Embalos de sábado à noite
11 de março de 2013 § 3 Comentários
Chegando de uma festa de casamento na madrugada de sábado, peguei o finalzinho do “Altas Horas” da Globo, a tempo de ver o senador Suplicy e aqueles dois filhos dele que andam fantasiados mesmo quando não há baile de máscaras executando, mais uma vez, “Father and Son”, a balada clássica de Cat Stevens.
O velho senador e sua família sempre provocam-me pensamentos ambíguos.
Em dias de fel, eles me irritam. Mas é impossível não simpatizar com aquela honestidade radical de que ele deu provas, mais uma vez, durante a passagem de Yoani Sanchez pelo Brasil. E os filhos, apesar de tudo, também são transparente e inequivocamente “gente boa”.
Também é impossível, entretanto, não sentir o estranhamento entre aquele grau de tão cândida ingenuidade e o currículo que se exige de alguém que queira chegar ao Senado da República nos dias que correm, especialmente pelo partido que assume, explicitamente, o cinismo como norma de ação.
E, de repente, toda aquela bizarrice faz sentido, numa espécie de iluminação à Tiririca.
Ser honesto na política brasileira, só pirando. Tem de sublimar porque à sério é impossível. Não te deixam. Você se torna uma ameaça.
E, no entanto, lá vai ele, incólume, alheio aos fatos, falando sozinho, pra provar que “o sonho não acabou“.
O PT se foi, como Martha, e ele ficou. Eduardo Suplicy é a denuncia viva de tudo que o PT abriu mão de ser.




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