A mentira no estado da arte
12 de setembro de 2014 § 4 Comments
Que Marina Silva é um produto perecível que se deteriora tanto mais quanto mais aparece na TV era algo que me parecia claro desde sempre. Em matéria de falta de sex appeal ela é pareo duro para a Dilma Rousseff real, com a diferenca que os competentes marqueteiros do PT sabem disso desde sempre e os de Marina parece que ainda não tiveram tempo de percebê-lo.
A Dilma real despencou naquela safra fortuita de entrevistas ao vivo e debates na TV; a Marina virtual subiu como um foguete em função daqueles 15 dias em que aparecia da telinha sem dizer nada – apenas um avatar – que se seguiram à morte de Eduardo Campos.
Subiu porque tornou-se visivel.
Desde então a coisa inverteu-se. A Marina real começou a falar com sua propria voz e expor suas próprias idéias e quanto mais fala mais cai. Já a Dilma real calou-se; saiu de cena a sua desarticulação crônica de idéias. Foi substituida pela Dilma virtual, esse boneco de ventríloquo dos marqueteiros do PT bem editado, photoshopeado e produzido, e quanto mais eles mentem em seu nome, mais ela sobe.
A grande “qualidade” dos marqueteiros do PT, aliás, é a sua convicção absoluta de que a realidade não conta para nada para a massa dos desinformados eleitores deste brazilsão “du bôça familha”; o que vale é o “acabamento”, o “padrão Globo de qualidade” que se venha a dar a toda e qualquer mentira que se lhes atire.
Conta a favor deles a disciplina imposta pelo “centralismo democrático” do partido, onde as vaidades pessoais cedem lugar ao valor maior que se alevanta que é continuar montado no cavalo do poder e manter os empregos e a impunidade garantidas. Assim, em vez de chocar os eleitores com aquelas pílulas de quatro ou cinco segundos para cada candidato a soldado da aliança pelo poder nas futuras casas legislativas (enquanto eles as mantiverem abertas), põem uma única mocinha bonitinha, sempre a mesma, profissional, vendendo o que o partido não é num texto perfeitamente articulado, sem caretas, nem hesitações nem olhos desviados para o teleprompter, enquanto os candidatos e seus numeros e nomes vão aparecendo mudos por tras da cena, cruzando os braços, um por um, como naquelas apresentações das seleções da Copa do Mundo.
O que resulta é um discurso totalmente coerente e articulado de “propostas”, “realizações” ou ataques aos adversários com começo, meio e fim – não importando a mínima o pormenor delas terem ou não sido de fato realizadas ou acontecido – em vez da colcha de retalhos sem nexo em que se perdem os seus adversários, com aquelas figuras em geral teratológicas que aparecem dizendo frases grotescas ou ininteligíveis.
Confusão e desarticulação x coerência e articulação, embora na vida real – na economia, na ordem institucional e na roubalheira, as obras reais do PT – o que se constata é precisamente o contrário: está tudo caindo aos pedaços.
Pouco importa. Como Dora Kramer nota bem no Estado de hoje, o PT desistiu de convencer e assumiu francamente a missão de enganar, com a Dilma ventríloqua dizendo “com fé” e em frases suerpreendentemente cheias de nexo, não só que Marina Silva é a candidata dos banqueiros já que vai dar autonomia ao Banco Central (!!!???), como explicando didaticamente como, quando e porque seu governo deu combate sem trégua à corrupção, e tanto e com tanto empenho que acabou passando a falsa impressão de que a corrupção aumentou…
Aécio, espremido nos seus poucos minutos de presença na telinha, navega em trajetória do erro semelhante. Brilhou quando teve a chance de se mostrar como é, nas entrevistas e debates; virou uma nota de 3 reais incapaz de passar autenticidade nas peças produzidas em estúdio quando recita o discurso paupérrimo do seu marqueteiro que, aliás, tem embolsado o dinheiro mais mal gasto de toda a história das campanhas do PSDB. Ele não é só um zero à esquerda. Ele acrescenta pontos e mais pontos negativos à imagem do candidato cada vez que se manifesta.
Se pusessem Aécio numa sala discutindo em seus próprios termos os problemas do Brasil e gravassem de longe o seu modo de se expressar sobre eles, não economizavam apenas o pagamento das horas de estúdio que estão desperdiçando hoje; podiam editar as conversas e, assim, mostrar o candidato real que, posto ao lado das duas senhoras reais que disputam com ele, brilha na escuridão.
Nesse incrível circo de realidade fantástica – eis o que é pior – não entra nas considerações de ninguém o único tema importante desta eleição onde se joga a permanência ou não do Brasil no campo democrático. Como nenhuma das “fontes” trata desse pormenor num contexto em que a imprensa se auto-lobotomizou e proibe-se de dizer qualquer coisa que elas não tenham dito, tudo leva a crer, a julgar pela pesquisa de hoje (39% x 31% x 15%), que o país cruzará para o “outro lado” sem ter a mais leve suspeita de que é isso que está fazendo.
Adiada a morte do capitalismo
5 de setembro de 2014 § 12 Comments
Os arautos da morte iminente do capitalismo e do triunfo final do bolivarianismo (só restam versões em português e espanhol daquilo que, um dia, o mundo chamou de “socialismo“) terão de esperar mais um bom tempo.
Somente neste 2014 em que o Brasil, com seus 30 e tantos partidos “socialistas“, hesita entre entrar ou não para o clube dos seus vizinhos mais atrasados abrindo mão até da democracia ou permanecer no “socialismo” meio-democrático de sempre, 188 novas companhias levantaram 40 bilhões de dolares em IPO’s (ofertas iniciais de ações) na Bolsa de Valores de Nova York e outras 100 esperam na fila. Os analistas americanos calculam em um mínimo de 80 bilhões os lançamentos de novas empresas até o fim deste ano.
Nenhuma dessas companhias, naturalmente, é propriedade de amigos do presidente Obama nem precisou de dinheiro de bancos oficiais, coisa que não existe por lá.
O setor que mais lança ações é, como sempre, o de tecnologia e esse numero deverá explodir com o esperado lançamento de ações do site chinês Alibaba, um concorrente da Amazon que espera colocar 20 bilhões de dolares em ações.
Os setores de biotecnologia e saude estão em segundo e terceiro lugares, atras do de tecnologia, o que mostra quanto rende um bom sistema de educação, seguidos pelos de finanças e energia.
O numero é um recorde desde a crise de 2007.
Ontem, ainda, foi publicado o numero de empregos criados nos Estados Unidos em agosto: 204.000. É o quinto mes seguido com mais de 200 mil empregos criados, excluídos os empregos no setor do agronegócio.
PS.: Onde é mesmo que está havendo “uma das piores crises por que o mundo já passou“, aquela que a Dilma, com seu “coração forte” está “driblando com farta criação de empregos“? Ninguém sabe, ninguém viu, a começar, é claro, pelos competentes marqueteiros de Aécio Neves e Marina Silva.








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