A verdade sobre aquele seu gatinho “tão fofo”
31 de janeiro de 2013 § 1 comentário
O Smithsonian Conservation Biology Institute em associação com o Fish and Wildlife Service, orgão federal que, nos Estados Unidos, reúne as atribuições divididas no Brasil entre o Ministério do Meio Ambiente e o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) acaba de publicar no Nature Communications Journal um estudo nacional que conclui que os gatos domésticos “são, isoladamente, a maior ameaça contra a fauna nativa e a biodiversidade nos Estados Unidos, responsáveis pela eliminação, anualmente, de 2,4 bilhões de aves e 12,3 bilhões de pequenos mamíferos nativos”, aí incluídos de coelhos para baixo na escala de tamanhos.
O estudo consistiu em reunir e consolidar todas as pesquisas de campo sobre o tema feitas por universidades e outras instituições reconhecidamente abalizadas, eliminar aquelas em que a amostra era muito pequena ou os resultados encontrados muito extremos e projetar o resultado para uma escala nacional, segundo cada tipo de ambiente pesquisado.
Desse escrutínio sobraram 21 estudos considerados os mais rigorosos já feitos no país.
Se a conclusão final não contrariou aquilo que já se sabia de modo genérico, os números finais surpreenderam os pesquisadores.
“Chegamos a números entre duas e quatro vezes maiores que os que se imaginava antes deste estudo. Os gatos domésticos são a maior entre todas as ameaças à vida selvagem direta ou indiretamente relacionadas à ocupação humana nos Estados Unidos. Mais aves e mamíferos morrem nos dentes dos gatos do que a soma dos que são vítimas de atropelamentos, dos venenos e pesticidas, das colisões com arranha-céus e usinas eólicas ou de qualquer outro fator antropogênico”.
Alguns dos detalhes importantes destacados da pesquisa incluem os seguintes:
- os mascotes morando com seus donos com acesso a jardins ou áreas maiores matam 29% das aves (696 milhões) e 11% dos mamíferos e outras espécies (1 bilhão 353 milhões) nativas abatidas por ano por gatos em todo o país;
- o restante das aves e animais abatidos são capturados por gatos domésticos “alongados”, ou seja, soltos ou escapados que se reproduzem na natureza e tornam-se semi-selvagens;
- esses gatos “alongados” ficam na categoria que os americanos classificam como “predadores subsidiados”, que são aqueles mais tolerados pelos humanos, vivem nas proximidades deles sem ser ameaçados e podem se garantir com as sobras que eles descartam; “tais espécies se estabelecem e proliferam muito mais facilmente que um coiote, por exemplo, que tem que contar exclusivamente com a natureza para sobreviver e, ainda assim, suficientemente longe dos homens”;

- calcula-se que existam pelo menos 80 milhões de gatos “alongados” ou simplesmente gatos sem dono vagando pelas matas e cidades dos Estados Unidos;
- mesmo os gatos domésticos bem alimentados não diminuem sua agressividade; um estudo da Universidade da Geórgia que instalou câmeras no pescoço desses animais e os monitorou 24 horas por dia mostrou que “qualquer bater de asas ou frêmito de outro animal desencadeia automaticamente o seu mecanismo de ataque que, em geral, é mortífero”;
- essas câmeras confirmam que passarinhos, batráquios, roedores de todas as espécies do tamanho de um gato para baixo e até coelhos são suas presas habituais; esses gatos atacam e põe para correr até cachorros muito maiores que eles.
Na verdade, não é necessário que seja um ser vivo. O proverbial novelo de lã agitado nervosamente pelo chão, como todo mundo sabe, desencadeia o bote de um gato. E não se trata apenas de “uma brincadeira” como tendem a pensar os urbanoides que perderam todo contato com a natureza e “humanizam” os comportamentos animais. Aquilo é uma manifestação do instinto e da natureza para sempre indomesticável dos gatos.
A população deste e de outros predadores invasivos está crescendo globalmente enquanto a população de aves e outras espécies nativas está em declínio visível, razão pela qual George H. Fenwick, presidente da American Bird Conservancy festejou a publicação dos resultados deste estudo como “um grande passo à frente” para conscientizar populações que têm sido induzidas pela mídia, pelas escolas e por organizações ideológicas militantes a pensar que resgatar gatos de rua ou reintroduzir na natureza gatos “alongados” presos em armadilhas em zonas semi rurais onde estejam provocado grandes prejuízos é a coisa certa a fazer “pelo bem da natureza”.
O artigo original de onde saiu este post foi publicado
no New York Times, está neste link e foi-me indicado por Katia Zero
Trecho interessante
7 de dezembro de 2012 § Deixe um comentário
Trecho interessante do artigo Do mel às cinzas de Fernando Gabeira, hoje no Estado (aqui):
“Não se pode reduzir a análise à trajetória da secretária Rosemary Nóvoa de Noronha. O nome de Paulo Vieira foi rejeitado pelo Senado, mas o governo decidiu forçar a barra, tanto do ponto vista político como regimental. Ao tomar uma decisão dessa ordem, o governo não sabia por quem estava atropelando o Congresso Nacional? Será que, no convívio com Rosemary, Lula nunca questionou: mas quem é esse cara que foi rejeitado pelo Congresso, por que vale a pena insistir nele?
A manobra para garantir o cargo a Paulo Vieira a qualquer custo contou com o apoio de senadores. Romero Jucá articulou e agora diz que nem se lembra do caso. Magno Malta fez um recurso para tornar viável a nova escolha de Vieira. Se lhe perguntarem, dificilmente dirá alguma coisa. José Sarney, então, é uma esfinge.
Acreditar que todo esse processo tenha tido como dínamo apenas o poder de sedução feminino bloqueia outros caminhos para conhecer o que se passou. Um governo não atropela o Congresso para impor uma indicação se não a considerar de grande importância estratégica. Vendo por outro ângulo, um governo não deixa de reexaminar uma indicação quando ela é rejeitada pelo Senado.
(…)
A quadrilha que negociava ilhas é apenas uma irrupção na montanha de cinzas. É preciso dinheiro para manter a máquina partidária, garantir eleições, pagar marqueteiros. É preciso dinheiro para se manter no poder. Só assim se faz dinheiro. Para continuar no poder“.
“O que sei de Lula”
8 de novembro de 2012 § 1 comentário
Entrevista publicada por sugestão de Varlice
O livro de José Neumanne pode ser comprado aqui.
O feminismo fez o mundo melhor?
16 de outubro de 2012 § 2 Comentários
Para acionar as legendas em português: 1) Inicie o filme; 2) No conjunto de ícones que aparecerá do lado direito, por baixo do vídeo, acione o segundo (a caixinha com duas “lihas” desenhadas dentro); 3) Clique em “Inglês transcrito”; 4) Acione “Configurações” para escolher a cor das letras; 5) Dê “OK”; 6) Com as legendas já aparecendo em inglês acione novamente a caixinha com duas linhas; 7) Clique em “Traduzir legendas”; 8) “Role” o índice até “Português”: 9) Dê “OK”. Não tente fazer tudo de uma vez só; o sistema só funcionará com esta sequência de passos.
Video sugerido por Patrice de Camaret
Elizabeth Warren é uma advogada especializada em falências da Harvard Law School que foi responsável em grande parte pela criação do Bureau de Proteção às Finanças dos Consumidores dos Estados Unidos. Tem um extenso trabalho nessa área que a projetou como uma das mais respeitadas autoridades no estudo da evolução da capacidade de consumo das famílias americanas. Em 2012 foi candidata ao governo de Massachusetts pelo Partido Democrata e, antes disso, trabalhou ativamente no planejamento das reações do governo Obama e do Congresso dos Estados Unidos à crise iniciada em 2008.
Nesta apresentação, em que olha o processo de encolhimento da classe média a partir de uma perspectiva mais longa, ela mostra, com medições precisas, como o movimento feminista, ao tirar a mulher do lar onde, com a criação dos filhos, os seres humanos desenvolviam a arte de conhecer-se em profundidade, e jogá-la na luta pelo dinheiro e pelo poder, o território por excelência da falsidade, do fingimento e da enganação, iniciou um processo sem final à vista que põe em cheque os fundamentos culturais e econômicos da democracia americana.
Entre os pontos que ela destaca estão:
- a renda dos casais, somada, aumentou mas a de cada trabalhador individualmente, caiu, principalmente a dos homens, dividida que foi pelo efeito do enorme crescimento da oferta de mão de obra (feminina) no mercado;
- o endividamento das famílias aumentou e o nível médio tradicional de poupança familiar hoje está reduzida a praticamente zero, o que indica que, feitas as contas, a absorção das mães pelo mercado de trabalho não acrescentou nada à economia da casa e da família, só tirou;
- vestir, comer, ter carro, tudo isso ficou mais barato que nos anos 70; mas os juros sobre a moradia subiram 64%, o seguro saúde 74% (com redução das vantagens); os cuidados com as crianças mais de 100%; os impostos 25%;
- hoje ¾ do dinheiro da classe média é gasto nessas despesas;
- no meio desse processo entraram em cena, com o “outsourcing”, os bilhões de trabalhadores miseráveis das “chinas” da vida disputando mais uma fatia do que antes era dividido apenas entre a massa trabalhadora masculina;
- tudo isso resultou, entre outras coisas, numa enorme pressão econômica contra ter filhos; a inflação para famílias com filhos subiu mais de 100% enquanto para famílias sem filhos ou gay subiu apenas 50%;
- ha muito menos disposição de contribuir para causas comunitárias (num país onde tudo de mais importante – educação, pesquisa, ciência, medicina, arte – é feito com esse tipo de dinheiro);
- os Estados Unidos estão saindo de um modelo de sociedade de três classes, com as duas dos extremos muito pequenas e a do meio enorme, para uma sociedade de duas classes, uma delas mais endividada e mais pobre a cada dia e distanciando-se cada vez mais da outra.
Haverá, naturalmente, quem se recuse a raciocinar desapaixonadamente a respeito e repita chavões e grunhidos “anti-chauvinistas” logo aos primeiros argumentos que Elizabeth Warren alinha. Mas quem acredita que tudo que fazemos neste “vale de lágrimas” deve ter como objetivo a busca da felicidade terá muito em que pensar a partir dos fatos que ela expõe.











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