Um país intelectualmente castrado

30 de julho de 2019 § 36 Comentários

Artigo para O Estado de S. Paulo de 30/7/2019

Sexta-feira passada o Jornal Nacional comemorou o “reconhecimento pela ONU” da “eficácia” da “campanha antitabagismo” do Brasil. É “a maior redução de número de fumantes do mundo”. A dúvida que remanesce é se isso se deve à ilustração dos brasileiros sobre os malefícios do fumo ou ao imposto de 87%, saudado em tom de conquista, com que Brasília gravou cada cigarro fumado no país, o que tornou impossível ao pobre dar-se o luxo do vício nos legalizados e, como sempre, proporcionou ao governo mais alguns bilhões para serem transformados em mordomias, salários, “ajudas” e aposentadorias com correções anuais por “produtividade” para aquele punhado de brasileiros “especiais” com quem ele gasta quase integralmente os 35% do PIB (R$ 2,9 trilhões) que arranca ao favelão nacional todo ano.

Por acaso assisti essa notícia na hora em que, pela internet, informava-me sobre o balanço parcial das leis e alterações constitucionais que já preencheram os requisitos para subir às cédulas da eleição de novembro de 2020 pedindo o veredicto dos eleitores norte-americanos. O estado do Oregon, coincidentemente, vai votar uma emenda à constituição local propondo um aumento do imposto sobre cigarros e dispositivos eletrônicos de fumar, todo ele destinado ao sistema de saúde. A proposta veio do governador que, para ser autorizado a submetê-la ao povo teve, antes, de aprovar o pedido de licença com um quórum superior a 60% na Assembleia Legislativa e no Senado estaduais.

O último estado americano a votar a taxação de cigarros foi Montana, em 2018. A proposta foi recusada por 52,7% a 47,3%. Entre 2008 e 2018 os eleitores de nove estados votaram impostos sobre cigarros naquele país onde por a mão no bolso dos contribuintes requer uma corrida de obstáculos, o que explica porque o PIB de apenas um dos seus 50 estados – o de Nova York – equivale ao do Brasil e os dos outros 49 são “lambuja”.

Até 25 de julho 22 propostas de leis ou alterações constitucionais estaduais tinham-se qualificado para subir às cédulas em 2020. Milhares de outras de alcance municipal ou menos que municipal (vindas dos conselhos gestores de escolas públicas de cada bairro, por exemplo) já estão nessa fila. Entre 2010 e 2020 uma média de 15 referendos por estado apareceram nas cédulas nas eleições de anos pares. Esta do cigarro do Oregon é um “referendo constitucional proposto pelo legislativo” (legislatively referred constitutional amendment), um dispositivo usado em 49 estados. Mas há também as “emendas constitucionais por iniciativa popular” (iniciated constitucional amendment) que qualquer cidadão pode propor e qualificar para submeter ao eleitorado colhendo um determinado número de assinaturas. Existem ainda os “referendos automáticos” (automatic ballot referral), quando os legislativos, obrigados por leis de iniciativa popular anteriores, têm de submeter ao povo qualquer lei abordando determinados temas (alterações de impostos, notadamente, entre outros à escolha de cada comunidade).

Já os bond issues, muito comuns no país todo, acompanham obras públicas e gastos fora do orçamento. De escolas para cima, melhoramentos e obras envolvendo emissão de dívida têm de ser aprovados no voto pelas comunidades que vão usar o bem e pagar por ele.

Sobem às cédulas para voto direto do povo até mesmo as “advisory questions” que qualquer um pode propor para acabar com aquelas “verdades estabelecidas” que em países como o Brasil bastam para sustentar legislações inteiras e privilégios mil só no papo furado. Pergunta-se diretamente ao eleitor se concorda ou não com aquela “verdade” (a “impopularidade” da reforma da previdência ou da reforma trabalhista, por exemplo). O resultado não vira lei mas serve para “orientar” legisladores que são, todos eles, sujeitos a recall.

Desde que o direito de referendo foi adotado pelo primeiro estado, em 1906, 521 subiram às cédulas de 23 estados e 340 leis estaduais (65,3% das desafiadas) foram anuladas pelo povo. Milhares de outras tiveram o mesmo destino no nível municipal. Mesmo assim é bem pouco, o que prova que dispor da arma induz automaticamente os representantes eleitos ao bom comportamento, tornando desnecessário usá-la a toda hora.

Já o recall é bem mais “popular”. Até 27 de junho 72 processos atingindo 115 políticos e funcionários públicos tinham sido abertos em 2019. Os recall são frequentemente decididos em “eleições especiais” convocadas só para isso. 37% dos disparados em 2019 ainda dependem de qualificação, 11% já têm votação marcada, 15% já foram votados e aprovados e 10% foram votados e recusados. 41 vereadores, 28 membros de conselhos de gestão de escolas públicas e 22 prefeitos estiveram entre os alvos.

Foi desse ponto que voltei, naquela sexta-feira, para o eterno “Como resolver nossos problemas sem remover suas causas”, “como sobreviver à nossa doença sem curá-la” dos doutos luminares que falam e agem pelos brasileiros. Este jornal, invocando o FMI, torcia para que a montanha cuspa o camundongozinho de sempre para “voltarmos a um crescimento de 2,2% podendo chegar a 3% se e somente se dobrar a taxa de investimento de hoje” (o que é totalmente impossível, recordo eu, mantidos os “direitos adquiridos” dos brasileiros “especiais”). Na outra ponta The Intercept Brasil e suas estações repetidoras, a Folha de S. Paulo e a Veja, batalhavam a volta ao rumo da venezuelização começando pela libertação dos bandidos e a prisão dos mocinhos, a bandeira que a vice-presidenta da chapa que disputou com Bolsonaro pelo PT trouxe do outro lado da lei e tenta plantar no centro do debate nacional. E entre os dois, mais do mesmo em dosagens variadas.

Como último recurso saltei para a internet, mas em vão. Ali o mais longe que vai o futuro do Brasil é onde pode levar-nos a revolucionária discussão sobre quem a polícia (que se pôs fora da reforma da previdência quase pela força das armas) deve ou não deve prender. Mudar o “Sistema” que é bom, nem uma palavra…

O Brasil é um país intelectualmente castrado.

 

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§ 36 Respostas para Um país intelectualmente castrado

  • A. disse:

    Fernão (a voz do que clama no deserto): é mais econômico e produtivo fretar um teco-teco, juntar a meia dúzia de brasileiros que defendem a sua causa e pedir asilo aos Estados Unidos. Só assim para viver essa experiência de influir no próprio destino. Abração!

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  • FABIO ANDERAOS DE ARAUJO disse:

    Fernão Lara Mesquita resume brilhantemente para onde vai uma parcela considerável dos impostos federais: para engordar os vencimentos e benefícios da elite do funcionalismo público brasileiro, constituída por alguns poucos milhares de pessoas diante de dezenas de milhões de brasileiros que trabalham para sustentar essa classe de privilegiados.

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  • Alexandre disse:

    “O Brasil é um país intelectualmente castrado.”

    A frase é um achado! (E verdadeiríssima)

    Parabéns.

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  • Cyro Laurenza disse:

    Sem dúvida o término desse teu forte artigo de nossa castração é um adjetivo que nos marca há séculos e nunca havia pensado de forma assim expressiva e definitiva !!!!
    Grato amigo Fernao todo o texto é uma lição da cidadania que castrados não temos condições de enfrentar.
    Infelizmente você me conta hoje de forma explícita meu tempo perdido querendo acertar e nunca tendo a mais completa satisfação.
    Forte abraço

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  • jeanmorgado disse:

    A maior castração intelectual no Brasil é a das midias sociais, unica opção ás midias mainstream totalmente manipuladas por grupos politicos nacionais e internacionais.
    Principalmente o feicebuki (sic) cujo dono, um jhudeu globalista que havia feito um acordo de censura com a Dilma, se dá ao direito de censurar, deletar e punir severamente qualquer opinião divergente da Nova Ordem Mundial em vigor na Europa.
    Urge o Presidente chamar esse déspota midiático e submete-lo ás nossas leis, ou continuaremos sendo um pais sem soberania…..

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  • Benhur Antonio Bacega disse:

    A penúltima frase “mudar o SISTEMA que é bom, nem uma palavra…”, resume nosso problema. No caso brasileiro, o Sistema a ser mudado deveria ser a modificação do pensamento nacional, aquele que, hoje, sempre se define para soluções sequenciais de erros cometidos em função de ações tomadas antes, que ocasionarão novas soluções sequenciais, numa geração sem fim de normas e de leis, cuja representação poderia ser a CORNUCÓPIA, só que, ao invés de riqueza, ela extravasa a fertilidade de problemas que mantêm a Nação atrasada. Ainda neste contexto e comandando o atraso, temos a Politicaria, a escola que forma politiqueiros, patrimonialistas e oportunistas, sem a menor noção do que seja a verdadeira POLÍTICA. Esta, a POLÍTICA, é feita de planejamento de longo prazo, de ideias possíveis de aceitação pelas várias tendências nacionais, e de implantação das ações correspondentes, tendo em vista a consolidação da cidadania e o bem-estar da população. Só que não! Nosso parlamentares estão mais “para lamentar” suas poucas atividades para a Nação e muitas iniciativas para os seus próprios bolsos.

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    • Benhur Antonio Bacega disse:

      Ah!, esqueci. Uma excelente concepção que gerou um excelente texto do autor.

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    • Fernando Lencioni disse:

      A política é de má qualidade pq o sistema é feito pra isso. Por isso qualquer reforma que não reforme o Estado como um todo não levará a lugar algum. Os princípios fundamentais? Descentralização e desconcentração de poder. Os dados instrumentos? Soberania para os Estados. Voto distrital puro. Iniciativa legislativa popular em qualquer matéria, convocação popular de plebiscito com poder de veto e revogação, obrigatoriedade de submissão das leis que aumentarem tributos ou despesas com efeito de rejeição, eleições de retenção de juízes e atribuição de imposto de renda e lucro à união com inúmeras alíquotas aumentando 5% por faixa até 40% e isenção para quem ganha até quatro salários mínimos e meio. Imposto de renda e lucro para estados até 1,5% e imposto sobre venda de bens e serviços com alíquota de no máximo 7% com atribuição aos municípios de prestar serviços de educação e segurança.

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      • Fernando Lencioni disse:

        Na tributação o importante é que o imposto sobre bens e serviços seja baixo para que o povo mais pobre possa viver bem e melhorar de vidaacelerando o consumo e estimulando a economia.

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      • Flm disse:

        V foi bem até os impostos, Fernando. Feita a reforma que v pede, quem deve decidir que imposto é bom em que lugar é em qual momento da vida do país são os eleitores…

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      • Fernando Lencioni disse:

        Fernão a tributação está diretamente ligada à ideia de federalismo, ou seja, a divisão do poder em pequenas unidades como os distritos. Assim o imposto de renda e lucro, por sua própria natureza está ligado às atividades mais genéricas que são atribuídas à união e aos estados cuja competência se justifica pelo interesse a ser protegido. Assim como a competência da união e dos estados que a compõe é determinada pelo atingimento de mais de um estado ou mais de um município no caso dos estados, o caráter genérico do imposto sobre a renda e o lucro deve ser reservado à união e aos estados. Como o imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços se origina do comércio realizado pelos cidadãos nos distritos nos quais eles moram é natural que essa espécie de tributo seja municipal e, portanto, de titularidade das municipalidades. Isto significa dizer que competirá aos municípios criarem e legislarem sobre o assunto, inclusive para decidir de quanto será a alíquota e em que despesas será aplicado. Acontece que como os americanos historicamente sempre tiveram horror de tributação alta – o que não acontece com os brasileiros, lembra da derrama? Estamos duas vezes acima dela e ninguém acha ruim – a minha ideia é a criação de tal tributo constitucionalmente entregando a titularidade aos municípios e fixando a princípio a alíquota máxima de 7% que só poderá ser aumentada nos moldes americanos, ou seja, mediante plebiscito com exposição dos motivos e por prazo determinado prorrogável mediante novo plebiscito. O pior imposto para a população é o ICMS pq ele é um imposto regressivo. Ele atinge mais e de forma injusta exatamente quem ganha menos. Basta pensar o seguinte: para quem pesa mais os impostos sobre alimentos? Para quem ganha 39000 de salário base como os ministros dos tribunais superiores e os juízes e promotores ou para o cara que ganha salário mínimo que quando vai a um supermercado e gasta 250,00 poderia ter pago 125,00 aproximadamente se não fosse o peso dos tributos pagos? O Brasil precisa de um choque de baixa tributação e de abertura total do mercado para que haja competição externa e se produza, além de um barateamento dos preços, também um choque de qualidade.

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  • whataboy disse:

    “Como sobreviver à nossa doença sem curá-la” é o livro de cabeceira de 99% dos nossos importantes e doutos analistas políticos. O bla-bla-bla que nos é oferecido diariamente pela imprensa seria absurdo se não fosse trágico.

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  • Fernando Lencioni disse:

    Foi por isso que fechei meu perfil no LinkedIn. O único que eu tinha. Pura perda de tempo.

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    • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

      Entrei e após uns poucos meses fechei o meu Facebook, o único que eu mantive, porque na época pré-eleitoral recebia todos os dias e-mails de uma verdadeira enxurrada de bossais, chulos e extremistas querendo fazer contato, além, é óbvio, dos comentários de baixo calão e vazios de raciocínio. Não pretendo reabri-lo, não tenho tempo a perder e ser alvo de “Fishing”.

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  • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

    Como tenho escrito ultimamente a imprensa é a grande escola para a formação de cidadãos cônscios e capazes de transformar o estado de forma rápida, mais rápido do faria o Ministério da Educação. O texto excelente de Fernão Lara Mesquita publicado hoje ( 30/7 ) na página A2 do jornal O Estado de São Paulo, – “Um país intelectualmente castrado” – é uma boa mostra de como se pode educar rapidamente para que os cidadãos brasileiros entendam mais sobre o sistema de votação por voto distrital com “recalls” e referenduns com os exemplos citados do que ocorre na atualidade norte-americana. O jornal é um texto palpável que pode ser passado de mãos em mãos, de professores nas escolas para seus alunos, amigos e vizinhos, podendo ainda copiá-lo ao infinito em cópias reprográficas e distribuí-lo em eventos de massa. O texto publicado em jornal impresso não fica sujeito às intempéries do mundo virtual, como falhas de conexão, hackers ou bloqueio de satélite. O texto em jornal chega de forma barata a todas as camadas sociais, principalmente àquelas que não dispõe de equipamento ou não têm conhecimento para acessar a internet, pois grande parte de nossa população ainda é analfabeta digital, mas vota e sabe o que quer para construir um Brasil melhor para todos. Coincidentemente, na página A3 da mesma edição do Estado está uma Nota da Redação intitulada “Crise de aprendizagem”, onde o último parágrafo define a nossa triste e criminosa realidade:”A crise de aprendizagem é a negação de um horizonte mais justo e mais humano para as novas gerações”. Esta última frase explica muito sobre a última frase do texto de Fernão:”O Brasil é um país intelectualmente castrado”.Levando-se em conta que não se aprende se não estamos bem alimentados e saudáveis, quanto tempo levaremos para educar nossos cidadãos?

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  • Marcos andrade moraes disse:

    os dados ajudam pra cacete; suas reflexões só atrapalham.

    MAM

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  • santofiho@gmail.com disse:

    Fernão, excelente! O começo de possível solução seria uma reforma política séria, a coisa mais importante para o Brasil começar a sair deste atoleiro. Mas ninguém fala dela. Os privilegiados não falam mesmo! Uma esperança: a Impressa, num esforço conjunto e republicano, mostrar com veemência, insistência,a necessidade desta reforma.

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  • Nilse Belpiede Simões disse:

    Fernão, parabéns pela matéria, “Um país intelectualmente castrado”.

    O Brasil precisa urgentemente de uma reforma política com voto distrital aos moldes dos Estados Unidos, mas a população precisa ser esclarecida de como funciona esse sistema na íntegra.
    Além disso, nada se falou sobre a reforma da previdência para a casta de privilegiados do legislativo, executivo e judiciário e funcionários públicos do alto escalão. Como que num país onde mais de 40% da população se aposenta com um salário mínimo, pode-se admitir que os parlamentares e judiciário se aposentem com salários escorchantes?
    Os parlamentares ainda se aposentam com oito anos de mandato? Como que esses indivíduos tem a possibilidade em votar em causa própria? Isso significa dizer que nunca teremos uma reforma previdenciária para parlamentares semelhante a que se submetem os submissos contribuintes do INSS.
    Muito me surpreende que a mídia nas emissoras de rádio de TV não debatem esse assunto a exaustão e com veemência, como deveria ser feito principalmente nas emissoras de massa, porque o brasileiro precisa ser esclarecido. Esse papel deve ser desempenhado pelos jornalistas árdua e insistentemente.
    Os políticos são velhas e sábias raposas que iludem a população, que precisa voltar às ruas e gritar pelo minimo necessário para ter uma vida digna, berrar pelos descalabros do judiciário que se revestiu de ares políticos, contra as loucuras de um presidente da republica destrambelhado, que não tem postura de chefe de Estado, que não conhece nada sobre o Brasil e não se esforça para aprender.

    As lutas são muitas e o caminho é longo. Acorda Brasil!!!!!

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  • Carlos U Pozzobon disse:

    A questão central na reforma tributária em discussão diz mais respeito ao descontrole do gasto público que à simplificação tributária. De que adianta configurar um modelo tributário se não existem freios aos aumentos do judiciário, aposentadorias especiais, à contenção da empregocracia e assim por diante?
    O sistema tem um desperdício tão voraz que qualquer que seja o ajuste, ele logo se esgarça e volta ao endividamento, uma praga lusitana que já existia antes do descobrimento e ainda nos persegue como uma maldição divina.

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  • marcos a. moraes disse:

    “…Na outra ponta The Intercept Brasil e suas estações repetidoras, a Folha de S. Paulo e a Veja, batalhavam a volta ao rumo da venezuelização começando pela libertação dos bandidos e a prisão dos mocinhos, a bandeira que a vice-presidenta da chapa que disputou com Bolsonaro pelo PT trouxe do outro lado da lei e tenta plantar no centro do debate nacional. E entre os dois, mais do mesmo em dosagens variadas…”

    Bandidos, mocinhos? Texto cretino. Prove o que disse.

    MAM

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  • Antonio Brigolatto Carmona Barrionuevo disse:

    Senhor Fernão, eu preciso falar com o senhor em particular. O assunto é de suma importância, pode ser por e-mail. Fico no aguardo. Obrigado.

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  • fcml22 disse:

    O Brasil dos trouxas

    O ex-candidato presidencial João Amoêdo tem um problema sem solução junto à maioria dos economistas brasileiros. Quando diz alguma coisa sobre economia, em geral todo mundo entende na hora — e, como se sabe, nada deixa um economista brasileiro tão incomodado quanto ouvir alguém falando em português compreensível para o cidadão comum. Acham que não é “sério”, nem aceitável “a nível” acadêmico, nem à altura do que definem como “ciência econômica”. (Essa impaciência é especialmente aguda entre as autoridades universitárias, ou descritas como tal, que são ouvidas regularmente pela mídia na condição de “especialistas” em economia.) Amoêdo fez há pouco, num de seus canais de comunicação pela internet, a seguinte continha: um brasileiro que tinha 1.000 reais depositados no seu Fundo de Garantia em 2008 tem hoje 1.510, enquanto um outro, que colocou os mesmos 1.000 reais, no mesmo ano, numa aplicação de Tesouro Direto, está com 2.800. É quase o dobro — só isso. E qualquer pessoa alfabetizada é capaz de ver, na hora, quem ganhou e quem levou na cabeça nesse negócio.

    A conta de padaria feita por Amoêdo comprova mais uma vez o fabuloso conto do vigário contido na ideia segundo a qual o “Estado” tem um papel essencial na redistribuição de renda no Brasil. O papel do Estado é essencial, sim, mas para fazer exatamente o contrário do que se diz: concentrar renda, transferir dinheiro do mais pobre para o mais rico e deixar o trabalhador no prejuízo em qualquer negócio que faça, enquanto mantém de pé uma monstruosa estrutura de “proteção social” que serve sobretudo aos que mandam na máquina pública. Dão uns trocadinhos para o pobre diabo que dizem proteger — mas cuidam, quase o tempo todo, dos interesses, salários, benefícios e privilégios dos seus próprios funcionários, sobretudo os mais bem pagos, e dos grandes reformadores sociais que inventaram essa aberração toda. O demonstrativo de João Amoêdo não é novidade, nem vai lhe valer um prêmio Nobel de Economia. É apenas claríssimo. Pronto: é o suficiente para ser dado como “simplista”, “ingênuo” etc. — e por isso mesmo vamos continuar assim, decidindo em mesas redondas na televisão como promover a justiça social no Brasil através de atos administrativos e recomendações de professores universitários.

    Naturalmente, não há nada de errado em lucrar investindo dinheiro ganho honestamente em títulos no Tesouro Nacional. O que há de errado é a farsa de um “Fundo de Garantia”, pago integralmente pelo empregador privado, que só garante mesmo uma coisa: que o sujeito vai ser roubado todos os dias nas contas que calculam seu saldo, e roubado justamente pelo Estado que gere esse seu dinheiro e diz ser o seu protetor. A trapaça do FGTS é apenas uma, entre as dezenas de exemplos de “programas” de governo que funcionam ao contrário do que dizem ser. “Somos 200 milhões de trouxas explorados por algumas empresas neste país”, disse há pouco o ministro Paulo Guedes numa palestra em São Paulo. “Duas empreiteiras, quatro bancos, seis distribuidoras de gás, uma produtora de petróleo…” É difícil fazer um resumo melhor de como funciona, na vida real, a economia brasileira — um Estado que manda em tudo, com a desculpa de que pensa e gasta para todos, e só dá vida boa a uns poucos. Nessa balada pelo “social”, na teoria, e pelo magnata, na prática, o “Estado forte” torra a maior parte do que o país produz. “O gasto público”, disse Guedes, “é o grande vilão do Brasil nos últimos 40 anos”.

    Com diagnósticos como esse, Guedes nunca terá, também ele, grande cartaz junto à maior parte dos nossos professores de economia. Claro que não: como pensadores de esquerda, eles acham que quanto mais um governo gasta, e quanto mais fica devendo, mais admirável será como executor de “políticas sociais”. Custa uns 500 bilhões de reais por ano, ou algo assim, em pagamento de juros para os infames “rentistas” que tanto abominam — metade do que se vai economizar em dez anos com a reforma da Previdência. Mas e daí?

    J.R. Guzzo
    Publicado na edição impressa da Revista EXAME

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    • jeanmorgado disse:

      Para os professores e alunos esquerdolas,os baba-ovos do PT e bolsistas em geral, todos os brasileiros deviam ter um cargo publico e o governo deveria imprimir dinheiro e distribuir entre os pobres e afilhados, acabando com a miséria e o desemprego de uma penada só. Claro que nunca dizem que isso jamais daria certo, preferindo dizer que o colapso economico e social de Cuba, Coreia do Norte e Venezuela é culpa do embargo norte-americano….

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  • luizleitao disse:

    Muito justa a menção à Folha de S. Paulo, um jornal que eu sempre considerei de segunda categoria, e à Veja.

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    • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

      Apreciei seu comentário, muito bom. O que precisamos urgentemente no Brasil é a substituição cabal do Estado trapaceiro, que herdamos, por um Estado realmente Democrático de Direito. Sempre existirão aqueles que tentarão a volta da “contabilidade criativa” da Robin Ruindade – ex-president”a” – com suas pedaladas fiscais, tirando do erário público para favorecer a privilegiatura, incluindo-se aqui os do aparelhamento do Estado. É urgente a adoção do sistema de voto distrital com “recall”,referendum, iniciativas… para recuperarmos nossos direitos de cidadãos de fato, de quem emana o poder. Felizmente temos o Fernão Lara Mesquita para liderar, esclarecer e divulgar, asim como todos os que se dispõem a discutir o assunto de forma aberta e sem temores.

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  • Antonio Salles Neto disse:

    A maioria dos artigos publicados atualmente são imprecisos. Eu os leio rapidamente por insistência ou puro vício. Essa grande maioria pode ser lida em “uma passada em diagonal”. A ilusão cosmética verbal domina a mídia programática. Talento jornalístico se assemelha a talento musical de DJ.
    Aos artigos de Vespeiro eu dedico tempo e atenção porque buscam a expressão da realidade com talento. No caso do Brasil, realidade cultural quase sempre perversa. Nossa missão é dura.
    O pior de tudo: neste artigo não dá para contestar uma palavra sequer. O socialismo construiu um país eunuco.
    O melhor de tudo: eunuco não se reproduz. Essa cultura vai acabar.

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