BRB corre contra o tempo
25 de fevereiro de 2026 § Deixe um comentário


Se até o final de março, quando publicar seu balanço, o banco estatal de Brasília não tiver alinhado uma solução, vai ser difícil escapar da intervenção ou da federalização.
Antes mesmo da compra do Master ser rejeitada pelo BC, o BRB injetou R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito fraudadas.
O governo do DF não tem dinheiro para aportar no banco, fechou as contas de 2025 com um déficit de R$ 900 milhões.
Em Brasília, há quem calcule que o rombo pode vir a atingir R$ 15 bilhões.
Nem os imóveis seriam suficientes para cobrir o crédito e nem o governo de Ibaneis parece estar interessado em – ou ter condições de – aprová-lo agora no Legislativo distrital.
Quanto mais demora para encontrar uma solução, mais cresce o rombo do BRB, o que aumenta as chances de o Banco Central decretar uma intervenção.
Nos bastidores, o governador do DF já deu sinais de que preferia empurrar a definição sobre o rumo do banco para meados de abril.
O farto acervo de declarações públicas a favor da compra do Master pelo BRB pode representar uma tremenda dor de cabeça para o governador em um cenário já congestionado pelas pré-candidaturas ao Senado de Michelle Bolsonaro (PL), Bia Kicis (PL) e Leila do Vôlei (PDT).
O investimento foi defendido publicamente por Ibaneis em diferentes ocasiões, além do próprio “excesso de confiança” no então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que comandou as negociações.
Desde então, o governador é alvo de pedidos de impeachment no DF e sua pré-candidatura ao Senado tem sido colocada em dúvida.
O BRB fez uma força-tarefa na Faria Lima arrecadando R$ 5 bilhões e quer R$ 9 bi pelas carteiras do Credcesta e mais R$ 2 bi em títulos de direitos creditórios da Tirreno.
Na lista de ativos oferecidos ao mercado estão também participações em empresas ligadas a Nelson Tanure, como Ambipar, Oncoclínicas, Aliança e Liga.
O Banco de Brasília convocou assembleia geral extraordinária para 18 de março de 2026, quando acionistas votarão aumento de capital social entre R$ 529 milhões e R$ 8,86 bilhões para reforça o patrimônio líquido.
Aprovada a proposta, o capital social atual (R$ 2,344 bilhões) subirá para no mínimo R$ 2,873 bilhões ou até R$ 11,204 bilhões, via subscrição privada de até 1,675 bilhão de ações a R$ 5,29 cada.
O plano depende de projeto de lei na Câmara Legislativa do DF, que autoriza crédito de até R$ 6,6 bilhões do FGC e aporte de nove imóveis públicos (sem o Parque do Guará).
Em 2 de março, o banco se reúne com deputados distritais para discutir detalhes antes da votação na Câmara.

















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