A recaída de Dilma
março 18th, 2011 § Deixe um comentário

Levou menos de 12 horas para que os fatos expusessem de forma definitiva a desonestidade da alegada “expectativa” da diplomacia brasileira de que uma ação concreta da ONU contra o candidato a genocida, Muamar Kadafi, pudesse piorar a situação dos líbios que ele vem massacrando ha 10 dias com o fogo cerrado de todo o armamento pesado de que dispōe.
Ainda que a carnificina até então consumada não tivesse sido bastante para convencer o Itamaraty da necessidade de detê-lo a qualquer custo, o fato de Kadafi em pessoa ter grunhido entre dentes para os rebeldes de Bengazi “Vamos chegar esta noite e não teremos piedade” no mesmo momento em que a embaixadora Maria Luiza Viotti e seus auxiliares estavam redigindo o voto brasileiro deveria te-lo feito.
Foi, na verdade, o que aconteceu, como sugerem os oito parágrafos de constrangidas desculpas que ela leu antes de pronunciar o voto que estava prestes a dar para tentar convencer a audiência de que ele não significava o que significou.

É um evidente exercício de contorcionismo essa peça onde todas as premissas contrariam a conclusão. E ela parece ainda mais fora de lugar por ter sido emitida na véspera da chegada ao Brasil de Barak Obama, presidente do país com que Lula fez questão de nos atritar sistematicamente durante os oito anos anteriores a 2011, mas que sua sucessora distinguiu com um inédito convite para visitar o país acompanhado de toda a sua familia e dirigir um discurso em praça publica ao povo brasileiro.
Na sequencia de inúmeros discursos com o mesmo tom, esta visita está sendo unanimemente entendida como o coroamento da mudança de rumo da política externa brasileira tantas vezes anunciada pela presidente Dilma.
Alteração esta que, é bom lembrar, não é um acontecimento isolado mas faz parte de um conjunto amplo e coerente de correções de rumo que desde antes da posse ela anunciou que faria para afastar o Brasil da senda do autoritarismo em que ia afundando e reafirmar o compromisso do seu governo com tudo quanto define um estado de direito, a começar pela liberdade de imprensa e pela democracia representativa que Lula e a gangue do Plano Nacional de Direitos Humanos punham sistematicamente em duvida.

As diferenças que Dilma tem feito questão de marcar em relação às posições mais retrógradas de seu antecessor refletem fielmente as divisões que por toda a parte se nota entre o PT escolarizado da elite de tecnocratas do funcionalismo publico que ela representa e o PT com raízes no sindicalismo que, por desconhecer a História e desprezar o conhecimento, tende a confundir instituições com pessoas e não tem referências para medir o alcance e a consequência de seus atos.
No meio dos dois e, no momento, no ostracismo, esgueira-se a banda podre do PT ideológico, aquele que, ao contrário da esquerda honesta que se recusou a compactuar com a bandalheira e deixou o partido, aderiu abertamente à corrupção. É este mesmo grupo, que o Ministério Publico identifica como uma quadrilha organizada no processo do Mensalão que, seguindo os ensinamentos recebidos de seus professores caribenhos, pressiona o governo petista a manter um apoio ostensivo aos mais patológicos e sanguinários ditadores que sobrevivem no planeta.
Por tudo isso a conclusão que me ocorre para explicar a dissonância desse voto com todos os atos deste governo que o precederam e reacende duvidas que pareciam definitivamente dirimidas, é que houve algum tipo de interferência externa à qual a presidente Dilma acabou por ceder. E o único personagem com força para consegui-lo é, indubitavelmente, o “amigo e irmão” do bom e velho Muamar que nos governou nos últimos oito anos.

PS.: A recusa de Lula de comparecer ao almoço em homenagem a Obama, 24 horas depois de escrito o texto acima, confirma a sua incapacidade de distinguir pessoas de instituiçōes e reforça a probabilidade de que tenha sido ele a impedir o Brasil de se somar ao esforço internacional para deter o assassino da Líbia.
Que Alá tenha piedade de nós
março 3rd, 2011 § 3 Comentários
Algumas verdades ditas em árabe (obrigado ChaChá)
Eu também, como todo mundo, estou torcendo para que dê em casamento o namoro com a democracia que parece estar sendo ensaiado no Oriente Médio.
Mas quanto mais eu leio sobre o que acontece por lá, menos claro fica para mim de onde é que ela poderá brotar.
Posta de lado a Líbia que é uma exceção que pouco tem a ver com o padrão que marca as rebeliões dos outros países, reafirmam-se, os sinais que marcam a diferença entre estes movimentos e os de ocasiões anteriores. Quem puxa as manifestações, desta vez, não é o lumpen manipulado pelos radicais religiosos de sempre mas sim a classe média com acesso à internet para a qual a distância do mundo árabe para o resto do planeta, não tanto em matéria de conforto material mas, principalmente, em matéria de direitos individuais e segurança institucional se tornou por demais evidente.
Isso explica o que há de semelhante nas cenas a que temos assistido em países tão diferentes do ponto de vista das condições materiais quanto o Bahrein e a Arábia Saudita, de um lado, e o Iêmen, do outro, para mencionarmos os extremos.
O guru de bin Laden no Iêmen
O outro ponto comum a todos os países conflagrados, entretanto, é terem vivido os últimos 30 anos ou mais sob um único ditador. Uma lista de homens que compartilha em seus currículos, como fator decisivo dessa longevidade, a eficiência com que eliminaram toda forma de oposição organizada nos seus feudos. Antes desse ultimo autocrata, é outro ponto comum a todos, esses países nunca tiveram a experiência de qualquer convivência tolerada com a diferença, fosse ela política, fosse ela religiosa. A alternativa desses povos, em matéria de brutalidade política sofrida, tem sido sempre entre o ruim e o pior.
Não se trata, portanto, de “preconceito”. A democracia será uma conquista tão dura para os árabes quanto foi para todos quantos a tentaram antes. Ela é um privilégio de pouquíssimos no mundo e fruto de um longo aprendizado. Se aqui neste Brasil onde não se apedreja, decapita, enforca ou mutila quem quer que seja, pelo menos oficialmente, nem nos “fechamentos” nem nas “aberturas”, nós ainda pagamos, a 26 anos de distância da ultima, o mico que pagamos para entender o que vêm a ser democracia e estado de direito e continuamos longe de desfrutá-los, imagine-se o que se poderá esperar no mundo árabe, ainda inteiramente virgem dessas experiências.
Ali Abdula Salé
Olhando a situação objetivamente o que parece é que os únicos dois países afetados pela Primavera Árabe onde o futuro é mais ou menos previsível são aqueles em que os ditadores menos resistiram: Tunísia e Egito, onde reina uma calma relativa em função do fato de não ter havido uma “revolução” de fato do poder político mas, por enquanto, apenas o prenuncio de uma substituição da figura que virá a comandar o aparato que continua com ele nas mãos (no caso, as forças armadas desses dois países).
Em todo o resto, seja para onde for que olhe, vem-me imediatamente à cabeça a mesma alternativa: se virar para a direita, os Estados Unidos e Israel se ferram; se virar para a esquerda, os Estados Unidos e Israel se ferram . E com eles as perspectivas para a paz mundial.
No Iêmen, anteontem, o ditador Ali Abdula Salé, ha 32 anos no poder, abriu o verbo contra os americanos por quem se sente traído, atiçando a multidão contra eles (e Israel). Sintomaticamente, no dia anterior, o líder islâmico local, sheik Abdul-Majid Al Zidani, tido como um dos mentores espirituais de ninguém menos que Osama bin Laden em pessoa, que não punha a cabeça à vista ha dois anos, desde que os Estados Unidos apresentaram provas de que ele é um importante elo no sistema de financiamento da Al Qaeda, ressurgiu na praça dos insurretos fazendo discursos irados sem que fosse reprimido pelo ditador.
Líbia: o diabo na rua…
Segundo todos os especialistas, depois que o Afeganistão foi espremido pela guerra, o Iêmen, que no passado foi palco de alguns dos atentados mais violentos sofridos pelos americanos, se tornou o principal reduto da Al Qaeda, a partir de onde a rede terrorista poderá se rearticular em toda a região.
Daí a importância estratégica da colaboração e da aliança tácita entre os Estados Unidos e o ditador agora sob ameaça, que se declara traído por eles.
A Líbia está como está: ou cai nas mãos dos inimigos declarados dos Estados Unidos que Kadafi vinha mantendo sob férreo controle ou, se este sobreviver, permanece nas mãos desse senhor tão judicioso e equilibrado que, enquanto viver daqui por diante, babará de ódio contra quem não só o abandonou à beira do abismo mas empurrou-o em direção a ele.
O Bahrein, antiga colônia do Irã, o único país da região de maioria xiita, está nas mãos de um rei que é primo do da vizinha Arábia Saudita, Ele tem andado pisando em ovos. Mas é muito improvável que atravesse essa tempestade sem quebra-los, espremido que está pelo dilema: se aumentar a dose de democracia terá de submeter-se à lei da maioria (xiita); se reduzi-la ainda mais, coloca-se numa posição moralmente insustentável.
O rei Abdul Aziz
Toda a pressão internacional que tem sido feita em torno da Primavera Árabe, aliás, só produz efeito sobre as ditaduras aliadas dos Estados Unidos. Essa pressão, para ser mais exato, dirige-se contra os Estados Unidos e não diretamente sobre os governantes locais para os quais a opinião publica nunca pesou um grama. É a retirada do apoio americano que ajuda a desestabilizá-los.
E no meio desse intrincado jogo de xadrez onde cada passo errado torna o xeque mate mais inevitável, Barak Obama está como sempre: mais perdido que cego em tiroteio, reagindo às flutuações da opinião publica e não procurando definir e perseguir objetivos geoestratégicos.
O destino da Arábia Saudita está, de cetra forma, amarrado ao do Bahrein, onde impera um primo do rei Abdul Aziz. Mas mesmo que se consiga conter a contaminação de uma situação pela outra, é preciso lembrar que o rei árabe, que se sente inseguro a ponto de anunciar um pacote de bondades de 37 bilhões de dólares para manter seu povo longe das praças publicas, está com 86 anos, tendo abaixo de si inúmeros príncipes que não se notabilizam pela lisura com que tratam o dinheiro publico nem pela falta de ambições políticas.
O velho Abdul Aziz, aliás, também já se sente traído pelos Estados Unidos que abandonaram seus aliados no Oriente Médio alegando motivos de que a monarquia árabe também não pode se eximir.
Bahrein: pisando em ovos
Dêm no que derem as manifestações que estão sendo articuladas na Arábia Saudita (e o momento decisivo está marcado para dia 11 próximo), suas relações com os Estados Unidos não voltarão, portanto, a ser como antes.
Olhando-se um pouco mais adiante, o que se vê também não é tranquilizador. O Líbano está outra vez fervendo, nas mãos de um primeiro ministro sunita mas que subiu ao poder graças a um golpe branco arquitetado pelo Hezbolá (xiita, ligado ao terrorismo) e apoiado pelo Irã.
O próprio Irã, enquanto reprime com a violência e a eficácia de sempre as manifestações internas sem se preocupar como se preocupa alhures com as reações internacionais, segue a passo acelerado fabricando a bomba atômica com a qual, declaradamente, pretende “varrer Israel do mapa”.
Mais além, no Paquistão, segundo os últimos relatórios da inteligência americana, já ha 110 artefatos atômicos prontos para uso. O Paquistão não consegue alimentar seu povo, educar suas crianças ou derrotar insurgentes do Taleban dominantes em diferentes pontos do país, mas gasta bilhões de dólares todo ano numa insana corrida nuclear. Foi, em dois anos, de 70 artefatos para os atuais 110, e seus reatores de enriquecimento de urânio já fabricaram material para algo entre 40 e 100 novos artefatos. Já é o quinto maior arsenal nuclear do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, Rússia, França e China mas à frente de Inglaterra e Índia.
Taliban: eles podem vir a ficar donos de 110 bombas atômicas
Para que quer tudo isso?
Não se sabe. Ontem, entretanto, o único ministro cristão do governo paquistanês, Shabaz Bhatti, o Ministro das Minorias, foi trucidado numa emboscada por assassinos que se identificaram como ligados ao Taliban e à Al Qaeda. Ele liderava a campanha pela reforma da draconiana “Lei contra a Blasfêmia”, em vigor desde 1970, que impõe “pena de morte a todo acusado de falar contra o Profeta Maomé”.
Falar, vejam bem. Não é preciso agir.
O presidente Asif Ali Zardari e seu primeiro ministro “condenaram veementemente” o assassinato mas, assim como todo o Estado Maior das Forças Armadas, não foram ao enterro do ex-colega…
O Taliban é o candidato permanente a empalmar o poder tanto no Paquistão quanto no vizinho Afeganistão. Imagine essa gente com o arsenal nuclear do Paquistão nas mãos. E, se quiser piorar o pesadelo, imagine isso num mundo em que o Irã de Ahmadinejad e seus aiatolás também já tenha as suas bombas.
Numero 2 da Al Qaeda, by Irmandade Muçulmana
Depois volte seus olhos novamente para os “conservadores” Egito, Tunísia e outros. Além das forças armadas, a única força organizada entre eles é a Irmandade Muçulmana. Do ponto de vista ideológico, ela se parece com a Igreja Católica da América Latina. Ha lá dentro desde o equivalente aos carismáticos até os adeptos da Teologia da Libertação e os ramos que não só apoiam como insuflam o terrorismo. Foi da Irmandade Muçulmana que saiu, por exemplo, o
“Numero 2″ da Al Qaeda, o egípcio Ayman Al-Zawahiri, aquele que mandava chacinar a faca turistas em visita às pirâmides, velhinhas e crianças inclusive.
Enfim, torço furiosamente para que desta vez seja diferente. Mas caso isso aconteça, estará sendo revogado um padrão histórico do qual não escapou nenhuma das revoluções de que se tem memória, da Americana para a frente: nenhuma permaneceu sob o controle daqueles que as iniciaram; ao contrário, na maioria das vezes eles foram os primeiros a serem devorados por elas.
Resta esperar, neste dia em que a imprensa registra um recorde de todos os tempos do preço dos alimentos, que Alá seja piedoso e escolha com o maior cuidado os herdeiros da Primavera Árabe.

Lula e sua galeria de monstros
fevereiro 24th, 2011 § 1 Comentário
Para refrescar a memória do publico, segue uma lista não necessariamente completa de alguns dos momentos mais vergonhosos que Lula nos fez passar ao colocar o Brasil ao lado do lixo do mundo na defesa intransigente de cleptocratas e assassinos pelo mundo afora.
O artigo homenageia o editorial perfeito publicado hoje no Estadão (aqui) sobre a mudança “da água para o vinho” da diplomacia de Dilma, “uma defensora sem meios termos dos direitos humanos”, que resgata nossa dignidade no cenário internacional.

Muamar Kadafi: é brutal, sanguinário e corrupto até a medula; seu ex-chanceler, que fugiu para a Europa diante do selvagem massacre que ele comanda neste momento em seu país, diz ter provas de que ele ordenou pessoalmente o atentado de Lokerbie em que explodiu no ar, com uma bomba plantada no bagageiro, um Boeing com 250 passageiros sobre essa cidade escocesa. Documentos vazados pelo Wikileaks hoje mostram novos detalhes sobre como ele e seus filhos saqueiam o país e mantêm seu povo sob uma férrea repressão.
Lula te uma queda particular por Kadafi: chama-o de “amigo e irmão”; teve quarto encontros com ele durante seus mandatos, na Libia, no Brasil, na Venezuela de Chavez e na Nigéria.

Mamud Ahmadinejahd: é o ícone da vertente linha-dura dos radicais xiitas que controlam o país desde 1979 e, indiretamente, está ganhando força com a sucessão de quedas de ditadores sunitas no Oriente Médio. É conhecido por afirmar que o Holocausto nunca existiu e que Israel deve ser varrido do mapa. Para tanto, dedica-se a construir a bomba atômica iraniana e a testar os foguetes capazes de levá-la até Israel. Enforca opositores, fuzila manifestantes e apedreja “mulheres adulteras”. Lula o recebeu no Brasil, foi a Teerã, tentou, sem sucesso, dar cobertura aos seus métodos de burlar a fiscalização internacional de suas instalações nucleares e negou a assinatura do Brasil numa moção da ONU condenando as bárbaras execuções ordenadas por seu governo.

Fidel Castro: ficou no poder por 49 anos antes de ficar doente e ter de passá-lo ao seu irmão; fuzilou a maioria dos seus antigos companheiros da Sierra Maestra e, a seguir, seus opositores. Suas tropas participaram diretamente de gerrilhas em diversos países; treinou, financiou e deu cobertura dilomática a inumeros grupos terroristas. Com o poder consolidado, passou a fuzilar menos e prender todo e qualquer critico. Lula estava em Cuba, festejando com os carceireiros, quando um deles, em greve de fome, morreu. Comparou-o, e aos demais prisioneiros politicos de Cuba, com bandidos comuns presos no Brasil.
Para Lula, Fidel é o único mito vivo da humanidade e construiu isso com “competência e caráter”.
Hugo Chavez: age há 11 anos como dono da Venezuela; fecha jornais e TVs que ousam criticá-lo, estatiza empresas e bancos, financia governos “bolivarianos” por toda a América Latina e culpa o “Império” por tudo que incomoda o mundo, da dor de dente aos terremotos.
Para Lula, “sem dúvida, Chávez é o melhor presidente que a Venezuela já teve nos últimos 100 anos” e o problema da Venezuela é o “excesso de democracia”.

Robert Mugabe: ha 30 anos no poder no Zimbabue, isolado pela comunidade internacional em represália à violência e corrupção de seu governo e pela acusação de financiar o terrorismo internacional, Mugabe ganhou de Lula um presente precioso na véspera dos seus 86 anos, num encontro dos dois no Irã de Ahmadinejad: um jogo amistoso da seleção brasilera na véspera da Copa do Mundo.
O ditador decretou feriado, lotou seu estádio, posou ao lado de Kaká e passou semanas faturando o evento.
“Devemos isso ao Lula. Ele tem apoiado muito o Mugabe“, comemorou o seu assessor de gabinete, Mike Chando.
Mugabe é um homem de princípios: não faz mas rouba. Sempre. Sua seleção está no 113ro lugar na classificação da Fifa. O estádio estava cheio. Mas os US$ 640 mil (R$ 1,08 milhão) coletados pela bilheteria nunca foram encontrados nas contas da Federação de Futebol do Zimbábue. A empresa que patrocinou o jogo está processando a entidade até hoje em tribunais suíços.

Islam Karimov: está no poder no Uzbequistão desde 1989, governa pelo terror com uma polícia temida e odiada pela população por sua brutalidade e corrupção. O Conselho de Direitos Humanos da ONU o acusa de praticar tortura, aceitar o trabalho infantil e perseguir jornalistas e muçulmanos.
Lula o recebeu em Brasília alegando querer “promover um maior engajamento entre os dois países”.

Paul Bya: é o dono da Republica dos Camarões há 28 anos; saqueia implacavelmente seu país e passa férias no sul da França, onde gasta mais de 40 mil euros por dia. A renda media nacional em Camarões é de 700 euros por ano.
Em visita ao país, Lula comemorou com o ditador num banquete as suas “afinidades eletivas”.

“Mel” Zelaya: Tentou aplicar um golpe de estado para permanecer no poder alterando na marra a constituição de Honduras, mas não deu certo. Foi barrado no Legislativo, “impedido” pelo Judiciário e destronado pelos militares. Graças a articulações do coronel Chavez, da Venezuela, e da camarilha sandinista da vizinha Nicarágua, conseguiu fugir e infiltrar-se, com companheiros armados, na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, que os recebeu “docemente constrangida”.
Com o beneplácito de Lula, permanceu lá, cercado pelas autoridades de seu país, até que ele e Chavez esgotaram todas as tentativas de reinstalá-lo no poder e garantiram-lhe a fuga de Honduras.

Teodoro Obian Nguema Mbasogo: tomou o poder na Guiné Equatorial por meio de um golpe de Estado há 31 anos e, desde então, comporta-se como um reizinho despótico. Para a ONG Human Rights Watch, é um dos ditadores mais corruptos e violentos do mundo.
Quando foi levar-lhe pessoalmente o “apoio do Brasil”, Lula, depois de atravessar uma cidade miserável, posou para os fotógrafos como uma rainha, à direita do trono de sua majestade, num suntuoso palácio protegido por tanques de guerra.

Aleksander Lukashenko: no poder desde 1994 na Belarus é conhecido como “o último ditador da Europa”. Como Ahmadinejad, adora fazer declarações antisemitas. As eleições em que se consagrou vencedor mais uma vez, há quatro anos, foram chamadas de “uma farsa” pelo Conselho da Europa, principal organização de direitos humanos do continente.
Recebido no Brasil pelo presidente Lula, afirmou que “os dois países pensavam de maneira parecida”.

Omar Bongo Ondin: governou o Gabão, país rico em petróleo, com mão de ferro por 42 anos, até sua morte, no ano passado. Muito dinheiro e violência o mantiveram por tanto tempo no poder. Com o lucro do petróleo, ele comprava aliados e mandava matar opositores.
Lula desfilou em carro aberto ao lado do ditador quando visitou o país.
Este post foi inspirado no que foi publicado em julho do ano passado no blog O Candango Conservador (aqui)
Metade do PT seria apedrejado
novembro 22nd, 2010 § 3 Comentários

Os detalhes da legislação que manda matar por apedrejamento os adúlteros e, muito mais especialmente, como se verá, as adulteras e os homossexuais do Irã, deixam mais claras a honestidade de propósitos e a nobreza de intenções do governo Lula ao se negar a assinar uma moção da ONU de condenação a essa prática e, ainda, às do enforcamento de crianças e perseguição implacável, assim como aos seus familiares, de advogados, jornalistas e de quem quer que seja que manifeste desacordo com o governo Ahmadinejad, que esses nossos compatriotas quiseram, com seu corajoso gesto humanitário, proteger da insidiosa campanha de difamação de que são vitimas por parte dos Estados Unidos.
Vamos a eles:
Sakineh Ashtiani foi condenada em 2006 por manter relações com dois homens apos ficar viúva o que, segundo a lei islâmica, também é considerado “adultério”. Continuaria sendo adultério, note bem, se ela tivesse mantido relações com apenas um desses homens. O que importa aos seguidores do profeta é que ela não estava casada.
De saída, ela pagou a pena inicial de 99 chicotadas e foi condenada à morte por apedrejamento.

Mais adiante, aparentemente depois que seu caso, divulgado pela internet por seu advogado, provocou a indignação internacional da qual o governo Lula não compartilha, um tribunal de apelação (ou o que julgou o assassino de seu marido, não esta claro no noticiário) acrescentou a essa acusação a de ter cometido adultério “também quando estava casada” e de ter conspirado para a morte de seu marido, o que acrescentou a opção de morte por enforcamento.
O artigo 105 dessa legislação prevê que uma pessoa pode ser condenada por adultério com base tanto na “intuição” quanto no “conhecimento” do juiz responsável pelo caso. “Quatro confissões separadas da vitima” também selam o caso, o que nos abre uma fresta para o que se passa dentro das celas das prisões iranianas…
Segundo ONGs internacionais, 25 pessoas aguardam execução por apedrejamento no Irã. Segundo ativistas iranianos, são mais de 50. Desde 2006, quando Sakineh foi condenada, sete pessoas morreram por apedrejamento. Desde 1979 quando esse tipo de pena foi imposta pelos aiatolás que derrubaram o xá Reza Pahlevi, 109 foram mortas assim.

A lei diz que homens adúlteros também podem ser apedrejados. Mas os homens têm direito a se casar com cinco mulheres ao mesmo tempo e manter relações sexuais com mais uma solteira por meio do “casamento temporário”. Só daí para frente é que se configura um “adultério” masculino…
Ainda assim, os homens condenados serão enterrados somente até à cintura. As mulheres, até os ombros, pelo que só a cabeça fica como alvo, o que explica que quase todas elas morram enquanto quase todos eles sobrevivam às pedradas.
O artigo 106 também proíbe que essas mortes sejam rápidas. “As pedras não devem ser nem muito grandes, para matar uma pessoa com um ou dois golpes, nem muito pequenas”.
A população iraniana aparentemente abomina a pratica que o governo Lula compreende e tolera. Tanto que nas ultimas execuções começou a se tornar comum que o publico passasse a apedrejar as autoridades presentes em vez das vitimas. Desde então, os apedrejamentos passaram a ser secretos, em lugares ermos ou dentro das prisões. Nem as famílias recebem os corpos dos apedrejados. O próprio termo “apedrejamento” passou a ser proibido na imprensa iraniana.
Depois que relatou o caso na internet, o advogado de Sakineh passou a ser perseguido, assim como seus parentes. Em julho passado, fugiu para a Turquia onde pediu asilo. Sua mulher e seu cunhado não tiveram a mesma sorte e continuam presos.

A mesma lei que manda apedrejar adúlteros pune o alcoolismo com chibatadas e o roubo com a amputação da mão do ladrão.
Se transpusessem para o Brasil as leis que o PT se recusa a condenar no Irã, a maioria das figuras de proa e boa parte da militância do partido não escapariam.
Certamente não por falta de culpas, os homens, aqui como lá, dariam um jeito de safar-se do apedrejamento. Mas a se cumprir com rigor as punições por relações fora do casamento das mulheres brasileiras, antes e depois do enlace matrimonial, teríamos nada menos que um genocídio. E as vítimas seriam certamente mais numerosas nos arraiais onde até esse tipo de relação é tido como um ato com conotações políticas, onde é preciso violar as “convenções e preconceitos burgueses”.
Já Brasília em geral, e o Palácio do Planalto e a Esplanada dos Ministérios em especial, estaria tomada por uma horda de manetas, muitos com as costas retalhadas a chicote em função do abuso do álcool. Com tanta gente importante pressionando por “acessibilidade”, inclusive a maioria absoluta dos que estão hoje em posição de legislar em causa própria, é possível que acabasse internacionalmente conhecida como a cidade sem maçanetas.
O lado positivo é que o Brasil finalmente resolveria o problema do déficit crônico da previdência do funcionalismo visto que entre os “direitos adquiridos” de que só eles desfrutam, está o de transmitir por herança as benesses que o Estado lhes garante em matéria de pensões e aposentadorias com a condição de que seus descendentes não se casem. Pelo que, é pratica geral em Brasília que todos eles vivam “em pecado”, o que os tornaria candidatos certos à morte por apedrejamento.

Lula dá provas do que ele é
novembro 19th, 2010 § Deixe um comentário

Acaba de dar no site do Estadão:
A diplomacia brasileira se absteve de apoiar uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovada na noite de quinta-feira, 17, que pede o fim do apedrejamento como método de execução no Irã assim como a discriminação contra mulheres.
A resolução pede ainda o fim da restrição à liberdade de expressão e de associação, o fim da intimidação contra ativistas, advogados, políticos da oposição, bloggers e jornalistas, além de condenar o desaparecimento de pessoas que tenham participado de demonstrações. Condena, também, a alta taxa de condenações à morte anunciadas pelo governo iraniano, a execução de pessoas com menos de 18 anos que tenham cometido crimes e a existência de leis que permitem a pena de morte contra pessoas que sejam “inimigas de Deus”.
Segundo Mohammad-Javad Larijani, representante de Teerã na ONU, essa resolução não é justa e politiza os direitos humanos. É fruto da hostilidade americana em relação ao Irã. “O apedrejamento consiste em jogar um certo número limitado de pedras, de uma forma especial, nos olhos de uma pessoa. É uma punição menor que a execução porque existe a chance de sobreviver. Mais de 50% das pessoas (apedrejadas) podem não morrer“.

Larijani disse, ainda, que não há um silenciamento de advogados e nem jornalistas. “Todos podem falar com a imprensa estrangeira. Mas depende do que querem dizer. Se estão difamando o sistema legal, devem ser responsáveis por isso“.
O documento foi apresentado pela delegação do Canadá
Entre os outros países que se abstiveram estão Angola, Benin, Butão, Equador, Guatemala, Marrocos, Nigéria, África do Sul e Zâmbia.
Votaram contra a proposta Venezuela, Síria, Sudão, Cuba, Bolívia e Líbia.
A resolução foi aprovada com o apoio de 80 países, entre eles um dos membros do Mercosul, a Argentina, todos os países europeus, EUA, Canadá, Chile e Japão.

PS.: Um leitor qualificado observou-me que é exagerado adjetivar o nome do presidente Lula desde o título, como eu tinha feito nesta matéria. A vantagem da web é que, nela, os textos estão vivos. Estou de acordo. A indignação às vezes desqualifica a informação. E essa está aí, limpinha, no texto da notícia do Estadão. Assim, deixo para você, leitor os adjetivos para qualificar este belo gesto do nosso presidente e sua diplomacia.