Bye, bye democracia

29 de outubro de 2013 § 2 Comments

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Minha amiga Katia Zero, de quem pode-se dizer que é um exemplo típico do novaiorquino por adoção daqueles que se apaixonaram não apenas pelo que a cidade entrega aos olhos e ao coração mas principalmente por tudo quanto ela tem a dizer a quem vem de terras onde o poder tem outro tipo de fundamento e sonha com liberdade, envia-me a matéria Sombras sobre o Central Park (aqui) que saiu hoje no New York Times.

Jornalista experimentada, ela me brinda quase todos os dias com o que se publica de interessante por lá e tem um olho especial para “sinais dos tempos”.

E este é sem dúvida um deles…

Conta a peça de Warren St. John que, fazendo 26 anos este mês, um grupo de novaiorquinos mobilizados em torno de um chamado de Jacqueline Kennedy Onassis obteve uma vitória memorável sobre um desses tubarões do mercado imobiliário que vivem caçando oportunidades de enriquecer às custas da deterioração da qualidade de vida dos outros em todos os ajuntamentos humanos do planeta.

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Mortimer B. Zukerman tinha conseguido uma licença para construir duas torres – de 58 e de 68 andares – no Columbus Circle, à beira do Central Park, que projetaria sua sombra durante grande parte do dia sobre hectares inteiros daquela área pública prejudicando o lazer das 38 milhões de pessoas que o frequentam anualmente (números de hoje).

Um processo foi aberto na Justiça e a mobilização dos novaiorqunios culminou com uma passeata em que 800 pessoas portando guarda-chuvas negros se postaram na área que seria afetada para ilustrar de forma bem visual a exata medida do efeito “sombrio” que teria a construção.

Ao fim e ao cabo mr. Zukerman não teve alternativa senão refazer seu projeto para as proporções mais democráticas do que hoje é conhecido como o Time Warner Center.

Passado um quarto de século, com leis de urbanismo bem mais lassas, o mundo inundado de capitais baratos e a emergência de uma elite globalizada com milhões de pessoas em condições de gastar muito dinheiro para estabelecer um pied-à-terre na Big Apple, um monstrengo bem mais ameaçador está prestes a começar a ser erguido na borda Sul do parque, exatamente entre ele e o sol que torna os dias de inverno menos insuportáveis naquela latitude.

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O Billionaire’s Row – vejam só o nome! – compõe-se de sete torres que formarão um paredão de 470 metros de altura que, justamente durante os meses mais frios do ano, projetarão uma sombra que vai variar de duas até 4,2 vezes a altura dos edifícios sobre uma grande área do parque entre o meio do dia e o pôr do sol.

Coisa de mais de um quilômetro e meio!

Já há um precedente, aliás. A torre Extell’s One57, cujo apartamento de cobertura foi vendido no início deste ano por 90 milhões de dólares, projeta sua sombra durante todo o inverno, justamente quando um pouquinho a mais de sol faz a diferença entre as crianças poderem ou não brincar na rua, sobre o Playground Heckscher, o maior que existe no parque.

E no entanto, não ha qualquer reação do público que sequer faça lembrar a de 26 anos atrás. “Quase não tem havido discussões sobre o novo projeto, e menos ainda qualquer oposição visível a ele”, registra St. John. “Nova York não é mais a mesma; perdeu várias das organizações que se dedicavam a protegê-la. A Municipal Art Society, que liderou o movimento contra os prédios de mr. Zuckerman, hoje é uma entidade domesticada que conta até com especuladores imobiliários em seu board de diretores. A Landmarks Preservation Comission (protetora do patrimônio histórico e arquitetônico da cidade) aprovou os planos das torres sem sequer levantar a questão da sombra sobre o parque; exigiu apenas alguns reparos no visual da fachada. A Associação de Protetores do Central Park também se omitiu, alegando que só lhe dizem respeito construções dentro dos limites do parque. Também não existem mais novaiorquinos com o poder de liderança de uma Jacqueline Onassis, de modo que a cidade terá de se mobilizar espontaneamente se quiser evitar o pior para o espaço que Frederick Law Olmsted, em tempos melhores, criou como ‘uma forma democrática de desenvolvimento urbano da mais alta significação’”…

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Não sou otimista.

Torço para estar errado mas os sinais não são promissores. Nova York é também o palco no qual foi travada a histórica batalha entre o povo dos Estados Unidos, os “robber barons” e os primeiros super-capitalistas que, mesmo dentro da lei e por mérito próprio, cresceram a ponto de invadir o espaço e pisotear os direitos alheios em nome da busca da eficiência e do lucro, da qual resultou a legislação antitruste que marca o ponto mais alto da trajetória da democracia na Terra.

A pouco mais de um século de distância já parece um sonho distante aquele momento em que a primeira e única revolução feita por homens para estabelecer que, ao contrário da velha Europa, não se admitiria, ali, nenhum poder e nenhuma riqueza que não fosse decorrência do esforço individual e do mérito, constatou que até para ele tinha de haver um limite ou o tão sonhado remédio contra a praga multimilenar do privilégio acabaria por matar o paciente.

Foi uma longa luta do povo armado pela imprensa que acabou por impor aos políticos, mediante a adoção de ferramentas de democracia direta como as leis de iniciativa popular e o recall, a consolidação da fórmula que separou radicalmente e opôs um ao outro o poder político e o poder econômico em nome da liberdade que só a preservação da concorrência em benefício dos interesses dos consumidores podem garantir.

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Foi essa fórmula, que não estava desenhada com as feições que tomou naquele momento na Constituição americana, ao contrário do que se costuma pensar, que transformou aquela sociedade na mais próspera e mais livre que já passeou por este planeta.

Hoje, encurralado pelos monopólios do capitalismo de Estado chinês, o mesmo povo que enquadrou os Rockefellers e os J. P. Morgans da vida determinando que enfiassem onde quisessem os seus bilhões, menos nos “deles”, venera como heróis os Jeff Bezos, os Googles’s e os Goldman Sachs da vida que tudo afogam em dinheiro, que esmagam, açambarcam e submetem pelo dumping, que atrelam a resgates compulsórios e a temporadas sem fim de quantitative easing o cada vez mais impotente governo do povo, pelo povo e para o povo.

E não é só medo que ha aí. Embora seja ele que paira sempre lá no fundo da cena em função da diluição que a competição sem fronteiras com a massa dos miseráveis sem nenhum direito que a globalização atirou no caldeirão do capitalismo democrático está provocando, já ha sinais de uma cultura – uma cultura doente mas uma cultura – nesse culto da vitória a qualquer preço e no apedrejamento sem sinais de culpa da multidão de “loosers” que ela fabrica, até e principalmente pelos próprios “loosers”.

A marcha para trás da democracia começou nos meados dos anos 70 pela destruição do capítulo da legislação antitruste que disciplinava o universo da imprensa e da mídia. Um tiro preciso na consciência da Nação que foi calando voz após voz, acabando com a dissonância, esmagando as minorias, unificando os discursos, consolidando a ditadura do “politicamente correto” na era da comunicação total e instantânea.

Agora…

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O padrão chinês e a cegueira ocidental

8 de dezembro de 2011 § 1 Comment

Resumo dois casos publicados na imprensa brasileira e norte-americana esta semana:

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Diante do crescimento de 60% nas importações de tecidos e confecções chinesas somente no ano que passou, a Associação Brasileira da Industria Têxtil, junto com entidades similares dos Estados Unidos e do México, encomendou pesquisa sobre os subsídios do governo chinês a esse setor.

Encontraram 27 formas diferentes de subsídio que vão de reduções de impostos a empréstimos a fundo perdido de bancos do governo. Esses planos de subsídios que antes eram quinquenais agora duram 12 anos.

O Departamento de Defesa Comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior tem 30 analistas para avaliar pedidos de investigação antidumping de todo o país. O equivalente norte-americano tem mais de 3 mil.

Resultado: o Brasil que em 2005 era exportador nesse setor com superávit de US$ 703 milhões, passou a ser importador com déficit, apenas até outubro deste ano, de US$ 4 bilhões. Em consequência, a produção caiu 16%, o parque industrial está cheio de ociosidade e os investimentos do setor que, em 2010, foram de US$ 2 bilhões, sendo 40% em São Paulo, este ano estão estagnados.

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A Cathay Industrial Biotech é uma companhia privada chinesa fundada em 1997 por Liu Xiucai, 54, um dos jovens estudantes que o governo chinês mandou para os Estados Unidos no começo do processo de abertura de Deng Xioping, para tirar o atraso científico e tecnológico em que quase meio século de comunismo tinha mergulhado o país.

Foi um bom investimento.

Ha alguns anos a Cathay desenvolveu uma tecnologia em que bactérias fermentando hidrocarbonetos em escala industrial produziam um polímero altamente avançado que era usado na fabricação de lubrificantes, drogas contra diabetes e nylons especiais.

A Dupont se tornou sua maior cliente; a Cathay dominou o mercado mundial desse produto; o Goldman Sachs reuniu investidores que aplicaram US$ 120 milhões na empresa e ela estava se preparando para um IPO que deveria ter ocorrido no início deste ano.

Mas foi tudo por água abaixo.

Como é quase praxe hoje em dia na China, um de seus empregados mais graduados roubou a fórmula da Cathay e, com apoio da Academia de Ciências e do Partido Comunista Chinês, abriu uma empresa concorrente, a Hilead Biotech, que entrou no mercado com produto idêntico ao da Cathay vendido a preço menor que o custo. Para “nascer”, a Hilead recebeu um empréstimo subsidiado de US$ 300 milhões do Banco de Desenvolvimento da China depois que o secretário do partido na província de Shandong, um dos homens mais fortes do Politburo, deu o seu aval pessoal à companhia.

A Cathay processou a Hilead por roubo de patente, mas a Hilead contra processou a Cathay afirmando que foi ela quem roubou aquela patente da Academia de Ciências da China para quem Liu trabalhara no início dos anos 90 logo depois de se formar nos EUA, desenvolvendo fórmulas de remédios fabricados no Ocidente com patente vencida para melhorar a condição média de saúde na China.

A usurpação de empresas privadas de sucesso pelo Estado chinês, nestes tempos em que o PCC teme cada dia mais ser desafiado em seu poder por empresários poderosos, se tornou tão comum que já existe um neologismo para designá-la – “guojin mintui“, que pode ser livremente traduzido como “enquanto o Estado avança o setor privado recua“.

E se eles tratam assim as patentes nacionais, imagine as estrangeiras. (A matéria é do NYTimes e pode ser lida ).

Conclusão

Quando se cansar de festejar “a crise e as contradições internas do capitalismo” e a “decadência do império americano” o mundo poderá começar a agir contra a real fonte dos seus problemas que é a entrada em cena de um jogador desonesto que trata reivindicações trabalhistas a bala e rouba o trabalho alheio sem a menor cerimônia, enquanto empurra, com seus monopólios estatais, o resto da economia mundial de volta ao passado feudal dos monopólios dos amigos do rei, de um lado, e a massa dos súditos sem direito a nada do outro.

Dentro dos próprios Estados Unidos, a mesma coisa. Quando eles se cansarem de se acusar mutuamente pelo problema de que todos são vítimas naquele ridículo jargão “Brasil anos 70” que tomou conta da imprensa local e começarem a se defender do jogador que bagunçou a economia mundial cometendo todo tipo de falta impunemente, poderão voltar à velha e boa fórmula do Estado moderador do poder econômico que eles próprios inventaram e ninguém ainda superou. Aquele Estado armado da poderosa ferramenta antitruste sob a qual ninguém, nem mesmo em função de mérito, podia ficar grande o suficiente para se tornar uma ameaça, ferramenta esta que teve de ser guardada no fundo de uma gaveta quando a China inundou o mundo dos trabalhadores com direitos de produtos roubados feitos pela sua multidão de semiescravos.

Até lá, teremos de esperar pacientemente que se esgote o falso debate pontuado pelos arroubos retóricos e pela vontade de brilhar de jornalistas e “especialistas” que não enxergam um palmo adiante do nariz, dos quais se servem alegremente os políticos desonestos que querem apenas o seu turno no poder e que o mundo se arrebente depois que eles se locupletarem nele.

A democracia sobrevive à festa dos milionários? Façam suas apostas…

2 de junho de 2011 § Leave a comment

Materinha do Wall Street Journal de terça-feira dá um retrato bem preciso da tradução prática do fim da legislação antitruste a que os Estados Unidos (e não só eles) foram obrigados desde que os grandes monopólios operados pelo capitalismo de Estado chinês entraram em cena com a sua operação global de dumping, que está forçando o mundo inteiro a participar de uma insana corrida de consolidações em todos os setores mais importantes da economia, sob o pretexto de ganhar a economia de escala sem a qual é impossível competir com eles.

A matéria corria assim:

O ano passado foi mais um grande ano para os milionários, embora o ritmo do crescimento do numero deles tenha diminuído um pouco.

De acordo com uma nova pesquisa do Boston Consulting Group publicada segunda-feira o numero de milionários no mundo aumentou 12,2% em 2010, alcançando um total de 12,5 milhões. (O BCG define como milionário quem tem US$ 1 milhão ou mais em dinheiro disponível para investimento, descontadas casas, bens de luxo ou participações em empresas próprias).

Os Estados Unidos continuam sendo os primeiros do mundo em numero de milionários, com 5,2 milhões deles, seguidos pelo Japão com 1,5 milhão, a China com 1,1 milhão e a Inglaterra com 570 mil. Singapura é o país que tem a maior “densidade” de milionários, com 15,5% de sua população dentro dessa categoria.

A tendência mais importante que esses números revelam diz respeito à distribuição global das riquezas. Os milionários representam 0,9% da população mundial mas controlam 39% das riquezas do mundo (eram só 37% um ano antes). Eles detêm, hoje, US$ 47,4 trilhões em dinheiro livre para investimento, numero que, em 2009, era US$ 41,8 trilhões.

Os que estão mais altos na pirâmide dos milionários foram os que mais ganharam. Os que têm US$ 5 milhões ou mais, que representam 0,1% da população do planeta, detêm 22% de toda a riqueza mundial, numero que subiu de 20% em 2009.

Nos Estados Unidos, os milionários controlam 29% da riqueza nacional. No Oriente Médio e na África, essa proporção gira em torno de 38%. E como nos Estados Unidos ha um numero muito maior de milionários do que nessas regiões, a riqueza, embora muito concentrada, está mais espalhada entre eles.

Mas por qualquer ângulo que se olhe para os números levantados pelo BCG, eles confirmam uma tendência que não se altera ha anos: a ascensão global da economia em que o vencedor leva tudo”.

A alegação, como ficou dito acima, é que sem economia de escala é impossível enfrentar a competição chinesa. E é uma afirmação verdadeira. A má notícia é que isso não é suficiente. Mesmo com a crescente monopolização de todas as economias nacionais e a opressão da massa dos consumidores que isso implica, continua sendo impossível competir com os monopólios chineses que, por cima da economia de escala, têm a imbatível vantagem de pagar salários esquálidos para trabalhadores que ainda não se revoltam contra isso porque até pouco antes, recebiam salários de fome ou simplesmente trabalhavam como escravos para o Estado.

Esta é a razão pela qual ao fim de décadas a fio de recordes sucessivos no numero de operações de fusão e aquisição de empresas que antes concorriam entre si (merges and aquisitions), fenomeno que desencadeou um processo de elefantíase no setor financeiro de todas as economias do mundo (são eles que operam essas fusões ganhando fortunas a cada passo em cima de produção zero de novos bens reais) os monopólios que daí resultam acabam requerendo, ainda, monstruosos aportes de dinheiro publico para não irem à rasca diante do dumping praticado por seus concorrentes chineses na disputa pelos mercados globais.

Consumidores e assalariados estão, portanto, num jogo de perde-perde, determinado por aquela insolúvel sinuca que o vulgo brasileiro descreve com perfeição no dito “se correr o bicho pega, se parar o bicho come”.

Onde antes havia centenas de empresas empregando trabalhadores, hoje ha uma, duas ou no máximo três gigantes que, por empregarem uma massa de dezenas de milhares de trabalhadores antes distribuídos entre dezenas de concorrentes, tornam-se “grandes demais para quebrar”, sob pena de, se isso acontecer, precipitarem crises sociais que nenhum governo que dependa de eleições tem condiçōes de assimilar.

Ou seja: sob o chapéu de “trabalhador”, você fica na mão de um único empregador, com força suficiente para arrochar o seu salario o quanto achar necessário ou conveniente, porque você não terá outra alternativa de emprego; sob o chapéu de “consumidor”, você fica na mão de um único fabricante ou distribuidor daquele bem, que pode subir seu preço quanto achar necessário ou conveniente porque não terá competidores para limitar sua ganância; e sob o “chapéu” de pequeno produtor de bens intermediários ou matérias primas para esses gigantes, você ficará nas mãos de um único comprador ou distribuidor, que poderá jogar sua oferta lá para perto do chão porque você não tem para quem mais oferecer o seu produto.

Com a crescente insatisfação e desespero que isso causa, as sociedades nacionais se dividem e conflagram na busca de “culpados”, procurando-os sempre em quem está perto, o que faz a festa dos demagogos que, graças a isso, encontram mais e mais espaço na política. E enquanto todos se chutam uns aos outros acusando-se mutuamente de exploradores ou de cumplices dos exploradores, a China, em quem ninguém ousa tocar porque, mesmo sendo o foco original de todo esse desarranjo, é um cliente grande demais para que possa ser retaliado, segue nadando de braçadas.

Olhando-se para o futuro, ha duas hipóteses: ou esse quadro melhora porque os chineses conseguirão se organizar e ter força para fazer suas reivindicações valerem contra o partido único que os mantem sob férreo controle, até receberem salários competitivos com os dos trabalhadores do lado do mundo onde ha quase dois séculos se vêm acumulando conquistas trabalhistas, ou o rebaixamento geral dos salários para aproximá-los dos padrões chineses, a concentração extrema da riqueza, a corrupção que disso decorre e a crescente simbiose entre governos e super empresários acaba transformando o mundo inteiro em algo parecido com o que a China é hoje, do ponto de vista político.

Façam suas apostas.

Quero meu Dell Valle de volta!

28 de julho de 2009 § Leave a comment

dell valleA Coca-Cola comprou os sucos Dell Valle, uma das melhores coisas que chegaram ao Brasil ultimamente.

Mas não para faturar em cima da excelente qualidade do suco que eles produziam. Foi para tirá-los do mercado e acabar com a alternativa para as gororobas insôssas que a própria Cola vende a título de suco de frutas.

Se o Cade aplicou a maior multa da sua história na Ambev porque eles obrigavam meros botequins a fazer isso com seus concorrentes, tem, por obrigação, de arrancar as calças da Coca-Cola por tentar fazer a mesma coisa em escala nacional.

Quero o meu suco de uva light da Dell Valle de volta!

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