A liberdade que se cuide!

4 de agosto de 2011 § Deixe um comentário

Pânico de novo nas bolsas de valores do mundo.

Os jornais e os “analistas” de costume dizem que ele se refere à “redução das expectativas com relação à recuperação americana diante do acordo que prevê o corte de despesas como contrapartida à elevação do teto de endividamento do governo”.

Antes fosse só isso!

Desde o início do lamentável espetáculo que Washington manteve no ar em rede planetária por quase dois meses – e mesmo antes dele – já se sabia que, qualquer que fosse o acordo final, haveria um corte de alguns trilhões de dólares nas despesas embutido nele.

O que se está assistindo nas bolsas do mundo é um “fuja que o piloto sumiu”.

Se as agências de classificação de risco não rebaixaram a nota dos Estados Unidos porque não houve, tecnicamente, um calote, o que o mundo está dizendo agora é que ele, mundo, rebaixou, sim, a nota da capacidade das democracias de lidar com crises.

O próprio Obama antecipou essa conclusão quando, no meio daquele tiroteio, disse que os Estados Unidos estavam correndo o risco de ter seu crédito rebaixado “porque o sistema financeiro não tinha um sistema político AAA em que se apoiar”.

E de fato o que o duelo de Washington mostrou, com a inestimável contribuição do ator coadjuvante Europa, é que o sistema de pesos e contrapesos das democracias de fato impede a tomada de decisões com a necessária rapidez; que a tendência antes da conquista do segundo mandato presidencial é que os partidos se submetam aos seus respectivos radicais e se façam de surdos para o centro e para os moderados; que a ausência de poder de voto da juventude acaba fazendo com que a conta seja atirada sobre as costas dela porque o que interessa é saber quem fica com o poder político amanhã e não a solução das crises com vistas à construção de um futuro melhor.

E também, que tudo isso se tornou muito mais visível e pernicioso depois que as ditaduras aderiram ao capitalismo e passaram a tocar países inteiros como se fossem empresas com a mesma liberdade para distribuir custos e benefícios pela sociedade afora e “demitir (até da vida, se necessário) insatisfeitos” que nos países capitalistas democráticos só os grandes executivos têm no universo restrito das suas empresas.

O jogo se inverteu. De condição essencial para ambos as democracias surgem agora como o principal obstáculo para o desenvolvimento e a afluência material. E as ditaduras, o contrário: de caminho certo para o atraso e a pobreza, agora aparecem como o atalho mais rápido para o enriquecimento.

E como o órgão mais sensível do ser humano sempre foi o bolso, a liberdade que se cuide!


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