Esperando Dilma
janeiro 27th, 2012 § 1 Comentário
Cesare Battisti, quatro mortes nas costas, e seu protetor o ex-ministro da Justiça do PT, Tarso Genro, no Fórum Social Mundial de Porto Alegre, aguardando a chegada da presidente Dilma que, logo em seguida, faria um discurso ultra radical para mostrar que afagos em FHC e eventuais demissões de corruptos flagrados insustentáveis não significam, necessariamente, que ela tenha deixado de ser o que sempre foi.
Para saber quem é Cesare Battisti e porque o governo Lula lhe deu asilo criando um incidente diplomático com o governo italiano que o condenou por quatro assassinatos e queria a sua extradição, veja matéria neste link.
Tiririca, Obama e a questão palestina
setembro 20th, 2011 § Deixe um comentário
E Benjamin Netanyahu chamou Mahmud Abbas para conversar em Nova York e seguir conversando em Jerusalém e Ramallah…
Os pessimistas dirão que nada mudou e que negociar um acordo de paz abrangente para toda a região sempre foi a condição prévia de Israel para discutir a criação de um Estado Palestino.
E assim é, por enquanto.
Mas se a aprovação iminente de um Estado Palestino pela ONU já o obrigou a se mover, é claro que a consumação do fato poderá convence-lo a mudar a qualidade dessa conversa. 
Foi exatamente assim, aliás, que nasceu o Estado de Israel, que estaria até hoje nessa mistura de blá, blá, blá com pólvora e sangue em que está atolada a questão palestina ha 63 anos se a ONU tivesse “encolhido” em 1948 e ficasse esperando a anuência dos árabes.
A esta altura, de qualquer maneira, não ha mais nada a perder. Quando você chega ao ponto em que cada uma das partes envolvidas pode retrucar a qualquer argumento da parte contrária com um “Você matou meu pai”, “Você matou meu irmão”, a racionalidade não tem mais lugar.
Os votos de ódio eterno estão feitos e é deles que vivem todos quantos, de parte a parte, querem mante-los vivos para sempre.
Mas um empurrão da ONU nos fatos para que as formalidades tratem de correr atrás deles como puderem depois pode criar para os palestinos o problema novo de construir uma Nação, desviando o foco absoluto na destruição que hoje é tudo que lhes resta. E isto pode proporcionar o hiato que falta para levar àquele vale de lágrimas, o sopro de esperança que está faltando para que todos possam gritar unidos um “Chega de tanta dor!”.
Barak Obama desistiu de esperar respostas desemocionalizadas dos republicanos para a necessária ação contra a crise da divida doméstica, e forçou uma decisão ao prometer vetar qualquer corte no Medicare sem a contrapartida de um aumento nos impostos dos ricos, que é a única solução possível para o problema.
Ele pouparia tanto tempo e sofrimento para seu país e para o mundo quanto ha de nos render a todos este – vá lá! – ato tardio de coragem se mostrasse a mesma decisão com relação à questão palestina, permitindo à ONU fazer já aquilo que, de qualquer maneira, terá de ser feito um dia.
Mesmo porque, nos dois casos, pior do que está não fica.
Luxo e brutalidade sádica; a marca registrada dos Kadafi
agosto 30th, 2011 § Deixe um comentário
A casa de praia de Hannibal Kadafi, um dos filhos do ditador protegido pelo Itamaraty e festejado por inúmeros “socialites” brasileiros, reservava uma cena que horrorizou mesmo os calejados correspondentes de guerra da CNN.
A moça que aparece no filme foi babá de uma das netas de Kadafi. Trabalhando quase como escrava, sem ennhum pagamento, ela ousou desafiar a mulher de Hannibal, Alin, e se recusou a bater na criança como lhe fora ordenado.
Foi levada para o banheiro da dona da casa, teve os pés e as mãos amarrados e a boca fechada com esparadrapo. Na sequência, Alin foi derramando por sua cabeça água fervente, trazida da cozinha, provocando as queimaduras que se vê em seu corpo, e deixando-a por semanas em agonia, sem atendimento médico.
Itamaraty sabia o que estava fazendo ao endossar a carnificina na Síria
agosto 18th, 2011 § 1 Comentário

Quando o Itamaraty, junto com a Índia e a África do Sul, assinou a declaração contra a aplicação de sanções contra Bashar al-Assad que ha cinco meses vem promovendo um massacre contra manifestantes desarmados, alegando que o ditador tinha prometido “reformas políticas” e precisava apenas de tempo para coloca-las em prática, a diplomacia brasileira já sabia que isso era mentira e que o “tempo” que Assad pedia seria usado exatamente para o contrário.
Desde então, ele acrescentou também sua marinha aos blindados e à aviação que já vinha usando contra as cidades mais envolvidas na rebelião. Hama, que seu pai, Hafez, tornou tristemente célebre em 1982 quando a bombardeou por dias a fio matando pelo menos 40 mil pessoas pelas mesmas razões que o filho repete a dose agora, foi varrida, a partir do mar, por uma verdadeira tempestade de balas de metralhadoras pesadas e, em seguida, invadida pelas tropas de Assad que iam de casa em casa arrombando portas e fuzilando sumariamente todos que encontrava, mulheres e crianças inclusive.

Feito o “serviço”, a televisão estatal síria transmitiu, em 4 de agosto, cenas horripilantes de pedaços de corpos flutuando nas águas vermelhas de sangue do rio Orontes, que atravessa a cidade, para sinalizar aos manifestantes do resto do país o que os esperava. Para o exterior, disse cinicamente que se tratava de corpos dos seus soldados “despedaçados pelos manifestantes”.
Não parou por aí, como se sabe. Depois de Hama, os subúrbios de Damasco também passaram por uma carnificina, assim como as cidades de Deir al Zour, Abu Kamal e Latakia. Mais de 2.500 pessoas foram trucidadas até agora.
A redobrada brutalidade que o Itamaraty vem ajudando a prolongar apenas confirma o que fontes ligadas ao serviço secreto israelense já tinham antecipado em relatórios circunstanciados demais para serem postos em duvida que foram publicados no mundo inteiro.
Assad estava correndo contra o relógio.

Cerca de 80% de sua força militar é constituída por soldados conscritos. No dia 2 de agosto (um dia antes do Itamaraty perpetrar a sua perfídia), quando terminava o prazo de serviço de 6 mil deles, o governo anunciou um decreto revogando a sua baixa. É que a chamada de reservistas feita no início de 2011 teve menos e 30% de respostas. Ao mesmo tempo, as deserções vêm aumentando todos os dias. Em meados de julho, 12 mil soldados foram oficialmente declarados desertores. O numero teria subido para 18 mil, segundo fontes israelenses, até a segunda semana de agosto.
Ate 7 de agosto passado seu ministro da defesa, general Ali Habib, de 72 anos, ainda foi visto dando expediente normalmente em seu gabinete. Desde o dia 8, porém, ele desapareceu misteriosamente. Para desmentir os boatos de que tinha sido assassinado em sua casa (houve vários casos de “expurgos” desse genero na alta cupula militar antes), Assad mandou a televisão oficial transmitir “uma declaração do general” feita por uma voz em off enquanto a TV exibia uma fotografia dele, dizendo que se afastara para tratar-se de um câncer de próstata de que se teria operado em julho. Mas não ha nenhum registro dessa “operação”. Habib nunca deixou seu posto antes.

Assad, entretanto, não mostrou nenhuma pressa em substituí-lo. Embora estivesse em curso a semana mais sangrenta do que ele chama de “uma guerra contra terroristas” que desafiam seu governo, o novo ministro, general Daud Raja, nomeado ha poucos dias, é conhecido por nunca se ter envolvido diretamente em operações de campo. Ele cuidava de desenvolver misseis de longo alcance e adaptar outros em poder de Assad para carregar ogivas com agentes químicos.
Mas porque teria o ditador se disposto a alterar toda a cupula do seu comando militar bem no meio dessa “guerra”?
Porque Assad atribuía o problema das deserções e da dificuldade de recrutar novas tropas à crescente resistência do general Habib em seguir massacrando seu próprio povo.
Na verdade, o mundo inteiro sabe que Habib tinha sido jogado para escanteio ha mais tempo e que a operação de erradicação pelas armas de qualquer dissidência ao regime vem sendo comandada pelo cunhado de Assad, general Asif Shawqat, chefe do serviço de inteligência militar, e pelo seu irmão mais moço, Ali Masher Assad. Mas diante da crescente pressão internacional, Bashar prefere não deixar muito evidente que a carnificina tem estado a cargo das três principais figuras do clan que, ha duas gerações, mantem os sírios sob um regime de terror.

O que Assad pediu ao Itamaraty e a diplomacia lulista concordou em lhe dar, foi o tempo que necessitava para, multiplicando a violência da carnificina, aplicar o golpe de misericórdia contra os homens, mulheres e crianças que, por toda a Síria, vêm enfrentando heroicamente a sua ferocidade de mãos nuas.
Agora ele parece convencido de que conseguiu o que queria. Por isso voltou ontem a falar em conceder “reformas”.
Como lembra Demétrio Magnoli em artigo para O Estado de hoje, a constituição brasileira prescreve, no seu artigo 4to, que o Brasil “rege-se, nas suas relações internacionais” pelo principio da “prevalência dos direitos humanos”.
Depois do alinhamento automático aos apedrejadores de mulheres que se dedicam a construir bombas atômicas que prometem usar assim que estiverem disponíveis do período Lula, Dilma, na sua primeira ação nessa área, acompanhou um voto internacional de repudio ao Irã. Mas já em março, ao abster-se de apoiar a ação internacional para deter o genocídio na Líbia, mostrou hesitação. Em junho a recusa de receber a iraniana Shirin Ebadi, Premio Nobel da Paz, sinalizou o recuo. E em 3 de agosto, a rejeição à condenação da Síria no Conselho de Segurança da ONU concluiu a restauração da política de Lula, Celso Amorin e Marco Aurélio Garcia que, pela primeira vez na história deste país, condena as próximas gerações de brasileiros à vergonha de termos sido cumplices de um genocida.
Como parece estar começando a acontecer com a decisão de levar adiante a “faxina” depois da primeira conversa a portas fechadas com Lula na semana passada, durou pouco a “primavera de Dilma” no terreno da politica externa.

Para inverter tudo e abraçar o nada…
abril 8th, 2011 § 1 Comentário

Que mundo é esse em que adolescentes, por “falta de atenção”, porque foram “zoados”, porque não são o que queriam ter sido, deixam uma casca oca perambulando aí por fora enquanto arquitetam um “outro” por dentro – finalmente secreto, só seu – que remói, que organiza a sua frustração, que apura, gota a gota, o seu ódio?
Que mundo é este em que adolescentes planejam com a razão como esmagar a razão? Como ferir impossivelmente, impensavelmente? Como impor a dor gratuita, a dor at random, a dor sem sentido para que doa mais?
Que dor é esta que lhes possa ter doído tanto?
Porque foi tão rara no passado e é tão comum hoje?
É a dor dos “com parâmetro”; a dor dos “com modelo”; a dor dos “com referência”. “Ha uma revolução de meios e uma indefinição de fins“. Esta é a dor com “ferramentas”. A dor informatizada. A dor insuportável da prova provada da própria insignificância.
É a dor dos que não se pertencem. Da geração que vive a vida exposta. Desse mundo sem paredes onde tudo está ao alcance de todos os olhares. A dor dos ubíquos, que “navegam” a sua solidão aos saltos por uma realidade aos pedaços, sem edição, onde se ganha ou se perde; onde se mata ou se morre.
Esta é a dor dos que “espiam”. Dos que “espiam” a vida radiante, perfeita dos “famosos”, dos lindos, ou o vale tudo para vir a se-lo dos donos das TVs e dos que eles fazem saltitar no picadeiro, bundas de fora, atrás da fuga do anonimato.

Já houve um “ódio de classes” que justificou massacres hediondos.
Hoje ha um ódio de ser. Um ódio de ser o que não se queria ter sido. Um ódio da consciência do que não se é.
O antes de ser; o antes de construir já foram a condição default da humanidade. E o alcançar, o caminhar, o fazer-se, o método universalmente aceito para superá-la.
Mas, na vida que realmente se vive, estamos na era da impaciência. A era do “click”; a era do Google, da resposta no milisegundo, da satisfação imediata, do passe de mágica que faz tudo surgir instantaneamente na tela.
Porque ele e não eu?
A vida em que realmente se está é a que se vive na solidão do quarto. A vida sem calores nem cheiros dos amigos-mensagens, dos amigos-avatares. A vida sem fronteiras, sem limites, sem percursos, sem distâncias. A vida sem bem e sem mal; sem “podes” nem “não podes”. Espiando, espiando…
A humanidade saltou para o outro lado do espelho.

As ruas, as pessoas, a vida sequencial, física, limitada no espaço, com potências e impotências, onde o começo vem antes do meio e o meio antes do fim; a vida impossível de plasmar, que não se distorce nem muda de cor com o passeio de um dedo sobre a tela da paisagem; a vida onde não se pode “curtir”, nem deletar, nem bloquear, é só o interlúdio entre os mergulhos, de espelho em espelho, atrás dos quais, sim, encontramos a realidade familiar, reconhecível, transitável do infinito desconexo, do mundo aos pedaços que nós sabemos operar; da vida sobre a qual temos controle, onde podemos escolher o que queremos ser e onde queremos nos colocar.
A morte? A morte já foi a eterna companheira. A que era recebida em nossas casas. A morte já foi percurso, já morou conosco, já foi onipresente como continua sendo no Discovery Channel. A vírgula entre os elos da cadeia alimentar. O recomeço da vida.
Hoje ela é a falência da tecnologia. A intrusa. A quebra da ordem. O intolerável. O inadmissível.
A vida já teve segredos. Já foi sua, já foi minha, já foi deles.
Hoje a vida não é de ninguém. “Caiu” o direito autoral até da biografia ao vivo que está em curso. Tudo é exposto, tudo é visto, tudo é filmado. Para cada pensamento, para cada ato, um modelo está prescrito. Não ha mais modelos de estar. Ha um modelo de ser. E ai de quem não for! É proibido destoar! Tudo está sendo vigiado; tudo está sendo medido; tudo está sendo julgado! Cada palvra, cada gesto têm de ser exatos!

Não existem mais O Mundo, a solitude, os mundos. Olhar os astros; sonhar com o maior que nós. Não existe mais mistério.
Deus.
Comemos da árvore do conhecimento e nos estrepamos!
Não estamos mais no mundo. Nós somos a ameaça para o mundo. Nós não somos mais a vida. Somos a ameaça contra a continuação da vida.
Não ha mais perigos. Nós somos o perigo…
Atire-se nas crianças. Em quaisquer crianças. Na cabeça.
Não para ferir; nem para vingar; nem para ver a dor.
Para nada.
Para inverter tudo e abraçar o nada.



