Longe, muito longe, longe mesmo…
16 de fevereiro de 2012 § 5 Comentários
Roberto Wider
O Globo de ontem informava que o Conselho Nacional de Justiça “puniu” com a aposentadoria compulsória o desembargador do TJ do Rio de Janeiro Roberto Wider.
Wider já foi Corregedor Geral da Justiça do Rio de Janeiro e está afastado do cargo desde janeiro de 2010 quando o CNJ abriu processo contra ele.
Ele tinha sido objeto de reportagens do Globo que mostraram a associação que existia entre ele e Eduardo Raschovsky para vender sentenças judiciais a políticos ameaçados de incorrer na Lei da Ficha Limpa.
O golpe consistia em aproveitar as vésperas de eleições para abrir processos contra políticos e candidatos com culpa no cartório de modo a valorizar suas sentenças e, mais adiante, inocentá-los contra pagamento.
Os dois também cobravam propinas de tabeliães e, finalmente, Raschovsky era sócio de um doleiro investigado pela polícia e de uma empresa rastreada pelo Coaf.
Depois de acusado, Wider ainda nomeou sem licitação dois advogados da empresa de Raschovsky como tabeliães em cartórios do Rio e passou a ordenar, sem justa causa, devassas num terceiro cartório cuja tabeliã se recusou a fazer pagamentos exigidos pelo seu comparsa.
É, indiscutivelmente, um prontuário pra ninguém botar defeito o que justifica plenamente que o CNJ aplicasse contra ele a pena máxima ao seu alcance, qual seja, a aposentadoria compulsória com todos os direitos e privilégios que tem um desembargador aposentado.
E é aí que esta.
Para um sujeito que já tinha sido Corregedor Geral da Justiça do Rio de Janeiro e se entrega às práticas criminosas a que se dedicava este senhor Wider, atingindo pesadamente a instituição como um todo, a “pena máxima” que se pode aplicar é deixá-lo livre para gastar o que amealhou com os crimes pelos quais foi condenado.
E, no entanto, foi para tirar até esse irrisório “poder” do CNJ que o Judiciário inteiro do Brasil, acostumado à total impunidade, tendo à frente da tramoia dois ministros do Supremo Tribunal Federal que arrastaram outros três atrás de si na votação final sobre os poderes dessa “corregedoria das corregedorias” no início deste mês, permaneceu em estado de rebelião desde setembro do ano passado.
É a mesma reação que leva o PT a pedir a censura à imprensa a cada vez que um ministro ladrão é flagrado roubando o povo brasileiro e “condenado” a voltar para o Congresso Nacional com plenos direitos ou a se aposentar até a próxima eleição desfrutando ostensivamente tudo que roubou, enquanto um outro membro da mesma quadrilha ocupa o cargo vago.
“O problema não é haver corrupção. Corrupção é inerente à espécie humana“, dizia Theodore Roosevelt, que não me canso de citar aqui. “O problema é o corrupto poder exibir o seu sucesso. Isso é subversivo“.
O caso aqui relatado, junto com os casos aqui lembrados, dá a medida exata da distância que estamos de uma democracia sem aspas regida pelo estado de direito.
Votaram contra o CNJ
Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowsky, Cesar Peluso,
Celso de Mello, Luiz Fux
Dinastias antropofágicas
24 de dezembro de 2011 § Deixe um comentário
Está um primôr a síntese deste ano “que começou com a posse da primeira mulher presidente do Brasil, transcorreu sob a égide de escândalos de corrupção no Executivo e termina com o Judiciário em chamas” feita pela Dora Kramer hoje no Estado (aqui).
Ela diz tudo com perfeita economia de palavras sem perder, nem precisão, nem contundência, nem bom humor porque o Brasil é o que é mas a vida continua.
Eu só mudaria o final deste trecho: “O (baixo) padrão está impresso até na maneira como se define o modelo da coalizão governamental. A expressão “porteira fechada” se refere à entrega de uma pasta a um partido para fazer dela o que bem quiser, tal como quando se compra um pedaço de terra com direito ao desfrute de tudo, do rebanho ao pomar”.
Rebanhos e pomares remetem à idéia de um trabalho anterior e o caso aqui lembra mais os bons tempos do Brasil Colônia onde havia um rei que tudo podia que distribuía pedaços do país a barões (ministeriais) e condes (do BNDES) com direitos hereditários nos quais eles podiam escravizar “o gentio” e colher sem ter plantado em benefício da metrópole brasiliense que, como a Lisboa dos tempos do ouro “das geraes”, tem a maior renda per capita do Brasil embora não produza senão escândalos.
A História cria baldas…
E depois, não é só em Cuba e na Coreia do Norte que os arautos da “revolução proletária” acabaram criando novas dinastias medievais.
Este é o padrão. Taí a nossa versão antropofágica e macunaímica pra confirmar a regra.











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