Morre a namorada de Bob Dylan

1 de março de 2011 § 1 Comment

Morreu ha uma semana, dia 24 de fevereiro, aos 67 anos, Suze Rotolo, a namorada de Bob Dylan que aparece na foto da capa de The Freeweeling, um marco de uma época onde estão gravadas algumas das suas mais legendárias baladas.

O que segue abaixo é a tradução de um texto em espanhol de Fernando Navarro que me foi enviado por José Neumanne Pinto.

“Sem nunca ter cantado nem participado de qualquer banda, Susan “Suze” Rotolo faz parte da iconografia mais legendaria da musica popular. Sua imagem, sorridente, agarrada ao braço de um jovem Bob Dylan, passeando por Greenwich Village, se converteu num símbolo dos tempos de mudança que o bardo da musica folk norte-americana cantava.

É um instantâneo irretocável de um disco também irretocável, obra prima da musica de autor. É em Freeweeling, lançado em 1963, que estão hinos como Blowing in the Wind e Dont Think Twice, its All Right.

Essa capa ficou tão famosa que a esquina da Jones com a 4th Street, por onde Dylan e Rotolo estão passeando, virou um lugar de romaria para os seus fãs e seguidores que passou a constar de todos os guias de Nova York. Não muito longe desse lugar estava o apartamento em que eles moraram no Village.

Eles se conheceram em 1961, em um concerto, quando ela tinha 17 anos e ele 20, e foi com ela na cabeça que Dylan compôs canções como Boots of Spanish Leather,Tomorrow is a Long TimeDont Think Twice, its All Right. Nesta ultima a letra diz “Eu lhe dei o meu coração mas ela queria a minha alma”.

No meio do namoro Rotolo viajou para a Itália durante seis meses e isso colocou uma nota melancólica nas composições de Dylan. A hipnótica Girl from the North Country, que ele regravaria com Johnny Cash em Nashville, foi escrita na Inglaterra quando ele viajou para a Europa para buscar a namorada na Itália, sem saber que ela já estava voltando para Nova York.

No seu livro de memórias, Chronicles, Dylan escreve: “Desde o primeiro momento em que a vi não consegui mais tirar os olhos de cima dela. Ela era a coisa mais erótica que eu jamais tinha visto. Era linda com sua pele e seus cabelos dourados e o seu sangue italiano. Assim que começamos a falar, minha cabeça começou a girar”.

Rotolo foi mais que uma atração física para Dylan. Ela influenciou muito as ideias do jovem cantor que, naquela altura, era uma esponja que absorvia tudo que se passava à sua volta. Filha de simpatizantes do comunismo, Rotolo irradiava consciência de classe naqueles Estados Unidos convulsionados dos anos 60. A temática pacifista e contestadora de Dylan naquela época deve muito a ela, leitora compulsiva de ensaios políticos e militante de grupos envolvidos na luta pelos direitos civis que, como tantos em sua época, apoiou a Cuba castrista.

Dylan deixaria Rotolo para namorar Joan Baez.

Em 2009 Rotolo publicou o livro A Freeweeling Time: A Memoir of Greenwich Village in the Sixties, no qual fala do seu namoro de três anos com o cantor e conduz o leitor pelos bares e cafés onde nasceu um dos movimentos artísticos contemporâneos mais interessantes. O livro é um elemento fundamental para se entender as conquistas sociais daquela época dos Estados Unidos e palpar o universo que gerou a musica de Bob Dylan”.

Ballad in Plain D, uma daquelas típicas baladas-mantra de Dylan que fazem quem ouve sentir saudade sem saber de quê, conta a história desse amor.

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