A hora do safanão

29 de janeiro de 2019 § 18 Comentários

No início, fresco ainda dos seus 28 anos de lobby para obter vantagens para militares e policiais no Congresso, Jair Bolsonaro não sabia se jogava no ataque ou na defesa na questão da previdência. O assunto foi cuidadosamente evitado na campanha. Ficou soterrado nas emoções do debate comportamental, na cumplicidade entre a direita, a esquerda e o centro contra a reforma e na inapetência da imprensa pelo tema.

Brumadinho, “rachid”, privilégios. Qualquer tapete levantado revela um monte de sujeira; qualquer arranhão olhado com lente confirma extensa infecção. Quem quiser focar nas diferenças entre a “esquerda” e a “direita” brasileira desta boca de 3º Milênio, que as há, tem todo o direito. Mas o país só apontará para o fim do tunel quando focar no que ha nelas de idêntico e partir para a reforma democrática (a política) que porá o povo no poder.

Por enquanto vamos de previdência sem o rearranjo da qual não sobrará nada para ser reconstruido adiante.

O “governo de transição” é uma avalanche de números que faz qualquer sonhador despencar até do céu que protege Brasilia para uma aterrisagem de emergência na calamidade geral que governadores e prefeitos estão encontrando. A verdade foi aos poucos contaminando o governo e, por meio dele, extravasando para a imprensa e dela para o país. A fase de alienação teve um ponto final quando Paulo Guedes encerrou “o baile” que a parcela Brasilia do governo Bolsonaro ameaçou dar-lhe em público. Ali o presidente teve a primeira oportunidade de provar o quanto se comove com fatos, coisa a que o país das “narrativas” ha muito tempo se desacostumara. E confirmou: a melhor qualidade de Jair Bolsonaro é sua capacidade de voltar atras e corrigir o rumo. A ficha caiu com tanta clareza que os militares, sempre os primeiros a incluirem-se fora de toda e qualquer tentativa de reforma anterior, espicaçados nos brios diretamente pelo comandante-em-chefe, declararam sua disposição de contribuir com um sacrifício para o esforço de salvação nacional.

É a primeira vez nos 519 anos de Brasil que alguma corporação da privilegiatura se dispõe a dar um passo atras, gesto que pode ter consequências telúricas. Mas o problema para desencadear o terremoto ainda é a conclusão do despertar do presidente. Bolsonaro saiu do Congresso mas o Congresso ainda não saiu de Bolsonaro. Ele continua dirigindo-se tão somente ao país oficial para tudo quanto extrapola as picuinhas da turma do excesso de salivação com escassez de raciocínio das redes sociais. Apesar da firmeza com que corroborou a ordem para o realinhamento do governo à Prioridade Zero da previdência, ele ainda subestima a capacidade de discernimento do povo. Segue dimensionando sua reforma pela expectativa da sua receptividade pelo Congresso e não pela real necessidade do país ou interesse do povo.

O Congresso não tem de ser o primeiro, deve ser o último a ser consultado. Ele pode tudo, até derrubar governos “inderrubáveis”, mas só faz isso quando o impulso vem da rua. Para levar os políticos a atos como esse, que não são de coragem são de sobrevivência, é preciso que a população passe antes pelo mesmo banho de informação que fez o próprio governo mudar de atitude. Dar à privilegiatura uma negociação anônima, de bastidor para, no final, apresentar como sua uma reforma que dê conforto a ela seria uma grossa traição aos 58 milhões de votos recebidos. É o contrário. Os mais altos representantes da privilegiatura têm de ser convocados todos à boca do palco, com o resto da nação, colocados de frente para os números pelos quais cada corporação é responsável – Judiciário, Ministério Publico, Legislativo e o resto – e então serem instados a se manifestar encarando o público como os militares já se manifestaram. Tem de ser um ônus para quem quiser assumi-lo recusar contribuir ou impedir a aprovação de alguma coisa que o país inteiro estará perfeitamente consciente de que se não for feita nos mata.

O congresso, assim como toda instituição encarnada em seres humanos, age sempre em função dos imperativos de sobrevivência dos congressistas. Por isso mesmo é que a democracia, depois de alguns ensaios românticos fracassados, foi redesenhada para por diretamente nas mãos do povo a condição de sobrevivência dos congressistas. Mas como aqui falta entregar o cetro ao povo é ao presidente que, por exclusão, cabe essa função.

Esse roteiro não precisa ser encenado em tom de confronto. Convocar a Nação para apresentar-lhe a verdade dos fatos, medir as consequências de cada alternativa e pedir  humildemente que ela indique a direção a seguir é a função por excelência do governante democrático. E cabe firmeza nisso. O general DeGaulle, que mais de uma vez ergueu do chão o orgulho nacional francês em frangalhos, disse numa dessas ocasiões o seguinte: “A democracia exige que a gente convença as pessoas. Quando as circunstâncias permitem, essa é a forma preferencial de agir. Então deve-se trabalhar para fazer evoluir as consciências. Mas ha circunstâncias em que não é possível dar-se esse luxo e então é preciso comandar. É como na educação das crianças. Se a gente tem tempo o melhor é argumentar. Mas se não tem, para o bem delas, a gente vai lá e dá um safanão“.

A reforma da previdência – que vai definir o que será do governo Bolsonaro, do Brasil e dos brasileiros nos próximos 30 anos – está, obviamente, precisando desse “safanão”.

Post scriptum:

Cansado de ouvir a baboseira em torno do desarmamento nos jornais e nas televisões, peço licença ao leitor para enfiar aqui este lembrete:

Bolsonaro e seus opositores não têm tocado no essencial da questão do desarmamento. A discussão NÃO É em torno de saber se armar a população “resolve” ou não (e é claro que não resolve, nem para melhor, nem para pior) o problema da segurança pública. É o princípio que é inegociável pois, se o estado pode proibir o cidadão de defender sua vida sob pena de prisão, como faz hoje no Brasil, nenhum dos seus outros direitos vale nada.

Os heróis de Dilma estão morrendo de overdose

20 de fevereiro de 2014 § 1 comentário

a1

Overdose de pesporrência e autoritarismo. Olho para as venezuelas, para as argentinas e até para as cubas da vida e constato que, felizmente, a História anda bem mais rápido neste mundo sem fronteiras de hoje e não é mais necessário esperar 70 anos para um povo se livrar de um sistema opressivo, ainda que o preço dessas aventuras continue sendo sempre elevado demais.

Fiquei em dívida com os leitores do Vespeiro esta semana que passei em trânsito por lugares sem conexão de internet. Mas televisão tinha. Assisti, se não me engano na segunda-feira, a uma reprise do programa Painel comandado por Willian Waack, que discutia com Oscar Vilhena Vieira, professor de Direito da GV, Marco Antônio Villa, historiador, e José Álvaro Moisés, sociólogo, as raízes da epidemia de violência no Brasil a partir dos quase linchamentos de assaltantes ocorridos nos últimos dias e da morte do cinegrafista com a cabeça explodida por uma bomba dos black blocs, dois casos que se ligam pelo traço comum da crescente substituição das vias institucionais de processamento de desavenças pela ação direta da turba que “toma a justiça em suas próprias mãos” pelo Brasil afora.

a6

Chegou-se a esboçar o arquétipo de um povo bipolar “com uma bola no pé e uma pedra na mão”; especulou-se em torno das raízes históricas da “ausência de legitimidade” da Justiça que se aplica entre nós e, por essa senda chegou-se, caso raro nas análises que a mídia tem preferido veicular, à constatação da completa ausência dos fundamentos essenciais da democracia no Brasil, com a igualdade perante a lei abrindo a lista dos ausentes.

Mas o alarme do cronômetro que escraviza a televisão e a torna obrigatoriamente tão rasa disparou justamente quando se constatava o “crescente divórcio entre as instituições e as ruas” que é, ao mesmo tempo, uma esperança e uma ameaça.

Esperança porque é um sinal salutar de tomada de consciência por uma parcela da população com paciência cada vez menor para esta empulhação que é a nossa vida institucional e política, fenômeno que se expressou com exatidão literal nas manifestações “autênticas” de junho de 2013.

a10

Ameaça porque substituir instituições por ação direta, sobretudo quando todos sabem o que querem destruir mas não o que querem construir no lugar, é o caminho mais curto para o brejo das ditaduras populistas onde já chafurdam tantos de nossos vizinhos.

É para onde corremos o sério risco de sermos empurrados por essa associação clássica entre os babacas da “estética da violência” da esquerda playboy (antigamente dita “festiva”) e os trogloditas pagos, do tipo que rotineiramente se contrata para “decidir” eleições sindicais, manipulados pelos profissionais da demolição de instituições pela corrupção, agora alçada à nova categoria “ideológica” de arma “legítima” de conquista do poder que têm manipulado os primeiros.

Essa “promoção” da boa e velha roubalheira foi identificada pelos dois lados envolvidos no julgamento do Mensalão. Tanto o Ministério Público Federal quanto o Supremo viram na sistematização do suborno do Legislativo pelo PT um “atentado contra os fundamentos da Republica” visando anular qualquer controle desse poder sobre os atos do Executivo.

a14

A cena dos ladrões flagrados e condenados erguendo punhos “de resistência” no ar nas portas das penitenciárias, seguidos das (supostas) mobilizações da militância para colher, entre os roubados, contribuições para reduzir as penas dos ladrões também têm inequivocamente esse sentido.

O outro ingrediente da receita são as duas formas de violência que toma as ruas: a controlada das manifestações de griffe que se seguiram às de junho, e a espontânea dos quase linchamentos das ultimas semanas que surgem como uma resposta exasperada à explosão geral dos números da criminalidade frente à falta de disposição do estado de enfrentar esse problema.

Eugênio Bucci, com a competência costumeira, volta a discutir hoje no Estado o lado “estético” e “cultural” que indiscutivelmente, concordo, se mistura aos quebra-quebras de agosto até hoje. Mas vale lembrar que a presença desse tipo de inocente útil da elite que ajuda muito a retardar a articulação das defesas da sociedade contra a ameaça real que esses movimentos encerram até que seja tarde demais, é uma constante histórica nos episódios do gênero onde sempre, excluído da regra o mundo saxônico, acabam por triunfar os profissionais.

a17

O que ha de lastimavelmente diferente nesta reencenação tropical do fenômeno que chacoalhou as democracias do Norte nos anos 60, a que ele se refere no seu artigo, é a qualidade da “utopia” por traz de cada uma, transcorrido meio século de História assistida ao vivo como nunca tinha tido oportunidade de experimentar a geração que embarcou no que, naquela época dos primórdios da televisão, ainda podia ser visto como uma ilusão honesta.

Essa “ideologização” da corrupção posta ao lado da ideologização dos “justiçamentos” e até do assassinato a esmo com bombas detonadas em praças públicas daquela época – cujos agentes frequente e literalmente são as mesmas pessoas – corresponde perfeitamente ao abrandamento das sanguinárias ou até genocidas “ditaduras totalitárias do proletariado” do século 20 nas apenas brutais ditaduras populistas de hoje.

O século 21 não aceita mais a ideologização do sangue mas O Poder continua sendo O Poder e levando os que acreditam ter nascido para exercê-lo livres de qualquer limite aos extremos possíveis em cada momento histórico.

a18

Estes consideram cada dado da equação com a mais fria objetividade e tratam apenas de colher cada grão de poder conquistado, seja como for. Naquela época assim como hoje a perversão do sentido do ato criminoso posto a serviço dessa caçada ao poder político vem muito mais de fora – dos intelectuais e da militância que apoiam as correntes que o praticam – do que de dentro do grupo dos seus executores.

Onde, lá atrás, pululavam os psicopatas mais interessados na volúpia de onipotência encerrada no ato de matar que na sua interpretação política, hoje atua a legião dos muito mais interessados no produto “em espécie” da roubalheira que no ganho de poder político que dela resulta para um terceiro.

Mas pairando por cima de ambos está, como sempre, a figura mais amoral e despida de limites entre todas, usando os demais até onde puderem servir aos seus propósitos e descartando-os sem nenhuma hesitação ou poesia assim que deixam de ser úteis.

a7

Antigamente, depois de fuzilado o último “moderado” entre os “quadros” da revolução; hoje, depois de removido o último juiz ainda a serviço da lei, impõe-se a verdade sem máscara da concentração de todo o poder na pessoa do déspota, seguida da criminalização da oposição e da institucionalização do confisco do produto do trabalho alheio.

É o ponto em que se encontram os nossos vizinhos mais visitados e festejados pelo PT.

O que fica faltando na receita de hoje é a repressão brutal à criminalidade que explode como subproduto do aniquilamento da força da lei necessário à instalação do império do crime em que se apoia o novo esquema da “revolução pela corrupção” depois da tomada do poder. Antigamente ela vinha junto com O Terror aplicado livremente para consolidar a conquista do poder. Hoje esse recurso está banido pela rejeição universal à matança como recurso “político“, o que resulta em que a criminalidade insuflada durante o período de desmontagem das instituições pela arma da corrupção se torna crônica, vira uma herança maldita dos próprios regimes que a insuflaram e acaba se transformando num componente decisivo para apressar a morte por overdose dos traficantes dessa droga.

a16

Nós ainda estamos no meio do caminho para esse tipo de desastre, percepção que faz aumentar todos os dias a inquietação da sociedade brasileira. Ha uma insatisfação crescente de uma parte considerável da nacionalidade com o estado de coisas a que nos levou, por enquanto, essa ideologização da corrupção, que está saindo rapidamente do estado de latência, o que nos põe diante de riscos e oportunidades.

Por que esses insatisfeitos não são capazes de expressar o que sentem de forma propositiva e unir-se em torno de um objetivo definido é algo que está relacionado ao fato de – da escola à imprensa – o país estar preso a um gabarito de interpretação da realidade social e política dos meados do século 19 que não faz mais sentido nenhum no mundo de hoje, fenômeno que deita raízes na herança jesuíta de que nunca nos livramos.

Mas este é o assunto do artigo de amanhã.

a20

O gigante tá com sono…

13 de agosto de 2013 § 2 Comentários

var7

O Congresso caiu mais nove pontos nas medições de avaliação das instituições pelo público.

O lado bom é que não enganaram ninguém com a tal “agenda positiva” de resposta às manifestações de junho.  Quer dizer, “bom” mais ou menos porque as medidas que foram aplaudidas na mídia como “vitórias do povo nas ruas”, como a redução das tarifas de ônibus e outros “presentes” do gênero, só fizeram confirmar e reforçar o poder imperial dos governos de remanejar dinheiro alheio de bolso para bolso segundo seus cálculos eleitorais que tem de ser a primeira coisa a acabar pra gente poder começar a pensar em virar uma democracia.

As únicas medidas na direção certa naquele contexto foram as anunciadas pelo governador Alkmin: extinção de uma secretaria, uma autarquia e uma estatal, fusão de três fundações estaduais e extinção de 2036 cargos e a venda de um helicóptero de transportar figurão.

Não tiveram a menor repercussão.

E depois, o Congresso logo “se emendou“. Já está até propondo tirar o compromisso com a ética do juramento de posse nos mandatos.

var13

O lado ruim é que cada ponto que o Congresso perde nos põe mais expostos ao golpe bolivariano com que a ala radical do PT nunca deixou de sonhar. Desde as manifestações de junho, o Senado aprovou medida diminuindo à metade as assinaturas necessárias para emplacar leis de iniciativa popular – de 1,4 milhão para 700 mil – e liberou que elas venham por internet. Barrou-se, ao menos, a obrigação de que essas propostas de leis, uma vez homologadas, ganhassem tramitação de urgência obrigatória, travando o resto da pauta, monstrengo evidente demais para passar mas que também estava no pacote amarrado por Lindbergh Farias, ex-UNE e sempre PT, que quer ser (e provavelmente vai conseguir) o próximo governador do Rio de Janeiro.

O PT já se assenhoreou, também, do site multinacional Avaaz.org, especializado em empinar leis de iniciativa popular e que conquistou perto de cinco milhões de brasileiros na sua lista de adesões à Lei da Ficha Limpa que ele emplacou sob a direção lá de fora.

var14

Agora está lá, fazendo e desfazendo, Pedro Abramovay, cria da nossa Martha Suplicy, cuja primeira providência foi instituir as práticas de linchamentos de indivíduos (no caso o pastor Malafaia de quem eu também não gosto mas que tem todo direito de pensar e dizer o que quiser) e de censura e banimento de propostas subscritas por milhares de cidadãos que, quando estrangeiro, o site aceitava, viessem de onde e de quem viessem.

Enfim, as armas estão aí. E quando e se chegar a hora, nenhuma lágrima será derramada pelo fechamento desse Congresso.

Já no STF acrescido de dois escolhidos de Dilma, o julgamento que pode confirmar ou não a prisão dos mensaleiros condenados que hoje se homiziam dentro do Congresso Nacional foi empurrado, por enquanto, até além da eleição de 2014…

Há esperança?

Sempre há. Pois não é que até os argentinos um dia se cansam de ter as suas partes pudendas chutadas de bico? A “presidenta” deles, no primeiro teste para as eleições de 2015, apanhou de 26 a 74% da oposição.

Agora só dona Dilma, que “respeita muito” até o ET de Varginha, mantém amor incondicional a Cristina Kirshner.

var3

Deus e os Direitos Humanos

9 de abril de 2013 § 2 Comentários

Macho mesmo, no Brasil, só as bichas

21 de março de 2013 § 4 Comentários

foto-67

foto-69

foto-70

Eu procurei, de lanterna na mão…

14 de junho de 2011 § 1 comentário

Não ha como evitar: diante de Dilma “mon coeur balance”.

Com o indisfarçável nojo que ela sente por aquilo que a imprensa insiste em legitimar aderindo à expressão “articulação política” ela leva de barato a metade dele.

A “infelicidade” que Roberto Pompeu de Toledo detectou na Veja desta semana, que ela transpira por se ver condenada a jogar fora tudo porque lutou para se entregar às mumunhas “daquela corte de homens de cabelos pintados ou transplantados em que consiste a fina flor do PMDB“, e mais as dos equivalentes destes do seu próprio partido, acrescenta mais uma fatia à metade de mim que, solidária, simpatiza com ela.

A unção de Gleisi para a Casa Civil, de início, provocou-me um repelão. Mas, de novo, quando li o relato detalhado do que ela “aprontou” no Mato Grosso do Sul, fiquei fã.

Uma petista de carteirinha que corta 30% dos cargos de putaria (esses que o PMDB cobra) da própria companheirada e faz a limpeza que ela fez por lá é alguém que põe o interesse publico no lugar que ele merece na escala de prioridades. O fato dela ter feito isso contra petistas – e de dentro do próprio PT! – torna isso indiscutível.

“Finalmente um macho nessa esbórnia!”, que me perdoem os que vêm “fobias” gênero-sexuais debaixo da cama!

Não me lembro de ter visto nada de parecido acontecer nestas terras. E falo de todos os partidos.

Mas foi só eu começar a me entusiasmar e lá veio a “tábua” em Shirin Ebadi. Aquela mulher pequenininha, frágil, enfrentando sem nenhuma arma na mão Ahmadinejahd e os aiatolás atômicos apedrejadores de mulheres todos só com a palavra.

Não dá pra engolir um gesto moralmente tão covarde sem ser involuntariamente empurrado a todas as conclusões que ele implica.

Mas será que não foi só pra não contribuir pra exacerbar de novo o vespeiro do PT, àquela altura (e ainda agora) mais agitado ainda que o enxame de varejeiras do PMDB?

Tento subornar minha consciência com essa ideia…

E então, Ideli, a do Ministério da Pesca, abrigo dos fugitivos das Farc.

Caramba! Estaremos virando do gelatinoso cinismo lulo-sindicalista para a dureza vítrea dos “true believers”?

Mas, se não fosse ela, quem? O Vacarezza do Lula? Ou outra das criaturas do pântano sindicalista?

Agora, o “sigilo eterno”, sob os auspícios de Fernando Collor e José Sarney, uma semana depois da tentativa de apagar o impeachment da História do Brasil!

Olha que até o Stalin, antes de conseguir começar a reescrever a da Rússia teve de matar toda a velha guarda bolchevista e mais metade da população das estepes. Será que aqui passa mesmo só nesse vai da valsa? “A pedidos”?

Nada é impensável nesse país desde os merges and aquisitions de Lula…

Ok. Afastemos as concessões conscientes à ingenuidade.

Vamos por a coisa assim: antes de vê-la atuando, eu pensei que sabia; hoje confesso, francamente, que ainda não sei o que a Dilma é. Mas já sei uma boa parte do que ela não é.

E só pelo que ela não é eu já gosto dela.

Se e quando mostrar outro lado, agirei como minha consciência mandar.

Por enquanto sou testemunha. Já não digo em quem… em que a Dilma podia se agarrar para tentar resistir ao lamacento tsunami lulista – com Michael Temer e José Sarney de guardas pretorianos e Fernando Collor esvoaçando logo atrás – se até a imprensa já perdeu as medidas e não sabe falar (nem pensar) senão na novilíngua de Brasília?

Isso tudo, afinal, não pode ser lido de outro jeito?

Dilma tentou dar um basta ao esquartejamento do futuro do país no cepo dos açougueiros do Congresso. E quem é que foi cobrado e repreendido por isso? Aqueles estripadores? Os ladrões de carteirinha? Os límpidos, os translúcidos canalhas de sempre da definição de Nelson Rodrigues?

Nada!

Ela! Só ela!

Por “inapetência para os deveres inerentes à sua função de governar”.

Já ninguém consegue imaginar “governar” como se entende essa expressão em qualquer outro lugar do mundo civilizado neste país sem limites.

Governar tem de ser, obrigatoriamente, aderir à putaria? “Mocinhas” que não estão dispostas a isso deveriam, mesmo, procurar outro tipo de métier? Nós não temos mesmo salvação?

Sigo pelas colunas dos jornais:

A primeira missão de Ideli é desfazer a impressão de que a presidente Dilma só quis afirmar autoridade e confrontar aliados escolhendo uma colecionadora de arestas” …

E nós queremos mesmo que se desfaça essa impressão de que existe uma intenção de tratar a política com alguma dignidade? É isso que está pondo o país em risco? Bom para o Brasil é mesmo que Dilma abaixe a crista e passe a ser mais lula que o Lula no que diz respeito ao PMDB e ao PT podre?

Ideli “precisa conquistar a confiança (sim, “daquela gente”), mostrar que tem influência junto a Dilma (para conseguir dinheiro e cargos) e desenvolver a capacidade de fazer valer o combinado” (isto é, entrega-los a quem “aquela gente” determinar que sejam entregues)…

É disso mesmo que o Brasil precisa?

Sutileza não é o atributo preponderante (de Ideli, diz-se em tom de crítica) … diz que vai partir para a operação limpa prateleira” (o que fere a sensibilidade “daquela gente” que) “não quer ver os seus pleitos tratados como mercadoria”, ora vejam!

E quem teria a sutileza necessária e adequada? José Sarney?

Dá uma brecada de arrumação, gente!

A Dilma deu a deixa e ficou falando sozinha. Disse (dizendo ou deixando de dizer) aquilo que há séculos o Brasil se ressente de nunca ter ouvido de alguém na posição dela. E ficou esperando a devolução do passe.

E o que foi que colheu? Um monte de bronca pela sua “falta de jeito”.

Ingênua”. “Amadora”. “Indisposta para a articulação política”…

E o que era mesmo que nós andamos procurando, de lanterna na mão, estes anos todos?

Onde estou?

Você está navegando em publicações marcadas com Congresso em VESPEIRO.

%d blogueiros gostam disto: