China, EUA e a escolha que ha

28 de janeiro de 2020 § 37 Comentários

Artigo para O Estado de S. Paulo de 28/1/2019

O único avanço qualitativo do acordo China-Estados Unidos foi o reconhecimento, por Beijing, da figura jurídica da propriedade intelectual.

A 8a Cláusula da 8a Seção do Artigo 1º da Constituição americana de 1787 é, de longe, a mais revolucionária depois da que transmite o poder dos governantes para os governados. Pela primeira vez na historia tirou-se o trabalho intelectual do limbo em que o poder político e o poder econômico sempre o mantiveram para subjuga-lo. Os “Pais Fundadores” guindaram-no ao topo da cadeia de valor ao atribuir ao Congresso o poder de “Promover o progresso da ciência e das artes assegurando aos autores e inventores poderes exclusivos sobre seus escritos e descobertas por um tempo limitado”.

Na sua expertise na arte de colar na testa alheia os próprios defeitos, a esquerda conseguiu associar monopólio a capitalismo e propriedade privada a privilégio. Mas a garantia da apropriação pelo indivíduo do resultado do seu esforço é a condição essencial de libertação da miséria da massa dos que só tem de seu a própria força de trabalho. E monopólio – do poder político e do poder econômico – é a própria definição de socialismo. É precisamente aí que ele mata a mera possibilidade da liberdade, aliás, pois para além do blábláblá conceitual, é nas dimensões de trabalhador e consumidor que o cidadão comum a exerce se, e somente se, puder ser paparicado com reduções de preço e disputado com aumentos de salário por patrões e fornecedores competindo por ele.

Ao contrário da lenda, no capitalismo democrático é que o Estado impõe limites ao poder econômico. No “capitalismo de estado”, novo nome do socialismo, o Estado detém 100% do poder econômico e sua função é projetar internacionalmente a hegemonia incontestável que o ditador e seus “mega-empresários” amestrados já exercem internamente. Olhada objetivamente a História, o auge da civilização foi, portanto, a reorientação antitruste da democracia americana na virada do século 19 para o 20 quando passou a ser proibida, mesmo por competência, a ocupação de mercado além do limite necessário à preservação do “meio ambiente” que o exercício da liberdade individual requer, restando os ganhos de produtividade pela inovação como a única via de expansão legalmente admitida para o impulso da ganância que move o mundo.

Por analogia rolou na mesma época o movimento pela conquista das prerrogativas de cassar mandatos a qualquer momento, referendar leis dos legislativos e propor as suas próprias que deu pela primeira vez a meros “plebeus” a condição de correr atras dos seus direitos sem ter de pedir licença a ninguém. Como resultado os EUA avançaram mais, econômica e cientificamente falando, entre as décadas de 20 e 80 do século passado, que a humanidade em todos os milênios precedentes, desfrutando o maior grau de liberdade e a melhor distribuição de riqueza de todos os tempos.

O campo socialista, preso a dogmas petrificados, permaneceu afogado em sangue, terror e miséria, o que acabou provocando a confusão que a era do “capitalismo de estado” está desfazendo. Para a ciência e a inovação, sem duvida alguma, sim; mas para vencer disputas econômicas liberdade não é um ingrediente essencial. Ao contrário. Uma ditadura onde tudo depende da vontade de um homem só tem muito mais foco e velocidade de resposta, o que tirou dos americanos a exclusividade da flexibilidade de ação que tiveram no século passado. A “vantagem competitiva” passou a ser do patrão único, dispensado de seguir qualquer lei nacional ou internacional e com condições ilimitadas de matar concorrentes por dumping, desde que siga contando com o tiro na nuca e os campos de concentração, agora urbanos (dê um google em “Uighur papers”), para resolver controvérsias individuais ou coletivas.

A partir da globalização dos mercados pela expansão da informática dos anos 80 tudo mudou. A invasão do Ocidente pelos produtos chineses desonerados dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e do custo da dignidade no trabalho dizimaram empregos aos milhões e criaram pânico. E a primeira vitima foi a legislação antitruste. “Crescer ou morrer”, para enfrentar monopólios com monopólios, passou a ser a regra e o mundo começou a caminhar de volta para a Idade Média. Ao fim de décadas de fusões, aquisições e salários e empregos minguantes, tende a sobrar um barão com poder de corrupção ilimitado encastelado em cada monopólio setorial  e o resto da humanidade disputando migalhas a tapa. 

Seus antecessores, acovardados, correram a “achinezar” seu mercado de trabalho em vez de tratar de “ocidentalizar” o deles. E o “modo Trump” de reagir é tosco e pouco inteligente. Mas não se iluda com os desde sempre admiráveis “palácios” e “muralhas da China” pós-modernos: é civilização ou barbárie. Ou cobra-se imposto sobre bens em cuja produção não estão embutidos os custos de direitos do trabalho, concorrência e pesquisa e desenvolvimento e inicia-se o longo caminho de volta, ou a civilização ocidental será roída por dentro até o amargo fim.

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§ 37 Respostas para China, EUA e a escolha que ha

  • José Luiz de Sanctis disse:

    Quando os americanos começaram a levar suas indústrias para a China, um senador republicano (não lembro o nome) alertou sobre esse perigo. Na época riram dele pois era “conservador” demais. E agora?

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  • LSB disse:

    Fernão,

    O artigo mistura assuntos…

    Uma coisa é a formação da sociedade americana (estrutura política e econômica) que, totalmente desconhecida nas “Bruzundangas”, deveria ser, pelo contrário, modelo para nós.
    (e, acrescento, cuja divulgação é sua grande e maior “bandeira” / “missão”).

    Agora, outro assunto muito mais espinhoso é a China…
    (para começar, a história americana é um processo secular enquanto a China é um “fenômeno” recente…)

    A questão da China é complicada pois:

    1 – foi um país que iniciou seu processo de enriquecimento a partir de um patamar baixíssimo (extremamente miseráveis na década de 1970), daí que como condenar seu “laissez faire”? Como exigir que um país adote padrões sociais, salariais, etc. de primeiro mundo?

    Penso que exigências dos países ricos aos países pobres em termos de padrões de produção, meio ambiente, salários, etc. é só uma forma de impedir os países mais pobres de enriquecer…
    Provocada e criticada diversas vezes por negligência ao Meio Ambiente, a China respondia que tinha sim preocupação com o meio ambiente, mas primeiro tinha que cuidar da pobreza… Por anos a China manteve esse discurso até que alguns anos atrás a China – por iniciativa própria e desassociadamente das críticas recebidas – começou a substituir usinas a carvão, implantar controle de poluição em fábricas, etc.
    De fato, a China não é (ao menos ainda) um modelo “environment friendly”, mas está, aos poucos, seguindo esse caminho… conforme entende que não seja impeditivo ao seu crescimento…
    Enfim, é justo que países ricos ditem padrões que países pobres não tenham condições de cumprir?

    Países pobres precisam vender para países ricos (até para comprar insumos que não possuem e não são supérfluos ou dispensáveis, tal como “vacinas”).
    Mas se países pobres tiverem que atender padrões de países ricos, eles não são competitivos… (a produtividade é muito menor… o estoque de capital é infinitamente menor… etc.).

    O Estado de Bem Estar europeu (luxo de países ricos; ou seja, enriqueceram primeiro para depois ir criando serviços públicos à medida que os mesmos fossem financiáveis sem “travar” ou acabar com a competitividade da economia) foi copiado em diversos países pobre ou em desenvolvimento (AL principalmente). E qual o resultado?
    Estagnação. Armadilha da “renda média”. Isso porque tais países não tinham (e não têm) condições de implantar Estados de Bem Estar Social nos moldes europeu….

    Daí, como exigir que China, ou qualquer outro país pobre ou em desenvolvimento, adote padrões ricos que não estão aptos (preparados/capazes) a (para) adotar?

    2 – Poderíamos argumentar que, caso a China fosse uma democracia, dificilmente ela manteria seu “laissez faire” até hoje… E que, dificilmente também, manteria o câmbio desvalorizado como sempre manteve (somente possível porque o governo, com controle absoluto sobre a economia, utiliza a poupança privada para financiar tanto a compra de dólares – para manter a taxa desejada – como para financiar suas estatais e demais dívidas públicas).

    Mas como exigir democracia de um país?
    Democracia não é um sistema que se compra e se instala. Depende, de fato, de fatores culturais (que somente são forjados com o tempo…).
    Experiências recentes de se tentar implantar democracias em países sem quaisquer traços históricos de democracia foram verdadeiros fracasso (para não dizer quase “trágicas”): Iraque, Líbia, Egito, Tunísia, etc.

    Mesmo na AL, de formação europeia, a democracia é totalmente mal compreendida (nas palavras de Sérgio Buarque de Holanda em “Raízes do Brasil”: “A democracia no Brasil sempre foi um lamentável mal entendido”).
    De fato, nosso arremedo mesmo de democracia é sempre saudado por jornalistas, acadêmicos, intelectuais e “bem pensantes” em geral (“intelligentsia”) como “pujante”, “vibrante” e “vigorosa”; e ainda temos que ouvir destes baboseiras de “grosso calibre” tais como: “as instituições estão funcionando” (para quem, cara pálida?), “festa da democracia” (em épocas eleitorais), “a democracia está viva no Brasil”, etc.

    Ou seja, nem os países de formação europeia, como o nosso, sabem o que significa democracia ou como “implantá-la”, quiçá China, Oriente Médio, etc.

    Para concluir, então, o fenômeno “China” está aí e como conviver com ela é que é o desafio “democrático” do Ocidente, pois (a) não me parece justo tentar impor padrões elevados a países pobres* e (b) também não dá para esperar a China se tornar democrática (e tentar impor isso também não vai funcionar).
    O caminho, além de NEGOCIAÇÕES, seria o Ocidente rever “democraticamente” seus padrões: poupança, gastos, investimentos, etc.** (pois democracia existe para isso: resolver problemas e não, como parece ser do entendimento geral – ao menos na AL e Europa, uma grande lista de “desejos” a ser implementada ao longo dos anos).

    Em suma, “lidar” com a China é um tema “complexo” e complicado*** e eu não tenho uma “receita pronta”, embora acredito que as observações acima devem ser levadas em consideração…
    (E, de novo, impor padrões a países pobres somente irão condená-los à pobreza. Impor democracia também não funciona. Excluir do “jogo” também significa mantê-los na pobreza…)

    Abs
    LSB

    * Evidente que algumas exigências e/ou punições podem (poderiam) ser aplicadas (exemplo: proteção à propriedade intelectual e punição à sua violação). Mas são mais exceções do que possibilidades de “regra geral” (tipo, se não seguir todos padrões ocidentais, aplica-se punições e retaliações comerciais, impostos de importação, suspensão de compras ou de vendas, etc.)…

    ** Simplificadamente, se você tem algum tipo de “monopólio” ou “domínio” sobre o mercado (como os países ricos tinham no tocante à indústria), você pode impor seu preço (e, consequentemente, seu padrão de vida, é claro). Se aparecem novos concorrentes (China), produzindo de forma bem mais barata que você, não há outra alternativa a não ser aumentar a produtividade, investir mais, inovar, baixar preço (e lucro/ganhos), etc.

    *** Até mesmo porque os países ocidentais também ganharam e ganham com a produção barata chinesa (há perdas e ganhos para todos os lados nessa história…).

    PS: pode-se considerar Trump “tosco e pouco inteligente”, mas deve-se reconhecer que a crítica que ele faz à China tem algum fundamento…

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    • flm disse:

      Sem entrar nos seus argumentos, quem tem de defender o seu mercado de trabalho e as suas conquistas civilizatórias é o Ocidente. Ele deveria por imposto em bens que entram em seu mercado para matar empregos e achinezar seu padrão de trabalho e matar sua democracia. A China é problema da China…

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      • LSB disse:

        O problema é que se for “lícito” e/ou justo o Ocidente impor impostos sobre bens chineses para evitar que entrem “em seu mercado para matar empregos e achinezar seu padrão de trabalho e matar sua democracia”, também seria justo e defensável os países ricos imporem impostos sobre nossos produtos (já que os salários aqui são bem mais baixos, padrões ambientais, ao menos na prática, idem, etc. etc.) sob os mesmos argumentos…

        É justo impor parâmetros do primeiro mundo para o terceiro (que não podem cumprir) sob pena destes não poderem comercializar seus bens e produtos?

        Como os países mais pobres poderiam (podem) se desenvolver se tivessem (tiverem) que assegurar padrão de primeiro mundo (e cujas economias não atingem produtividade para tanto)?

        Para pensar…

        Abs
        LSB

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  • Nelson Cueva disse:

    Brimão, ótimo artigo.
    Tenho dificuldade em imaginar o futuro com a China avançando em todos os setores.

    Como sou testemunha da História, vejo os produtos chineses, que antes eram tidos como segunda linha, hoje estão com ótima qualidade competindo em pé de igualdade com os líderes mundiais.
    Este artigo que você me mandou fala entretanto de um novo momento qual seja do reconhecimento por Beijing da Propriedade Intelectual. Os custos envolvidos em P&D são astronômicos e a China tem se aproveitado disso simplesmente copiando, aliás com a autorização dos detentores dessas tecnologias já que eles se utilizam dos custos baratos de produção chinês que não contemplam os custos dos direitos de trabalho nem os custos do capital empregado e de giro.
    Lembro dos anos 50 quando meu pai Pedrão nos comprava brinquedos japoneses, brinquedos feitos em lata, de péssima qualidade e sem criatividade alguma. E depois o Japão passou a copiar e copiar e deu no que deu. Não foi diferente com a Coréia do Sul e não será diferente com a China. A diferença diferente entretanto está na população de 1,4 bilhão de indivíduos, algo novo nesse contesto já que a China também percebeu que só ter um volume imenso de pessoas não é suficiente. A China descobriu que o segredo está na cultura e é por isso que as universidades se multiplicam, inundando o país com profissionais para todos os segmentos de mercado.
    Não sei o que acontecerá com esse novo plano da China reconhecendo a Propriedade Intelectual e ao mesmo tempo anunciando grandes investimentos em P&D para garantir sua liderança mundial em tecnologia mas, que a balança mundial está mudando de posição, isso é verdade.
    Vamos aguardar.

    Bração primão,
    Nelson Testemunha da História Cueva
    PS: Pegamos mais 2 pedidos na China!

    De: jcueva@uol.com.br
    Enviada em: terça-feira, 28 de janeiro de 2020 09:58
    Para: Nelson Cueva
    Assunto: Enc: [Novo post] China, EUA e a escolha que ha

    Fernão, outra voz que clama no deserto…

    Enviado via UOL Mail
    ________________________________

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    • LSB disse:

      Salvo uma grave e prolongada crise (e isto não levaria de “roldão” todo o resto do mundo?), a China será “patrão” e o ocidente (principalmente) “funcionário” dela…

      Já são os grandes financiadores de dívidas públicas e compram cada vez mais ativos pelo mundo afora (petróleo, reservas minerais, energia e infraestrutura, etc.).
      Agora partem para a alta tecnologia…

      Ou seja, se nós, ocidentais, reclamamos agora da “competição chinesa”, quero ver o que acontecerá quando a China começar a cobrar a “fatura” (empréstimos e demais “dividendos”)…

      Guerra não é um cenário desconsiderável nesse possível (provável?) futuro “imperialista” chinês; pelo contrário, é uma consequência / desdobramento político que, ao meu ver, apresenta uma probabilidade de ocorrência nada, nada, nada desprezível…

      abs
      LSB

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  • flm disse:

    Você está confundindo as coisas, LSB.
    A China termina seu ciclo de conquista (desonesta) de mercado (que resulta em redução de liberdades no Ocidente) comprando títulos americanos porque sabe que sendo os EUA o país onde o presidente é individualmente o menos poderoso do mundo, não pode dar calote impunemente nos seus nacionais e, sendo assim, não dará também nos estrangeiros que comprarem seus papéis.
    Os EUA não precisam do “financiamento” chinês, os chineses é que precisam da segurança institucional americana como única parte com credibilidade do seu lastro financeiro. Tudo que tem base na própria China não vale nada nem tem credibilidade para levantar recursos exatamente porque aquilo é uma ditadura que pode passar por cima das regras na hora que quiser.
    Por esse lado, portanto, não haverá “cobrança” ou “execução” de divida e se houvesse, o problema seria da China e não dos EUA.
    Quem precisa de lastro em dólar é a China e não os EUA que precisam de financiamento em yuans.

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    • LSB disse:

      A relação é simbiótica. Sem China, EUA não manteriam juros baixos e inflação baixa ao mesmo tempo.
      Concordo que a China precisa da segurança jurídica do “dólar”, mas é fato que atualmente ela exporta poupança* (superávits comerciais com taxa de câmbio controlada / manipulada a partir da poupança doméstica).
      A questão é quando (e se, obviamente) a China passar a não mais exportar poupança (aumentar seu consumo interno, diminuir ou encarecer exportações, valorizar seu câmbio, passar a ter déficit comercial, etc)** …

      Abs
      LSB

      *O governo chinês e estatais chinesas são endividadas, mas a população poupa “40%” dos ganhos e tal poupança privada é manipulada pelo governo (que faz o que quer, já que não é uma democracia).

      ** Nesse caso, até iria aumentar o emprego no Ocidente, MAS as condições financeiras piorariam sensivelmente..

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    • LSB disse:

      Vou complementar minha resposta para que não fique contraditório o conjunto de meus comentários: “Guerra (…), ao meu ver, apresenta uma probabilidade de ocorrência nada, nada, nada desprezível” x “A relação é simbiótica”…
      Ou seja, como haveria a possibilidade de guerra em uma relação simbiótica?

      A questão é que se a China decidir parar de exportar poupança (superávit comercial associado ao imenso investimento externo em dívidas – privadas e públicas – e ativos físicos), ou, até mesmo, passar a consumir essa poupança externa (déficit comercial coberto com reservas em moedas estrangeiras), certas consequências muito provavelmente ocorrerão, uma vez que, na prática, a China estaria “tirando” mercadorias (bens) – passando de “fornecedor” a consumidor” – e também capital (funding) do ocidente.
      (ou seja, passaria a consumir uma parcela muito maior de sua própria produção e também da produção do ocidente por meio do aumento de importações – e tudo isso sendo “pago” com a poupança que sua economia gera e que financia o ocidente hoje – poupariam menos e até mesmo poderiam consumir a poupança acumulada no exterior).
      Daí, as consequências seriam:

      1 – aumento da produção no ocidente com aumento geral no emprego (bom); porém

      2 – as moedas de países endividados e de países com déficits comerciais iriam cair, juros iriam subir, inflação e custo de vida subiriam também, ativos financeiros e físicos perderiam valor, etc.
      (assim, países, empresas e pessoas teriam que “consumir” menos tanto para pagarem “dívidas” a juros mais elevados como teriam que gerar excedentes “exportáveis” para “saciar o apetite” chinês).

      Na prática, o mundo teria que se reequilibrar economicamente, o que significa, nesse caso, significa o ocidente passar a produzir para China (consumir menos e “poupar” mais). Daí a minha figura de linguagem anterior: China = patrão e ocidente = funcionário.

      Obviamente, tais efeitos apresentam o lado bom (aumento da produção e emprego no ocidente) e o lado ruim (piora do nível de vida no ocidente). O lado bom (produção) significa trilhar o caminho de um novo equilíbrio econômico, mas no longo prazo.
      Já os efeitos ruins (em síntese, rebaixamento do padrão de vida sob vários meios – ao menos por um tempo até que o posterior crescimento eleve o nível de vida novamente ao padrão anterior) teriam, obviamente, consequências políticas no “curto prazo”.

      Daí a pergunta: o quão graves seriam tais consequências políticas?

      De fato, imprevisível. Não sabemos a intensidade dos efeitos mencionados acima teriam no caso da China passar a ser “consumidora” e não “produtora”.
      Se não forem intensos (a China fazendo esse movimento de forma muito lenta, por exemplo), talvez nada de mais extraordinário aconteça.
      Mas também, por outro lado, os impactos podem ser de grande intensidade e, portanto, não podemos precisar onde isso vai dar…

      É claro que a China e o Ocidente, possuindo tal relação simbiótica (um produz e financia e o outro consome e se endivida), não iriam entrar em qualquer tipo de conflito “à toa”.
      (a China, por exemplo, não sairia vendendo papéis – “fire sales” – de modo a “queimar” / “dizimar” sua própria riqueza)
      Mas se, de fato, o nível do vida no Ocidente piorar sensivelmente (ainda que por um prazo “determinado”) e o aumento da produção/emprego não “compensar” “politicamente” tal piora, os governos ocidentais podem ser levados a “conflitar” com a China.
      Assim, ainda que uma guerra seja pouco provável (relação altamente simbiótica), não é totalmente impossível em um cenário extremo, pois o que não falta na história são exemplos de guerras por razões comerciais (ou seja, essa não é uma conjectura “desprezível”).

      Restaria ainda se indagar como seria essa guerra. Clássica (com aviões, mísseis, soldados e navios)? Cibernética? Ou econômica (impondo restrições a movimentações de recursos e compra de insumos e tecnologia de forma a “matar” / “parar” / “nocautear” a economia alheia)?

      Em suma, a questão da China é , como já comentei antes, complexa e complicada. Não tenho, reitero, “receita pronta” para julgar ou lidar com os “desafios” / “interrogações” que a tal país representa.

      Abs
      LSB

      PS: a questão da China é tão complicada que se tentássemos lhe impor (ou tivéssemos imposto de fato) padrões ocidentais de produção (ou taxas/impostos para compensar o fato dela “matar empregos” e “achinezar” o “padrão de trabalho ocidental”) o mais PROVÁVEL é que todos, inclusive o Ocidente, ficariam (ou estariam) em situações piores. Ou seja, o “tiro sairia (ou teria saído) pela culatra” e todos sairiam (ou teriam saído) perdendo…
      Mas essa é outra análise e não farei neste post… deixarei para um próximo (caso tenha paciência, e não tenha “muita dó” da paciência “docéis” – kkk).

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  • PEDRO MARCELO CEZAR GUIMARÃES disse:

    Prezado Fernão,
    Mesmo num texto conciso, oferece aos seus leitores uma brilhante análise geopolítica e econômica envolvendo os dois principais players do cenário internacional, eles representam os polarizados sistemas econômicos mundiais: o capitalismo de estado, socialista, representado pela totalitária ditadura chinesa; e, de outro lado, a democrática e pujante economia capitalista dos EUA, forjadas na liberdade individual, no direito à propriedade e no livre mercado, que outrora melhor refletiu a realização dos ideais do liberalismo econômico clássico.
    Em sua explanação, parte-se de pressupostos político-econômicos básicos que fundamentam os interesses conflituosos, representados por sistemas antagônicos, o socialismo, em que há a fusão do poder político-militar e poder econômico sob o controle do estado totalitário e o sistema econômico de livre mercado, fundado no direito à propriedade privada, e cujo poder político é independente, porém limitado pelo povo aos seus representantes delegados.
    Mostra-se, assim, evidente a guerra assimétrica entre esses adversários. Os valores éticos, morais e os princípios da dignidade humana são constantemente vilipendiados nos Estados totalitários e sempre serviram com instrumento de diferencial competitivo (armas) para expansão imperialista e sanha globalista, por exemplo o dumping social.
    Em que pese suas considerações acerca da política norte-americana, cuja argumentação faz muito sentido, nem sempre temos todas as informações que nos permitem compreender e avaliar a estratégia dos analistas da Casa Branca, especialmente a conveniência e oportunidade de empregá-la. Portanto, creio que no governo Trump os interesses globalistas não se imporão facilmente nos EUA.
    Saudações

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  • Sonia Resende Barros disse:

    Excelente artigo. Excelente análise. Obrigada.

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  • carmen leibovici disse:

    O problema é que o Ocidente vem estruturando suas economias,inclusive -e estranhamente-as que escaparam recentemente de regimes comunistas ,baseado no que LSB chama de simbiose com a China, e isso é perigoso pois ,como diz o Fernão,aquilo ali é uma ditadura ,e como toda ditadura,tem modus operandi desonesto.
    O país que “esquecer” que está lidando com uma ditadura e se fiar nessa simbiose, sem visao própria de estado,sem ideologia própria do que deseja para si como nação,vai se arrepender quando a China parar de disfarçar e mostrar claramente a que vem vindo .
    Aí ,é bem capaz de dar guerra mesmo.Por enquanto, está muito divertido consumir tudo com facilidade e acessibilidade,”desenvolver tudo”de maneira mais barata ,mas vamos ver a seguir quando , e se ,a China começar a ditar suas regras de estado em todos os cantos do mundo.
    Em relação ao Brasil,eu acho muito esquisito a família Bolsonaro ter se manifestado tão anticomunista até tão pouco tempo atrás,e agora,de repente,abraçar a China com tanta paixão.Eu não estou entendendo isso.Será que o Governo está?

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    • Pedro Marcelo Cezar Guimaraes disse:

      Prezada Carmen,
      Eh que, em se tratando de relacoes eco nomicas internacionais, muitas vezes fica evidente que os paises nao tem amigos, os paises tem interesses….e ai vira e mexe… engolem-se sapos e outros bichos…

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    • LSB disse:

      Prezados (as),

      Há alguns anos atrás, a Alemanha (democrática), democraticamente, resolveu baixar salários (e até aumentar horas trabalhadas, creio eu). E isso com o intuito de baixar “custos de produção” e tornar sua economia mais competitiva.

      Tal ação provocou reações e acusações de “dumping social” por parte de outros países europeus. A celeuma não tomou grandes proporções pois (1) a Alemanha, ainda que não seja um país tão pequeno, está muito longe do porte da China e (2) o “rebaixamento” do nível de vida (custos) foi relativamente baixo (não cortaram 505 dos salários, por exemplo)…

      Mas se um país ocidental decidisse, democraticamente, baixar seus “custos” a nível chinês, a grita seria geral…

      Mas se um país democrático decidisse, democraticamente, cortar seus serviços públicos, obrigações trabalhistas, etc., o que os demais países democráticos fariam?

      Não aceitariam? Seria certo ou justo tal atitude?

      Há problemas em impor “padrões”.

      Primeiramente, os países pobres não conseguiriam atingir tais padrões…
      Não adianta ser “sonhático”, imaginar que a “lei” vai mudar a realidade (não vai), viver em ilusões e utopias…

      Padrões de primeiro mundo (salários, serviços públicos, meio ambiente, organização espacial e ordenamento de espaços públicos, etc.) NÃO são replicáveis nos países em desenvolvimento!!!
      Tais padrões dependem de alta produtividade e os países em desenvolvimento não possuem capital acumulado (físico e humano) para tanto.
      Aceitar padrões de primeiro mundo só redunda em aprisionar os países em desenvolvimento na pobreza / na renda média (na qual, via de regra, possui uma elite com padrão europeu e um povo com padrão africano), etc.

      Adicionalmente, a “vibe” não tem fim… sobretaxar a China por não manter padrões trabalhistas ocidentais significa legitimar a sobretaxação de países porque não seguem padrões ambientais, ou sociais, ou político – eleitorais….
      Isso não tem fim!!!!

      Se a “moda” pegar, o resultado será uma “guerra” comercial por meio de sobretaxas justificada por padrões elevados que alguns não cumprem…
      Retaliações, obviamente, entram no cardápio e o resultado final é um “envenenamento” do comércio exterior com, obviamente também, o recrudescimento / renascimento do nacional desenvolvimentismo!!!

      Todos perdem!!!!!

      A questão toda é o exemplo que já dei anteriormente:

      Se você é “rei” em um determinado mercado, você “faz” o preço. Mas se aparece um concorrente trabalhando mais, aceitando salários/ganhos/lucros menores que você e oferecendo o mesmo produto por um preço bem mais barato, você está em uma grande enrascada!!!!

      Não há muitas alternativas.
      Você pode tentar aumentar sua produtividade e produzir mais barato que o concorrente.
      Você pode tentar inovar e oferecer produtos que seu concorrente não ofereça (ou agregar valor ao produto que seu concorrente não agrega).
      Você pode tentar tirar seu concorrente do jogo!

      No caso da China, ou você cria novos produtos e serviços mais rápido que eles (para ter o que vender) ou você baixa seus custos para tentar competir ou tira a China do mercado.

      Tirar a China do mercado (sobretaxas, por exemplo) dá “resultado” no curto prazo, mas no longo prazo todos perdem (e a guerra comercial, por meio de imposição de padrões culturais, sociais, trabalhistas, morais, etc., “estoura”).

      A única solução é você competir: no curto prazo, você vai ter que baixar seu “padrão de vida”, mas no longo prazo você recupera…

      Enfim, o ocidente deveria deixar bem claro para seus cidadãos quais são as implicações da concorrência chinesa e aumentar investimentos, poupança, inovação, etc.

      Mas isso não é fácil, pois foi “vendida” a ideia que a democracia é uma grande lista de desejos (vai-se criando “desejos”, “sonhos”, etc. até “emplacar”; ou seja, a democracia seria apenas uma “ordenação” no atendimento dos desejos surgidos / almejados / imaginados pelas sua população). Mas não é isso… democracia é a forma de resolvermos problemas de uma sociedade…

      Enfim, impor sanções à China é:

      – um tiro no pé para os países em desenvolvimento (já que irá legitimar qualquer imposição de padrão – social, cultural, econômico, trabalhista, ambiental, etc.).
      (hoje li que a França irá proibir a matança de “pintinhos”. Ok. Seguindo a lógica de impor padrões, a gente teria que seguir, pois não fazer seria um dumping econômico, social, ambiental, etc.)
      NÃO PODEMOS ALIMENTAR TAIS IDEIAS !!!

      – prejudica o comércio internacional e prejudica todas as Nações!

      A única solução é competir!!!

      Abs
      LSB

      PS: ainda que imaginemos que a China, caso fosse democrática, não manteria o “dumping social”, isso não é certo. Não é uma relação de causa/efeito líquida e certa….
      Obviamente a tendência é que, se democrática, a China teria que implantar mais gastos sociais, proteção social, etc.
      Mas isso é só uma tendência a partir da observação que nas democracias as populações pressionam por tais gastos… Mas tal “dinâmica” não é certa!!!
      Um país, democraticamente, pode decidir baixar seu padrão de vida (exemplo: Alemanha).

      PS2: Os salários chineses já estão na média dos salários dos países em desenvolvimento (aquela história de salários de 1 dólar por semana já ficou na história).
      O pib per capita chinês já está em US$ 9,4 mil (PIB de US$ 13,1 trilhões para população de 1,4 bilhão). E isto é nominal. No Brasil, o PIB per capita é de US$ 8,6 mil (nominal).
      Considerando o poder de compra, o PIB per capita brasileiro é maior, MAS o da China deve ser maior ainda (já que o custo de vida lá é menor que aqui).
      Então, até esse reclamação que a China explora seus cidadãos já não tem mais fundamento….

      PS3: O Brasil se deu muito bem com a China. Nossa indústria não venderia de qualquer maneira (sem China, também não teríamos competitividade), mas as crises cambiais ainda estariam aí….
      (se não fosse China, o Brasil já teria tido um crise institucional realmente séria – e o Estado já teria falido…

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      • flm disse:

        Novamente sem atravessar todos os seus argumentos, que farei quando der tempo, não se trata de igualar quantidades de direitos ou regular o que cada um faz desses direitos mas sim de sancionar a existência ou não de direitos, o respeito ou não da propriedade intelectual, a existência ou não da liberdade de trabalhar por mais ou por menos salários e não do rebaixamento de salário com revolver na nuca.
        Algo que o presidente Carter ja fez lá atras e põe a discussão em outro nível que não o contaminado pela ganância e pela violência.
        Defender aberta e ostensivamente a civilização contra a barbarie, enfim.

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      • Flm disse:

        Sim, chinês trabalha 28 horas por qualquer salário porque gosta e não porque passou os últimos 70 anos tendo de comer cachorro, morcego, escorpião e ratazana…
        De onde v acha que vêm os coronavírus?
        E não há Alemanha que possa “resolver baixar salários”…
        Pra ter esse poder é preciso dispor do tiro na nuca e dos campos de concentração.
        Atenção, LSB, não viaja!

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      • LSB disse:

        Fernão, bom dia.

        Ok. A miséria da China e a desgraça dos chineses é fruto da ditadura comunista.
        Mas, depois que Mao morreu, a “mercadoria” já estava feita… qualquer que fosse o regime adotado ou caminho seguido, veríamos mais ou menos o que vimos em termos de “qualidade de vida” do chinês (ou pior mesmo)…

        Abs
        LSB

        Curtir

  • carmen leibovici disse:

    Para o bem da verdade,eu tenho a sensação de que no Brasil,nem com governo comunista “ajudando”,as coisas vão para frente.Não sei o que acontece…É francamente desanimador.A única coisa que parece progredir no Brasil é o crime organizado.Eu fico triste.Não aparece um raio de um estadista que tire essa terra da ruína e lhe de um Rumo.Só aparece um pior que o outro….

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  • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

    Fernão, você já pensou em editar o Vespeiro também em língua chinesa? Nem é preciso… muitos chineses devem acessar o Vespeiro traduzido automaticamente… e escondidinhos sonham com o sistema de voto distrital puro com “recall”, iniciativas, referendos, etc… Quem sabe um dia desses aparece um “Nikita Kruchev” chinês e vire a mesa, mostrando as falhas do sistema chinês quanto as questões relacionadas com a “democracia” deles. Bilhões de eleitores famintos por liberdades democráticas de fato. Esse é o grande “negócio”: democracia não é mercadoria ! Só que lá o povo parece ter acesso a boa educação, assistência à saúde e o que é básico para sobrevivência, “só” faltando a liberdade democrática.
    De passagem: muitas empresas chinesas estão se instalando no Paraguai, assim como muitas brasileiras também. As empresas procuram governos que as apoiem e deem garantias aos seus investimentos, independentemente de sistemas políticos dos países onde elas se instalam, mas nem todas agem assim.

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  • Flm disse:

    Quem sabe o que é a China são os chineses de Hongkong…

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    • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

      Na mosca! Aqui está aprova daquilo que você Fernão sempre enfatiza quando defende o voto distrital puro com “recall”: o povo sabe o que quer e dotado desse instrumento democrático por excelência sabe o que fazer para atingir suas metas na vida como cidadão de fato incluído e participante na vida política. Espero que o povo de Hong Kong consiga despertar o governo da China Continental a descobrir as vantagens do sistema democrático de direitos.
      Lastimável que a Revolução Cultural maoista destruiu muito da riqueza humanística chinesa, e que, depois, tardiamente se arrependeu.
      Parece que uma minoria dos chineses tem dificuldade em entender que no mundo ocidental a corrupção não é a regra. O povo de Hong Kong já sabe disso há tempos!

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      • LSB disse:

        O povo de Hong Kong já sabe disse porque nunca passou pela ditadura comunista de Mao… lá nunca teve Revolução Cultural ou o Grande Salto para Frente…
        Mao deixou a China com 1 bilhão de seres humanos em pele e osso literalmente…
        Depois de Mao, qualquer coisa que viesse na China Continental seria “desumano”… a “desumanidade” já estava contratada..

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  • carmen leibovici disse:

    Faz algum tempo,li um artigo que relatava como numa certa cidade da China o governo obrigava toda a população a fumar p
    ara favorecer/incentivar um indústria de cigarros.
    Todo cuidado com a China seria necessário,mas parece que isso não tem importado muito

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  • carmen leibovici disse:

    O proprio Jobs,eu me lembro,foi muito criticado por utilizar- se dos povos sob esse tipo de regime para produzir as maravilhas que nós usufruímos.
    O mesmo está acontecendo com as indústrias de roupas que distribuem para grandes grandes magazines ao redor do mundo, para que nos possamos estar na moda sem gastar muito.
    O mesmo acontece com os Carrefours da vida,na área alimentícia,etc.
    O que acontece?Acontece que nenhum pequeno consegue mais competir com sua pequena indústria ou armazém.São os monopólios ,em simbiose com a China,tomando conta das economias.
    Esse tipo de estruturação não está beneficiando as pessoas.Parece ser uma nova forma de ditadura

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    • LSB disse:

      Prezada Carmen

      Do jeito que Mao deixou a China, mesmo que ela tivesse virado democracia, os chineses ainda assim iriam trabalham 28horas/dia em troca de meio prato de arroz.
      E não deixar eles entrarem no “jogo”, em qualquer cenário político, seria apenas manter a China na miséria absoluta que o comunismo maoista a legou….
      Enfim, difícil situação… noves fora o regime, economicamente ganharam eles e também ganhamos nós – Ocidente como um todo e Brasil em especial (ao menos no curto prazo)…

      No mais, concordo que devemos tomar ESPECIAL cuidado com a China (mas creio que os “piores” riscos estão mais em questões políticas do que econômicas – estas existem, sim, mas, talvez, sejam mais “palatáveis”, ou um pouco menos “amargas”, do que as primeiras)…
      Porém, acho que não é só com a China que devemos ter “atenção”, mas com todos, pois, como lembrou o Pedro Marcelo acima, países não tem amigos, tem interesses…

      Abs
      LSB

      PS: quanto aos monopólios, independentemente da China, creio que a regulamentação (no ocidente mesmo) favorece/fomenta seu aparecimento…

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      • flm disse:

        Caramba!
        Quanta cegueira!
        Mas se v não consegue enxergar a diferença entre aceitar/negociar salários menores e não poder escolher nem o salário, nem o patrão porque só tem um que você não pode desafiar sob pena de morte, não vai entender o meu ponto jamais…
        Os Steve Jobs todos entenderam na hora, como lembrou bem a Carmen. Por isso foram explorar na China as condições de trabalho que, se oferecessem no seu país, iam para a cadeia. Fabricas onde as pessoas ficam presas, respirando venenos e, de vez em. quando, suicidando-se em massa, tipo as Foxccom da vida.
        Em que mundo voce andou ultimamente?
        É essa a “vantagem competitiva” que tem de ser anulada se quiserem que a civilização ocidental sobreviva.

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      • LSB disse:

        Eles não tinham alternativa. Simples assim.
        “Fabricas onde as pessoas ficam presas, respirando venenos e, de vez em. quando, suicidando-se em massa, tipo as Foxccom da vida”??

        Tinha fila para conseguir tais empregos, pois não havia opção (era isso ou morrer de fome. Fruto da ditadura comunista? Sim, mas o que fazer depois que a “mercadoria” já estava feita?).
        A China, no fim, teve que proibir migrações para as cidades, pois os chineses queriam muito tais empregos “indignos” e “desumanos”… Ou seja, faltaram “steves jobs” para a “demanda” chinesa…

        Ah, mas e se tivesse uma legislação (trabalhista ou não) garantindo direitos e alguma qualidade de vida no trabalho?
        Não teria havido tantos empregos… ou seja, alguns teriam, de fato, melhores condições laborais e outros, que se “salvaram” neste contexto “desumano”, teriam morrido nos campos miseráveis (mais do que a quantidade que morreu)…

        Mesmo no ocidente, você não tem como negociar salário ou escolher emprego se o desemprego for abissal… (ou seja, o chinês não negociava muito menos pela questão política – ditadura – do que pela questão econômica: a existência de um estoque de “miseráveis” precisando de qualquer coisa para sobreviver…)

        De fato, uma legislação trabalhista que impõe custos maiores que a produtividade do país permite (capitais físico e humano acumulados) só redunda em desemprego.
        Qual a consequência?
        O desempregado se submeter a empregadores e “empregos” piores ainda… (os honestos, que querem cumprir a legislação, não dão emprego se não for economicamente viável… sobram os picaretas, enganadores, mentirosos, estelionatários, safados, etc.: não importa o que prometam, não cumprem)…
        Ah, o cidadão também pode ficar desempregado esperando Godot (no caso, esperando o Estado assisti-lo ou “gerar” tal emprego com as condições e padrões mínimos, ou aceitáveis, de qualidade)

        Enfim, não discordo da questão política (e da falta de liberdade deles), só acho que, economicamente, a China, muito provavelmente, não teria feito melhor sob hipótese alguma* (por mais que tenha sido “desumano” o crescimento econômico dela, qualquer alternativa seria tanto ou mais “desumana” ainda e/ou haveria mais fome, miséria, etc. do que houve).

        Abs
        LSB

        * Crescer menos, mas democraticamente, seria melhor?
        Estando longe e tendo uma boa situação material, digo que sim, mas para quem não teria sobrevivido caso o crescimento tivesse sido menor, (provavelmente) não.

        PS: e sobre anular tal “vantagem competitiva”, voltaríamos à questão de impor padrões…

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    • flm disse:

      Exatamente, Carmen.
      E o Ocidente tem uma excelente bandeira para se defender disso: a dos direitos humanos (os verdadeiros e não as falsificações que andam por aí)…

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      • LSB disse:

        Sugiro você escrever um artigo sobre essa questão: os direitos humanos verdadeiros x as falsificações (e com foco na exposição/listagem das “falsificações” existentes..)
        Penso que muitas pessoas percebem tal “distinção”, mas além do tema ser pouco debatido, também acho que tal percepção “varia” muito de indivíduo para indivíduo…
        (ah, e se já escreveu, esse eu perdi…)

        Abs
        LSB

        Curtir

      • carmen leibovici disse:

        A questão é que na China o povo é obrigado a passar por essas circunstâncias mortais para respirar vida por mais tempo, enquanto a nomenclatura se esfalfa no luxo e nos privilégios.
        Na Romenia,p.exemplo,o povo exterminou um ,o Ceusescu,porque ,mesmo tendo sido aquele um regime comunista,o chefão passou dos limites.Mas ,suponho ,na Romenia o povo ainda tinha alguma forcinha.Já na China a opressão e absoluta.
        Se os “chefões “de estado tbm comessem morcegos para sobreviver,se entenderia um pouco mais a injustiça,mas não é assim.O cinismo tbm é absoluto.
        O problema crucial está na injustiça e na corrupção de quem detém o poder.Em todo lugar.

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  • LSB disse:

    Aliás, Fernão, sintetizando a questão:

    1 – Você discorda 100% do regime político chinês. Eu também.

    2 – A diferença é que me parece que você acredita que se fosse uma democracia (pós Mao), a China teria sido melhor, ou mais justa, ECONOMICAMENTE.

    Já eu acho que não. Mesmo que tivesse se tornado democrática (pós Mao), ECONOMICAMENTE (incluindo a questão do emprego: quantidade, salários, condições laborais, etc.) a China teria apresentado resultado, creio eu, igual ou pior…

    (ainda que se julgue que é sempre melhor viver em uma democracia não importando o quanto ruim, ou pior, seja o desempenho econômico…)

    3 – Quanto ao ocidente, haveria (no curto/médio/longo prazos) perdas e ganhos, prós e contras, benefícios e ameaças (maiores ou menores) qualquer que fosse o cenário chinês (ditadura, democracia, monarquia, império, teocracia, etc… ainda que a democracia fosse mais desejável, mais justa ou, ainda, menos ameaçadora/perigosa do que suas alternativas)

    4 – E se devemos “forçar” ou “pressionar” a China a se tornar democrática, isso é uma outra questão (que, ao meu ver, é muito complicada e que, a priori, não acho uma ideia muito boa por “n” motivos)

    Abs
    LSB

    PS: Todavia, nada obstante o dito acima, devemos ter, sim, cuidado (e muito) com a China.
    (mas também, no geral, com todos).

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    • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

      Afinal, caro senhor LSB, há muito tempo atrás ALGUÉM afirmou: ” O homem é o lobo do homem”, mesmo que milhões de nós procuramos nos civilizar ao longo da história, circunstâncias muitas vezes plantadas por hordas de materialistas levam muitos a mudarem da noite para o dia em função da ganância, ou de necessidades prementes que não previram ou não estavam preparados, educados para enfrentar.
      Civilizações devem se sustentar com o respeito ao bem comum, tecido urdido com leis, normas, regras e muita ética construtiva.
      Reconhecer o que está por trás das intensões e acordos internacionais, com antecipação baseada em conhecimento, nos dá a proteção necessária contra a selvageria também no mundo dos negócios. Caso contrário ficamos a mercê daqueles que entoam aqueles versos cantados por Lisa Minelli no filme “Cabaret”: Money, money, money, money… money makes the world go around, the world go around…” ( Dinheiro, dinheiro,… faz o mundo girar,,,”).
      Felizmente a maioria dos humanos sabe que só o dinheiro não faz o progresso e a felicidade dos humanos.
      Aquiestá a importância da democracia nas relações diplomáticas, afinal nem tudo se resume a mercadorias e lucros, pois a meta final sempre deve ser a sustentabilidade das condições humanas democráticas.
      Vuuuummm… viva o vespeiro do Fernão, fórum aberto e democrático para os que desejam construir um Brasil e um mundo melhor !

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      • LSB disse:

        Prezado Herbert,

        Concordo com seu comentário.
        No entanto, duas observações:

        1 – Pessoalmente, eu também acho que na vida tem coisas mais importantes que dinheiro e que um país não deve olhar só a economia. Mas essa é uma opinião um tanto quanto aristocrática… quem passa fome nem sempre concorda com isso…

        2 – Ainda que a China tivesse se tornado uma democracia APÓS MAO e que essa democracia tivesse levado a China a crescer 15% ao ano (crescimento maior do que vimos), haveria do mesmo jeito fábricas poluentes, jornadas de trabalho de 28h/dia, salários de 1 dólar, etc. etc. etc.
        A miséria e a “desumanidade” já estava contratada por Mao.
        Excetuando Jesus Cristo para fazer multiplicação de pão, vinho, água encanada, moradias, etc., qualquer regime que a China tivesse adotado após Mao, aquelas condições laborais prevaleceriam…

        Lógico que eu preferia que a China tivesse virado uma democracia, mas isso não mudaria muita coisa (economicamente, ressalta-se)… poderia ser um pouco menos pior (exemplo: o salário passaria de 2 dólares para 5 dólares em menos tempo… as fábricas com ar envenenado seriam fechadas antes, etc.) SE a democracia conseguisse um desempenho econômico melhor do que, de fato, ocorreu… (o que, convenhamos, não seria fácil)…
        E, como mesmo que houvesse um desempenho melhor, muito dificilmente seria 10 vezes melhor (mais provável que, SE FOSSE MELHOR O DESEMPENHO, seria marginalmente melhor, já que o crescimento que vimos já foi “monstruoso”), veríamos aquela miséria que vimos (ou muito próxima dela)…

        E se o desempenho econômico fosse pior, veríamos mais miséria ainda…
        E se os Steves Jobs tivessem “consciência social” e não montassem suas fábricas lá, então veríamos essa miséria, não só maior, mas provavelmente perdurando até hoje…
        E se ninguém negociasse/comprasse da China, veríamos uns 500 milhões de miseráveis chineses tentando entrar no Ocidente…

        O fato é: Mao literalmente destroçou a China e “contratou” uma miséria absurda posterior que não poderia ser evitada qualquer que fosse o regime/modelo adotado…

        Abs
        LSB

        Curtir

  • carmen leibovici disse:

    Imaginem só,nós, do mundo ocidental ,montando nossas economias baseados nessa simbiose China/Ocidente,e ,de repente,o governo chinês diz:não forneço mais mão de obra barata e nem componentes baratos para seus produtos tecnológicos,a não ser que vocês…
    Nós ficaríamos simplesmente de joelhos,ou quebrariamos.
    Ai reside o perigo de se fiar no não confiável e de não ter visão a longo prazo,apenas visão que satisfaz o momento

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    • LSB disse:

      Prezada Carmen

      De fato, corremos o risco de, “de repente,o governo chinês diz:não forneço mais mão de obra barata e nem componentes baratos para seus produtos tecnológicos,a não ser que vocês…”

      Mas os chineses ainda não fizeram isso…
      (não sou, obviamente, inocente a ponto de achar que não fariam… mas o fato é que ainda não fizeram)

      Já o Ocidente humanista FAZ EXATAMENTE ISSO quase todo santo dia…

      Não é raro o Ocidente impor sanções que, na prática, ao impedir um país de comprar bens de primeira necessidade, impõe danos e sofrimentos de grande magnitude a diversos povos que já são pobres ou miseráveis…
      (lógico que é só porque estamos do lado “certo” e temos que fazer tais povos se revoltarem contra seus ditadores e opressores…)

      Enfim, devemos ter cuidado com nossos medos, pois estamos nos preocupando com a POSSIBILIDADE de tais países “incivilizados” e “criminosos” fazerem “sacanagens” contra nós enquanto, na realidade, somos nós que adotamos tais “sacanagens”…
      (mas só para fazer o bem e o certo, não?)

      Abs
      LSB

      PS: nada obstante a polêmica acima, continuo achando que devemos ter cuidado com a China (e com todos os demais países)

      PS2: Claro que penso que a civilização ocidental está “certa”, mas por pura honestidade intelectual sempre considero a hipótese e a possibilidade de que eu esteja errado.

      PS3: posso defender nossas “sanções” e a “imposição” do nosso modelo político, só não posso, ao mesmo tempo, ir dormir acreditando que eu seja o Cordeiro de Deus que veio tirar os pecados do mundo…
      (tenho que ser sincero comigo mesmo e admitir que tudo isso nada mais é que um “guerra” cultural – e que, talvez, somente talvez, eu esteja do lado “certo” do ponto de vista transcendental / metafísico / etc.)

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  • LSB disse:

    Prezados (as),

    Nessa discussão toda que travamos nesse artigo há um “detalhe” que, embora considerado genericamente/implicitamente nos comentários postados, não foi bem “estabelecido”:

    Há sim um “conflito” ocidente x China (e oriente médio tb) no que se refere a questões culturais e regimes políticos. E nesse “conflito” nós (Brasil), obviamente, estamos do lado do Ocidente.

    Mas também há um “conflito” no mundo entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento (disputa essa muito mais ligada a questões econômicas) e, NESSE CASO, possivelmente estamos mais “próximos” da China… (por isso sou muito cauteloso em referendar/apoiar sanções e outras punições do tipo…)

    Enfim, penso que no caso do Brasil, a situação é “delicada” e, portanto, devemos ter muito cuidado com nossas posições… (e ter cuidado com todos os países.. ainda que por motivos diferentes)

    Abs
    LSB

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  • Marcos Viotto disse:

    …enquanto isso nossas bandeiras continuam nas gavetas em vez de agitadas nas ruas!

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