários
Acompanhei cá do Norte o intercurso carnal de Luis Ignácio Lula da Silva com Paulo Salim Maluf, que veio na sequência das esfregações públicas de mucosas entre ele e Fernando Collor de Mello que, por sua vez, seguiram-se aos intercâmbios de fluidos do corpo havidos, pouco antes, entre sua excelência e José de Ribamar Sarney.
Entre umas e outras dessas relaxações, enfiaram-se no budoir presidencial profissionais calejadas do jaez de Jader Barbalho, Severino Cavalcanti e, entre outros, até o neto do homem que apontou o “cabra marcado para morrer”.
Traição com traição se paga.
O filhote de coronel que o antigo paladino da ética na política da esquerda brasileira fez ministro, depois de servir na bandeja as cabeças dos aliados de toda uma vida da sua Paraiba natal, abriu para Lula e o seu “poste” paulistano, as portas do serralho da rua Costa Rica, onde, em meio ao luxo de que a Interpol anda à caça, a imprensa fotografou, na última terça-feira, a cena de sexo explícito que, por alguns breves momentos, fez um leve rubor subir às faces encanecidas de Luiza Erundina.
A todas essas carnes Lula conheceu; de todas essas carnes Lula fez-se conhecer. Mas nenhumas se têm merecido tanto quanto as dele e as de Paulo Maluf.

Não entendo o esforço para mostrar indignação e surpresa dos comentários que tenho lido.
Lula e Maluf nasceram um para o outro. São almas gêmeas. E se isso soou como heresia, um dia, esse dia já vai longe demais para que alguém ainda pudesse deixar de prever como necessária e iminente a consumação de mais essa performance do nosso super atleta da pornografia política depois de toda a sequência das que a antecederam.
Luis Ignácio Lula da Silva e Paulo Salim Maluf são irmãos na fé inquebrantável que comungam no poder inexorável da corrupção. Na sua certeza comum de que tudo é podre como eles sentem as próprias almas, bastando, para comprová-lo, que o alvo esteja no raio de alcance do tiro.
Um empurra a vítima para perto do dinheiro. O outro empurra o dinheiro para perto da vítima. Mas o que os faz irmãos é a certeza de que, encurtada suficientemente a distância, todos, sem exceção, completarão com as próprias mãos ávidas o gesto final.
Nada mais natural e previsível, portanto, que entre mais um banho de lama e 95 segundos extras para mentir pela gorja na televisão Lula tenha feito apenas a conta de chegar que lhe pareceu mais positiva.
Tudo isso aumenta a nossa responsabilidade. Aproxima-se a hora e a vez desta solitária São Paulo que tem rejeitado a ambos pela mesmíssima razão. É ela quem vai dizer se existe esperança ao Sul do Equador, ou se tudo que resta a fazer “en nuestra América”, como dizia um desacorçoado Simon Bolivar no seu leito de morte, “es emigrar”.












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