“Graças a Deus não me mataram!”
28 de fevereiro de 2011 § 2 Comentários
Não tem nada que explique melhor o Brasil do que a frase que se ouve, dia sim dia não, de alguém muito próximo da gente: “Fui assaltado! Graças a Deus não aconteceu nada! Não houve tiros, não houve estupro, não barbarizaram minha família…Só levaram nossas coisas“.
O brasileiro está tão acostumado a ser tratado como a mosca do cocô do cavalo do bandido que não tem a mais vaga noção sequer daquilo que tem direito a aspirar. Que dirá do que tem direito de exigir…
E isso não é só com o favelado, o “excluído”, o desvalido explícito. É com todo mundo, de qualquer classe social. Todos nós somos democrática e “inclusivamente” esfolados, vilipendiados, humilhados e ofendidos “di-á-ri-a-mente”, como diria a Marisa Monte.
Saindo vivo, tá no lucro!
É isso que explica o sucesso do Lula.

A unica divisão real que existe no Brasil é entre quem paga e quem cobra impostos; quem tem de dividir o resultado do seu trabalho suado e quem tem “direito adquirido” ao ócio remunerado; quem faz das tripas coração todo santo dia porque vive ameaçado de ser empurrado para a porta de saída e quem, como diz candidamente o eterno senador José Sarney, leva a vida na santa paz daquele mundinho encantado onde “só existe a porta de entrada”.
Esta ilustração sobre o que acontece com os automóveis vale para tudo, do leite do brasileirinho que vai nascer hoje ao remédio do doente miserável que vai morrer amanhã neste país do “graças a deus não me mataram”.
Resta esperar que a universalização dos bens de consumo e a internet tornem isso mais claro pra quem vive preso atras da inexpugnável muralha da língua portuguesa, e um dia a gente faça com os nossos mubaraks o que até os egípcios já fizeram com os deles…
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