Por um PT que roube mas faça!
22 de março de 2013 § 2 Comentários
Os jornais desta semana estavam de deixar a gente pequenininho.
Começamos com a safra anual de cadáveres das enxurradas das serras cariocas, que desde 2011 correm por terrenos devastados que continuam exatamente como as daquele ano os deixaram. Os bilhões do socorro estão nos bolsos de sempre.
Terminamos com a revelação revoltante da ruina nova em folha dos prédios do Minha Casa, Minha Vida, o programa xodó de dona Dilma, em que foram atirados os sobreviventes pretos e pobres do afogamento em massa no lixo de dois anos atrás no Morro do Bumba.
Tudo isso naquele mesmo Rio de Janeiro de Sérgio Cabral, o obsceno sócio de Fernando Cavendish, o ininvestigável dono da Delta Construções, campeã das campeãs das licitações das obras do PAC, filho da Dilma, em que Lula e ela vivem se esfregando sempre que podem.
De troco, levamos para o fim-de-semana a revelação de que Lula se transformou uma espécie de Rosemary Noronha da Dilma, levando e trazendo a “influência” do nome dela aos mais “barra suja” entre os títeres da África e da América Latina para conseguir para os tradicionais ladravazes da coisa pública desta república – Odebrecht, Camargo Correa e OAS – mamatas bilionárias aquém e além-mar.
Entre uma coisa e outra, assistimos à devolução cerimonial dos primeiros ministérios “faxinados” por sua excelência aos mesmos vendilhões que, em dias mais ensolarados que os últimos, ela houve por bem expulsar do templo.
Como pano de fundo de tudo, fomos brindados com a notícia de que a popularidade de Dilma continua crescendo, já tendo ultrapassado até a de “deus pai”, e que a explicação para isto pode ser encontrada principalmente no Nordeste, onde a multidão dos tomadores de Bolsas Família embevecidamente agradecida a “Mãe Dilma” e “Pai Lula”, como eles são chamados naquelas beiradas de sertão, aumenta a cada dia com a seca, enquanto o candidato “de oposição de esquerda”, neto de Miguel Arraes, inicia confabulações com José Serra, o traíra fundamental, sinal seguro de que terá um vôo sem escalas para a cova do opróbrio e do esquecimento.
Tudo isso nos diz que dona Dilma relaxou, gozou e aderiu de corpo e alma à conta de chegar que inspira todas as ações estratégicas de seus correligionários, certa de que tem dinheiro bastante para comprar incontáveis milhões de miseráveis e dezenas de eleições antes que o Brasil acabe.
Provavelmente está certa.
É que a carga tributária que foi sendo amontoada sobre os produtores brasileiros um pouco a cada ano ao longo dos últimos 114 anos de República, sempre para tapar buracos e fechar contas de chegar, incluia a expectativa de que pelo menos a metade dela nunca chegasse a ser arrecadada, graças à sonegação.
O que o Brasil e o PT nunca esperaram é que, justo na vez dele, todo o dinheiro e todas as transações do mundo fossem convertidas em bits e a Receita Federal, aparelhada com os supercomputadores da NASA, se transformasse no implacável instrumento de opressão em que se transformou.
Isso fez com que todos os 35% do PIB a que monta o par de milhões de leis, portarias, decretos e gambiarras escritas no último século e pouco com o propósito de nos arrancar dinheiro passassem a ser integralmente arrecadados.
O resultado está hoje em matéria do Valor, reportando estudo encomendado pelo jornal à LCA Consultores, que mostra que os R$ 43 bilhões em renuncias fiscais distribuídos entre o povo e os amigos do PT no ano passado não chegam a custar 1% do que o PT arrecada hoje havendo, portanto, bife que chegue para ser distribuído a granel pelos próximos muitos anos, de modo a comprar mais governabilidade do que há para vender e a aumentar ilimitadamente a horda dos eternamente gratos a “mãinha” e “painho”, antes que os efeitos da morte da indústria nacional, que é o reverso dessa medalha, se façam sentir nas ruas.
Até lá, seguimos importando baratinho da China o que antes era feito aqui e aparelhando os barracos do Brasil de belos e reluzentes eletrodomésticos.
Posta essa perspectiva, e considerando que pelo grau de estrangulamento em que vamos a agricultura é a próxima a morrer de aterosclerose rodoviária e falência múltipla dos portos e aeroportos, pus os prós e os contras na balança e, bem pé no chão, proponho ao país uma nova campanha, mais condizente com a nossa realidade de irreversível miséria moral.
“Rouba, PT! Mas faz, pelo amor de deus!”
Entenda como (e quanto) estão te roubando
15 de junho de 2012 § 2 Comentários
A receita para a “solução” é um tanto simplista. Com o sistema que temos não adianta votar bem. Com essas regras do jogo, até Madre Tereza de Calcutá se corrompe. Será preciso muito mais que votar bem pra arrumar esse nosso bordel.
Mas a explicação sobre como e quanto te roubam É OTIMA!
Filme enviado por Rosa May Sampaio
“É recorde de arrecadação todo mês”
29 de fevereiro de 2012 § 2 Comentários
“As contas do setor público fecharam o mês de janeiro com superávit primário de R$ 26,016 bilhões (…)
O superávit do Governo Federal foi de R$ 20,233 bilhões (…) o dos Estados e municípios, de R$ 5,236 bilhões (…)
Esse foi o melhor resultado para o mês de janeiro desde o início da série em 2001″. Está no www.estadao.com.
Os governos vão de vento em popa.
É recorde de arrecadação todo mês.
Já a industria estrebucha debaixo da carga somada dos impostos mais altos do mundo com a pior infraestrutura do mundo.
Mas se a industria vai tão mal, como é que continuamos tendo recordes de arrecadação?
Bom, tem a China, as commodities, a nova classe média bombando. E seja onde for que se fabrique o que ela consome o leão morde o seu naco de qualquer jeito…
Mas não é só isso não.
O sistema tributário brasileiro não é uma construção racional montada para extrair o necessário ferindo o mínimo, como acontece pelo mundo afora.
É, como quase toda obra do governo por aqui, um empilhamento de erros sobre erros para atender uma conta de chegar de qualquer maneira.
Foi feito na base de cercar o frango a cada nova edição do orçamento para que o tanto que eles precisavam para tapar os rombos do ano chegasse aos cofres públicos mesmo com toda a sonegação que se contava como certa porque não havia nenhuma preocupação com racionalidade e precisão, só a de atirar em quem estivesse mais perto.
Mas aí veio a informatização completa de todas as movimentações financeiras, o PT e o computador da Nasa para a Receita Federal. E então cada tostão daqueles impostos todos, que antes ninguém se preocupava muito em criticar porque era fácil sonegar, passaram a ser de fato arrancados de todas as empresas do Brasil.
Acontece que a mesma informática que deu essa eficiência inexoravel à arrecadação tornou global o mercado e trouxe a China e todos os outros competidores com infraestrutura milionária e sistemas tributários feitos para voar para dentro do nosso quintal.
É disso que está morrendo a industria, o setor onde tudo é físico e tudo é imobilizado, e nenhum resquício de informalidade conseguiu sobreviver ao advento do computador.
Assim, enquanto posa de justiceiro tributário, o governo, a quem só interessa poder, está matando a galinha dos ovos de ouro enquanto o país, sob a anestesia da multiplicação dos preços das commodities e do boom dos serviços empurrado a crédito subsidiado, dança alegremente o seu Baile da Ilha Fiscal.

















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