“Um homem, um voto”

11 de abril de 2013 § 1 comentário

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O instituto do “1 homem, 1 voto”, tanto quanto o da “igualdade de todos perante a lei” do qual ele, aliás, é uma decorrência necessária, é outro dos elementos definidores do conceito de democracia.

Ha democracia se eles estão presentes (entre outros); não ha se não estão.

No Brasil estão ambos ausentes.

Esta semana foi marcada por uma discussão envolvendo indiretamente esse conceito na qual tanto os interessados em falseá-lo quanto os supostos interessados em endireitá-lo e instituí-lo finalmente – isto é, os jornalistas, únicos interlocutores deste debate que não estão disputando o poder – falaram de tudo menos do que realmente interessa que é a essência do sentido dessa instituição e da falta que ela faz no ordenamento jurídico da Nação.

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A questão surgiu em função de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral aumentando o tamanho das bancadas de cinco estados e diminuindo as de outros oito para adequá-las ao numero de eleitores encontrados nesses Estados no censo de 2010, proporcionalmente alterado em relação à contagem de 1998 que foi a que definiu o atual tamanho das bancadas.

Como sempre o país inicia o debate tomando como imutável a brutal distorção inicial em cima da qual essa pequena alteração poderá vir a se dar, o que é altamente desanimador no que diz respeito à perspectiva de virmos a viver, um dia, numa democracia digna desse nome.

Para acrescentar desânimo a esse desânimo, vamos para o quarto dia de “debate” em torno da questão de saber se o tribunal eleitoral tem mesmo mandato para corrigir o numero de representantes segundo as alterações no numero de representados, ou se só o Congresso Nacional pode fazer isso se e quando lhe aprouver mediante a aprovação por maioria de uma lei complementar.

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Sendo este o ponto, fica o país sabendo que nem essa regra comezinha está posta de forma clara e que não existe uma fórmula que desencadeie uma correção automática da representação em função das alterações na realidade representada.

Tudo isso combina perfeitamente com um sistema eleitoral que torce, retorce, distorce e trestorce a representação e o direito de voto nestes tristes trópicos a ponto de haver eleitor que valha mil votos e eleitor que valha só um, segundo o lugar em que reside; candidato que suba à Câmara empurrado por votos em seu nome e outros que a invadam como caronas clandestinos destes.

Combina também com o fato de que tanto os viajantes com nome quanto os caronas anônimos dependem do passaporte que houver por bem lhes outorgar por preço justo o cacique proprietário de cada organização “partidária” – de quê, nunca se sabe – para concorrer a um dos mandatos da agremiação que, mais adiante, se comporá com suas iguais para definir o que caberá a quem no futuro saque da Nação.

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Combina, ainda, com o fato de que as futuras “excelências” (para o resto de suas vidas) estão autorizadas a não ligar a sua candidatura a nenhum pedaço específico do eleitorado o que vale dizer que, uma vez eleitas ou carregadas para dentro do Congresso Nacional, pouco importa, ficam como que homiziadas lá dentro sem que se possa definir quem, no país, lhe deu um mandato de representação e, consequentemente, quem no país pode retirá-lo.

Combina, finalmente, com o fato de que as “coligações partidárias” negociadas em cada praça eleitoral para efeito da divisão do tempo de televisão com que cada partido entra no jogo para mentir livremente e sem contraditório pelo seu voto, o que lhe é garantido por lei assinada pelos próprios interessados, também não criam qualquer tipo de vínculo. Valem somente até o momento em que eles lhe arrancam o voto.

Uma vez eleitos, os que se apresentaram ao eleitor ao lado dos santos podem se aliar ao diabo e vice-versa (se ainda conseguirem encontrar santos naquele inferno depois da eleição) na hora de montar a “coalizão de governo” que consiste na adesão de todos ao grande ganhador do certame que será o encarregado, daí por diante, de atirar a cada cão o seu bife em troca da garantia de não ladrar por maiores que venham a ser as ignomínias que “o governo” dessa estrutura alheia a quem a colocou “” praticar.

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É um componente essencial desse jogo a estranha regra que os jornalistas da atual geração se impuseram de que pensar com a própria cabeça, fazer perguntas incômodas, atirar contradições na cara do entrevistado e outras manifestações de vida inteligente por baixo da cabeleira constituem violações da ética e que a única coisa justa e de bom tom a fazer é amplificar as mentiras e desinformações das fontes interessadas nesses “debates” ou, no máximo, recorrer às dos “especialistas” do costume, normalmente ligados a partidos políticos, mesmo sem fornecer aos leitores esse “disclosure”, coisa que em outras democracias é obrigatório.

Mas faria bem à saúde institucional do Brasil que revissem essa norma e revisitassem a história da imprensa democrática para constatar que nunca, em lugar e em tempo algum, acima ou abaixo do Equador, reformas democratizantes vieram espontaneamente dos beneficiários da ausência delas. Onde elas ocorreram, ocorreram propostas e empurradas pela imprensa, feita porta-voz e aríete dos interesses difusos da sociedade.

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Deus e os Direitos Humanos

9 de abril de 2013 § 2 Comentários

Macho mesmo, no Brasil, só as bichas

21 de março de 2013 § 4 Comentários

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A ordem é “sair do armário”

4 de fevereiro de 2013 § 1 comentário

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A navegação é tranquila e o rumo é claro.

O mar subiu um pouco com o julgamento do Mensalão mas os condenados continuam todos não apenas andando por aí nos “resorts” da hora enfiados em calções de banho de US$ 400 a unidade, como promovendo seções públicas de apedrejamento “do Judiciário e da imprensa politizadas” do alto das tribunas das instituições da Republica que o STF os acusou de conspirar para destruir.

Se o povo brasileiro chegar, um dia, a vê-los enjaulados, talvez isso mude alguma coisa. Mas o fato do Senado e da Câmara terem eleito sem nenhuma resistência outros dois acusados por corrupção, um deles denunciado pelo Ministério Público ao Supremo Tribunal Federal na véspera da votação, indica que, pela avaliação das nossas experientes “excelências”, a jurisprudência firmada, depois de tudo, é a de que nem o STF pode quebrar a impunidade dos donos do poder.

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Bermuda de R$ 600, óculos Prada e a amiga Rose, de chapéu

Lula puxou a fila com o seu histórico “Eu sou, mas quem não é?” Agora fechou. A temporada é de “sair do armário” e assumir abertamente as práticas desde sempre praticadas porque, no ponto que já alcançamos, como bem explicou outro dia o presidente de honra do PMDB e vice-presidente da republica petista, Michel Temer, o homem de 5 bilhões de reais, interessa a todos ter na posição que controla a instalação ou não de CPIs e a abertura ou não de processos nos conselhos de ética das duas casas de “representantes do povo”, gente “com sensibilidade” para o mesmo tipo de “problema” que suja a ficha corrida de quase todos os membros do Congresso Nacional.

Quem resumiu com perfeição a evolução do quadro em seu ultimo artigo para o Estadão, “300 picaretas e uma pá de cal (aqui), foi Fernando Gabeira, um dos últimos florões da esquerda honesta.

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O “frigorífico” que matava “os bois” com que Renan explicou sua fortuna

O Congresso deixa de existir … O mensalão foi o ato inaugural … Em seguida vieram as medidas provisórias … Os parlamentares tomaram carona nesse veículo autoritário. E inserem as medidas mais estapafúrdias no texto das MPs … Ha interesses econômicos diretos por trás de cada uma dessas emendas. A perda de espaço para o Executivo não é o problema desde que os negócios continuem fluindo … o que interessa é o dinheiro … o Congresso é um membro amputado da nossa anatomia democrática”.

Na sexta-feira Dora Kramer se perguntava se isso ainda pode piorar.

Não é que é possível piorar. É quase obrigatório. Essa escada desce para muito além do Inferno, como prova a Argentina.

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Estive lendo o Getúlio, de Lira Neto (aqui), nas últimas duas semanas (livro imprescindível de que voltaremos a falar aqui no Vespeiro) e não fico só nas impressionantes semelhanças com o quadro atual que o autor ressalta desde o prólogo, com a aniquilação moral do Congresso como passo inicial da ditadura.

É bem pior que isso.

Cada Getúlio Vargas traz o seu Lula no ventre. Lula também carrega o seu. É como uma maldição. Uma vez instalado um filtro negativo no topo da hierarquia, só o pior passará para cima, senão pelo mais, pela razão que Michel Temer resumiu tão acacianamente. É um imperativo de sobrevivência. Se sobrar alguma instituição democrática em pé, a casa inteira estará sempre ameaçada de cair. E estou falando, aqui, no jargão do Tropa de Elite.

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O bode Galeguinho na “construtora” que Henrique Alves “contratou” por milhões

E quais são as que nos restam?

A imprensa independente em crise de mudança de paradigma tecnológico e a pontinha de cima do Judiciário que ainda manda prender mas não é obedecida. E – vá lá, para os mais otimistas – uma presidente que ainda afirma o valor da imprensa livre e da educação e reage ao menos diante dos flagrantes de “malfeitoria” em seus subordinados.

A próxima carga pela “democratização da mídia” a la Rui Falcão e Franklin Martins já virá do Congresso que elegeu Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves como seus representantes máximos.

Sobre o Judiciário que resta, tanto Lula quanto Roberto Gurgel, o paladino do Ministério Público Federal, sabem – para alegria de um e desespero do outro – é só uma questão de tempo até que ele seja lewandowskizado de cabo a rabo.

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Ha 42 anos (11 mandatos) vivendo e aprendendo Congresso Nacional

E a Dilma, concorre à reeleição?

A declaração de ontem de Lula de que “não pretende morrer tossindo na cama; vai para o palanque”, soou como um “sua avó subiu no telhado”…

Seja como for, tudo vai depender dela conseguir ou não reverter o “pibinho”. Se emplacar, terá de enfrentar o neto de Miguel Arraes, Eduardo Campos, já em 2014 e o eleitorado terá de escolher entre o 6 e a meia dúzia. Se tudo que já está armado além da próxima curva na economia desabar antes do prazo, Lula está aí para “salvar a pátria”.

De modo que…

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Diga não à impunidade

17 de dezembro de 2012 § 2 Comentários

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VOTE CONTRA A

CASTRAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

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O Ministério Público de São Paulo está convocando um abaixo assinado contra o Projeto de Emenda Constitucional nº 37 do deputado Lourival Mendes, do PT, já aprovado em Comissão Especial e prestes a ser votado pelo plenário da Câmara.

A PEC 37 confere às polícias, subordinadas aos próprios visados, a exclusividade para investigar crimes como os de corrupção, desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro e crime organizado.

A Constituição de 88 deu essa atribuição ao Ministério Público na expectativa de romper a impunidade que sempre prevaleceu entre os criminosos que se escondem dentro do Estado brasileiro.

O efeito tem sido devastador para esses criminosos que, agora, querem a sua impunidade de volta.

DEFENDA-SE! 

ASSINE AQUI:
http://www.change.org/pec37

 E REPASSE PARA TODA A SUA LISTA

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