Saudação ao fim do voto ideológico

29 de setembro de 2009 § 1 comentário

cego fila

Na semana passada, quando andou comemorando “a primeira eleição no Brasil sem os trogloditas da direita” (mesmo porque a maioria deles está ocupada em apoiar o governo Lula que, em troca, os tem salvo da polícia, e vice-versa) nosso presidente disse que “o grande desafio desta eleição será o futuro; quem vai fazer a melhor proposta de futuro para este país”.

É verdade (até ele as diz, quando isso é inevitavel…).

O nível de escracho que Lula “tornou normal” nos arraiais políticos brasileiros fez, pelo fim das ideologias no Brasil, com 20 anos de atraso, o que a Queda do Muro de Berlin não tinha conseguido fazer.  Sua efusiva confraternização com José Sarney e Fernando Collor de Mello foi o marco do definitivo degredo da ética para fora do território petista. A partir de então, passou a ser oficial: nada diferencia os bandalhos assumidos de cada lado do antigo espectro ideológico; todos eles são igualmente nocivos à promoção do Brasil para uma próxima etapa de desenvolvimento sustentado.

E isso abre novas e ricas possibilidades em matéria de eleições. 

Sim, porque o voto ideológico é, antes de mais nada, um voto burro; um voto que fecha os olhos aos dados da realidade presente, emitido por um eleitor que, ao abrir mão, deliberadamente, do seu senso crítico, torna-se surdo a qualquer argumento racional. A ideologia é uma espécie de suborno moral que, do ponto de vista prático, produz no contingente de eleitores afetado por ela o mesmo efeito que o suborno assistencialista produz no voto do miserável: torna-o cativo, independente da avaliação do desempenho do partido, do político ou da administração que o recebe.

politburo

O voto ideológico, assim como o voto subornado, são votos reacionários. Um espontâneo, outro forçado, são votos referidos ao passado que se propõem barrar o avanço para o futuro.

Para cumprir o papel essencial que tem nas democracias, de instrumento de pressão dos representados sobre os representantes, de parteiro do novo e arauto do futuro, o voto tem, por definição, de ser livre, cambiante, errático, dócil aos acontecimentos do momento.

A bandalheira petista teve, portanto, pelo menos esse lado positivo: conquanto Lula tenha aprisionado mais eleitores do que nunca no redil assistencialista, o que compromete, temo que irremediavelmente, a próxima eleição, ao menos libertou o voto ideológico do contingente distorsivo dos votos acríticos.

Considerando-se que o voto subornado tende a ser estéril, durando apenas enquanto durar o suborno, e que o voto ideológico libertado tende a ser fértil, multiplicando-se em função do maior poder de proselitismo dos seus detentores, podemos nos agarrar à ideia otimista de que, do médio para o longo prazo, haverá melhora na qualidade das nossas eleições futuras.

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§ Uma Resposta para Saudação ao fim do voto ideológico

  • fredy tobler disse:

    Porque será que no Brasil não existe um belo partido de direita??Não precisa ser troglodita. Partidos de direita existem em quse todos os paises democraticos da Europa. Será que aqui no Brasil, não é politicamente coreto? (sic) o será que é por falta de coragem dos nossos politicos de São Paulo e do sul do pais?? Eu acho que teria um bom numero de seguidores um programa baseado no estilo Bossi da Lega Lombarda Italiana,que defende entre outras coisas a industria do norte da Itália contra os velhacos e ladrões do Sul e os parasitas de Roma,igualzinho a que acontece aqui no Brasil, com a unica diferença,que aqui os ladrões estão em Brasilia e mais ao norte…

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