O que esta eleição vai decidir

2 de outubro de 2018 § 26 Comentários

Artigo para O Estado de S. Paulo de 2/10/2018

Na campanha do Bolsonaro todo mundo diz a besteira que quer na hora que quer: que eleição sem ele é golpe, que o bandido é que era o herói e por aí afora. Na do PT não. Todo mundo só fala o que o chefe manda na hora que o chefe manda. Ele, sim, pode dizer a besteira que quiser na hora que quiser: que eleição sem ele é golpe, que os bandidos é que eram os heróis, que roubar para reelege-lo não é crime e por aí afora.

Mas tem outra diferença que é fundamental. O Bolsonaro só dura quatro anos e o PT, como explicou quinta-feira ao El País o comandante José Dirceu, “vai tomar o poder, é só questão de tempo, o que é muito diferente de ganhar uma eleição”.

Quando ainda havia imposto sindical qualquer sujeito, mesmo sem seguidor nenhum, podia abrir um “sindicato”. Bastava ir à “junta” e registrar sua “marca” e passava a ter o direito de extorquir trabalhadores que nunca tinha visto ou consultado antes. Daí em diante o único trabalho que precisava se dar na vida era não perder mais a “eleição” de confirmação dele próprio como dono do sindicato em assembleias sem voto secreto. Tinha de ter muito peito pra não votar no “candidato” com ele olhando pra sua cara porque valia tudo, porrada, ameaça à família, tiro e, pior que tudo, ser condenado à miséria com todas as portas do trabalho fechadas pro rebelde.

Velhos hábitos demoram pra morrer. Para o PT é assim que se “faz política”. No início dos anos 90 o partido prometia “banir a corrupção” e conquistou suas primeiras prefeituras. E logo meteu-se no primeiro escândalo, denunciado por um de seus fundadores, Paulo de Tarso Venceslau. Com um esquema controlado por Roberto Teixeira, compadre de Lula que viria a ser sogro do advogado Cristiano Zanin Martins que o defende hoje mais de 30 anos depois, o PT estava roubando as prefeituras. Nunca mais parou. O esquema evoluiu para um método de “tomada do poder” pela destruição da instância eleita pelo povo para controlar o governo, o Congresso Nacional, que ficou conhecido como “mensalão”.

Foi por aí, também, que se deu a “afinidade eletiva” entre o PT e a tribo da nossa “intelectualidade” cuja cultura política parou na eurásia dos anos 30 do século 20, onde o poder também era “tomado” pra nunca mais ser devolvido. Foram eles que deram tinturas ideológicas “cultas” para essa fome animal do Lula pelo poder e lhe apontaram o caminho do Gramsci. Por baixo de toda a graxa retórica de que vem lambuzado, o esquema gramsciano não passa de um projeto monumental de censura. Trata-se de fechar de tal modo as coisas numa visão unica na base do terrorismo moral que uma geração inteira de alvos preferenciais da operação – professores, artistas e intelectuais a serem tornados “orgânicos” – atravesse toda a existência sem tomar conhecimento de nada que contradiga essa visão, e ir fuzilando midiática ou economicamente todo mundo que resistir.

O PT fez do Brasil uma Coréia do Norte intelectual. Ninguém em todos os tempos e em todos os lugares conseguiu fechar tão bem o cerco. Só quem diz o que o chefe aprova consegue manter-se nas tribunas midiáticas mais altas ou “brilha” mesmo sem ser brilhante. Com o país prisioneiro da língua e das redes que só falam português, só o que ele quer mostrar do mundo passa a existir. Nas vésperas de eleições o barulho e a produção de factóides tomam um ritmo que torna impossível o raciocínio. E o jogo de luz e sombra passa a ter uma precisão milimétrica. Nada do que parece é e nada do que é aparece.

No resto da economia ninguém mais consegue vencer só com esforço. Só vai pra frente quem o dono do poder escolher para “dar” alguma coisa ou poupar da aplicação da lei que passa a ser escrita para ter efeito necrosante instantâneo. Do bolsa família ao bolsa mega empresário, do prêmio artístico ao financiamento das obras que vão concorrer a ele, a ordem é “para os amigos, tudo, para os inimigos, a lei”.

A classe média meritocrática, o cara que se faz sozinho suando a camisa, passa a ser “detestável”, o inimigo a ser destruído de preferência fisicamente, como diz Marilena Chauí, intelectual “orgânica” do partido. O “concursismo” passa a ser o único meio de “vencer na vida”. Nos 14 anos de PT no poder, o numero de funcionários dobrou e o gasto com eles triplicou. Mas quase todos os estados, assim como a União, têm mais deles aposentados com o maior salário das suas curtas carreiras que trabalhando. O salário deles aumenta todo ano acima da inflação, chova ou faça sol, não em função da entrega de resultado mas da capacidade de cada corporação de chantagear o país e o próprio governo. A partir de um limite, o estado passa a existir só para essa casta que hoje consome quase 100% dos 40% do PIB que o governo arrecada, e o resto do país se desmancha.

Discutir “golpe” a partir de Bolsonaro ou Lula é discutir potência ou ato, desejo ou realização. Começa que golpe ha muito tempo não se dá mais com militar e tanque. É com aparelhamento do Judiciário e decreto de juiz que se faz, como Lula não se cansa de ensinar no Foro de São Paulo. A cinco anos da sentença do mensalão, com o petrolão ainda bombando, os bandidos estão soltos, os processos da Lava Jato esterilizados e o chefe desacata sentenças de tribunais superiores e até do Supremo de dentro da cadeia e não acontece nada. Do jeito que vai morre tudo na praia e Sérgio Moro é quem acaba na cadeia, conforme a vingança prometida.

Jair Bolsonaro era a desculpa que faltava para a esquerda honesta, que desempata essa parada, ser tentada a sentar no colo da bandidagem ao lado de todos os coronéis ladrões de todos os tempos e de todos os governos. O Brasil vai precisar de todos os brasileiros decentes para se curar do lulismo. Eleger o presidente laranja é o fim final do império da lei e dos poderes dos outros poderes. Por isso, quando for votar amanhã, não pense nas bravatas da sua juventude. Pense na juventude dos seus filhos e dos seus netos porque o Brasil já está do lado de lá e o que esta eleição vai decidir é só se ainda tem volta.

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§ 26 Respostas para O que esta eleição vai decidir

  • Lourenço disse:

    Muito bom

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  • Luiz Barros disse:

    Excelente artigo, Fernão.
    Muito boa a definição da tática gramsciana como sendo, afinal, mera censura. Uma censura, aliás, que invade o espaço privado quando, ao ser revestida pelo politicamente correto, impede qualquer pensamento e busca transformar todos em alcaguetes dos “deslizes” do discurso autorizado.

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  • Renato Pires disse:

    A SEGUNDA GRANDE GUERRA FRIA

    Renato Pires

    A primeira grande guerra fria terminou há 29 anos, com a queda do Muro de Berlim, no bojo de um novo patamar de entendimento entre as duas grandes potencias da época, Estados Unidos e União Soviética, lideradas respectivamente por Ronald Reagan e Gorbatchov.
    Desde então, o mundo vive um período de paz relativa, em que os enfrentamentos militares entre nações são bastante raros, havendo uma distensão pacífica em que o foco é o desenvolvimento econômico e social.
    Todavia, com o surgimento da China como potência econômica e militar de alcance mundial, e a ascensão de Vladimir Putin na Rússia, com seus sonhos de restauração da grandeza do “império” russo, as condições estão mudando rapidamente, e o mundo caminha célere para a segunda grande guerra fria, desta vez entre o bloco ocidental, liderado pelos Estados Unidos, e a aliança estratégica Sino-Russa, sob o comando de Putin e de Xi Jinping na China, acompanhados pelos seus satélites.
    Essa segunda grande guerra fria é bem diferente daquela primeira que terminou em 1989. É mais sutil e muito mais perigosa para os países ocidentais, pois é baseada em estratégia de solapamento progressivo das bases filosóficas, econômicas e sociais em que se assentam as democracias do Ocidente, para enfraquece-las e permitir a construção da dominação do panorama mundial pela aliança Sino-Russa
    Nos anos 50 a 80, durante a primeira grande guerra fria, Estados Unidos e União Soviética promoviam um autêntico jogo de xadrez geopolítico, com escaramuças aqui e ali, guerras regionais, localizadas, como as da Coréia e do Vietnã, redes de espionagem mutuamente infiltradas, como foi muito bem retratado no cinema, nos filmes tipo James Bond.
    E promoviam a cara e complexa corrida espacial, disputando passo a passo a conquista do Cosmos, como parte daquela primeira grande guerra fria.
    A segunda grande guerra fria é baseada no uso estratégico e militar das altas tecnologias, como por exemplo a internet, as redes de telecomunicações, assim como as armas econômicas, comerciais e financeiras mais sofisticadas, que se valem dos meios eletrônicos para promover suas ações.
    Usam também como arma a penetração ideológica, em especial nos países da América Latina, ideologicamente mais atrasados em relação à evolução mundial das ideias.
    Assim, tivemos os eventos que culminaram na eleição de Donaldo Trump e na saída da Grã-Bretanha da União Europeia, com amplos indícios de interferência cibernética e financeira de Rússia e China nesses surpreendentes resultados, que muito favoreceram e favorecem o bloco Sino-Russo.
    Do ponto de vista econômico-financeiro, assistimos à grande investida da China, com seus bilhões de dólares, na montagem de um complexo mundial, sob seu controle, de produção agropecuária, produção mineral e energia, e forma a garantir não somente o seu próprio suprimento, mas também influenciar politicamente nos países onde faz esses vultosos investimentos.
    Na questão ideológica, em especial na América Latina, assistimos à ascensão de governos de esquerda, além da Cuba já dominada há décadas: Bolívia, com Evo Morales, Equador, com Rafael Correa, Venezuela com Hugo Chaves e agora Nicolás Maduro, Argentina com os Kirchner, e Brasil com o lulopetismo.
    Houve claramente influência do bloco Sino-Russo nessa guinada dos países latino americanos para a esquerda, com claros indícios de interferência direta, através dos vastos recursos financeiros chineses, e indireta, com utilização da “mão de obra” ideológica de cubanos e venezuelanos para penetrar nesses países e apoiar a instalação dos governos esquerdistas.
    A dominância política de Esquerda nesses países está agora claramente em refluxo, em parte devido ao retumbante fracasso das políticas econômicas e sociais que intentaram implantar nos países onde esteve no poder, seja por incompetência, seja por excesso de ganância, porém a penetração ideológica é bem mais sutil, e descolada dos humores políticos.
    Ela se dá através de ações “politicamente corretas”, perpetradas nas estruturas educacionais, artísticas, culturais, midiáticas e sociais, e no serviço público em geral, com a finalidade de criar uma rede ideológica espalhada, invisível, mas atuante, de forma a garantir sempre o “filtro” de políticas governamentais para que sigam as orientações gerais emanadas da filosofia de esquerda.
    Disso claramente tira proveito o bloco Sino-Russo, pois as suas investidas políticas, econômico-financeiras, ou mesmo culturais, encontram terreno favorável nesses países do “politicamente correto”, facilitando suas claras intenções de domínio e subjugação.
    Com isso, a estrutura social e política tradicional vai sendo lentamente minada, pois essa “água” ideológica vai penetrando por todos os espaços, e apodrecendo aos poucos os usos e costumes da tradição judaico-cristã, todavia ainda muito forte, e que certamente reagirá a essa investida contra seus valores, tanto na esfera cultural como principalmente política.
    É a segunda grande guerra fria sendo travada em nossos quintais.

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  • marcos disse:

    Perfeita a frase: ” O Brasil vai precisar de todos os brasileiros decentes para se curar do lulismo.”

    Só tem um problema: o uso que vc fez dela, pois Bolsonaro não é decente, em nada, Nunca o foi, fosse como militar ou agora como político. É um escroque, arrivista, arrogante e muito burro, Mas o pior é a gente dele.

    Bolsonaro não cura o Lulismo. Só mais democracia cura o lulismo. E mais democracia exige posição firme e não táticas temporais.

    Vc diz que Bolsonaro durará 4, mas a gente dele ficará 40. Inferência minha? Retórica minha? Seus últimos artigos também o são. Eu pelo menos tenho provas na história.

    Vargas veio para reformar e deformou. Sua gente está aí até hoje.

    A ditadura militar deveria ter durado um ano! Havia eleição na rua para 1965. O corvo contra o vassourinha e coisas do gênero. Durou 21 e ainda nos deu Lula de presente.

    Insisto, Vc está agindo como na questão do presidencialismo que vc defende contra o parlamentarismo que vc ataca. Não conseguiu comprovar a sua tese; como agora.

    O PT é terrível? É! Mas a resposta não é nem de longe Bolsonaro. Os dois chegando no 2º turno e votarei nulo.

    MAM

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    • Fernão disse:

      o que quer dizer que estará votando em quem estiver ganhando.
      é uma…
      mas a opção que existe é a que existe. esta chovendo canivetes e v tem só uma escolha ficar na toca e deixar pros outros resolverem ou sair na chuva e se molhar…

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      • Fernando Lencioni disse:

        Bolsonaro é o único caminho para livrar o Brasil do desastre. Ele seria o meu candidato numa situação normal? Não. Mas quem é que disse que estamos vivendo em tempos normais. Deixemos de purismos e exigências intelectualóides e votemos com a razão. Sim. Precisamos de todos os homens honestos que o Brasil tem e um pouco mais. Estamos numa guerra visceral. Não é momento de divisões entre aqueles que reconhecem o perigo que representa o PT e seus asseclas para o país. Chega de discutir sexo dos anjos. Usem o cérebro. A esquerda não se fragmenta jamais. Fragmentar a oposição a ela é trabalhar a favor dela. Não brinquem com comunistas e simpatizantes de regimes totalitários. Leiam os livros de história. Eles deixaram um rastro oceânico de sangue por onde passaram. Nos unamos a favor do Brasil para que, mantida a democracia, possamos nos próximos quatro anos continuar a buscar as reformas que queremos para passar ao próximo grau de evolução democrática. Não importa o nome. Importa quem tem chance real de derrota-los e relega-los aos confins do inferno com as reformas necessárias. Mas esse nome é Bolsonaro, gostemos ou não. Foi esse tipo de comportamento cheio de dedos que possibilitou a ascensão de Hitler e outros facínoras. Não brinquem com isso. E não venham dizer que um homem cujo mote é Brasil acima de todos e Deus acima de tudo é fascista porque essa é exatamente a ideia que a propaganda esquerdista quer passar a você que é presa fácil de chavões. Nunca se esqueça. Palavras qualquer pessoa pode proferir. Ações só são praticadas por quem acredita nelas. Analise os fatos com isenção e tire suas próprias conclusões. Com isenção. Sem parti pris. Se você negar os fatos históricos então… desculpe. Não é para você que eu estou falando por que você já escolheu seu lado.

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    • Adriana disse:

      MAM, a escolha de Bolsonaro ê pelas reais chances de nos impedir de cair no precipício do bolivarianismo.
      O fato de não sermos orgânicos de nenhum partido, e não estarmos com nossas mentes a serviço de uma causa alheia, como estão os petistas, é o que nos permite fazer a escolha, consciente, diante das 2 possibilidades à frente.
      Na vida é assim. Mesmo quando nos deparamos com caminhos não ideais, muitas vezes até ruins, exercemos uma escolha, e ela determina nosso futuro.
      Se ganhar o presidiário, por meio de seu poste, já sabemos o destino do país. E é tão ruim esse destino, que vale muito a pena arriscar conhecer o outro.

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    • Fermi disse:

      O regime militar pode ter durado 21 anos e “ter dado Lula de presente” segundo sua opinião, mas não nos esqueçamos do que ele nos salvou: de termos virado uma Cuba na época, e isso sim, não acaba mais, está lá até hoje.

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    • Olavo leal disse:

      Eu diria que o problema lulismo não se refere especificamente ao PT-Lula. Diz respeito a tudo isso que está por aí, em consequência do lulismo, não se restringindo somente ao PT. Há podres em quase todos os partidos, respeitadas pouquíssimas exceções. Daí, Bolsonaro, por eliminação, torna-se a solução mais plausível. Simples, assim!

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  • Nivaldo Simonassi disse:

    Perfeito Fernão, não dá Iara tergiversar neste momento e fazer profissão de fé em posicionamentos ideológicos adequados ou politicamente corretos, como vc bem disse estamos à beira do precipício, a hora é de definir se nos jogamos ou não, e não de refletir porque é como chegamos até aqui. Não dá para ficar filosofando se tem gente vindo nos empurrar!

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  • Luiz Barros disse:

    Parece que a maioria não acordou para o fato de que já tivemos até Dias Toffoli na presidência da Republica… será possível?

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  • A libertação das mentes – das ideologias das partes -, qualquer que seja, requer habilidade de pensar o todo. Apenas contemplando o todo torna-se possível entender a função e dar sentido à parte. O todo brasileiro já se manifestou em 2013 ( 4/6 milhões, em 400 cidades, em um domingo, sem um só incidente e sem admitir político) e agora usa Bolsonaro para ver se a elite política finalmente entende. Saberemos da resposta no comportamento do novo Congresso. MAM, 2013 foi absolutamente pacífico, agora está sendo um pouco menos, imagine se tivermos de nos pronunciar uma terceira vez.

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  • Alexandre Souza disse:

    Excelente o artigo, Fernão! Preciso e, sobretudo, corajoso.

    Bolsonaro está longe de ser o candidato ideal, mas é a escolha que temos agora para evitarmos o pior.

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  • gioconda disse:

    Muito bem explicado o significado dessa eleição. Claríssimo!

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  • Nausícaa disse:

    Como digo aO Antagonista, a eurasia adora mijar no meu chopss, por isso é melhor Jair se acostumando enquanto ainda há chopss, se não já era.

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  • “Nos 14 anos de PT no poder, o numero de funcionários dobrou e o gasto com eles triplicou. Mas quase todos os estados, assim como a União, têm mais deles aposentados com o maior salário das suas curtas carreiras que trabalhando. O salário deles aumenta todo ano acima da inflação, chova ou faça sol, não em função da entrega de resultado mas da capacidade de cada corporação de chantagear o país e o próprio governo. A partir de um limite, o estado passa a existir só para essa casta que hoje consome quase 100% dos 40% do PIB que o governo arrecada, e o resto do país se desmancha.”

    Falou tudo !!

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  • Jose Simoes Neto disse:

    Nos faz muita falta a solução eleitoral tal qual as primárias norte-americanas onde um escrutínio longo afere quem deve seguir na disputa. Talvez, com isso, tivéssemos uma pré seleção mais apropriada à tão relevante cargo de presidente.

    Ainda assim, temos dois turnos. E neste primeiro ainda cabem algumas esperanças que seu artigo parece desconsiderar. Somente após o primeiro turno, se ninguém for definitivamente eleito, seu texto se aplicaria integralmente.

    Estou entre aqueles que não abdicam de escolha alguma. E entendo ainda ter mais escolhas neste momento pré primeiro turno. Até mesmo, para estressar as candidaturas que seguirem para o escrutínio final.

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  • fabius justus disse:

    fernão, brilhante artigo!!!

    mas, com a devida vênia, se eu fosse um dono de jornal e o contratasse, você entregaria os artigos eivados de erros ortográficos como esse???

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  • Mais além dos agás, penso que os leitores de Fernão são pessoas inteligentes e cidadãos promissores. O sucesso da espécie humana parece depender do domínio formal do ato de pensar, da operação metódica da consciência. Uma iniciação ao tema pode ser obtida em http://segundasfilosoficas.org/sem-categoria/espaco-tempo-uma-mutilacao-da-realidade/ Fernão pode oportunizar uma comunidade interessante.

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  • Jota Guedes disse:

    Fernão,

    Uma conversa recente que tive com um amigo. Se Puder comentar agradeço!

    – Uma coisa que tenho notado: como Brasília tem um PODER ENORME sobre o país inteiro, há uma expectativa SUPERDIMENSIONADA sobre o Presidente, sobre o Congresso, etc… Isso, ao meu ver, é uma falha da Constituição Brasileira; do Sistema Federativo. Nos Estados Unidos, por exemplo, as Cidades e Estados têm mais autonomia para decidir sobre leis que afetam pautas de parte a parte. Os fluxos entre pautas progressistas e conservadoras se dão em escala local em um tempo mais curto. Quando uma lei mostra-se disfuncional, ela pode ser facilmente derrubada. A disputa se dá de forma menos obtusa, cansativa (não dura uma geração inteira). Não mobiliza um país inteiro…digo.
    Hoje eu percebo que, as duras penas, existe esse fluxo para pautas mais conservadoras…como TUDO é decidido desde Brasília…todo o “campo progressista” se sente ameaçado, de ponta a ponta…e há essa dificuldade que uma geração tem de perceber que esse movimento é algo natural numa democracia, como esta sendo agora…e daí surge a gritaria, “nenhum direito à menos!”, “retrocesso!”, “perda de direitos!”…etc…e uma geração INTEIRA se vê ameaçada por um único sujeito…um exemplo: “Bolsonaro é autor do projeto que proíbe o SUS de atender vítimas de violência sexual e que proíbe distribuição de pílula do dia seguinte.” O próprio “Estatuto do Desarmamento”, eu acho disfuncional para um país com as dimensões do Brasil…com regiões tão diferentes umas das outras…em números, cultura, etc…É um ponto de vista que acaba me dando mais “chão”…algo que me faz entender a maluquice em que estamos metidos…

    – Eu creio que tem razão…Outro ponto que você mesmo levantou: democracia não é só alternância de poder. É alternância de decisões. Quando nossos colegas dizem que “nada pode mudar”, sob os termos, mais bonitinhos, de “nem um direito a menos” ou “nada de retrocesso”, eles:
    a) mostram sua tez autoritária, onde suas vontades não podem ser desfeitas, negadas, etc.
    b) entram na louca Metafísica do Progresso, onde estamos numa escalada retilínea rumo ao Mundo Melhor
    c) eles são partícipes do Progresso – eles SÃO o Progresso – e qualquer obstáculo é seu pior inimigo: o Retrocesso

    Até a idéia de que são o “Campo Progressista” é uma loucura.Todos falam com a autoridade do Futuro, desse lugar que ninguém jamais visitou. Imagine por um instante que o Futuro seja o Islam. Que, por um recurso mágico, você veja que o mundo será muçulmano daqui a 100 anos…Como você vê algo como, por exemplo, os “direitos da mulher”…
    Eles são o Futuro? Não. Eles podem ser BONS. Mas não são o Futuro.
    O Tempo não sanciona o que é Certo ou Errado. A rigor, o caminho para o futuro seria tudo que levasse ao Islam… como lidar com isso?

    Nota que todo o construto lógico e metafísico é precário, do começo ao fim? E nota que eles não entendem…Que eu – talvez você – pude ter vivido por 15 anos vendo coisas que eu valorizo serem erodidas…
    E eles NÃO? Eles não podem viver uns bons 10 anos “perdendo” politicamente? Que tudo tem de ser do jeito deles? Isso eu notei na campanha contra Aécio Neves. Onde tudo assumia um tom apocalíptico: tudo se perderá, irremediavelmente, se ele ganhar! Aí eu notei: claro, essa concepção é de um autoritarismo, é de uma auto-centralidade, assombrosa…Bolsonaro, nesse caso, é pretexto. Eles reagiram igual a todos e qualquer um.

    – Pior: declarações recentes de ministros do STF.

    O julgamento que vetou o voto impresso nas eleições brasileiras é visto (pelos ministros) como o mantenedor do “progresso” institucional – como ví no voto da presidente Carmém Lúcia: “Seria um retrocesso e não um avanço. A democracia deve propiciar o progresso das instituições e não o retrocesso”. Essa mentalidade já invadiu a suprema corte e creio advir da doutrina jurídica do princípio da proibição do retrocesso (se tu colar no google vai ver o tamanho da encrenca), que alcançou aqui contornos de ativismo judicial. Dizem ser um princípio implícito na constituição brasileira. Estamos mal…

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    • Fernão disse:

      o erro, hoje, é considerado virtude. o mercado inteiro procura quem tenha errado muito porque esse saberá se virar diante da mudança, que hoje é permanente.
      esse é o propósito da democracia e das instituições americanas: facilitar a mudança dentro de um ambiente onde cada mudança não implique uma quebra das instituições, uma crise, um drama.
      o que era imovel, imutavel, eram as monarquias que a democracia veio para extinguir. a imobilidade só serve para isso: para “petrificar” privilégios e defender o indefensavel. só serve à minoria que os tem.
      por isso la a constituição federal so define duas coisas: os limites do poder do governo federal e o alcance e atribuições de cada um dos tres poderes. tudo que nos chamamos de “direitos do povo”, assim como o custo de cada um desses direitos, fica para as constituições estaduais e municipais, ou seja, para quem concordar em se dar e bancar esses direitos.
      e todas essas constituições incluem uma norma: a cada 10 anos, na eleição daquele ano, o povo vota se quer ou não uma reforma da constituição. quando decide que quer, também é regra, não é o legislativo que faz porque o legislativo é uma representação do status quo, não quer mudança. então elege-se uma constituinte àparte, todo mundo pode dar palpite e essa constituinte é obrigada a processar aquela sugestão. no fim, sai o texto novo e todo mundo é convocado a referenda-lo ou não no voto, um processo que, em geral, toma dois anos

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